
José Manuel Bolieiro sublinhou, no Dia da Região, que a autonomia política é a resposta para “construir o progresso”, mas sublinhou que tal não pode ser um “fator de desresponsabilização do Estado”, ou seja, do governo da República.
“Um governo prestigia-se por ser justo, por olhar a dimensão do seu território, povo e economia. O silêncio não é uma opção. Reclamamos por ser justo. Exigimos, porque há a obrigação de apoiar, que não está a ser assumida. A responsabilização exige respostas a estas situações que nos afetam e com as quais não nos podemos conformar”, sustentou o governante, falando na sessão que decorreu no município das Lajes do Pico.
Com a celebração do Dia dos Açores, sustentou José Manuel Bolieiro, é vincada a visão da história da região e a “ambição por um presente de mudanças motivador de um futuro sempre mais auspicioso, de progresso e prosperidade para todos”.
“Quase nada, ou mesmo nada, é hoje possível sem a cooperação duradoura, sem corresponsabilização consistente. Autonomia de responsabilização significa poder próprio naquilo que é específico da região, mas também poder partilhado naquelas dimensões em que os Açores se encontram integrados. No todo nacional. Na União Europeia. No sistema de relações internacionais”, sublinhou.
Nesse sentido, a “consistência” da autonomia política nos Açores não pode desresponsabilizar o Estado “das suas obrigações”. “Antes pelo contrário. Impõe, exige, reivindica, em nome e voz do nosso povo, que o Estado cumpra cada uma das suas obrigações nos Açores. Compreende a responsabilidade nacional que conhece e respeita todo o seu território e o seu povo, também nos Açores. Somos açorianos cidadãos do mundo, da Europa e do nosso país”, lembrou José Manuel Bolieiro.
As “obrigações” do governo da República para com os Açores, acentuou, “não começam nem terminam com as transferências anuais de verbas do orçamento do Estado” para o todo regional. “Vivemos hoje, inesperadamente, episódios de uma atuação, por parte do Estado, que configuram a sua desresponsabilização para com os açorianos, cidadãos do mesmo país, e com ambição a mais altos patamares de desenvolvimento e progresso”, prosseguiu, perentoriamente, o presidente do governo dos Açores.
A autonomia de responsabilização exige concertação e diálogo, “mas, também, requer o respeito por parte do Estado no cumprimento das suas obrigações para com os Açores e os açorianos”, disse ainda o governante.
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