O Diretor Regional dos Assuntos do Mar afirmou, na Horta, que o Governo dos Açores está a trabalhar para que o arquipélago seja a primeira região do mundo classificada com o galardão de ‘Whale Heritage Site’, reconhecido pela World Cetacean Alliance e por outras entidades internacionais de relevo, como a International Union for Conservation of Nature.
Segundo Filipe Porteiro, que falava na palestra intitulada ‘The whales that shape the Azores maritime culture: why the Archipelago is a true Whale Heritage Site’, apresentada no âmbito da Cimeira da Aliança Mundial de Cetáceos, que decorre até sexta-feira, “os cetáceos e, em especial, o cachalote, marcam de forma indelével a cultura” açoriana.
Na sua intervenção, recordou que o legado da baleação norte-americana, entre 1760 e 1921, alimentou a tecnologia que foi adaptada para que a caça à baleia costeira se iniciasse nas Flores, no Pico e no Faial e se estendesse de seguida a todas as ilhas dos Açores, de 1850 a 1987.
A atividade baleeira marcou a primeira grande vaga de emigração açoriana para os Estados Unidos da América, sendo que na década de 1940 iniciou-se o período da industrialização da baleação açoriana que, segundo referiu o Diretor Regional, “atingiu o seu apogeu económico logo a seguir à II Grande Guerra”.
Filipe Porteiro afirmou que muitos autores norte-americanos e portugueses têm vindo a investigar e publicar estudos sobre estas atividades marítimas, “clarificando a verdadeira dimensão cultural e patrimonial que elas tiveram na sociedade açoriana”.
Nesse sentido, salientou que o legado da baleação nos Açores inclui “um vasto conhecimento científico, estilos arquitetónicos e de construção naval, bem como técnicas de melhor velejar, um conjunto significativo de peças de artesanato e obras de arte, uma centena e meia de elementos de património edificado de apoio à baleação em todas as ilhas e ainda uma mão cheia de museus e centros de interpretação que perpetuam a memória, com especial relevo para o dos Baleeiros, no Pico”.
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