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Classificação ‘Reserva da Biosfera’ permite inúmeras possibilidades

Avelino Menezes Biosfera Açores

O Secretário Regional da Agricultura e Ambiente afirmou que a classificação das Fajãs de S. Jorge pela UNESCO como Reserva da Biosfera permite “inúmeras possibilidades que devem ser exploradas”, nomeadamente a utilização desta marca, a que aderiram hoje a cooperativa Uniqueijo e a conserveira Santa Catarina.

Para Neto Viveiros, “utilizando as prorrogativas que esse reconhecimento em si encerra, há agora inúmeras possibilidades que devem ser exploradas, entre elas a adesão ou a utilização desta marca por parte das forças económicas” de S. Jorge.

O Secretário Regional, que manifestou “particular satisfação” pela adesão das empresas de maior dimensão da ilha a esta marca, considerou que a sua utilização é uma “mais-valia para os produtos”.

Nesse sentido, apelou a que mais empresas nas ilhas classificadas como Reserva da Biosfera adiram à utilização desta marca, que acrescenta ainda mais valor à da sua origem, os Açores.

O Conselho Internacional de Coordenação do Programa MaB – Man and the Biosphere (O Homem e a Biosfera), da UNESCO, classificou em março, em Lima, no Perú, as Fajãs de S. Jorge como Reserva da Biosfera, território que passou assim a integrar a Rede Mundial na sequência da candidatura apresentada pelo Governo dos Açores.

A classificação, aprovada por unanimidade e aclamação, contempla áreas de núcleo, de transição e de tampão, abrangendo toda a ilha de S. Jorge e uma área marinha adjacente até três milhas da costa.

Esta iniciativa contou, desde a primeira hora, com a participação de um conjunto de atores locais, designadamente os municípios de S. Jorge, associações e instituições locais, entidades ligadas à investigação científica e às atividades económicas, ambientais e culturais, além de personalidades individuais.

O processo de candidatura, desencadeado em 2014 pela Secretaria Regional da Agricultura e Ambiente, através da Direção Regional do Ambiente, incluiu também cerca de meia centena de cartas de apoio de outros países e regiões que possuem este estatuto.

A ilha de S. Jorge e as suas mais de sete dezenas de fajãs – pequenas planícies junto ao mar que tiveram origem em desabamentos de terras ou lava – constituem um património natural e cultural único no contexto da Região e com enorme potencial de projeção no exterior e de geração de riqueza,

A sua classificação como Reserva da Biosfera constitui, assim, uma oportunidade de afirmação à escala global, acrescentando valor aos produtos e serviços gerados em S. Jorge, pois os relevantes valores naturais, paisagísticos e culturais presentes nestes territórios devem ser potenciados.

A crescente procura das áreas protegidas enquanto espaços privilegiados de atividades e de lazer, representa novas oportunidades de negócio relacionadas com essa fruição e, ao mesmo tempo, acrescenta responsabilidade aos poderes públicos e aos cidadãos em geral na gestão sustentável desses recursos.

As Reservas da Biosfera são zonas dos ecossistemas terrestres, costeiros e marinhos reconhecidas internacionalmente e concebidas para responder ao desafio de conciliar a conservação da natureza com a procura de um desenvolvimento económico e social e a manutenção dos valores culturais associados.

Nos Açores, há quatro das Reservas da Biosfera existentes em Portugal, nomeadamente as ilhas do Corvo, Flores e Graciosa e, mais recentemente, as Fajãs de S. Jorge.

Os Açores são, aliás, uma das duas únicas regiões do mundo que possuem todas as classificações atribuídas pela UNESCO, sendo a outra a região de Jeju, na Coreia do Sul.

DL/Gacs

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