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Comemorar a Região Autónoma em dia do Espírito Santo é identificar a Autonomia com os Açores

Espirito SAnto Bandeira Lagoa Açores em Lagoa Algarve Festa do Divino

O Secretário Regional da Educação e Cultura afirmou, em Coimbra, que “a comemoração da Região Autónoma em dia do Espírito Santo corresponde ao esforço da identificação da Autonomia com os Açores”.

Avelino Meneses, que falava à margem da primeira sessão do Congresso Internacional do Espírito Santo, referiu que, “na verdade, o culto do Espírito Santo possui a dimensão da história e da geografia dos Açores”.

A Autonomia, pelo contrário, “é um fenómeno de menor dimensão, possui raízes no advento da contemporaneidade, na época das revoluções ocidentais e atlânticas que, na transição do século XVIII para o século XIX, propiciam a difusão dos ideais liberais e democráticos”, frisou.

O Secretário Regional, que proferiu uma intervenção neste congresso sobre ‘O culto do Espírito Santo como património social dos Açores’, sublinhou que, na Região, ao cabo de mais de meio milénio, e apesar de todas as “incompreensões”, o culto do Espírito Santo “é a manifestação religiosa mais forte, porque mais genuína”.

Avelino Meneses realçou, ainda, que a secular devoção ao Divino “concilia o sagrado e o profano, tudo timbre de uma religião que é mais do povo do que propriamente de qualquer Igreja”, e que, neste contexto, “o Império do Espírito Santo é o verdadeiro Estado Social”, cabendo nele “todos, crentes e não crentes”.

Nos Açores, a introdução do culto do Espírito Santo remonta ao tempo do povoamento, verificando-se, ainda no decurso do século XV, a constituição de irmandades proprietárias de hospitais, promotoras de bodos e coroações, numa ação dos Franciscanos que contou com a proteção da Ordem de Cristo, responsável pela administração eclesiástica do arquipélago até 1514, salientou Avelino Meneses, para quem “na introdução e, sobretudo, no alargamento do culto do Espírito Santos nos Açores influi decerto o afastamento de Portugal continental, que dificulta a superintendência da hierarquia eclesiástica, que insiste na redução da participação popular na organização dos festejos, sob o pretexto da depuração de manifestações profanas, inclusivamente pagãs”.

O Congresso Internacional do Espírito Santo a decorrer em Coimbra, e depois em Lisboa e Alenquer, no segundo semestre de 2016, é uma iniciativa da Câmara Municipal de Alenquer, em parceria com um consórcio de universidades portuguesas, designadamente do Centro História D’Aquém e D’Além-Mar da Universidade dos Açores, da Diocese de Angra do Heroísmo e do Governo Regional dos Açores.

DL/Gacs

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