
O presidente do Governo regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, proferiu esta sexta-feira, 26 de junho, um discurso marcante na Assembleia da República, em Lisboa, durante a sessão plenária comemorativa dos 50 anos da Autonomia das Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira. Conforme o texto integral da intervenção enviado pelo Governo regional, o líder do executivo insular classificou o momento como “um dia histórico” e elogiou a “maturidade democrática” do parlamento nacional ao acolher os órgãos de governo próprio das regiões autónomas com “intervenção e voz na Casa da Democracia Portuguesa”. Bolieiro fez ainda uma saudação especial aos deputados constituintes e a todos os que edificaram este modelo político.
No púbico de São Bento, o governante realçou que a autonomia foi o motor que permitiu ao arquipélago “vencer atrasos históricos, afirmar a sua identidade e assumir, plenamente, a responsabilidade pelo seu próprio desenvolvimento”. Com os olhos postos no futuro, José Manuel Bolieiro vincou que a ambição açoriana ultrapassa o estatuto de periferia. “Hoje, os Açores são mais do que uma região ultraperiférica da União Europeia. Porque o futuro desejado foi e é mais ambicioso do que isso. Queremos transformar os Açores numa Região verdadeiramente reconhecida como região estratégica, que aumenta Portugal”, sustentou, destacando a profundidade atlântica que as ilhas conferem ao país e ao espaço europeu como uma “grande fronteira ocidental” e plataforma de estabilidade.
O líder do executivo açoriano desenhou uma rota de evolução para a região, assegurando que o arquipélago está a transitar de uma postura assente nas carências para se fixar como um polo dinamizador de novos mercados. “À região de necessidades que temos sido, acrescentaremos, para futuro, ao nosso país uma região de oportunidades”, afirmou, apontando agulhas para as economias verde, azul e digital, bem como para as tecnologias espaciais, a proteção do oceano e a monitorização ambiental, elevando os Açores à categoria de “laboratório do futuro”. Segundo o governante, a antiga barreira geográfica foi ultrapassada pela modernidade, permitindo “transformar o que, durante séculos, foi visto como distância, para ser, agora, visto como uma centralidade estratégica”.
Perante o hemiciclo e os membros do Governo da República, Bolieiro deixou um aviso claro, sublinhando que o reconhecimento do valor dos Açores não se pode esgotar na retórica e exige cooperação ativa e “investimento em infraestruturas críticas estratégicas, de interesse comum”, além de verbas destinadas à ciência e inovação. A fechar o seu discurso, o presidente do Governo regional rejeitou qualquer força centrífuga ou separatista na essência autonómica. “A Autonomia Política não afastou, nem afasta, os Açores de Portugal. Pelo contrário. A Autonomia Política fortaleceu a Democracia e engrandeceu Portugal no mundo”, reiterou, concluindo com uma declaração de orgulho identitário ao afirmar que “o futuro de Portugal passa pelo valor do Atlântico” e que o futuro do oceano “conta com os Açores”.
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