
2022 foi um ano de viragem de ciclo aqui pela Atlântida. Economicamente, o turismo assumiu o seu papel de motor económico da região, como já se esperava, e tudo o resto foi paisagem, num ano sem quadro comunitário de apoio, em ano de transição de secretário regional das finanças, onde a economia lutou por se aguentar até ao fim, apesar das promessas de PRR’s, miragem do PO203 Açores e de outras esperanças sem concretização imediata. Os empresários que tiveram o engenho e a sorte de crescer, não conseguiram mão de obra disponível e competente, e a inflação galopante retirou poder de compra a todos. Como tal, muito se espera de 2023, para muitos será o ano da última hipótese. Será certamente o ano da última hipótese para este governo.
2022 marcou o meio da legislatura do governo de coligação, que apesar de apregoar ter um tão necessário pendor reformista, nestes dois primeiros anos conseguiu reformar quase nada. Entende-se que governar sem se estar à espera, depois de 24 anos de oposição, e sem se ter acautelado a desejável reforma interna, o PSD Açores tenha tido muita dificuldade em constituir um governo com os quadros técnicos e políticos adequados. Ainda mais, quando tem como parceiros de coligação dois pequenos partidos, um sem quadros e outro com quase nenhum. O resultado foram dois anos de remodelações no governo, gafes, asneiras grosseiras e o foco em minudências, em detrimento do verdadeiramente importante para que os Açores invertam a sua estagnação no fundo da tabela dos indicadores socioeconómicos nacionais e europeus. Salvou-se a tarifa Açores, que tem pouco de estrutural e de impacto duvidoso, e a baixa dos impostos, que num tecido empresarial tão pequeno e frágil, acabou por ter um impacto aparente residual, onde os grandes grupos de sempre amealharam a maior fatia. Aliás, nesse campo a estrutura empresarial dos Açores permanece exatamente a mesma, sem que se vislumbre aí também quaisquer alterações verdadeiramente estruturais, o que mostra bem como esta solução governativa serve perfeitamente os interesses dos mesmos, que durante 24 anos mantiveram o oligopólio do controlo da economia regional e não só.
Como tal, depois do tempo perdido, 2023 será o ano decisivo para o balanço futuro do sucesso desta solução governativa, se ainda houver a tempo, dado que muitas das opções poderão já não conseguir ser efetivadas antes das Regionais de 2024. Em 2023 o tempo para a SATA acaba-se, a despesa galopante da saúde terá de ter uma solução e a execução do PO2030 terá de ser exemplar. Na educação terão de aparecer indicadores promissores, no turismo a época terá de mostrar o planeamento e preparação entretanto (que esperamos tenham sido) feitos, o sector empresarial do estado terá de ter encolhido e o PIB terá de crescer acima da média nacional em ano de quase recessão. Foram estas algumas das promessas. Os Açorianos agora as quererão cobrar.
Em 2023 será necessário fazer diferente, recuperar o tempo que se perdeu a aprender a governar, agora com dois reforços de peso no executivo. Duarte Freitas com a pasta certa e a capacidade para o fazer, e Berta Cabral e a sua enorme vitalidade política de execução e combate. A fasquia tem de ser colocada alta, mesmo num governo, que por opção de José Manuel Bolieiro, vem de uma era passada, longe do que é uma governação moderna e audaz. Uma aposta segura dirão alguns, ou a falta de soluções internas digo eu, derivada da falta de vontade de renovar o partido, e dos 24 anos de travessia do deserto na oposição. 2023 ditará se a sua opção conservadora nas escolhas, e se estas mesmas políticas, as que pautaram a Via Açoriana de Vasco Cordeiro, foram as opções acertadas. De qualquer modo, este é um governo mais bem preparado do que era o indigitado em 2020, apesar dos secretários irrelevantes, e dos que nunca mostraram ter uma ideia para os Açores. As políticas essas, muito dificilmente serão outras. Estão impressas no genoma político regional, e, sem uma reforma profunda na governança, a par com uma revisão do sistema eleitoral, não se espera nada de novo a oeste. Um Feliz 2023!
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