Log in

A Oeste Nada de Novo: A Energia Via Verde

André Silveira
Empresário

Fevereiro, para muitas empresas dos Açores, trouxe o primeiro embate do enorme aumento do custo da energia. Aumento decretado pela ERSE, instituição opaca, e que ninguém contestou com veemência necessária aquando do aviso atempado, ainda no ano passado.
A definição dos valores das tarifas da energia são assunto ultra técnico, não acessível ao comum dos indígenas cá das regiões autónomas. E portanto, não deve haver contestação sem se estar munido de pelo menos um mestrado em engenharia. Mesmo assim, os empresários que se depararam com aumentos de mais de 60% na sua factura do mês de Fevereiro terão certamente uma ou outra questão que gostariam de ver esclarecida, sendo que a tal instituição não se presta a grandes conversas com os contribuintes, normalmente privilegia sim um bom almoço com as empresas produtoras e comercializadoras. Apesar disso resta saber qual a explicação que numa região que se gaba de liderar a penetração de energia verde, onde se afirma que quase 50% dessa seja renovável, fruto de investimento quase todo suportado por fundos comunitários (leia-se: “de graça”), haja um tal aumento tão brutal.

Sabe-se que a guerra a leste teve um forte impacto no preço dos combustíveis, mas também se sabe que esse é apenas uma parte do custo que a elétrica açoriana suporta como factor de produção entrando para o cálculo da tarifa de energia. Para quem não sabe, simplificando algo que é razoavelmente complicado, as tarifas são definidas pela santa ERSE, o regulador que tresanda a promiscuidade com as empresas do sector, tendo em conta os custos de produção acrescidos de uma determinada margem. São utilizadas contas altamente complexas para tal, mas, na minha opinião, é um processo obscuro, não auditável, e que no final deve ser fechado num bom almoço num dos grandes restaurantes da metrópole regado a Barca Velha. É uma opinião, a minha. Fora isso, lá está, só mesmo com o tal mestrado. Acontece que o preço do petróleo recuperou para valores muito semelhantes ao pré guerra. Custo esse que se junta aos restantes que compõem a produção de energia nos Açores. Um olhar atento às contas conhecidas das empresas produtoras regionais, em particular às tais das energias renováveis, o que vemos são lucros consistentes, regulares, e prontamente distribuídos ano após ano, mesmo agora com este governo fingindor de que alguma coisa mudou. Seria importante entender muito bem de que modo este brutal aumento da tarifa irá afetar as contas do universo EDA, e por consequência quais os interesses que beneficiarão diretamente. Os dos contribuintes não serão certamente.

Sem entrar em grandes contas, há pelo menos uma conclusão que não merece grande disputa: o grupo privado que comprou parte da EDA a preço de saldo, sabe-se lá porquê, tem uma via verde energética para lucros fabulosos, seguros e consistentes. Juntando a isso, pelo menos um contrato que depois de exposto publicamente por ser razoavelmente leonino, obrigaram-se a denunciar para não terem de passar por mais vergonhas. Facto esse que não deve ter passado ao lado do radar da ERSE entre as entradas e um amuse-bouche. Empolar os custos de produção, é capaz de não ser uma prática que o regulador preconize.

Se por um lado não se entende o anúncio de que o governo não apoiará as empresas no seu brutal aumento de custos, por outro é expectável que os lucros da EDA não sejam muito diferentes dos últimos anos, nem que o destino destes seja o mesmo. Enquanto isso, as empresas Açorianas desesperam para que no intervalo da discussão se dois contentores chegam às Flores nesta ou na próxima semana, tenham alguma atenção. São as empresas e seus empresários os verdadeiros motores desta terra, sempre foram, criam a esmagadora maioria do emprego na região e só não são mais pujantes porque a economia regional mantém-se refém de um ou dois grupos com o alto patrocínio do estado. Até o Prof. Monteiro da Silva, que foi parte do problema, avisou esta semana que talvez seja boa ideia fazer diferente. Olhando para o debate no parlamento regional, não me parece que haja qualquer vontade para tal. Entretanto, pagam os Açorianos. Este Carnaval mascaremo-nos de burros. Bom Carnaval!

avatar-custom

Diário da LagoaNotícias que contam

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

CAPTCHA ImageChange Image