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A Oeste Nada de Novo: Polícia bom, Polícia mau

André Silveira
Empresário

A recente polémica acerca da redução do contingente de acesso ao ensino superior Açores é bem reveladora na necessidade de vigilância constante dos apetites centralistas, e de como as regiões autónomas são na prática irrelevantes na agenda política nacional. Entende-se pouco acerca das razões de tal redução na região do país com piores índices de frequência do ensino superior. Não é necessário grandes estudos aprofundados para se entender que tal indicador, que em certo período recente até piorou, é fundamental para uma convergência sustentável dos Açores com a média nacional e europeia em diversas perspectivas. A educação é, e será sempre, o principal elevador social, como será sempre o motor do desenvolvimento. O contingente Açores permitiu a diversas gerações a oportunidade de frequentarem as melhores universidades nacionais. Muitos regressaram e trouxeram verdadeiro valor para empresas, instituições e à sociedade em geral. Muitos não regressam é um fato, mas esse é um desafio estrutural que tem já muitas décadas, para não dizer que existe desde sempre. Há vinte anos atrás na primeira conversa que tive com Mota Amaral, estando eu a frequentar o ensino superior em Lisboa na altura, perguntou-me porque não regressam os jovens Açorianos. Na altura, idealista e ingénuo, defendi que tal fenómeno tinha como principais razões a falta de empregos bem remunerados e a falta de perspectivas de carreira. Foi à sorte, mas acertei. Hoje é igual. Nada mudou.

Ora a unanimidade regional acerca deste assunto mostra bem a sua relevância, mas revela também como a república maltrata as regiões autónomas, ainda mais, quando os deputados eleitos pelos círculos regionais não são tidos nem achados antes de se ventilarem tais tonterias. Ou será assim?
É difícil de entender que o governo da república tenha a intenção de alterar assuntos fundamentais no que diz respeito às regiões autónomas sem diálogo com os deputados do seu partido, muito em particular os eleitos por esses círculos. No passado recente, mais de uma vez, foi o Sr. deputado Francisco César que alegadamente intercedeu para corrigir tonterias do governo da república em relação aos Açores. No caso concreto do contingente Açores apressou-se a demarcar-se da intenção da ministra da educação, e bem tal como se espera de um deputado eleito com os votos dos Açorianos. Ora, essa sucessão de salvamentos da pátria começa a levantar a suspeita de que há uma estratégia de avanços e recuos onde o Sr. Deputado surge como o salvador das diversas absurdidades do governo decadente de António Costa no que diz respeito aqui à ilhas. Uma espécie de polícia mauzão da república e o bom política que está destinado à nossa salvação.

Nada disto é aceitável, dado que, ou temos um governo totalmente em roda livre, que não fala com ninguém, nem com os deputados que o sustentam no parlamento, nem em particular com os eleitos pelas RAA’s, ou estas ameaças e recuos são uma estratégia de posicionamento de uma ou outra individualidade junto dos Açorianos para voos futuros. Qualquer que seja a interpretação, o que se percebe é a falta de respeito crónica da república para com as ilhas, e como assuntos de extrema importância para os Açores são joguetes políticos com o objectivo último das ambições de uns poucos. Sendo que no caso do PS a responsabilidade é evidente após o quase quarto de século a governar a região.

Seria bom que, em vez deste pequeno circo de ventilar tolices e de salvamentos (in)consequentes, o partido que conquistou uma vitória esmagadora nas legislativas de 2022, que ganhou de forma clara e inequívoca por cá, tivesse mais respeito pelas suas regiões autónomas, e que o Sr. Deputado Francisco César primeiro começasse por se envolver na reforma tão necessária do seu partido nos Açores, mostrando que é merecedor de uma oportunidade com as suas ideias para estas nove ilhas. Ideias essas até agora desconhecidas. Faria um melhor serviço a todos os Açorianos.

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