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Biblioteca municipal perpetua a vida e obra de Daniel de Sá

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Foi inaugurada, na Ribeira Grande, a biblioteca municipal Daniel de Sá, obra orçada em 1,4 milhões de euros que nasceu da adaptação da antiga Casa da Natividade. O edifício alberga salas de leitura, de contos e de pesquisa, auditório, zona de periódicos e depósitos onde vão ficar guardados cerca de 40.000 títulos. 

É um espaço que vai perpetuar a memória de Daniel de Sá e, como Alexandre Gaudêncio referiu na cerimónia de inauguração, “é um imóvel requalificado na cidade que tem um valor sentimental muito grande para os ribeiragrandenses, principalmente para todos aqueles que nasceram aqui”, disse. 

Segundo o presidente a autarquia local, trata-se de uma “justa e merecida homenagem”, na medida em que “a melhor forma de o homenagear é fazer perpetuar o seu nome junto dos livros que ele tanto gostava, fazendo-o feliz”. 

Alexandre Gaudêncio vincou também o “enorme orgulho por estarmos a dar um local definitivo aos livros do nosso concelho, visto que a biblioteca municipal andou, literalmente, com a casa às costas desde 1876”, realçando também que a “reabilitação de um imóvel degradado teve como objetivo o de dar uma nova dinâmica e uma nova vida à cidade.” 

O edil acredita também que esta obra vai ajudar a elevar os índices de literacia dos ribeiragrandenses. “Num concelho onde a taxa de analfabetismo é de 6,7%, acima da média regional e onde o abandono escolar e as qualificações literárias da população ainda estão aquém das médias europeias, torna-se necessário haver ações e estratégias que impeçam o abandono escolar precoce e a melhorar os resultados das taxas do sucesso escolar”. 

É por isso que a Câmara da Ribeira da Grande vai, já a partir de 2015, “apoiar os alunos do 4.º ano de todo o concelho de forma a poderem melhorar os resultados das provas de final de ciclo”, incluindo ainda “uma verba no orçamento municipal para melhor equipas as bibliotecas escolares”, adiantou. 

A obra está feita mas Alexandre Gaudêncio entende que o “verdadeiro trabalho começa agora”, destacando ser necessário haver uma “série de ações concertadas que tornem esta biblioteca num espaço dinâmico, que vá ao encontro das pessoas e que permita apontar um rumo, principalmente aos nossos jovens, de forma a terem mais e melhores condições para singrarem no futuro.” 

Preocupação da edilidade tem sido também a de “adjudicar o máximo de serviços e empreitadas a empresas do concelho, contribuindo assim para gerar mais riqueza e criando condições de emprego para a nossa população, principalmente no que ao setor da construção civil diz respeito”, acrescentou Alexandre Gaudêncio. 

Recordando um pouco sobre o imóvel onde agora está edificada a biblioteca municipal Daniel de Sá, trata-se de uma moradia apalaçada de estilo setecentista tendo pertencido à família Estrela Rego que a adaptou a casa de família no início da segunda metade do século XIX. Permaneceram até ao final da II Guerra Mundial, nomeadamente até 1945. 

No início da década de 1960 passou a infantário, sendo local obrigatório do nascimento de maioria dos ribeiragrandenses. Também funcionou como dispensário até final da década de 80, altura em que todos os serviços passaram para a Centro de Saúde da Ribeira Grande e posteriormente para o hospital de Ponta Delgada. 

No final da década de oitenta, e enquanto duraram as obras no lar Bernardo Estrela, funcionou como asilo dos rapazes. De 1989 até 2004/5, no rés-do-chão, foi recebendo o arquivo arqueológico dos materiais que a Casa da Cultura ia exumando nas terras do ex-mosteiro de Jesus da Ribeira Grande.

DL/CMRG

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