
A Câmara Municipal da Lagoa, na ilha de São Miguel, apresentou publicamente, no Cineteatro Lagoense Francisco d’Amaral Almeida, a obra completa «Etnologia dos Açores», da autoria de Francisco Carreiro da Costa. O lançamento, divulgado em nota de imprensa enviada pela autarquia, assinala os 45 anos do falecimento do investigador, convertendo-se numa homenagem ao seu legado e num contributo para a salvaguarda do património histórico e identitário açoriano.
O projeto destaca-se pela sua dimensão e relevância cultural, integrando não só a reedição dos dois primeiros volumes anteriormente publicados localmente, mas também a edição de quatro novos volumes inteiramente inéditos. Estes tomos adicionais reúnem cerca de 1.400 palestras radiofónicas que Francisco Carreiro da Costa proferiu e transmitiu no antigo Emissor Regional dos Açores, onde utilizou os microfones da rádio como uma plataforma de eleição para aproximar a cultura dos cidadãos e registar minuciosamente as tradições, a etnografia e as vivências mais profundas das gentes das ilhas.
Durante a sessão solene, Frederico Sousa realçou o significado histórico do momento para a comunidade local e regional, classificando a publicação como «um verdadeiro marco histórico» e «um verdadeiro ato de soberania cultural», que assegura às novas gerações um reencontro direto com as suas raízes coletivas. No momento, foi expresso ainda o orgulho institucional na concretização deste desígnio, afirmando ser «com profundo orgulho e elevado sentido de dever cultural que a Câmara Municipal de Lagoa apresenta a obra completa “Etnologia dos Açores”, um projeto singular que reúne o vasto e inestimável legado documental de uma das mais brilhantes figuras da cultura açoriana do século XX».
De acordo com Frederico Sousa, o investigador compreendeu, de forma singular, que a riqueza de um povo se alicerça na dignidade e na preservação da sua cultura popular, tendo a rádio desempenhado um papel crucial nessa democratização do saber. Frederico Sousa enfatizou que Francisco Carreiro da Costa «encontrou o veículo ideal para aproximar a cultura dos cidadãos, retratando com mestria as tradições, os costumes, a etnografia e a alma do povo açoriano, valorizando sempre a identidade insular», lembrando ainda que o visado «nunca guardou o conhecimento para si; pelo contrário, devolveu-o generosamente aos açorianos».
A concretização desta vasta compilação resultou de um esforço conjunto, que na nota oficial motivou um agradecimento público à Universidade dos Açores, à família do homenageado e a toda a equipa técnica e de investigação envolvida. Na ocasião, Frederico Sousa fez questão de evidenciar o trabalho rigoroso de Susana Goulart Costa e de Albertina Oliveira, cuja dedicação foi determinante para o levantamento e publicação final de toda a obra documental.
Com esta edição monumental, pretende-se que o conhecimento etnográfico saia dos arquivos e se dissemine pelo quotidiano da Região Autónoma. Ao encerrar a sua intervenção, Frederico Sousa concluiu que, a partir deste momento, «a “Etnologia dos Açores” passa a habitar as nossas bibliotecas, as nossas escolas e as nossas casas», terminando com um apelo à comunidade para que se saiba «olhar para o passado com absoluto respeito e, simultaneamente, caminhar para o futuro com firmeza e confiança».
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