A Câmara da Ribeira Grande vai assinalar, ao longo desta semana, o Dia Nacional dos Moinhos com a realização de várias atividades relacionadas com a efeméride cuja data se assinala nesta terça-feira, 7 de abril.
Assim, na terça-feira, sábado e domingo, o moinho do Pascoal II, localizado no jardim Paraíso, estará aberto para visitas durante todo o dia onde estarão expostas seis fotografias alusivas ao tema.
No sábado, dia 11, será realizado um passeio pelas zonas onde existem moinhos, sendo que o único que será visitado será o moinho do Pascoal II. A visita será orientada por Mário Moura, Sónia Moniz e Tiago Meneses, à qual se associa a Associação de Juventude da Ribeira Grande.
O trajeto do passeio inclui passagens pela rua do Barracão Velho, largo das Freiras até à ponte Trás-os-Mosteiros, Poço do Homem, Mãe d’Água, vale da Condessa e escola secundária da Ribeira Grande. A concentração para o início do passeio será às 9.45 horas, junto ao edifício da Câmara da Ribeira Grande.
Recorde-se que o moinho do Pascoal II foi recentemente recuperado pela autarquia e é mais um atrativo turístico na aposta que a edilidade presidida por Alexandre Gaudêncio tem feito no sentido de dinamizar o centro histórico da cidade
O moinho do Pascoal II esteve fechado durante mais de duas décadas mas a recuperação realizada permitiu recriar ao vivo a moagem do milho, cujo responsável é o funcionário da autarquia Óscar Vitória, encarregue de efetuar as demonstrações a todos os visitantes que queiram ver como funciona a estrutura.
A história dos moinhos de água na Ribeira Grande remonta ao século XV, logo após o início da povoação, em virtude da abundância de água e à proximidade com as áreas de cultivo de cereais. Os primeiros moinhos foram totalmente destruídos por uma enxurrada invernosa na sequência da erupção vulcânica de 1563/64 que obstruiu as linhas de água com cinzas vulcânicas.
Para proteger os moinhos das enxurradas da ribeira, foi então construída uma levada conhecida como levada da Condessa que permitiu a construção dos moinhos afastados do leito da ribeira.
No final do século XVI existiam sete moinhos ao longo da levada, designados como as “primeiras sete casas”. As “segundas sete casas” ao longo da levada só terão sido construídas após a criação da Capitania Geral dos Açores em 1766 quando o conde da Ribeira Grande perdeu o monopólio dos moinhos, passando o respetivo controlo para a Capitania Geral dos Açores.
Com o regime liberal, no início do século XIX, voltaram a ser construídos moinhos alimentados por pequenas levadas junto ao leito da ribeira que voltaram a ser parcialmente destruídos por uma enxurrada em 1919.
No total chegaram a existir cerca de trinta moinhos de água alimentados pela ribeira grande e levada da condessa. Atualmente, para além deste moinho de ribeira recuperado pela Câmara Municipal, apenas mais dois moinhos se mantiveram em funcionamento, ambos alimentados pela levada da condessa.
DL/CMRG
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