
O líder do Chega/Açores, Carlos Furtado, foi este sábado, 1 de maio, reeleito para a liderança do partido, para um mandato de três anos, numa votação com 15% de participação, segundo declarou à Lusa.
O líder eleito espera que este seja um “novo ciclo no partido”, após este momento de “clarificação interna” em que recebeu os 35 votos expressos na votação.
Carlos Furtado referiu que a meta agora é preparar as eleições autárquicas, em que o partido, pela sua dimensão, não irá apresentar candidaturas por todos os municípios, optando por marcar presença nos mais importantes, como Ponta Delgada, Angra do Heroísmo e Horta.
O líder do Chega/Açores, que já foi candidato pelo PSD às autárquicas pelo concelho da Lagoa, onde reside, afirmou que não será candidato àquela câmara municipal.
Carlos Furtado apresentou a sua demissão, em 14 de março depois de terem sido tornadas públicas as divergências com o secretário-geral e o segundo deputado regional do partido, José Pacheco.
Carlos Furtado procurava uma “clarificação eleitoral”, disse, então, à Lusa o líder nacional do Chega, André Ventura.
A crise no partido populista ficou visível com uma mensagem publicada numa página de Facebook da estrutura regional por parte de José Pacheco contra o aumento de beneficiários de RSI verificado naquelas ilhas.
A publicação foi depois apagada pelo líder regional, Carlos Furtado, que escreveu que a direção do Chega/Açores e o próprio têm “a melhor atenção” aos problemas de “excesso de RSI” e o “objetivo de se arranjar soluções eficazes, sendo que neste momento as responsabilidades”, que lhes “são imputáveis, não permitem a crítica fácil e populista”.
A diminuição dos beneficiários de RSI nos Açores foi uma das ideias-chave defendidas pelo Chega na campanha eleitoral até ao sufrágio de 25 de outubro de 2020 e uma das principais nas negociações com o PSD/Açores, com vista à viabilização do novo Governo Regional, após 24 anos de poder do PS.
Em 15 de março, José Pacheco confirmava que seria candidato, assumindo “divergências” com o atual líder regional quanto ao “rumo” do partido na região.
Menos de um mês depois, em 06 de abril, Pacheco anunciou que ia abandonar a corrida à liderança da estrutura regional para acabar “com as divergências”.
Apesar da desistência do secretário-geral, oito dos onze elementos da direção do Chega/Açores apresentaram a sua demissão, em 16 de abril, como manifestação de apoio a Carlos Furtado.
Carlos Furtado confirmou à Lusa, em 02 de abril, que o ato eleitoral se realizaria no dia 01 de maio, mas, no dia seguinte, José Pacheco contestou, dizendo que desconhecia a data marcada.
Em 04 de abril, Furtado criticava os “comportamentos desleais” de José Pacheco, que, adiantava o líder cessante, “faltou” à reunião em que a data foi decidida, “sendo que, para além da sua não comparência, o mesmo ainda não atendeu, nem respondeu (…) às tentativas de contacto que foram efetuadas, por mais do que uma pessoa, durante a dita reunião”.
A data chegou mesmo a ser criticada por Fernando Mota, membro da direção, que, a 13 de abril, pedia a impugnação do sufrágio, salientando que aquele “processo eleitoral” estava “cheio de incongruências” e que “existem regras que têm de ser cumpridas”.
A II Convenção Regional do Chega nos Açores realiza-se a 09 de maio, no auditório da Associação dos Bombeiros Voluntários de Ponta Delgada, em São Miguel.
Lusa/ DL
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