
Rui Martins
Deputado CDS-PP na ALRA
É a primeira vez que escrevo para o Diário da Lagoa, e desde já agradeço publicamente a oportunidade de poder chegar aos seus leitores. Naturalmente irei escrever sobre assuntos da actualidade política, e aproveito para informar que utilizo a grafia pré-acordo ortográfico… aprendi a escrever assim, e confesso que me falta vontade ou interesse em mudar esse facto.
Justificando o título desta coluna, este acontece por, nesta altura do ano, ser recorrente depararmos-mos com episódios que fogem um pouco à seriedade com que encaramos, normalmente, o resto do ano, e acabamos por achar normal… fruta da época… silly season ou demasiado sol na moleirinha.
Curiosamente, e talvez por conta das alterações climáticas, o sol na moleirinha afecta alguns durante todo o ano… talvez sejam aquelas situações a que há muito nos referimos como os apanhados do clima.
E vem isto a propósito de uma entrevista do Engº Bastos e Silva, o duas vezes ex-Secretário Regional das Finanças, ao Açoriano Oriental no mês passado.
Bastos e Silva teve duas oportunidades, e aproveitou as duas para errar. No entanto, a insolação foi tanta, que a páginas tantas refere, mesmo sabendo o que sabe hoje, que “nas mesmas circunstâncias, se José Manuel Bolieiro me convidasse para o Governo, eu aceitaria.” Só posso considerar delirante esta afirmação, porque, por um lado, Bolieiro percebeu que o Engenheiro foi ultrapassado pela realidade da Região, que não vem no Financial Times, por outro, porque o que o levou a afirmar isto foi algo do género – “ele, ainda na semana anterior a me ter convidado a sair, enviou-me a representá-lo numa sessão solene.” Confunde competência numa função especifica com bom trato, educação e representação… ou esperava que o Presidente do Governo o remetesse à clausura?
Mas a razão que me leva a referir o olvidado Engenheiro, foi a sua tentativa de condicionamento do PSD-Açores relativamente à intenção do Governo Regional apresentar uma ante-proposta que tem em vista a redução da idade de reforma nos Açores.
Esqueceu-se que fez parte de um Governo que tem um Programa onde esta intenção está inscrita…
Já passaram alguns anos desde que o CDS levantou a questão e iniciou a defesa da antecipação da idade de reforma nos Açores, é verdade. Mas é também a primeira vez que o CDS integra um Governo Regional. Como é obvio, aquilo que foram compromissos que assumimos com os açorianos, teriam de ter respaldo na acção governativa se estivéssemos nessa posição.
A idade de reforma está indexada à esperança média de vida, e aumenta à medida que a população vai vivendo mais tempo e assim foi consecutivamente nos seis anos que antecederam a pandemia da COVID.
Ora, nos Açores a esperança média de vida à nascença, para o triénio 2020-2022, é de 78,18 anos, o que faz com que a Região apresente o valor mais baixo no todo nacional que regista uma média de 80,96 anos.
Há diversos motivos que concorrem para a esperança média de vida aumentar ou diminuir, desde os hábitos de vida saudável, hábitos alimentares, acesso a cuidados de saúde… esta última, por exemplo, matéria da nossa responsabilidade orçamental e que representa neste momento 42% da despesa corrente da Região.
A actual Lei de Finanças Regionais, não cobre os sobrecustos da insularidade e os gastos acrescidos na prestação de cuidados de saúde, entre outros, e daí advém também a justiça dessa reivindicação. Não é para abdicar de melhorar os cuidados prestados, mas sim para trazer justiça aos açorianos, enquanto não se equilibrarem estes indicadores.
Quem também alinhou nesta critica, arrastando consigo o Partido Socialista, foi, o encostado de deputado, e docente convidado da Universidade dos Açores – e agora percebo a dificuldade da UAc atrair estudantes – José San-Bento. Também a ele as alterações climáticas estão a causar transtorno.
Não sei se bastará um chapéu de dragoeiro para trazer alguma protecção a estes dois, mas pode ajudar a que não agrave.
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