
O Hospital Divino Espírito Santo (HDES) implementou a plataforma Brainomix 360, uma ferramenta de inteligência artificial desenhada para acelerar o diagnóstico e o tratamento do acidente vascular cerebral, garantindo maior rapidez e equidade no acesso aos cuidados de saúde para a população açoriana.
Este é um passo decisivo na modernização dos cuidados de saúde na região com a introdução da plataforma Brainomix 360. Esta tecnologia de inteligência artificial de última geração foi especificamente concebida para revolucionar o tratamento do acidente vascular cerebral, otimizando o diagnóstico e a rapidez de intervenção, fatores críticos num cenário onde “tempo é cérebro”.
A introdução deste sistema no fluxo de trabalho da unidade de AVC e do serviço de Imagiologia permite que os exames de tomografia computadorizada (TC) sejam processados de forma automatizada. Em poucos segundos, a IA identifica sinais precoces de isquemia e grandes oclusões vasculares que poderiam ser de difícil deteção inicial, garantindo uma precisão diagnóstica ao nível dos melhores centros neurovasculares do mundo.
De acordo com Raquel Senra, responsável pela unidade cérebro vascular do hospital de Ponta Delgada, esta inovação é vital, uma vez que o AVC é uma emergência médica que poderá levar a um elevado grau de incapacidade e mesmo ao óbito. “Como ‘tempo é cérebro’, é fundamental que façamos o diagnóstico o mais precocemente possível e, desta forma, administrar o melhor tratamento mais rapidamente. A inteligência artificial irá possibilitar que, de forma quase imediata, possamos identificar sinais precoces de isquemia cerebral e de oclusão de vaso intracraniano e desta forma possibilitar a sua rápida abordagem”, explica a clínica.
Atualmente, os Açores não realizam trombectomia mecânica, sendo os doentes enviados maioritariamente para a ilha da Madeira. No entanto, Raquel Senra sublinha que, com este avanço, “a partilha destas imagens acontecerá praticamente em tempo real, o que vem agilizar o processo de evacuação”.
A grande inovação reside também na mobilidade e na partilha de informação em tempo real, uma vez que, através de uma aplicação móvel segura, os médicos especialistas podem visualizar as imagens processadas e comunicar instantaneamente, independentemente da sua localização, facilitando decisões imediatas sobre tratamentos cruciais como a trombólise ou a transferência para trombectomia.
Esta agilidade tecnológica aumenta significativamente a probabilidade dos doentes recuperarem a sua independência funcional, reduzindo o risco de sequelas graves. A evidência científica internacional reforça que esta tecnologia reduz o tempo “porta-agulha” e oferece uma consistência diagnóstica superior, minimizando a variabilidade entre observadores.
Com este investimento, o hospital reforça o seu compromisso com a excelência, representando este sistema o mais recente marco na estratégia de inovação que já conta, desde julho de 2025, com o sistema Gleamer Copilot para radiografias de urgência, através dos módulos BoneView (especializado na deteção de fraturas, efusões articulares e luxações) e ChestView — focado na deteção de patologias críticas como pneumotórax, nódulos pulmonares, derrames pleurais e opacidades alveolares.
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