Durante as visitas ao “Presépio da Lagoa” no núcleo museológico da Mercearia Central, nesta vila, tomei conhecimento do talento do jovem Rui Borges, filho de José [Miguel] Borges, morador na Canada da Arrochela. Assim que encerramos as visitas, dirigi-me a sua casa, entusiasmado.
Trata-se de um autodidata com sensibilidade para executar trabalhos em barro e que tem-se dedicado a fazer peças de presépio, alusivas ao património religioso da sua terra, nomeadamente, a ermida do Monte Santo, a igreja de Nª Sª dos Anjos, casas, quintais com curral do porco, etc.
Não trabalha sob a técnica de molde, porque ainda não os concebeu e está a estudar a forma mais fácil, leve e económica de passar a fazer o seu figurado, ou bonecos de presépio.
Estivemos à conversa, na sua casa, junto ao presépio que fez com seu irmão e pais e tive a oportunidade de conhecer alguns dos seus trabalhos, que aqui publiquei, porque Rui Borges, tem talento e poderá vir a ser o próximo «bonecreiro» do concelho de Lagoa a integrar a lista dos artistas barristas da Cidade Presépio de Lagoa.
Rui Borges, «queima» os seus bonecos e peças de barro em forno normal de cozinha, onde tem realizado experiências.
No entanto, já tem a ideia certa do que precisa fazer, para seguir esta actividade com convicção.
Então, acredito que o Pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Lagoa, tem aqui outra oportunidade de fazer nascer mais um bonecreiro, cedendo-lhe alguns moldes, de bonecos de presépio de artistas lagoenses, que tem no seu acervo.
Por estes, facilmente, ele poderá ser introduzido na arte bonecreira tradicional e genuína da Lagoa, à semelhança dos outros bonecreiros lagoenses.
O aparecimento de novos bonecreiros no concelho de Lagoa, como a Liliana Amaral [Santa Cruz], José Morais[Rosário] e possivelmente Fábio Cabral [no Rosário] e agora Rui Borges em Água de Pau, vem contrariar a opinião de um artista de presepios não lagoense, desta ilha, que se lamentava recentemente a um jornalista desta actividade em decadência.
Eu acredito, pelo contrário, que os bonecreiros devem exigir da autarquia o seu espaço cultural para divulgar a sua obra e talento para que possam fazer chegar a ele mais interessados nas suas figuras de Presépio. Os clientes não sabem onde os procurar e fogem do comércio de P. Delgada, porque os vendem muito caro [dizem-me os artistas].
A autarquia poderá ter uma pessoa «localizada» no seu site, com um numero de telefone, para os interessados contactarem e serem direccionados para os números de telefone dos bonecreiros.
A Câmara abriu a 1ª fase do espaço dedicado aos Presépios e Arte Bonecreira no Convento dos Frades e em breve abrirá em 2018 mais duas. Uma delas, será uma oficina para bonecreiro residente, onde artistas podem executar e cozer os seus bonecos de presépio.
Portanto, há boas prespectivas para a continuidade da actividade bonecreira da Lagoa nos próximos tempos. Ainda bem.
Nos Açores [e nas Comunidades Emigrantes dos EUA e Canada] os Presépios da Lagoa destacam-se de todos os outros, nesta área, colocando-se na linha da frente, quer em artistas, quer em eventos. Não é nada de novo, já o é desde 1862. Por isso é que a Lagoa é a Cidade Presépio.
Por: RoberTo MedeirOs
Os leitores são a força do jornalismo livre.
Subscreva e apoie. Ao valorizar o nosso trabalho, viabiliza um jornalismo independente e de proximidade. Só assim levamos até si as notícias que contam.
Leave a Reply