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Não é alarme, é realidade: as contas dos Açores preocupam (e muito)

José Pacheco
Presidente e Deputado do CHEGA Açores

Mesmo não sendo economista e com a informação que hoje abunda, fico demasiado preocupado com as contas da nossa Região.

E digo-o de forma direta, como costumo falar: isto não é conversa de técnicos, nem um tema para ficar fechado em gabinetes. Isto diz respeito à vida real dos Açorianos. E aquilo que os números mostram é preocupante, muito preocupante.

Durante anos, o Tribunal de Contas tem vindo a avisar. Não foi uma vez, não foi duas. Foram anos seguidos a dizer a mesma coisa: há problemas nas contas, há falta de controlo, há dívida a mais e transparência a menos.

E quando uma entidade destas repete o mesmo alerta durante uma década, há duas hipóteses: ou ninguém ouviu… ou não quiseram ouvir.

Os números não enganam. Em 2024, tivemos um défice de cerca de 247 milhões de euros. Em 2025, voltamos a ter um défice perto dos 200 milhões. Isto não é um acidente, é um padrão.

Ao mesmo tempo, a dívida já anda perto dos 3,4 mil milhões de euros, cerca de 60% da nossa economia. E mais grave ainda: já ultrapassámos os limites legais de endividamento em mais de mil milhões de euros.

Isto tem de ser dito como é:

Estamos a gastar mais do que aquilo que temos.

E estamos a fazer isso há anos.

Depois há outro problema que me preocupa ainda mais: a falta de clareza nas contas. O próprio Tribunal de Contas diz que as contas são aprovadas com reservas. Isto quer dizer, em linguagem simples, que passam… mas não estão bem.

E se nem as contas são claras, como é que alguém pode garantir aos Açorianos que tudo está controlado?

A isto junta-se uma dependência enorme de dinheiro que vem de fora , do Estado e da Europa. Atenção: esse dinheiro é importante, claro que é. Mas não podemos viver permanentemente agarrados a isso, como se fosse solução para tudo. Porque não é.

E depois temos as empresas públicas. Sempre que há prejuízos, quem paga? Somos todos nós. Sempre que há decisões erradas, a conta vai parar à dívida da Região. E ninguém assume responsabilidades.

O mais frustrante no meio disto tudo é que os problemas são conhecidos. O Tribunal de Contas tem recomendado, ano após ano, exatamente o que é preciso fazer: mais rigor, mais controlo, menos dívida, mais transparência.

Mas a pergunta é simples: O que mudou realmente? Muito pouco.

E enquanto nada muda, a Região continua a andar na corda bamba. Pode não cair hoje. Pode não cair amanhã. Mas está cada vez mais perto do limite.

E há uma coisa que temos de perceber de uma vez por todas: não há autonomia a sério sem contas certas. Podemos falar de autonomia política o que quisermos, mas se dependemos sempre de dinheiro de fora e se estamos afogados em dívida, essa autonomia é cada vez mais frágil. Isto não é ser alarmista. É ser responsável.

Os Açores precisam de mudar de rumo. Precisam de mais verdade nas contas, mais rigor na gestão e mais coragem para tomar decisões difíceis. Porque continuar assim é fingir que está tudo bem quando não está.

E a verdade é esta, sem rodeios: os Açores estão a viver no limite.

E quem anda no limite durante muito tempo, mais cedo ou mais tarde paga a fatura.

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