
Clife Botelho
Diretor do Diário da Lagoa
O Diário da Lagoa celebra onze anos e inicia um novo capítulo da sua história. Primeiro surgiu como órgão de comunicação social no seu sítio na internet, depois, em outubro do mesmo ano, ganhou dimensão com o lançamento da edição impressa. E passaram-se onze anos de páginas com todos aqueles que passaram por esta casa. Por conseguinte, nesta nova fase decidimos finalizar as experiências desenvolvidas ao longo dos últimos anos em que se implementaram novas perspetivas, diferentes estratégias na procura de alcançar a sustentabilidade. Acima de tudo serviu para ganharmos consciência do que pretendemos para o futuro. Para registo, ficam as edições que se publicaram nesse período, que, para quem estuda jornalismo, podem ser objeto de análise entre o antes, o durante e o depois. Porém, a partir daqui, assumimos o desafio na certeza do que realmente vale a pena.
E se a editora que criei há cinco anos é, desde então, detentora do Diário da Lagoa, confesso que, por outro lado, num jornal com mais de uma década de vida, há decisões difíceis que são feitas de coragem, espírito de sacrifício e focadas num dos mais elementares valores: a liberdade de decidir o nosso percurso. O objetivo será sempre levar aos leitores, através de projetos únicos, as notícias que contam. Entendo, portanto, que é tempo de abraçar a convicção de que nos devemos apoiar numa equipa editorial mais experiente no que ao jornalismo diz respeito. Conto por isso, nas próximas edições, com colaboradores que, além de gostarem do que fazem, são sobretudo amigos na essência da palavra, pois qualquer publicação só se constroi com pessoas que se valorizam mutuamente, respeitam a essência do que se cria, cientes do compromisso para com o estatuto editorial.
O trabalho faz-se aqui, a partir da Lagoa, nos Açores, para o mundo enquanto faz sentido, porque no dia que perder força, terá cumprido o seu propósito e será o momento de aceitar que “nada se perde, tudo se transforma”. Porventura, acredito que haverá espaço para nos reinventarmos perante as adversidades que devemos encarar como oportunidades para evoluirmos. E, nesta jornada além da primeira década, avistam-se novos obstáculos — especialmente quando o jornalismo incomoda ou marca a diferença —, porém tudo aquilo que tentar derrubar a nossa paz e consciência, verá, a seu tempo, a força do impacto da verdade e dos factos. Assim, de cabeça erguida, a luta é diária e intensa, mas o que nos alimenta a alma, naquilo que somos, é infinito. Contudo, ainda no presente, estamos de regresso à redação virtual, pois optamos por trabalhar novamente a partir de casa, unidos pelas novas tecnologias que nos permitem continuar a desenvolver o sonho que se torna realidade a cada dia. Do mesmo modo, no que considero um privilégio, continuamos a contar igualmente com a centenária tipografia A Crença, sede do jornal com o mesmo nome, onde paginamos todo o conteúdo que é publicado em papel. Trata-se do espaço onde a Lagoa e a Vila Franca do Campo conjugam esforços em prol de um bem maior. É, assim, que unidos pela convicção de que é possível defender a liberdade e a democracia, que damos voz a valores que nos inspiram, apesar da insularidade que nos separa do mundo, para juntos superarmos os desafios com dedicação, persistência e resiliência, na certeza de que estamos a trilhar um caminho feito de esperança.
Resta-me, por fim, agradecer a todos os que nos acompanham, colaboram, apoiam e leem: obrigado por continuarem a acreditar em nós. E, por ser um momento de transição, desejo a todos os nossos leitores, um bom ano e boas leituras.
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