Log in

Perdoa e esquece

Júlio Tavares Oliveira

É comum os psicólogos falarem de «perturbações de vinculação», sendo que, hoje, muitas pessoas debatem-se com diversos problemas como conflitos, inseguranças, ciúmes, possessividade ou até mesmo comportamento controlador. Muitos desses problemas têm origem no nosso tipo de vinculação ao outro.
O conceito da teoria da vinculação foi introduzido pelos psicólogos John Bowlby e Mary Ainsworth na década de 70 e, desde então, tem sido feita imensa pesquisa sobre o assunto – sendo o modo específico como alguém se relaciona com alguém nas suas relações particulares, sendo algo que, porventura, já fora moldado na infância em resposta à relação com os nossos cuidadores (em bebés).

Da mesma forma que alguém aprendeu (ou não) a amar, também aprendeu até que ponto se deve apegar, ou não, a outra pessoa. De acordo com a Teoria da Vinculação, existem quatro tipos diferentes de vínculos: Seguro, Preocupado, Evitante-desligado e Evitante-receoso, sendo que esses vínculos, todos eles, aplicam-se a todas as nossas relações e não apenas às românticas.

O que é importante perceber é que nenhum tipo de vinculação, aqui, é bastante pior do que o outro – a maioria baseia-se na insegurança, no medo e na falta de amor – dado ou recebido. Por exemplo, ser deixado ou deixar uma relação amorosa pode magoar imenso, mas até que ponto não será esse o fim natural, o desfecho natural da tua relação? Até que ponto não precisaste de dizer «adeus»? O hábito de criar, sempre, uma narrativa ficcional e inorgânica em torno daquilo que te aconteceu e acontece aumenta, sempre, a tua vinculação e a identificação com a situação – só estás, pois, a reforçar as perceções negativas quando dizes coisas «Claro que se foi embora, vão sempre». Só estás a aumentar, a alimentar, a tua dor.

A minha sugestão, caro leitor, é que comeces, já, a apontar a tua bússola para uma nova direção – para hoje! Concentra-se, antes, no que queres, não no que já tiveste. Por exemplo, é muito difícil ressuscitar um amor morto, mas podes usar o teu passado para te impulsionar para a frente, em vez de deixares que ele te arraste para o fundo.

Acima de tudo, observa que o teu desgosto, seja ele de que ordem for, está intimamente ligado à forma como vês o mundo. Esta visão pode ser definida por desconfiança, medo, autossabotagem, sentimento de importência ou vitmização. Contudo, tens, e deves, sempre, acreditar no teu potencial.

Prepara-te, também, caro leitor, para fazer algo fundamental na tua vida: perdoa e esquece. Quero terminar aqui fazendo uma pequena pergunta: podes perdoar o teu amigo, parceiro, familiar pelos seus erros, falhanços, fraquezas e esquisitices? Prepara-te, sim, para aceitar, perdoar, esquecer e, finalmente, para seguir em frente com compaixão e amor. Quando o fizeres, criarás espaço para que algo maravilhoso aconteça. Já sabes, não te atrases!

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

CAPTCHA ImageChange Image