1
Depois da vindima linda
Que é feita com carinho
Essa é altura melhor ainda
Tempo de provar o vinho.
2
Tempo de abrir a cartola
Tempo de fazer a farra
Um tocando viola
Outro tocando guitarra.
3
Um tocando charamela
Ou até mesmo acordeão
Olhando para a torneira bela
Que alegra o coração.
4
Até quem toca os ferrinhos
Mais o tocador do pandeiro
Começa a piscar os olhinhos
Com o olho no vinho de cheiro.
5
Formou-se o grupo dos tocadores
A festa vai começar
Também estão os cantadores
Para a São Martinho cantar.
6
Ali cantem com carinho
Suas quadras com amor
Enquanto se prova o vinho
Cada vez com mais sabor.
7
Com suas vozes afinadas
E o povo todo junto
Começam as desgarradas
Ate mesmo em conjunto.
8
Viva querido São Martinho
Hoje não há artimanha
Viemos provar o teu vinho
Acompanhado com castanha
Na adega do vizinho
E o povo que nos acompanha.
9
Depois do vinho ser provado
Nessa tradição de amor
O mais bêbado é colocado
Às costas num andor.
10
La vão todos com alegria
Com o bêbado pelo caminho
Percorrendo a freguesia
Em honra de São Martinho.
11
Viva o grande São Martinho
Santinho com amor e ternura
As uvas a que fazem vinho
E o vinho nos leva à loucura.
12
Vai seguindo a procissão
Dando vivas aos gritos
O santo bêbado leva na mão
Um garrafão de cinco litros.
13
Ele vai sempre bebendo
Dizendo é disso que tanto gostas
Enquanto os outros vão gemendo
Com o São Martinho as costas.
14
Essa é uma velha tradição
Quando chega a prova do vinho
Ate se faz a procissão
Em honra de São Martinho.
15
São Martinho velho padroeiro
De uma longa tradição
Era um grande vinhateiro
Mas beber isso é que não.
16
São Martinho que acarinhas
As colheitas de vindimar
Cultivavas muitas vinhas
E davas o vinho a provar.
17
São Martinho de bom coração
Dava ao pobre castanhas e vinho
Daí vem a tradição
As festas de São Martinho.
18
Nos vinhais de São Martinho
Nesses tempos de antiguidades
Produzia se muito vinho
E de varias qualidades.
19
Guardem isso na memória
Ou ate mesmo no coração
Para quem não conhece a história
Dessa velha tradição .
Autor: João Silvério Sousa
(Na edição impressa de novembro de 2015)
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