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Promoção da Cidadania e Educação com Renata Botelho na Lagoa

A Casa da Cultura Carlos César acolheu, esta segunda-feira, dia 20 de março, a primeira sessão de promoção da Cidadania e Educação Política com a deputada da Assembleia Legislativa Regional dos Açores, Renata Correia Botelho, que se dedicou ao tema “O direito da mulher ao voto”. Neste espaço cultural lagoense, houve um saudável debate de ideias e lugar à sensibilização de alunos de duas turmas do 11.º ano da área de animação sócio-cultural da Escola Secundária de Lagoa, para o supramencionado tema.

Como nota introdutória, Igor França, coordenador de Educação e Cultura desta autarquia, salientou a importância da criação de massa crítica, essencial para a defesa e fortalecimento da democracia, evocando a génese grega, há cerca de 2.500 anos, deste regime político que constitui um dos pilares da nossa civilização. Referiu também que, terminadas as cinco sessões que integram a edição deste ano, os alunos elaborarão um documento com as suas conclusões que apresentarão à comunidade escolar no auditório da Escola Secundária de Lagoa.

No decorrer da sessão, Renata Correia Botelho fez uma descrição histórica sobre a conquista do direito das mulheres ao voto, que começou no Reino Unido, no início do Séc. XX, através do denominado movimento sufragista e que se propagou ao resto da Europa, nomeadamente a Portugal, no pós 25 de abril de 1974.
Relatou como o tema em causa representou um primeiro passo no avanço civilizacional necessário na conquista por parte das mulheres a lugares em cargos de liderança, mas expressou, veementemente, que ainda há um longo caminho a percorrer no que respeita à desigualdade de género. Esta diferença revela-se, em particular, na disparidade salarial entre homens e mulheres, pese embora todos os documentos orientadores, convenções e afins que foram elaborados nas últimas décadas com a finalidade de eliminar todas estas desigualdades. Renata Correia Botelho, encara a Lei da Paridade como “um mal necessário”, pois considera lamentável que tenha que ser por imposição legislativa o acesso das mulheres aos cargos que deveriam por inerência estar disponíveis a todos, questionando os presentes sobre se “o mérito nasce masculino?”. Finalizou esta sua importante intervenção, demonstrando a esperança que deposita nas gerações seguintes que como futuros decisores políticos e membros de uma nova sociedade sintam a premente necessidade dessa viragem, e que, efetivamente, é sobre estes que recai a responsabilidade de fazer com que a igualdade de género seja tão natural que não necessite ser contestada.

Sendo esta a primeira de um ciclo de sessões promovidas pela edilidade lagoense, a desenvolver nos próximos meses, cumprir-se-á o objetivo assumido de fazer uma gestão deste espaço focado na mediação cultural e formação da comunidade, recorrendo sempre a temas de enorme importância e que carecem de uma urgente sensibilização. Desta forma, Cristina Calisto Decq Mota defende a educação permanente como uma das suas mais importantes linhas de atuação, fazendo destas sessões um instrumento educativo não formal em que se aproxima o público mais jovem a testemunhos na primeira pessoa de individualidades ligadas à política nos Açores.

DL/CML

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