
Maria Chaves Martins
Licenciada em Direito
Estamos no último mês do ano de 2024 e é altura de fazer um célere balanço. Desde cedo ouvimos que a história é cíclica – que o é, e momentos históricos tendem a repetir-se, daí ser importante estudar e pensar os acontecimentos.
Assim, diria que o ano de 2024, tal como os seus antecessores, trouxe acontecimentos negativos e positivos, não só a nível regional, como a nível nacional e mundial.
Salvo melhor opinião – que todos têm e um “viva” à democracia por isto – diria que o incêndio do HDES foi o acontecimento mais negativo deste ano e talvez da década para a Região. Quanto tempo vamos levar a recuperar deste trágico evento e de que forma? Vamos aproveitar este trágico evento para o converter em algo “positivo”, tornando o Serviços Regional de Saúde altamente competitivo com recurso a tecnologia de ponta, atraindo profissionais altamente qualificados em colaboração com a Universidade dos Açores ou vamos estar reféns do habitual triste fado? Atento o histórico, volvidos sete meses há pouca esperança de um fenómeno “fénix” nesta matéria.
Em paralelo, diria que o incêndio na Madeira foi o evento mais negativo a nível nacional, sem prejuízo dos malfadados incêndios que decorram em Portugal continental. Para além da perda de património natural e da morte de animais, esse acontecimento deixou clara a importância de um serviço regional de proteção civil robusto que cumpra efetivamente a sua missão, altamente dependente dos bombeiros.
Por isso, é inevitável não lamentar a decisão dos partidos que compõem o Governo Regional dos Açores em chumbar a proposta do PAN/Açores para criação de um estatuto profissional para os bombeiros dos Açores. Apesar de ser cada vez mais evidente a importância da Proteção Civil, sobretudo com o avançar das alterações climáticas, parece existir uma tendência para negar o óbvio.
Por outro lado, é impossível negar o desencanto da vitória de Trump e do que este representa, e o quão percetível se tornou o facto de os EUA serem um negócio. Prova disso são as nomeações do futuro Presidente que tenta, a todo o custo, evitar a fiscalização do Senado.
É, também, difícil negar o impacte positivo dos jogos olímpicos deste ano: os mais ecológicos de sempre. Foram plantadas árvores para reduzir o calor da cidade, os menus eram sobretudo vegetarianos e veganos, onde eram utilizados produtos locais, como forma de reduzir a pegada de carbono. A par disso, apostou-se na energia renovável, sobretudo eólica e solar, e cerca de 95% das infraestruturas foram melhoradas e são reutilizáveis. LA pretende replicar – efeito contágio positivo. Oxalá tivessem tido a mesma obstinação com o rio Sena.
Por fim, não nos podemos esquecer que 2024 foi um ano de eleições em Portugal Continental, Madeira e Açores. Governos que caíram em 2023 e ressurgiram em 2024, mais ou menos estáveis. Nessas três frentes ganhou a democracia pluralista cada vez mais fragilizada por pensamentos com tiques ditatoriais nada progressistas, salvo as raras excepções de partidos, que defendem a natureza e o combate à emergência climática, o bem-estar animal, a igualdade de género, entre outros assuntos progressista que nos incitam a olhar para o futuro, como é o caso do PAN, representado nas três principais assembleias do país.
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