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Solidariedade

Lurdes Alfinete
Vereadora pelo PS na CM Ribeira Grande

Que não restem dúvidas: estivemos imbuídos do mais puro espírito natalício! Publicámos imagens de amor; vimos anúncios de famílias reunidas; cheirámos tangerinas com antecipação e nostalgia; comprámos lindas prendas; e até acedemos a um ou outro pedido de ajuda. Foi Natal e foi oficial: estava aberta a época da Solidariedade!

Nada de mau ou de errado, mas parecemos esquecer que há quem, durante 365 dias em cada ano, opere, diligentemente, na área da Solidariedade e que faça desta palavra, destes gestos, desta forma de ser e de estar a sua Missão diária junto das Famílias e da Comunidade.

Refiro-me às IPSS, às Misericórdias, às Casas de Povo e a tantas outras Instituições que abrem as suas portas, dia após dia, para oferecer uma verdadeira resposta social a todos os que precisam. Nestas, diariamente, acolhem-se crianças e jovens, ajudando-os a crescer no seu enorme potencial; apoiam-se desfavorecidos, renovando-lhes a sua capacidade de integração; ajudam-se dependentes, revelando-lhes um mundo longe da doença; confortam-se idosos, com dignidade, respeito e paciência; acredita-se em cada cidadão deficiente, sabendo do seu mundo de capacidades.

E, apesar de tudo isto, hoje em dia, são estas Instituições, que lutam contra o estigma da Pobreza em todas as suas facetas, as que mais pobres estão a ficar. São estas Instituições as verdadeiramente dependentes. Tal como as Famílias que apoiam, as Instituições sentem-se impotentes face à escalada de preços, face ao impacto da inflação, com o elevado custo das matérias-primas, com a subida do valor dos combustíveis e, paralelamente, com a falta de recursos e com a ausência de respostas.

Nos últimos tempos, as Instituições aprenderam a aguardar respostas que nunca chegaram e a não estranhar ausências que não se justificaram. Aprenderam a tentar agendar reuniões para pedir a «esmola» de um apoio, a boa vontade para um investimento ou a complacência para um projeto. Aprenderam a integrar mais utentes nos mesmos metros quadrados para lutar contra listas de espera que teimam em crescer. Aprenderam a subtrair onde deviam somar.

Nos últimos tempos, viram o seu papel de servidoras de uma Comunidade atirado para patamares de subserviência e de banalidade, resumido à mais completa dependência financeira e sem fontes de receita. E há quem procure agitar as Instituições como braços políticos armados, confundindo o papel dos seus voluntários com cargos de nomeação eleitoral.

As Instituições passaram a «marchar» ao ritmo dos interesses e não do que interessa!

Precisamos de voltar a olhar para cada uma destas entidades com a seriedade que nos merece e sem os freios dos que só veem as «caras» e nunca, mas nunca as missões…

Mais do que apregoar «Solidariedade», é preciso compreender o que significa Solidariedade, saber pô-la em prática e ajudar a construir a rede solidária que a nossa Sociedade precisa e merece, feita com quem está no terreno, diariamente, e para quem precisa.

Que no arranque de um Novo Ano, pleno de promessas e desejos, possamos pensar um pouco nestas Instituições: façamo-nos Sócios, Associados, Voluntários; ajudemos a ajudar; integremo-nos na sua vida comunitária; optemos, em consciência, pela Solidariedade de verdade.

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