Com o aproximar das eleições legislativas regionais, o Governo Regional do partido socialista, não se poupa a esforços, nem a dinheiro, para passar a mensagem de que vivemos num paraíso, graças ao seu “reinado” que já dura há 20 anos.
Na verdade, por muito que se tente tapar o sol com a peneira e distrair as pessoas com “pão e circo” há verdades que são inquestionáveis e que são o resultado destes desastrosos 20 anos de governação socialista.
As estatísticas não mentem e informam-nos que os Açores é a região dos pais, que ocupa o último lugar ao nível do desenvolvimento económico e da coesão social.
Ficamos a saber que 57% das famílias açorianas têm rendimentos mensais inferiores a 530 euros. Mas pior ainda, é que mais de dois terços destas famílias, recebem menos de 350 euros mensais. Ou seja, grande parte das famílias açorianas tem de viver com 10 euros por dia, para pagar alimentação e outros bens e serviços de primeira necessidade, que garantam a sua sobrevivência.
Talvez por isso, os Açores lideram a nível nacional, a chamada “pobreza persistente”, dado que ao longo dos anos esta situação tem vindo a manter-se até a agravar-se.
Somos a região do país, onde se paga mais Rendimento Social de Inserção.
7% da população açoriana recebe este apoio social. Este rendimento, dado que é pago pelo governo da república, parece não preocupar o governo regional, que em vez de trabalhar para diminuir a percentagem de famílias beneficiarias, fomenta ainda mais a sua atribuição, usufruindo assim de uma forma barata de garantir votos.
Claro que, esta falta de jeito do atual governo regional para resolver os problemas de natureza económica, bem como a ausência de uma estratégia que crie confiança nos operadores, origina uma grande crise nas famílias, mas também nas empresas.
Neste momento, mais de 60%, das empresas agrícolas, então à beira da falência. Como todos sabemos a agricultura é um sector chave para a economia dos Açores. Com estas situações de falência anunciada, na maioria destas empresas, o mais provável é esperar que a breve prazo, uma enorme quantidade de pessoas vá parar a uma situação de desemprego, engrossando assim, a já longa lista de desempregados que temos.
Na verdade, por muito que se tente colocar os jovens em cursos de formação, para reduzir as listas de desempregados, por muitos programas de fomento do emprego que se criem, os Açores continuam a ser o sitio do pais, onde existe maior desemprego jovem.
Basta observar que um em cada quatro jovens açorianos, com idades compreendidas entre os 18 e os 24 anos, não tem emprego, não está a frequentar nenhuma escola e também não está a frequentar qualquer curso de formação profissional.
Esta ausência de ocupação dos mais jovens está muitas vezes na origem de fenómenos menos bons. E são estas situações menos boas que, infelizmente, os Açores lideram, em relação às restantes regiões do país.
Somos a região do país onde é maior o consumo de drogas. Somos líderes nacionais no consumo de bebidas alcoólicas, somos líderes nacionais na gravidez na adolescência.
Mas há mais, somos também “os maiores” do país na violência doméstica e no abuso sexual.
Na área da educação, somos líderes destacados a nível nacional, em analfabetismo da nossa população. Somos também líderes no abandono escolar e claro, somos também os maiores no insucesso escolar.
Na saúde, Somos os últimos no acesso aos cuidados primários de saúde. Mais de 55.000 açorianos não têm médico de família.
Somos últimos no acesso às listas de espera das cirurgias – mais de 10.000 açorianos estão em lista de espera. Claro que com este cenário era inevitável outro tipo de liderança. Somos a região do Pais onde se morre mais cedo.
Somos também os últimos em participação eleitoral, graças certamente à falta de esperança que as pessoas têm no futuro. No entanto, isto pode ser uma oportunidade.
Se os açorianos quiserem, podem, em outubro próximo, através de uma participação maciça nas eleições que se vão realizar, alterar o atual estado de coisas nos Açores e dar uma nova oportunidade à nossa região.
Quem deixou a região neste estado, não merece continuar a governar. Somos hoje os últimos do país e da Europa.
Quem não conseguiu resolver nenhum destes problemas em 20 anos, não será agora que vai conseguir resolve-los. Há verdades que custam a ouvir, mas são verdades inquestionáveis.
Por Rui Meneses
(Crónica na edição Impressa de agosto de 2016)
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