
O presidente do Governo regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, defendeu esta segunda-feira, 25 de maio, a necessidade de afirmar o arquipélago como um exemplo global de desenvolvimento sustentável, alicerçado na autonomia política e na união de todas as ilhas. De acordo com a nota informativa com o discurso integral enviado pelo executivo açoriano, as declarações foram proferidas no Teatro Micaelense, em Ponta Delgada, durante a Sessão Solene Comemorativa do Dia da Região Autónoma dos Açores. O líder do executivo aproveitou o momento simbólico que marca as cinco décadas de Autonomia Política para sublinhar o orgulho na identidade do povo açoriano, declarando que, “hoje, com elevado orgulho, celebramos Açores. Celebramos açorianidade nesta segunda-feira do Divino Espírito Santo”.
Ao longo da sua intervenção na sessão que homenageou a condição de Ponta Delgada como Capital Portuguesa da Cultura 2026, o governante recordou o percurso histórico do arquipélago, lembrando que a autonomia nasceu da democracia conquistada com o 25 de Abril e foi consolidada com a Constituição de 1976. Para José Manuel Bolieiro, este processo permitiu transformar profundamente a realidade quotidiana das populações locais através da recuperação de enormes atrasos estruturais nas últimas décadas. O chefe do executivo salientou a evolução em áreas essenciais como a saúde, indicando que a região passou de 90 médicos em 1977 para cerca de 900 profissionais na atualidade, num universo de mais de 6.148 profissionais de saúde em funções. No plano económico, o governante evidenciou que o PIB per capita regional subiu de 45% da média nacional em 1974 para 88% em 2026, sustentando que “os açorianos criam riqueza e emprego, como nunca, e, só assim, se pode combater a pobreza histórica”, com um recorde superior a 120 mil pessoas empregadas.
Num discurso focado na coesão territorial, o presidente do governo deixou claro que o sucesso do arquipélago depende diretamente da valorização mútua e da solidariedade entre as nove ilhas, considerando que “a unidade é força transformadora e promotora do desenvolvimento de todas as ilhas, não deixando nenhuma ilha para trás, num processo de desenvolvimento harmónico e integral dos Açores”. Perante o atual cenário de instabilidade geopolítica internacional, o líder açoriano defendeu que a região deve afirmar-se como um espaço de estabilidade e responsabilidade institucional, funcionando como uma referência contrária aos conflitos globais através da aposta firme nas transições climática, digital e energética. “O mundo precisa de exemplos e de faróis. E os Açores são hoje um exemplo e um farol”, reforçou, destacando o papel pioneiro das ilhas na proteção do oceano e na antecipação das metas globais de sustentabilidade ambiental.
A fechar a sua alocução na sessão solene, José Manuel Bolieiro abordou a relevância geoestratégica dos Açores enquanto ponte no Atlântico para Portugal, para a União Europeia e para a NATO, coincidindo com os 40 anos de integração europeia do país. O governante vincou que a condição ultraperiférica da Região deve ser conciliada com a sua crescente centralidade tecnológica, científica e de conhecimento do futuro, visando o desenvolvimento de economias de alta precisão no mar, no espaço e em terra. O presidente do governo terminou com um apelo à mobilização coletiva de todas as gerações para “conjugar a região de necessidades que somos com a região de oportunidades que queremos ser”, transformando a incerteza geográfica em ambição coletiva.
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