El Notícias que contam é uma publicação jornalística dos Açores, com sede instalada no Centro Empresarial da Auto Central, na cidade da Lagoa, ilha de São Miguel. Operando num modelo de jornalismo colaborativo, de proximidade e independente, o projeto assume-se como um ativo da democracia açoriana, aproximando as ilhas do arquipélago, a diáspora e o território continental.
A identidade e a maturidade do Notícias que contam assentam numa história com mais de uma década, iniciada sob o título Diário da Lagoa. A 21 de fevereiro de 2014, o jornal foi fundado por Norberto Silveira Luís, natural do Pico, devolvendo ao concelho um órgão de informação local e quebrando um hiato de 77 anos sem publicações jornalísticas na Lagoa. Em outubro desse mesmo ano, após afirmar-se no ecossistema digital, lançou a sua primeira edição impressa, consolidando-se como o único periódico registado na ERC com origem no concelho. Segundo o fundador, a publicação nasceu com a vocação de ser um “diário de memórias”, documentando o quotidiano lagoense sem descurar a atualidade da ilha e do arquipélago.
Em dezembro de 2019, motivado por uma mudança de ilha, Norberto Luís confiou a continuidade do jornal a Sara Sousa Oliveira e Clife Botelho, num contacto promovido por Nuno Maiato, então pároco da Matriz da Lagoa. Com o intuito de evitar a extinção do único periódico na Lagoa e promover a literacia num concelho marcado por elevados índices de abandono escolar, Sara Sousa Oliveira assumiu a Direção de Informação entre janeiro de 2020 e junho de 2021. Com uma sólida carreira em órgãos nacionais, a jornalista renovou a imagem gráfica e instituiu o lema “notícias que contam”. A sua liderança privilegiou o jornalismo narrativo e de proximidade, focado em histórias locais e na independência face a agendas externas.
Em julho de 2021, a direção transitou para Clife Botelho. Natural de Santo António, em Ponta Delgada, mas residente na Lagoa, Clife Botelho assegurou o crescimento sustentado do projeto, lançando um novo portal digital em julho de 2023. Sob a sua égide, o jornal estreitou laços com a diáspora e firmou uma parceria estratégica com o centenário jornal A Crença, de Vila Franca do Campo. Esta sinergia, iniciada em novembro de 2023, revelou-se vital para a sustentabilidade de ambos os títulos num cenário de crise no setor dos media.
Ao fim de 58 edições sob a sua liderança, em abril de 2026, Clife Botelho deu por concluída a sua missão editorial e anunciou a sua saída da redação, devolvendo o testemunho a Sara Sousa Oliveira. Neste novo ciclo, a postura editorial reforçou o compromisso com a qualidade informativa, elevando o lema da publicação a uma nova escala e projetando-o para o centro da sua identidade. A transição teve como objetivo quebrar barreiras geográficas e afirmar a publicação como uma plataforma focada no jornalismo de proximidade.
Renovado e moderno, o projeto desenvolve-se com o apoio de jornalistas, colaboradores, subscritores e parceiros comerciais locais e regionais. Com mais de uma década de história e uma autêntica experiência de laboratório de media, o jornal assume a sua pretensão de ser uma referência para os milhares de leitores nos Açores e na diáspora.
Partindo da Lagoa, nos Açores, para o mundo, Sara Sousa Oliveira lançou o mote na edição de maio de 2026: “A Lagoa está no centro da ilha, mas o centro da ilha não é a Lagoa”, reiterando que “as histórias de cá e de lá são bem-vindas”. Assim, o jornal afirmou-se como uma publicação que caminha do local para o global: escrito na Lagoa, paginado em Vila Franca do Campo e impresso na Ribeira Grande, com contributos oriundos de várias ilhas e de ambas as margens do Atlântico. O objetivo de ser lido além da sua geografia — em todo o arquipélago, nas comunidades emigrantes e no território continental — ficou assumido. E, assim, ao fim de 12 anos, foi publicada a última edição como Diário da Lagoa, renascendo oficialmente como Notícias que contam em outubro de 2026.
Os diretores que moldaram a génese e a evolução deste jornal, bem como os colaboradores que os acompanharam ao longo do tempo, foram os arquitetos desta casa: uma casa que conta e continuará a contar uma história real de açorianidade, tendo como base e destino aqueles que justificam a sua existência — os leitores.