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Futuros enfermeiros desafiados a humanizar os serviços de saúde

Bênção das Pastas do 24.º Curso de Enfermagem da Escola Superior de Saúde dos Açores decorreu em Ponta Delgada: 47 finalistas despedem-se dos bancos da universidade com a missão de aliar o rigor da técnica à exigência da empatia

© IGREJA AÇORES/CR
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A igreja de Nossa Senhora de Fátima, em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, acolheu a cerimónia de Bênção das Pastas dos 47 finalistas do 24.º Curso de Licenciatura em Enfermagem da Escola Superior de Saúde da Universidade dos Açores. O momento, divulgado no portal Igreja Açores, foi marcado pela gratidão, pela esperança e pelo simbolismo da transição para o mundo profissional, tendo como mensagem central a urgência da humanização dos cuidados de saúde.

Durante a homilia, o padre Norberto Brum, que concelebrou com os padres Fernando Teixeira e Nuno Sousa, lembrou que, apesar das amarras do sistema de saúde, os profissionais não podem perder de vista que “os doentes não são apenas números ou clientes, mas pessoas”. Dirigindo-se diretamente aos finalistas, sublinhou a dimensão profundamente humana da profissão. “Vocês lidam com a beleza da vida humana na sua fragilidade. Não é apenas dar uma injeção ou um comprimido. Há também o toque terapêutico, aquele momento em que aparentemente não fazemos nada, mas em que a pessoa se sente acarinhada”, afirmou.

O apelo estendeu-se à necessidade de colocar sempre o indivíduo no centro dos cuidados e de não esquecer ninguém, com especial atenção aos mais vulneráveis. “Sejam muito profissionais, mas sejam sobretudo muito humanos. Não cuidem apenas porque vão receber um ordenado no fim do mês, mas porque aquela pessoa precisa de vocês na sua fragilidade”, pediu, acrescentando ainda: “Não se esqueçam de ninguém, mas sobretudo não se esqueçam dos últimos”. Segundo as palavras proferidas na celebração, a empatia e o acolhimento sem julgamento transpõem a mera competência técnica. Mesmo reconhecendo as atuais dificuldades estruturais, o padre Norberto Brum insistiu que “precisamos de profissionais competentes, mas também de profissionais que olhem o outro. Sei que o sistema não facilita, mas dentro da nossa ação humanizemos os cuidados de saúde. Precisamos de ombros amigos, de ouvidos que escutam e de vozes de esperança.”

Em representação dos finalistas, Ana Vieira recordou o percurso exigente e a resiliência demonstrada ao longo do curso, muito para além do estudo. “Vestimos a farda depois de noites mal dormidas e seguimos em frente para entrar na vida das pessoas quando elas mais precisam de nós”, afirmou a finalista, que sintetizou a essência do caminho que agora iniciam ao definir a enfermagem através da premissa de que “somos pessoas que cuidam de pessoas”.

A sessão contou ainda com a intervenção de Piedade Lalanda, que, numa das suas últimas aparições públicas após 44 anos de carreira docente, incentivou os novos licenciados e recordou que “não chegam as técnicas. É preciso olhar, tocar as mãos, transmitir apoio. São precisos gestos de cuidado.” A académica reforçou o papel ativo dos jovens profissionais no futuro da região, concluindo com um apelo direto: “Nunca desistam de melhorar e de mudar os serviços de saúde”. Dos 47 finalistas que integraram a cerimónia, apenas quatro são homens, um dado que espelha o perfil dominantemente feminino que continua a caraterizar o setor.

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