
Micaela Pimentel
Quando a Disney lançou Zootopia 2 (ou Zootrópolis 2, como lhe chamamos por cá), muita gente esperava apenas mais uma aventura divertida passada numa cidade cheia de animais que falam. E, de facto, à superfície continua lá tudo: humor rápido, personagens carismáticas e um mundo visualmente vibrante. Mas, tal como no primeiro filme, por baixo da leveza existe algo mais incómodo e mais humano. Zootrópolis sempre foi, no fundo, um espelho.
Uma cidade onde predadores e presas convivem parece, à primeira vista, uma metáfora simples sobre tolerância. Mas a história vai mais longe. Fala de preconceito, de medo coletivo e da facilidade com que criamos narrativas sobre “os outros”. Em Zootrópolis, os estereótipos parecem caricaturais até percebermos o quão familiares são.
O filme lembra-nos que a convivência não é automática. É frágil. Basta um rumor, uma suspeita ou uma crise para que a desconfiança se instale e as diferenças se transformem rapidamente em linhas de divisão. Mas há uma dimensão da história que talvez seja ainda mais relevante: a relação entre poder, dinheiro e culpa.
Enquanto alguns personagens lutam apenas para provar que merecem um lugar naquela cidade, outros movimentam-se com uma liberdade muito maior. O verdadeiro antagonista da história não representa apenas maldade individual, representa algo mais estrutural. Representa a forma como o poder económico, político ou social pode manipular perceções e direcionar suspeitas.
E é aqui que personagens vulneráveis, como a cobra, ganham um significado particular. Tornam-se símbolos de algo muito comum nas sociedades humanas: a tendência para apontar o dedo aos mais frágeis. Aos que são diferentes. Aos que têm menos voz.
É mais fácil suspeitar de quem está exposto do que questionar quem controla os bastidores.
Na ficção, essa dinâmica torna-se clara. No mundo real, muitas vezes passa despercebida. Criamos rótulos simples para explicar realidades complexas, esquecendo que as histórias raramente são tão lineares como gostaríamos.
Talvez seja por isso que filmes como Zootrópolis funcionam tão bem. Porque colocam questões profundamente sociais num contexto aparentemente inocente. Uma coelhinha polícia, uma raposa trapaceira, uma cidade onde cada espécie tenta encontrar o seu lugar. Parece distante da nossa realidade até percebermos que não é.
No contacto com pessoas reais, percebe-se rapidamente que os rótulos quase nunca contam a história inteira. Há vidas marcadas por circunstâncias que não cabem em categorias simples. Há desigualdades invisíveis que moldam escolhas, oportunidades e até a forma como cada pessoa é vista pelos outros.
Zootrópolis não resolve esses problemas. Nenhum filme o faria. Mas lembra-nos de algo importante: a empatia não deve terminar quando a história acaba.
Porque, no fundo, aquela cidade de animais não é apenas fantasia. É uma versão ampliada das tensões, dos medos e das injustiças que continuam a existir entre nós.
No final, saímos do filme com a sensação de que aquela cidade de animais é menos fantástica do que parece. Porque, no fundo, Zootrópolis não é sobre coelhos, raposas ou predadores. É sobre nós e sobre a forma como escolhemos viver juntos.

O município da Lagoa promove, no próximo dia 25 de abril, entre as 10h00 e as 12h30, na Praça Nossa Senhora do Rosário, uma manhã de celebração da democracia, com um programa diversificado que envolve várias forças vivas da comunidade e convida à participação de todas as gerações.
Sob o mote “Manhã de Abril: Há Festa na Praça!”, a iniciativa pretende assinalar a Revolução dos Cravos num ambiente festivo, participativo e cultural, valorizando a liberdade, a memória coletiva e a expressão artística.
O programa tem início com a marcha da Liberdade, que contará com a participação das filarmónicas Lira do Rosário e Estrela d’Alva e do grupo de teatro “A Faísca”, que percorrerão a rua 25 de abril até à Praça Nossa Senhora do Rosário.
Ao longo da manhã, o público poderá assistir a diversos momentos culturais, como a performance “Desata a Voz: #Podias; #Era preciso”, pelo grupo de teatro, o concerto “Vozes que florescem”, pelo Grupo de Cantares Tradicionais de Santa Cruz em conjunto com a Associação Musical da Lagoa, e ainda um flash mob musical dinamizado pela Biblioteca Municipal Tomaz Borba Vieira com a Casa do Povo de Água de Pau.
Estará, também, patente uma mostra expositiva de trabalhos alusivos ao 25 de abril, desenvolvidos pelas valências dos CATL’s do concelho, bem como a iniciativa “Árvores decoradas: Ramos de Lã, Folhas de Abril”, com a participação de centros de dia e instituições locais, e a colocação de mandalas nas varandas da avenida 25 de abril, trabalhos realizados pelas avós do projeto “A avó veio trabalhar”.
Paralelamente, decorrerão várias atividades abertas à comunidade, incluindo pintura de rua (Arte Viva), feira do livro em segunda mão, atelier intergeracional do projeto “A avó veio trabalhar”, oficinas de expressão plástica para crianças, espaço de leitura “Histórias que Contam”, pinturas faciais e insufláveis.
Durante o evento, será ainda feita a distribuição de cravos pela Associação Jovem Lagoense, símbolo maior da Revolução de Abril, e estarão disponíveis barraquinhas no recinto.

A Universidade dos Açores promove, no próximo dia 22 de abril, uma aula aberta dedicada ao tema “Intervenção do Serviço Social em Catástrofe: Desafios e Constrangimentos”, integrada nas comemorações do Dia Mundial da Terra.
A sessão terá lugar entre as 09h00 e as 10h30, no anfiteatro D.007, e contará com a participação do especialista espanhol José María Morán Carrillo, professor doutorado em Serviço Social e referência internacional na área da intervenção psicossocial em contextos de crise e catástrofes.
A aula aberta propõe uma reflexão aprofundada sobre o papel do serviço social em cenários de catástrofe, abordando temas como a intervenção em contexto de emergência, os primeiros socorros psicológicos e os desafios colocados aos profissionais no terreno, designadamente na articulação com mecanismos de proteção civil.
Esta reflexão assume particular relevância no contexto dos Açores, território marcado por riscos naturais diversos, como movimentos de vertente, chuvas intensas e fenómenos geológicos e vulcanológicos. Espaços como o trilho da Janela do Inferno, em que a UAc está a intervir, requer um outro olhar para o território, em particular para a vulnerabilidade das paisagens naturais e a necessidade de gestão de risco, mas também para os desafios associados à prevenção, resposta e recuperação em situações de catástrofe.
Nestes contextos, a intervenção do serviço social revela-se fundamental, não apenas no apoio às populações afetadas, mas também na promoção da resiliência comunitária e na articulação com entidades de proteção civil.
Com um percurso académico e científico consolidado, José María Morán desenvolveu a sua carreira na Universidad Pablo de Olavide, em Sevilha, onde lecionou e investigou nas áreas da intervenção psicossocial em catástrofes, epistemologia do serviço social e serviço social com indivíduos e famílias.
Ao longo do seu percurso, desempenhou funções de destaque, nomeadamente como coordenador da Comissão de Emergência do Conselho Andaluz da Ordem dos Assitentes Sociais Espanhoeis, cargo que ocupa desde 2021.
O investigador conta ainda com uma vasta experiência internacional, tendo sido professor convidado em várias instituições de ensino superior na Europa e na América Latina, incluindo a própria Universidade dos Açores.

A Praça do Rosário, na Lagoa, foi palco da segunda edição do Festival Maestro Humberto Subica, iniciativa promovida pela filarmónica Lira do Rosário e que, este ano, contou com a presença da filarmónica Imaculada Conceição, da freguesia da Lomba da Fazenda, concelho do Nordeste.
O evento, inserido nas comemorações do 106.º aniversário da Lira do Rosário, contou com um momento especial, nomeadamente quando o maestro Humberto Subica tomou a batuta para reger uma das peças, ele que no final do evento ouviu a filarmónica da casa interpretar a marcha “Saudação à filarmónica”, por ele escrita.
Entre as peças do concerto de homenagem a Humberto Subica conta-se as interpretações de Sinfonia da ópera Tancredi, Domingos Barros (pasodoble de Vítor Resende, Space Trip (com arranjo de Tiago Martins) e Português Suave (de Carlos Marques).

O presidente da Câmara Municipal da Lagoa, Frederico Sousa, e o vice-presidente, Nelson Santos, reuniram-se ontem com o diretor regional do Desporto, Ricardo Matias, para definir as prioridades estratégicas do setor desportivo na Lagoa. Segundo nota enviada pela autarquia, o encontro serviu para analisar as carências das instalações desportivas locais, os mecanismos de apoio ao associativismo e os principais desafios enfrentados pelos clubes e dirigentes do concelho. Durante a sessão, Frederico Sousa sublinhou o investimento contínuo do município, destacando a intervenção desenvolvida “quer no apoio regular às coletividades, quer na disponibilização de meios e equipamentos”, reforçando a importância do movimento desportivo local e da plena utilização das infraestruturas municipais.
Um dos pontos centrais da discussão prendeu-se com a necessidade urgente de qualificação de espaços que apresentam limitações de praticabilidade e problemas estruturais, com particular enfoque nos equipamentos desportivos da Escola Secundária da Lagoa e da Escola de Água de Pau. O executivo municipal aproveitou a ocasião para reiterar a sua posição quanto à gestão do Pavilhão da Escola Básica Integrada Padre João José do Amaral. A autarquia manifestou-se novamente disponível para assegurar diretamente a conservação e manutenção daquele pavilhão, defendendo que tal medida não só faz sentido por “razões de racionalidade económica”, como é fundamental para a “prática desportiva na ilha, permitindo reforçar a capacidade de resposta existente e promover uma distribuição mais equilibrada das diferentes modalidades”.
Para além das infraestruturas gerais, a reunião abordou temas específicos como a melhoria das condições para a prática do judo no concelho, modalidade que requer uma articulação conjunta entre as entidades para garantir o seu crescimento. No encerramento dos trabalhos, os responsáveis municipais reafirmaram a total disponibilidade para colaborar com a Direção Regional do Desporto, visando a valorização do desporto como um pilar estruturante na vida dos lagoenses e na coesão social do concelho.

Álvaro Borges
A Constituição da República Portuguesa confere à Região Autónoma dos Açores um regime político-administrativo próprio, assente na autonomia e na necessidade de responder às especificidades da insularidade. Essa autonomia existe para promover desenvolvimento, reduzir desigualdades e garantir condições de vida dignas.
O princípio fundamental de qualquer Estado de Direito é a dignidade da pessoa humana. As políticas públicas devem assegurar condições mínimas que permitam a cada cidadão construir a sua vida com autonomia e liberdade. É a partir deste princípio que importa olhar para a realidade açoriana, em especial para a minha geração.
Hoje, muitos jovens enfrentam dificuldades sérias para viver de forma autónoma. Os salários baixos, o custo de vida elevado, e o preço da habitação tornam cada vez mais difícil construir um projeto de vida na Região, levando muitos a sair não por escolha, mas por falta de alternativas.
É neste contexto que os dados recentes sobre a pobreza nos Açores ganham particular relevância. Segundo o Instituto Nacional de Estatística, a taxa de risco de pobreza após transferências sociais situou se em cerca de 17,3% em 2024, acompanhada por melhorias na desigualdade de rendimentos, na privação material severa e na intensidade laboral. No entanto, a dimensão desta descida surpreendeu vários investigadores e continua por explicar de forma clara.
O sociólogo Fernando Diogo, da Universidade dos Açores, refere que não existe ainda uma justificação evidente para uma redução tão acentuada, nem um fator único identificado nos dados capazes de explicar esta evolução. A descida foi transversal a vários indicadores, mas não elimina a incerteza sobre as suas causas e sobre a sua sustentabilidade.
Também o sociólogo Francisco Simões, da mesma universidade, admite que o aumento das transferências sociais, como pensões, reformas e outros apoios, pode ter contribuído para que muitos agregados ultrapassassem o limiar de pobreza fixado nos 8 679 euros anuais. Ainda assim, sublinha que esta melhoria estatística não elimina fragilidades estruturais profundas, como baixos níveis de qualificação, desigualdade persistente e elevada incidência de trabalho pouco qualificado, fatores que mantêm a região vulnerável a choques económicos.
Ambos os investigadores alertam para a necessidade de prudência na leitura destes dados, recordando que reduções anteriores da pobreza não se revelaram duradouras. Sem uma compreensão clara dos fatores que explicam esta descida, não é possível garantir que se trata de uma transformação estrutural.
É precisamente aqui que se impõe uma reflexão mais profunda. Se os indicadores económicos são ambíguos na sua explicação, o problema deixa de ser apenas económico e passa também a ser estrutural, nomeadamente ao nível da educação e da qualificação.
Neste sentido, torna se essencial olhar para modelos que conseguiram responder a desafios semelhantes.
O modelo educativo alemão, desenvolvido desde o final dos anos 60, assente no sistema dual de formação profissional, combina ensino teórico com experiência prática em contexto de trabalho. Estruturado pela lei Berufsbildungsgesetz, este sistema liga a escola ao tecido económico, valoriza competências técnicas e reduz o abandono escolar ao oferecer percursos mais ajustados às realidades do mercado de trabalho.
Os Açores precisam de refletir seriamente sobre a adaptação de soluções deste tipo, capazes de reforçar o capital humano e alinhar a formação com os setores estratégicos da economia regional.
Como dizia Nelson Mandela, a educação é a arma mais poderosa para mudar o mundo. Que tenhamos a coragem e a determinação política para a utilizar, porque os Açores não podem estar condenados, eternamente, a ser uma das regiões mais pobres da Europa.

De acordo com as previsões enviadas pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), os lagoenses e do restante Grupo Oriental devem contar com um domingo marcado por períodos de céu muito nublado, com abertas, mas onde a ocorrência de aguaceiros será uma constante ao longo do dia. Embora o dia comece com vento do quadrante sul, entre o bonançoso e o moderado (10/30 km/h), deverá surgir uma alteração significativa para o final do dia, com a rotação do vento para o quadrante norte e um aumento da sua intensidade para fresco (30/40 km/h), podendo registar-se rajadas na ordem dos 50 km/h.
Esta alteração nas condições atmosféricas terá um impacto direto no estado do mar na costa sul da ilha. O IPMA prevê que o mar de pequena vaga evolua gradualmente para cavado, com as ondas de sudoeste de um a dois metros a passarem a norte, aumentando a sua altura para os dois a três metros. Para quem frequenta a orla costeira do concelho, importa notar que a temperatura da água do mar se mantém nos 16ºC, enquanto as temperaturas do ar em Ponta Delgada deverão oscilar entre uma mínima de 13ºC e uma máxima de 18ºC.
Nos restantes grupos do arquipélago açoriano, o cenário de instabilidade é semelhante, embora com maior vigor no Grupo Central, onde as rajadas de vento podem atingir os 70 km/h durante a tarde. No Grupo Ocidental, os aguaceiros serão mais frequentes durante o período da manhã, acompanhados por vento fresco a muito fresco.
Esta informação meteorológica de proximidade reforça a necessidade de precaução nas atividades ao ar livre e na navegação recreativa, num domingo que dita o regresso da agitação marítima à orla costeira das nossas ilhas.

A Câmara Municipal de Ponta Delgada anunciou a promoção de uma iniciativa de educação ambiental focada na problemática do lixo marinho, destinada a envolver os alunos do nono ano de escolaridade da Escola Básica Integrada (EBI) dos Arrifes. Segundo a nota enviada pela autarquia, a ação está inserida no calendário do Programa Bandeira Azul 2026 e pretende sensibilizar as camadas mais jovens para a preservação dos ecossistemas costeiros da ilha de São Miguel. O programa arrancou no passado dia 16 de abril com uma sessão teórica de sensibilização dirigida a três turmas, momento este que serviu para enquadrar as causas e os impactos negativos dos resíduos que chegam ao mar, preparando o terreno para a intervenção direta no terreno.
A vertente prática desta ação decorrerá no próximo dia 27 de abril, também durante o período da manhã, tendo como cenário a Praia das Milícias. Durante a atividade, os estudantes não se limitarão à recolha de resíduos no areal; o exercício contempla igualmente a identificação e a contabilização rigorosa de tudo o que for removido. Esta metodologia permite aos jovens compreender, de forma científica e prática, quais são os tipos de detritos que mais afetam as zonas balneares do concelho. Para a autarquia, o objetivo central passa por reforçar a importância de comportamentos ambientalmente responsáveis e de uma gestão correta de resíduos, aliando o conhecimento académico à experiência cívica.
Esta iniciativa surge na sequência do trabalho desenvolvido em anos anteriores pela Câmara de Ponta Delgada. De acordo com os dados fornecidos pela autarquia, a edição de 2025 desta mesma ação resultou na recolha de 13 quilos de resíduos diversos. Entre os materiais encontrados no areal no ano passado, destacaram-se beatas de cigarro, azulejos, cordas, metais e fragmentos de plástico, ilustrando a diversidade de poluentes que ameaçam a biodiversidade marinha local.

O bispo de Angra iniciou este sábado, 18 de abril, a primeira de três visitas pastorais previstas este ano para a maior ilha do arquipélago, escolhendo a ouvidoria de Vila Franca do Campo como ponto de partida. O primeiro dia ficou marcado por um forte caráter intergeracional, com encontros que passaram pelas crianças da catequese, idosos e jovens crismandos, num roteiro centrado na proximidade às pessoas.
A visita teve início na igreja Matriz de Vila Franca do Campo, onde o prelado foi recebido pela comunidade e pelos membros do Conselho Pastoral. Em declarações ao sítio Igreja Açores, explicou o sentido desta presença: “A minha primeira expetativa é conhecer melhor… conhecer as alegrias e dificuldades. Depois poder contribuir para a confirmação na fé de tantas pessoas, não só daqueles que vão receber o sacramento, mas também aqueles que trabalham”. Sublinhou ainda que não chega como “fiscal”, mas como alguém que quer “acrescentar e ajudar”.
Ao longo do dia, reforçou a ideia de uma Igreja próxima.
“A Igreja não está fora do mundo, aliás, ninguém vive isolado. A Igreja sai, vai à rua conhecer as dificuldades, seja numa creche, numa escola ou num lar. A visita pastoral não é à sacristia, mas às pessoas”.

O primeiro momento, vivido com as crianças do sexto ano da catequese, trouxe um tom particularmente intimista ao arranque da visita. Na simplicidade do encontro, entre olhares curiosos e alguma timidez própria da idade, D. Armando Esteves Domingues procurou criar um ambiente de proximidade, falando de forma direta e acessível, quase como quem conversa em família. Mais do que um discurso formal, foi um diálogo feito de gestos, perguntas e pequenas histórias, onde a atenção das crianças se manteve presa a cada palavra.
“Encontrar-me com todos é pensar no futuro”, disse-lhes, convidando-os a olhar para a fé como um caminho vivo, que um dia poderá também passar pelas suas mãos.
Recordou a sua própria vocação, nascida num retiro onde se deixou “seduzir por Jesus”, e procurou traduzir essa experiência numa linguagem que os mais novos pudessem compreender: um Deus próximo, que conhece cada pessoa pelo nome, que sabe “o que cada um faz, onde mora, o que pensa” e que nunca abandona, mesmo quando se erra.
Num dos momentos mais marcantes, deixou um apelo simples, mas exigente: “Ama sempre, mas se te cansares de amar, continua a amar”. As palavras foram acolhidas num silêncio atento, quebrado aqui e ali por sorrisos e gestos de cumplicidade. Falou ainda de um Deus que “é um esbanjador de amor” e de um Jesus que “é o caminho, a verdade e a vida”, reforçando a ideia de que a fé se vive no quotidiano, nas pequenas escolhas de cada dia.

Seguiu-se a visita à Santa Casa da Misericórdia de Vila Franca do Campo, uma das mais antigas dos Açores, onde contactou com os idosos. Ali, o ritmo abrandou e o ambiente ganhou um tom mais contemplativo. Entre palavras serenas e gestos de carinho, pediu aos utentes que rezassem pela visita pastoral, acabando por partilhar com eles um momento de oração. A instituição, responsável por diversas valências sociais – do lar à creche, passando pela farmácia e pelo ATL – e pela organização das festas do Senhor da Pedra, continua a ser um pilar da vida social e religiosa da Vila.
Alguns dos responsáveis pastorais mostraram satisfação com o arranque da visita.
Carlos Vieira, coordenador do Conselho Pastoral da ouvidoria, sublinhou “a alegria e empenho” da comunidade na preparação e no acolhimento do prelado, reconhecendo também que é preciso falar dos desafios que a ouvidoria enfrenta como a diminuição da prática religiosa e da participação na catequese. Ainda assim, destacou a vontade de mostrar ao bispo “a realidade, os desafios e também as fragilidades”.

Já Graça Amaral evidenciou a forma como o bispo se relacionou com os mais novos: “Mostrou que sabe estar com todas as idades. Os miúdos beberam tudo o que ele disse”. Para a representante do conselho pastoral de ouvidoria ao Conselho pastoral Diocesano, esta será “uma semana especial e de graça”, preparada com dedicação por toda a comunidade, incluindo a escola e os diferentes movimentos.
O dia terminou com um encontro com jovens crismandos, fechando um percurso que, logo no primeiro dia, ligou diferentes gerações em torno da mesma vivência de fé. A visita pastoral prolonga-se ao longo da semana, com um programa intenso que pretende dar a conhecer a realidade local e fortalecer a presença da Igreja no quotidiano das pessoas.

Polícias da esquadra da PSP da Ribeira Grande levaram a cabo uma operação de combate ao tráfico de estupefacientes que culminou na detenção, em flagrante delito, de dois homens, de 47 e de 51 anos, na freguesia da Ribeirinha.
A investigação desenvolvida pela PSP, no âmbito de um inquérito criminal, permitiu apurar as circunstâncias em que os dois suspeitos detidos agiam para a concretização, articulada entre ambos, da venda de estupefacientes, heroína e substâncias sintéticas.
No decurso da operação, e com recurso aos adequados meios de obtenção da prova, foram apreendidos diversos objetos e utensílios utilizados na preparação, acondicionamento e distribuição de substâncias estupefacientes, bem como armas ilegais e munições de arma de fogo.
Paralelamente, foram apreendidas quarenta doses individuais de heroína e cento e trinta doses individuais de droga sintética.
Após serem presentes a primeiro interrogatório judicial no Tribunal de Ponta Delgada, ambos os arguidos ficaram em prisão preventiva, a aguardar os ulteriores termos do processo. No que respeita à brigada de investigação criminal da Ribeira Grande, no âmbito das suas competências de investigação e prevenção criminal, realizou, nos últimos dois anos, oitenta e quatro detenções em operações policiais, maioritariamente relacionadas com o tráfico de estupefacientes, visando a prevenção e repressão de atividades criminosas, tendo sido aplicada a cinquenta dos detidos a medida de coação de prisão preventiva.