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Miguel Arsénio vence sexta edição do Povoação Trail

Perto de mil atletas nacionais e internacionais reuniram-se no “berço da ilha” para uma das provas mais técnicas do panorama do trail nacional, que este ano homenageou a memória de António Amaral

© CM POVOAÇÃO

O concelho da Povoação, na ilha de São Miguel, transformou-se, no fim de semana passado, no epicentro do desporto de natureza ao acolher a sexta edição do Povoação Trail. Segundo informou a organização do evento, a prova atraiu cerca de mil participantes que percorreram trilhos como o Pico dos Bodes, o Sanguinho e a zona do Cú de Judas. O grande destaque da prova rainha, o Trail Ultra de 50km, foi Miguel Arsénio, da equipa Fuga – Sporthg, que conquistou o lugar mais alto do pódio masculino, seguido por Dário Moitoso e Pedro Calisto. No setor feminino, a vitória sorriu a Anda Rodrigues, da Saca Trilhos Anadia, num pódio completado por Joana Esperanço e Ana Pereira. A competição, que se desenrolou entre o verde das pastagens e o azul do mar, reforçou o seu estatuto como uma das mais estruturadas de Portugal, aliando a exigência física à promoção do património natural e histórico da ilha de São Miguel.

A relevância desportiva do evento foi acentuada pela inclusão da distância de 30km na Taça de Portugal de Trail ATRP (época 2024/2025). Nesta categoria, Pedro Barros, da Runners do Demo, e Carolina Oliveira, da Saca Trilhos Anadia, foram os mais rápidos a cruzar a meta. Já no Trail Sprint, de 15 km, os louros foram para Rafael Pacheco e Constança Pelicano. Para além da vertente competitiva, o evento organizado pela HL Runners Club em parceria com a Câmara Municipal da Povoação incluiu uma caminhada de 9km com passagem pela rota dos antigos moinhos de água e pelo Museu do Trigo, na Lomba do Loução, valorizando a antiga atividade cerealífera que outrora sustentou a economia local.

Um dos momentos de maior carga emotiva da jornada foi a entrega do Troféu “António Amaral” a Marco Terra, que, num gesto de profundo fair-play e respeito, devolveu o galardão à esposa do falecido homenageado. António Amaral era uma figura querida na comunidade e membro ativo da organização, tendo perdido a vida no ano passado enquanto preparava os percursos para a prova. No que toca aos prémios, a autarquia povoacense assegurou a atribuição de valores monetários igualitários entre géneros, sendo que todos os participantes levaram para casa lembranças produzidas pelos alunos do Centro Pedagógico da Povoação e um kit de produtos locais, reforçando o impacto direto do evento na economia e nas instituições da terra. A festa terminou no Jardim Municipal da Vila, onde familiares e amigos receberam os atletas num ambiente de celebração e superação de limites.

Pinhal da Paz reforça mancha verde com plantação de 40 novas árvores

Colaboradores do Grupo Bensaude plantaram dezenas de criptomérias no âmbito da campanha nacional “Cadernão 2025”, uma iniciativa que permitiu recolher mais de duas toneladas de papel para reciclagem nos Açores

© GRUPO BENSAUDE

A reserva florestal do Pinhal da Paz, no concelho de Ponta Delgada, em São Miguel, conta desde esta semana com 40 novas criptomérias na sua mancha verde. A ação de plantação foi protagonizada por colaboradores do Grupo Bensaude, servindo como o culminar da campanha “Cadernão 2025” na região. Segundo nota de imprensa enviada pelo Grupo Bensaude, esta iniciativa nacional promovida pelo “Continente” e pela “note!” visa sensibilizar a comunidade para a importância da economia circular e da preservação ambiental através da reciclagem de materiais escolares.

A adesão dos açorianos à causa revelou-se particularmente expressiva nesta edição, com os dados a apontarem para a recolha de 2,4 toneladas de papel nas ilhas, um valor que duplica o registo obtido no ano de 2024. O mecanismo da campanha estabeleceu que, por cada tonelada de papel entregue para reciclagem, seriam plantadas 20 novas árvores, resultando assim no reforço arbóreo agora concretizado no Pinhal da Paz. A nível nacional, a iniciativa atingiu um total de 81 toneladas de papel recolhido.

O processo de recolha decorreu entre 26 de agosto e 22 de setembro, período durante o qual os consumidores puderam depositar cadernos e livros usados em carrinhos personalizados instalados à entrada das lojas aderentes.

Quarenta estudantes açorianos na corrida para serem “Astronautas por um Dia”

Iniciativa da Agência Espacial Portuguesa registou recorde nacional de candidaturas, com os Açores a destacarem-se na adesão ao programa que culminará num voo parabólico a partir da ilha de Santa Maria

© AGÊNCIA ESPACIAL PORTUGUESA

O Governo regional dos Açores, através da Secretaria Regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades, manifestou o seu entusiasmo pela participação de 40 estudantes açorianos na quinta edição do programa “Astronautas por um Dia”. A iniciativa, promovida pela Agência Espacial Portuguesa (PT Space), atingiu este ano um recorde absoluto em termos nacionais, com um total de 762 candidatos, o que representa um crescimento de 217 inscrições face à edição anterior.

Segundo a nota de imprensa enviada pelo executivo açoriano às redações, a forte adesão no arquipélago é vista como um reflexo direto das políticas de promoção da literacia científica. Para o secretário regional Paulo Estêvão, estes indicadores são motivo de “enorme orgulho” e comprovam que a juventude açoriana “está atenta às novas fronteiras do conhecimento e quer ser parte ativa no desenvolvimento do setor espacial”, uma área onde os Açores detêm vantagens competitivas reconhecidas globalmente.

O governante sublinhou ainda o compromisso do executivo em continuar a fomentar condições para que os talentos locais encontrem oportunidades reais de formação e carreira dentro do ecossistema espacial regional. O processo de seleção, que este ano se destaca por uma paridade de género quase perfeita a nível nacional (com 380 raparigas e 382 rapazes inscritos) entra agora em fases eliminatórias que incluem avaliações em vídeo, provas cognitivas e testes físicos.

O desfecho desta competição terá um significado especial para os Açores. Os 20 finalistas apurados terão a oportunidade de participar num voo parabólico, que simula a ausência de gravidade, agendado para o dia 20 de setembro. Pelo segundo ano consecutivo, o evento terá como base a ilha de Santa Maria, consolidando a centralidade daquela ilha no mapa aeroespacial português. Em jeito de incentivo, o Governo Regional expressou votos de sucesso aos candidatos da terra, que procuram agora a oportunidade de “tocar o espaço” a partir do solo açoriano.

Senhor Presidente: Até quando aceitaremos as migalhas de Lisboa na Segurança?

António Santos
Presidente do Sinapol – Açores

O Orçamento de Estado para 2026 (OE2026) parecia trazer, finalmente, uma lufada de ar fresco para as forças de segurança na Região Autónoma dos Açores. No seu Artigo 150.º, o documento é peremptório, o primeiro semestre deste ano ficaria marcado por um reforço efetivo de meios humanos, financeiros e materiais para o Comando Regional da PSP dos Açores.

Contudo, quase a meio do semestre, afinal uma vez mais, parece que a montanha pariu um rato. O “grande investimento” material materializou-se, há dias, na entrega de duas viaturas caracterizadas para as Equipas de Intervenção Rápida (EIR) em São Miguel. É este o reforço prometido? Duas viaturas numa única ilha para um dispositivo que se estende por 9 ilhas, 37 esquadras e 4 divisões policiais?

São já duas as décadas de promessas vazias. É urgente que a Direção Nacional da PSP e o Ministério da Administração Interna (MAI) entendam que os Açores são efectivamente um Comandos diferente, uma vez que tem uma particularidade arquipelágica que o distingue dos restantes Comandos de Policia espalhados pelo país, mesmo até do Comando localizado na Região Autónoma da Madeira. O reforço material é, sim, essencial para a operacionalidade e para o policiamento de proximidade, mas importa relembrar que este último não se faz sem polícias.

Há duas décadas que os sucessivos Governos da República alimentam o arquipélago com promessas que ficam sistematicamente aquém das necessidades. O cenário atual não dá esperança aos agentes que, diariamente, se esforçam no combate ao crime e na prevenção rodoviária, muitas vezes em condições que colocam em causa a sua segurança.

Enquanto os lóbis camarários de Lisboa e Porto exercem a sua influência habitual junto do Terreiro do Paço, surge agora a prioridade económica, a gestão aeroportuária.

Pelos corredores do Largo da Penha de França (endereço da Direção Nacional da PSP), já se ouve, que quase metade dos novos polícias que vão terminar a formação no mês de maio, serão canalizados para os aeroportos.

Embora o controlo de fronteiras seja uma missão nobre da PSP, a segurança das nossas populações (do Corvo a Santa Maria), não pode ser sacrificada em nome dos interesses das empresas que gerem os aeroportos. Não podemos aceitar que o policiamento nas esquadras locais seja a “sobra” do que resta após Lisboa, Porto e Faro servirem os seus interesses estratégicos.

Perante esta evidência de que o Governo Central continua a olhar para a segurança nos Açores como um acessório, impõe-se uma pergunta: onde está a voz do nosso Governo Regional?

Senhor Presidente do Governo Regional dos Açores, não é aceitável que a Região siga a passividade de Lisboa. A segurança pública é um pilar da nossa Autonomia e da nossa coesão territorial. Aceitar que o “reforço” do Artigo 150.º se resuma a migalhas, é validar o esquecimento a que o dispositivo policial tem sido votado.

É hora de o Presidente do Governo Regional exigir de Lisboa um compromisso sério, nomeadamente um real reforço policial de modo a satisfazer as reais necessidades de efetivos em todo o dispositivo policial, de forma que as várias valências da PSP existentes na região, cumpram com a sua missão, e é também necessário que o investimento material chegue às 37 esquadras, e não apenas ao asfalto de Ponta Delgada.

É tempo de exigir que a farda da PSP nas nove ilhas seja efectivamente respeitada com meios e homens, pois a coesão de um arquipélago mede-se pela segurança de quem o habita e não pela passividade de quem o governa.

Pavilhão da Lagoa acolhe fase regional do Campeonato Nacional de Karate

Prova reuniu 181 atletas de 15 clubes açorianos e ficou marcada pela estreia histórica da vertente de ParaKarate, com o Clube de Karate-do Shotokan de Angra do Heroísmo a sagrar-se o grande vencedor coletivo

© DIREITOS RESERVADOS

O Pavilhão da Escola Secundária de Lagoa foi o palco da fase regional dos Açores do Campeonato Nacional de Karate, realizada no passado dia 28 de fevereiro. Destinada aos escalões de Infantis, Iniciados e Juvenis, a competição incluiu ainda a vertente de ParaKarate, numa organização da Federação Nacional de Karate – Portugal, com o apoio da Associação Açoreana de Karate-do e Disciplinas Associadas e da Direção Regional do Desporto. Segundo a nota enviada à redação do Diário da Lagoa, o evento reuniu 181 atletas em representação de 15 clubes.

A edição deste ano ficou marcada pela estreia do ParaKarate em contexto regional, com a participação de Gustavo Moura (1.º lugar Juvenil Masculino) e Luciana Moura (1.º lugar Cadete Feminino), ambos do Clube de Karaté Shotokan da Povoação (CKSP). No plano coletivo, o Clube de Karate-do Shotokan de Angra do Heroísmo (CKSAH) foi o grande vencedor ao somar o maior número de títulos, com o atleta Henrique Silva (CKSAH) em evidência ao conquistar o ouro em Kata e Kumite.

Nas provas de Kata, em Juvenis Femininos, o pódio foi liderado por Carminho Laranjeira (1.º), seguida de Mariana Pires (2.º), Joana Castro (3.º) e Sofia Melo (3.º). Nos masculinos, Henrique Silva (1.º) venceu, com André Costa em 2.º, e Gabriel Vitorino e Gonçalo Almeida a dividirem o 3.º lugar. Nos escalões mais jovens, os títulos de campeão regional foram para Inês Oliveira (Infantil F), Miguel Silva (Infantil M), Clara Antunes (Iniciado F) e Mateus Pimentel (Iniciado M).

No Kumite (combate), os Juvenis Femininos disputaram várias categorias: em -45kg, Matilde Pacheco foi 1.º e Maria Franco 2.º; em -50kg, Mariana Pires venceu (1.º), seguida de Francisca Magalhães (2.º), com Petra Borges e Inês Cabral em 3.º; em -55kg, o ouro foi para Sofia Melo (1.º), a prata para Núria Peixoto (2.º) e os bronzes para Simone Resendes e Geovana Aquino (3.º); em +55kg, Maria Santos venceu (1.º), Maria Cruz foi 2.º, e Laura Magalhães e Dielin Ledea ficaram em 3.º lugar.

© DIREITOS RESERVADOS

Nos Juvenis Masculinos em Kumite, os pódios ficaram assim definidos: em -40kg, Marcos Sousa (1.º), Baltasar Oliveira (2.º), Rafael Matos e Miguel Pacheco (3.º); em -45kg, Henrique Silva (1.º), André Ribeiro (2.º) e Dinis Gomes (3.º); em -50kg, Tiago Felêja (1.º), Rodrigo Oliveira (2.º) e Bernardo Costa (3.º); em -55kg, Gonçalo Almeida (1.º), André Costa (2.º), Isaac Almeida e Afonso Estevam (3.º); em -60kg, Santiago Cabral (1.º) e Francisco Miguel (2.º); e em +60kg, Martim Gabriel (1.º), Tomás Pacheco (2.º), Martim Pacheco e Severino Melo (3.º).

O evento reafirmou a vitalidade das artes marciais na região, servindo de apuramento para as fases nacionais.

Autarquia lagoense apresenta plano de eventos culturais para o ano de 2026

Documento, que reúne cerca de 50 iniciativas, foca-se na descentralização pelas freguesias, na manutenção de festividades tradicionais e na introdução de um novo evento dedicado ao setor agrícola no Cabouco

© CM LAGOA

A Câmara Municipal da Lagoa oficializou, no edifício dos Paços do Concelho, a Agenda Cultural para 2026. A apresentação foi conduzida pelo presidente da autarquia lagoense, Frederico Sousa, acompanhado pela vereadora Albertina Oliveira, detalhando um plano composto por meia centena de eventos que abrangem áreas como o cinema, música, teatro, literatura e património histórico. Segundo a nota de imprensa enviada pelo Município às redações, o documento agrega os principais eventos realizados de forma regular no concelho.

Sobre a estratégia para este ano, Frederico Sousa afirmou que a agenda “mantém-se consistente, contando com a parceria e o apoio de diversas instituições e associações lagoenses”. O autarca salientou ainda que o objetivo passa por reforçar a “valorização das tradições, da identidade local e do património”, adaptando a oferta às preferências do público, especialmente no que concerne aos eventos festivos que já integram o calendário local.

No que respeita aos equipamentos culturais, o plano prevê a continuidade da exibição regular de cinema no Cineteatro Lagoense Francisco D’Amaral Almeida e a dinamização do Auditório Ferreira da Silva, em Água de Pau. Para este último espaço, estão previstos oito eventos principais, incluindo concertos de Rita Rocha, a 1 de maio, e o espetáculo “Namasté”, com Inês Aires Pereira, a 31 de outubro, além de iniciativas de caráter gratuito em parceria com associações locais e a Sinfonietta de Ponta Delgada.

O calendário de verão inclui a 10.ª edição da Festa Branca do Convento, a 22 de agosto, e a Festa de Santo António, entre 9 e 14 de junho, que retoma o modelo de arraial aberto ao público com as tradicionais marchas e atuações de artistas como Toy e Augusto Canário. O Festival Lagoa Bom Porto e as festas em honra do Divino Espírito Santo, em Água de Pau, mantêm-se na programação. Uma das novidades inseridas para 2026 é o Cabouco AgroFest, agendado para os dias 4, 5 e 6 de setembro, dedicado à promoção do mundo rural e dos produtos locais na freguesia do Cabouco.

A vertente literária e de preservação da memória encerra as prioridades da agenda, com destaque para o lançamento da obra “Memória da Cultura Desportiva da Lagoa”, de Marcelo Borges, e a apresentação da edição completa da “Etnologia dos Açores”, de Francisco Carreiro da Costa, no dia 26 de junho.

Secretário de Estado da Cultura de Portugal acredita que avanço do acordo UE-Mercosul “poderá abrir novas oportunidades” com o Brasil

Alberto Santos aponta Portugal como porta de entrada na Europa e o Brasil como plataforma das Américas no quadro das relações multilaterais

© FABRICE DEMOULIN

À margem do Prémio “Aproxima Portugal–Brasil”, o secretário de Estado da Cultura de Portugal, Alberto Santos, defendeu, em entrevista à Agência Incomparáveis — parceira do Diário da Lagoa, que a cultura continua a ser o elo mais sólido entre portugueses e brasileiros, funcionando como uma ponte sem fronteiras num contexto de crescente mobilidade humana, cooperação institucional e afirmação da língua portuguesa no mundo.

Para o governante, a cultura é “a primeira ponte de ligação entre os povos, porque tem uma vantagem: não tem fronteiras, estabelece pontes”, sobretudo entre dois países que, embora separados pelo Atlântico, estão unidos por uma “grande história”.

Apesar de momentos de aproximação e também de algum distanciamento ao longo de mais de cinco séculos, o governante português considera que Portugal e Brasil sempre mantiveram elementos estruturais em comum, com especial destaque para a capacidade de comunicar e de cooperar através da língua portuguesa.

Segundo este responsável, a vitalidade da língua resulta da sua diversidade e da sua miscigenação.

É a nossa base comum”, sublinhou, acrescentando que os fluxos migratórios históricos – primeiro de portugueses para o Brasil e, mais recentemente, de brasileiros para Portugal – reforçam a necessidade de investir na cultura como fator de integração, identidade e criatividade partilhada.

O secretário de Estado português destacou ainda a dimensão demográfica e geopolítica da língua portuguesa, recordando que o Brasil é o país do mundo com mais falantes de português e que, à escala global, o idioma ocupa hoje um lugar de relevo entre as línguas mais faladas, sendo dominante no hemisfério sul.

Para Alberto Santos, este capital linguístico deve ser usado de forma estratégica nas relações multilaterais, reforçando o posicionamento internacional conjunto de Portugal e do Brasil.

Questionado, enquanto escritor e profundo conhecedor da realidade brasileira, sobre que história ainda falta escrever entre os dois países, Alberto Santos sublinhou que “falta escrever o futuro”, acrescentando que esse futuro não apenas deve assentar na valorização do que une e não do que separa como também deve afastar leituras superficiais ou conjunturais.

No plano europeu e sul-americano, o governante português manifestou expetativa quanto ao avanço do acordo entre a União Europeia e o Mercosul, considerando que esse entendimento poderá abrir novas oportunidades também na área da cultura, o que reforça a ideia de que Portugal e Brasil funcionam como embaixadas naturais um do outro: o Brasil como grande plataforma da língua portuguesa nas Américas e Portugal como porta de entrada privilegiada na Europa.

Recorrendo a Fernando Pessoa (“A Península Ibérica é a cabeça da Europa e Portugal é a coroa”), Alberto Santos concluiu que Portugal, com a sua fachada atlântica, continua a ser uma ponte natural entre continentes, uma imagem que, segundo sublinhou, simboliza a centralidade cultural e estratégica da relação luso-brasileira num mundo cada vez mais interligado.

A entrevista enquadra-se no âmbito de mais uma edição do “Prémio Aproxima Portugal-Brasil”, que reconhece várias personalidades, nas mais variadas categorias, pelos seus contributos para o fortalecimento da cooperação entre Portugal e Brasil, uma iniciativa promovida pela Câmara de Comércio e Indústria Luso-Brasileira, liderada por Otacílio Soares, que, este ano, decorreu no Tivoli Kopke Porto Gaia Hotel, na cidade do Porto, Norte de Portugal.

Universidade dos Açores recebe doentes belgas para testar terapias baseadas na natureza

Iniciativa traz grupo com lesões cerebrais a São Miguel para sessões de “banhos de floresta” e “terapia do oceano”, aliando a ciência ao turismo de saúde

© CLIFE BOTELHO

A Universidade dos Açores (UAc) recebe no campus de Ponta Delgada, entre os dias 16 e 20 de março, uma delegação do Hospital AZ Monica, de Antuérpia, na Bélgica, no âmbito do programa europeu Erasmus+. O grupo é constituído por profissionais de neurologia e neuropsicologia, que acompanham 18 doentes com quadros clínicos de lesão cerebral adquirida, para uma experiência que cruza a saúde, a ciência e o património natural da ilha de São Miguel.

Segundo nota enviada ao Diário da Lagoa, o projeto insere-se nas atividades do Curso de Serviço Social e visa avaliar cientificamente o impacto de terapias de imersão na natureza no bem-estar psicofisiológico e na recuperação cognitiva dos participantes. O programa inclui abordagens como Forest Mind e Forest Bathing (conhecidos como banhos de floresta), Blue Mind (terapia do oceano) e técnicas de Mindfulness. O objetivo é demonstrar o potencial das paisagens açorianas como ferramentas sustentáveis de promoção da saúde e qualidade de vida.

A iniciativa é coordenada pelo professor e investigador Eduardo Marques, especialista em serviço social eco-social, e pretende afirmar o papel do serviço social clínico na criação de respostas que integrem a saúde mental e o contacto com o meio ambiente. Além da componente terapêutica, o projeto visa posicionar os Açores como um território de eleição para o Turismo de Saúde e Bem-estar, articulando a inovação social com a valorização do território.

A receção institucional terá lugar esta segunda-feira, 16 de março, pelas 10h00, no Anfiteatro VIII da Universidade dos Açores, em Ponta Delgada. O evento de boas-vindas contará com um microconcerto de relaxamento pelo músico Neo One Eon, do projeto Lava Butterfly, radicado nas Furnas, além de momentos de poesia e atividades de Mindfulness nos jardins da academia açoriana. Ao longo da semana, os doentes e profissionais belgas realizarão sessões práticas em contexto natural e visitas a locais emblemáticos da ilha para consolidar a ligação entre pessoa e paisagem.

Lagoa inicia elaboração de plano municipal para os direitos das crianças e jovens

Reunião entre autarquia e instituições locais identificou prioridades como o combate à violência doméstica, negligência parental e indisciplina

© CM LAGOA

A Câmara Municipal da Lagoa, na ilha de São Miguel, promoveu uma reunião de trabalho para a preparação do Plano Municipal de Promoção e Proteção dos Direitos das Crianças e Jovens do Concelho. O encontro, que contou com a presença da vereadora da ação social, Graça Costa, reuniu diversas entidades com intervenção direta nas áreas da infância e juventude para recolher contributos técnicos que servirão de base à redação do documento final.

De acordo com a nota enviada pela autarquia ao Diário da Lagoa, a reunião teve como objetivo auscultar os parceiros sociais e refletir sobre os desafios atuais no território lagoense. A intenção do município é sistematizar a colaboração já existente entre os serviços, clarificando o papel de cada instituição para garantir intervenções mais concertadas. Durante os trabalhos, foram analisadas problemáticas específicas, nomeadamente estratégias de prevenção e combate à violência doméstica, à negligência parental e a comportamentos de indisciplina em contexto escolar e social.

Graça Costa destacou, na ocasião, que este plano pretende aprofundar o conhecimento sobre a realidade das famílias e dos jovens no concelho. “Este processo poderá contribuir para um melhor acompanhamento das situações existentes e para o reforço do trabalho em rede entre as várias entidades”, afirmou a autarca, referindo que muitas destas instituições já desenvolvem trabalho nesta área de forma informal.

A elaboração do plano contou com a participação de representantes de várias instituições, incluindo a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) de Lagoa, o Centro Sócio Cultural da Atalhada, a APAV, as escolas EBIs de Água de Pau e Lagoa, a Escola Secundária da Lagoa, a Universidade dos Açores, além de equipas de saúde escolar e de enfermagem do Centro de Saúde local. Com esta iniciativa, a autarquia refere que procura definir as linhas de ação pública para a infância e juventude através de um modelo de trabalho em parceria com as forças vivas da comunidade.

Clube de Leitura em Ponta Delgada regressa com sessões abertas e novos formatos

Projeto da Biblioteca Pública e Arquivo Regional aposta em moderadores convidados e leitura em voz alta. Primeira sessão acontece já no dia 23 de março

© HUGO MOREIRA

O Clube de Leitura da Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada (BPARPD) está de regresso à atividade após uma pausa para reestruturação e planeamento. Segundo uma nota enviada pela instituição às redações, esta nova fase do projeto surge com uma “nova energia”, apostando num modelo mais abrangente que passará a contar com a participação de moderadores convidados, momentos dedicados à leitura em voz alta e um maior intervalo entre as sessões, garantindo assim mais tempo para a leitura individual e uma discussão mais profunda nos encontros.

A primeira sessão desta temporada renovada está marcada para o dia 23 de março, pelas 18h00, e terá um caráter livre e participativo. O convite é estendido a todos os interessados para que partilhem as suas sugestões de leitura atuais, promovendo uma troca de recomendações num ambiente informal. Este projeto coletivo assume-se como um espaço onde a “conquista da voz diante da literatura” é um dos resultados principais, utilizando a língua portuguesa como um veículo de integração e cidadania plena. Entre os objetivos centrais do clube mantêm-se a democratização do acesso à leitura, a formação de um público mais crítico e criativo, e o incentivo ao debate e à socialização do conhecimento entre os participantes.

A programação para 2026 já se encontra delineada, com encontros bimensais que abordam temáticas distintas. Depois da sessão inaugural em março, o clube celebrará os autores portugueses a 18 de maio e a diversidade na literatura a 29 de junho, ambos com moderação convidada. Após a pausa de verão, a agenda retoma a 7 de setembro com a “Rentrée Literária”, seguindo-se o tema das adaptações ao cinema a 19 de outubro e, por fim, uma sessão dedicada aos clássicos a 7 de dezembro. A Biblioteca Pública e Arquivo Regional pretende, com este calendário, ampliar o repertório dos leitores e autonomizar o clube através de um período de incubação que potencie novos mediadores de leitura na comunidade açoriana.