
O dia 24 de fevereiro de 2026, que assinalou o quarto aniversário da invasão russa à Ucrânia, ficou marcado por um novo capítulo na relação de solidariedade entre o arquipélago dos Açores e o povo ucraniano. Álvaro Borges, jovem de 25 anos natural da Vila de Água de Pau, no concelho da Lagoa, e licenciado em Direito, marcou presença em Lisboa numa conferência de alto nível promovida pela Embaixada da Ucrânia e pelo Canadá. No encontro, o jovem lagoense reuniu-se com a embaixadora Maryna Mykhailenko, consolidando uma ligação que nasceu em setembro de 2025, quando Álvaro integrou uma missão internacional de jovens a Lviv, a Capital Europeia da Juventude.
A presença de Álvaro Borges nesta iniciativa não foi apenas simbólica, mas também institucional. O jovem procedeu à entrega de lembranças oficiais confiadas pelo Governo dos Açores, pelas Câmaras Municipais da Lagoa e de Ponta Delgada e pela Junta de Freguesia do Livramento, onde reside atualmente. Este gesto mereceu o reconhecimento da embaixadora, que manifestou novamente o desejo de se deslocar aos Açores para participar numa conferência sobre o conflito. A iniciativa conta já com a disponibilidade de Andriy Chesnokov, consultor permanente da Ucrânia em Viena e antigo governante ucraniano, que se mostrou pronto para visitar a região e partilhar a realidade do seu país com os açorianos.
Segundo Álvaro Borges, este envolvimento é o prolongamento de uma experiência profunda vivida no terreno. Recorde-se que, durante a sua estada na Ucrânia, o jovem chegou a enfrentar alertas aéreos e a ter de recolher a abrigos antiaéreos perante a ameaça de bombardeamentos. Além do perigo vivido, Álvaro trouxe consigo histórias de resiliência, como a de um jovem amigo e refugiado que acolheu nos Açores durante o período natalício.
Com este novo encontro diplomático em Lisboa, o percurso de Álvaro Borges reafirma-se como uma ponte ativa entre as instituições açorianas e a resistência ucraniana, promovendo um espaço de informação e reflexão direta sobre os impactos globais da guerra.

O Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas, na Ribeira Grande, prepara-se para transformar a sua Sala 3 num laboratório de criação viva com a exposição “Fitas do Devir”, da artista visual Teresa Pereira. De acordo com nota de imprensa enviada às redações pela Direção Regional da Cultura (DRC), antes da inauguração oficial, marcada para o dia 14 de março, a instituição promove, já no próximo dia 28 de fevereiro, uma oficina participativa que permite à comunidade colaborar diretamente na construção da obra.
Em residência artística durante todo o mês de fevereiro, Teresa Pereira utiliza a fita de pintor como elemento central de uma exploração abstrata que desafia os limites do espaço. O projeto assenta no gesto mínimo (a linha colada na parede) para edificar composições geométricas complexas que se sobrepõem e expandem, transmutando a rigidez da arquitetura numa escultura de intensa vibração cromática e jogo ótico.
Segundo a DRC, nesta proposta o processo criativo é tão importante como o resultado visual, assumindo-se como uma matéria performativa contínua onde pintar, colar e reorganizar são atos em constante fluxo. Não existe, por isso, uma versão estanque da instalação, por isso a obra define-se pela sua natureza mutável, integrando o corpo da artista e dos participantes na própria estrutura do trabalho.
Teresa Pereira é artista visual e nasceu em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, em 1963. Faz parte de projetos de ação artística através do desenho, pintura e performance. Fundou o grupo “Felizes da Fé” e criou a fanzine “Olho de Gaja” durante a vida estudantil em Arquitetura e Pintura na ESBAL. Na Suíça, estuda na F+F School for Art, Media Design de Zurique.

A Paróquia de Sant’Ana das Furnas, no concelho da Povoação, anunciou a realização da procissão do Senhor dos Passos para o próximo dia 1 de março, um evento que desperta este ano uma expetativa renovada entre os fiéis e a comunidade local. Após dois anos consecutivos em que as condições atmosféricas adversas impediram a saída do cortejo, a Comissão de Festas prepara o regresso da celebração à sua normalidade institucional.
Segundo a nota enviada ao nosso jornal pela Paróquia de Sant’Ana das Furnas, o programa religioso tem início marcado para as 16h00, momento em que as imagens de Nossa Senhora das Dores e do Senhor dos Passos sairão, respetivamente, da Igreja de Sant’Ana e da Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Alegria. O ponto alto da manifestação de fé ocorrerá no Largo das Três Bicas com o solene Encontro das Imagens, onde será proferido o sermão pelo padre Agostinho Lima, ouvidor do Nordeste.
O administrador paroquial, padre Valter Correia, enaltece a resiliência dos paroquianos que, apesar do impedimento da chuva nos anos anteriores, mantiveram o desvelo na ornamentação dos Passos, assegurando a continuidade estética e espiritual da tradição. O responsável aproveita ainda a solenidade para abordar o recente desaparecimento da imagem de Santa Cecília, apelando à união da comunidade na salvaguarda do património sagrado herdado.
O programa culmina às 18h00 com a celebração da eucaristia do segundo domingo da Quaresma. Para os visitantes que se deslocarem à vila, a paróquia recorda que a data coincide com o último dia da Exposição das Camélias, permitindo conjugar a participação nos atos religiosos com a fruição do património natural e botânico que caracteriza as Furnas nesta época do ano.

O município da Lagoa aprovou a atribuição da Chave de Honra do Município a Luís Alberto Meireles Martins Mota, marcando a primeira vez na história da autarquia que este galardão, o mais alto do município, é concedido. Segundo a nota de imprensa enviada pela Câmara Municipal de Lagoa, esta distinção visa reconhecer o percurso académico, profissional e político do homenageado, bem como a sua visão estratégica para o desenvolvimento da localidade.
A proposta, apresentada originalmente na reunião de câmara de 16 de janeiro de 2026, foi ratificada por unanimidade pela Assembleia Municipal no passado dia 19 de fevereiro. A cerimónia pública de homenagem está agendada para o próximo dia 11 de abril, data em que se assinala o feriado municipal, o 14.º aniversário da elevação da Lagoa a cidade e os 504 anos da sua elevação a vila.
De acordo com a fonte municipal, o atual presidente da Câmara Municipal, Frederico Sousa, justificou a decisão sublinhando que o executivo considerou justa a atribuição “como reconhecimento pelo seu notável percurso académico, profissional, político e autárquico, bem como pelo contributo relevante e duradouro que prestou para o desenvolvimento do concelho de Lagoa, designadamente durante o exercício do cargo de Presidente da Câmara Municipal de Lagoa”.
Natural do concelho e nascido em 1945, Luís Alberto Martins Mota é licenciado em Engenharia Química e em Farmácia pela Universidade do Porto. O seu percurso profissional incluiu a docência universitária e o desempenho de cargos de gestão, como a administração da Empresa de Eletricidade dos Açores (EDA) e a presidência da Associação para o Desenvolvimento e Promoção Rural (ASDEPR). No plano político, foi deputado na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores e presidente da Câmara Municipal de Lagoa entre os anos de 1990 e 2005.

A Associação Agrícola de São Miguel (AASM) realiza na próxima quarta-feira, 25 de fevereiro, pelas 10h30, o “Dia de Campo: Pastagens Resilientes”, uma iniciativa que terá lugar no campo experimental de Santana, no concelho da Ribeira Grande.
De acordo com nota de imprensa enviada às redações pela associação, o evento consiste numa visita técnica de campo desenhada para dar a conhecer as mais recentes novidades e soluções destinadas ao desenvolvimento de pastagens que combinem alta produtividade com uma maior capacidade de adaptação aos desafios atuais.
Através destes ensaios, a AASM pretende auxiliar os produtores na seleção rigorosa de espécies forrageiras. O trabalho desenvolvido em campo permitirá a formulação de novas consociações compostas por variedades de gramíneas, fundamentadas na avaliação contínua do seu desempenho agronómico e na sua capacidade de resposta e resistência a doenças. Segundo a associação, este foco na resiliência é considerado fundamental para garantir a sustentabilidade e a rentabilidade das explorações agrícolas da região.
A iniciativa conta com a parceria estratégica da empresa Barenbrug, referência mundial no setor das sementes, reforçando a componente técnica e inovadora do encontro. A Associação Agrícola de São Miguel convida, ainda, todos os agricultores, técnicos e demais interessados no setor a participar nesta jornada de partilha de conhecimento e demonstração prática.

O setor agrícola dos Açores registou, durante o ano de 2025, um volume de investimento que totaliza os 60 milhões de euros alocados pelo Orçamento Regional. Este montante, o maior de sempre na história do arquipélago açoriano, foi complementado por uma transferência de 16 milhões de euros do Orçamento do Estado para o programa POSEI, resultando num impulso produtivo que abrange diversas fileiras. Segundo o secretário regional da Agricultura e Alimentação, António Ventura, este esforço financeiro extraordinário “resultou em crescimentos agroprodutivos significativos, reforçando as disponibilidades para a alimentação humana e animal”.
Os dados estatísticos relativos ao período entre 2020 e 2025 revelam aumentos expressivos em setores estratégicos para a autossuficiência da região, com a área dedicada à batata a crescer 170% e a da fruticultura a subir 40%. No que toca à produção animal e seus derivados, registaram-se incrementos de 34% na produção de ovos, 150% no Mel DOP e 160% no abate de ovinos, enquanto a produção de banana registou uma subida de 35%. No setor vitivinícola, a região ultrapassou as 60 marcas e as 100 referências comerciais, acompanhando um aumento sustentado no abate de carne bovina IGP. Para a alimentação animal, a área de milho atingiu um novo recorde de cerca de 14,5 mil hectares, reduzindo a dependência de importações externas.
Este dinamismo reflete-se igualmente no comércio externo, com as exportações de bens alimentares a atingirem, em 2024, o montante histórico de 433,2 milhões de euros. Paralelamente, o ano de 2025 fixou o maior número de jovens instalados na agricultura da última década, impulsionado pelo aumento do prémio à primeira instalação para 55 mil euros.
António Ventura destaca que este sucesso é fruto de uma política pública previsível e transparente, afirmando que “desde 2021 que não se corta nos apoios, como acontecia nos governos do PS, onde se anunciava um determinado valor financeiro e se pagava, por vezes, menos 50% do valor anunciado. Trata-se de uma nova confiança para os agricultores”. O governante reforça ainda que o investimento público no setor teve um retorno positivo que “assume um elemento fundamental de segurança para todos os açorianos”, fruto de uma colaboração estreita com a Federação Agrícola dos Açores e do compromisso dos produtores locais.

Dois homens, com 37 e 48 anos, ficaram em prisão preventiva por suspeitas da prática do crime de tráfico de estupefacientes, após terem sido detidos pela Polícia de Segurança Pública (PSP) na freguesia da Matriz, concelho da Ribeira Grande. A medida de coação, a mais gravosa do ordenamento jurídico português, foi aplicada pelo Tribunal de Ponta Delgada após o primeiro interrogatório judicial dos arguidos.
A operação policial foi o culminar de um inquérito criminal instaurado pelo Ministério Público da Ribeira Grande. Segundo as autoridades, a investigação teve origem em informações que indicavam a existência de uma residência na freguesia da Matriz utilizada como base para a comercialização de substâncias ilícitas. Com base nos indícios recolhidos e nos elementos de prova consolidados durante a fase de investigação, a esquadra da Ribeira Grande avançou para uma intervenção direta no local.
No decurso da diligência, os agentes da PSP surpreenderam os suspeitos em flagrante delito. Durante as buscas, foram apreendidas diversas doses de droga de variadas tipologias, além de comprimidos e vários utensílios diretamente associados à atividade de tráfico, como instrumentos de pesagem e preparação das substâncias.
Após a detenção, os dois indivíduos foram conduzidos ao Tribunal de Ponta Delgada para aplicação das medidas de coação. Perante a gravidade dos factos e os indícios apresentados, o juiz de instrução determinou que ambos aguardassem o desenrolar do processo em reclusão. O caso continua agora sob investigação para apurar a extensão da rede de distribuição e o impacto desta atividade na zona norte da ilha de São Miguel.

A Mesa Administrativa da Irmandade do Senhor dos Passos da cidade da Ribeira Grande prepara-se, mais um ano, para celebrar as Solenidades do Senhor dos Passos, que terão lugar no terceiro domingo da Quaresma. Considerada, desde há muito, a maior procissão quaresmal que se realiza na ilha de São Miguel, esta manifestação de fé está sob a responsabilidade da Irmandade desde 1849, embora a sua origem remonte ao ano de 1628, quando a Mesa da Santa Casa da Misericórdia local obteve licença do bispo de Angra para a sua realização.
As celebrações têm início com o Tríduo Preparatório, que decorre nos dias 2, 3 e 4 de março, pelas 20 horas, na Igreja do Divino Espírito Santo. No sábado, dia 7 de março, pelas 19 horas, haverá eucaristia vespertina, seguida da mudança da imagem de Nossa Senhora da Soledade para o “Passo” do Largo das Freiras, onde o grupo de jovens Carlo Acutis fará uma despedida a Nossa Senhora.
O programa de domingo, dia 8 de março, começa às 11:00 horas com a eucaristia solene e o Sermão do Pretório, presidida pelo Padre Marco Luciano, seguindo-se o momento alto das solenidades às 16 horas com a saída da Procissão Solene do Senhor dos Passos. O cortejo será acompanhado pelas filarmónicas Aliança dos Prazeres, Voz do Progresso, Nossa Senhora das Vitórias e Triunfo.
As celebrações terminam oficialmente na segunda-feira, dia 9 de março, com a realização de uma eucaristia e o Sermão das Lágrimas, pelas 19 horas, novamente a cargo do pregador Padre Marco Luciano.

A editora Letras Lavadas realiza, no próximo dia 27 de fevereiro, às 18h00, no Centro Natália Correia, uma sessão de apresentação das suas mais recentes obras editadas em língua inglesa. O evento marca o lançamento dos títulos Bento de Goes – A Long Journey Through Central Asia, da autoria de Henrique Levy, e Suspended Worlds, uma seleção de poemas de Natália Correia.
De acordo com nota de imprensa enviada às redações pela editora, a iniciativa contará com a presença dos autores Henrique Levy e Ângela de Almeida, bem como de Diniz Borges, tradutor e diretor editorial da Bruma Publications da Fresno State University Press, instituição parceira da editora açoriana nestas edições internacionais.
Logo após a apresentação dos livros, pelas 18h30, terá lugar a tertúlia literária intitulada “Entre Ilhas e Línguas: A Tradução como Ponte, Memória e Horizonte”, que contará com a moderação do diretor do Diário da Lagoa, Clife Botelho. O debate terá a participação de Diniz Borges, José Andrade, diretor regional das Comunidades e, também, de Ernesto Resendes, editor da Letras Lavadas. A conversa focará o papel da diáspora açoriana no desenvolvimento de projetos editoriais de escala internacional.

Beatriz Moreira da Silva
Tenho 32 anos. Vivi 12 em Portugal Continental. Por motivos de força maior regressei aos Açores. Trabalhei em alguns locais, contratos de curta duração e, até mesmo, na ausência deles.
Colaborei por livre e espontânea vontade com jornais, incluindo o Diário da Lagoa. Foi a única “entidade” capaz de me formar, guiar e dar oportunidade. Consegui a minha carteira profissional de colaboradora de informação. É certo que foi fruto do meu trabalho, mas só foi possível pelas pessoas que o suportam. Suportam com trabalho, com dedicação, com inúmeras privações de sono. A verdade é que as notícias surgem sempre e, cada vez mais, o jornal ganha destaque, alcança objetivos e mantém-se firme, única e exclusivamente por quem o gere e pelos seus colaboradores.
Há dez anos, em Castelo Branco, escrevi um livro infantojuvenil intitulado Uma Família Açoriana. Editado em 2025 e lançado no mesmo ano. Contou com a apresentação do Clife Botelho e da Marta Ferreira – julgo que não necessitam de apresentações.
Engraçado! Trata-se de parte da nossa história enquanto açorianos e da Saudade. A adesão foi maioritariamente pela sala cheia no lançamento. Questiono-me onde andam os pais? – mas este assunto já são outros quinhentos.
Dei algumas entrevistas de leves aparições – pelo menos chegou ao continente.
O discurso parece oscilar, mas com propósito – “A menina trabalha aqui? Mas não tinha escrito um livro? Não colabora para o jornal?”. Questões inapropriadas, mas que merecem as minhas repetitivas respostas: Não estou rica; não me apontaram uma arma à cabeça para vir trabalhar ou enviar currículo.
O discurso já vos faz sentido?
O que é nosso, do nosso trabalho, da nossa dedicação é, sem dúvida, o nosso maior mérito. E é trabalho!
Não sei como e a que ponto chegamos, mas sei que vivemos sem oportunidades. Ora temos excesso de habilitações, ora não sabemos, mas também não nos querem ensinar. Afinal querem o quê? Qual é o problema?
Lamento que os Açores continuem poucochinhos – só para alguns. Lamento sobretudo, que a maioria dos jovens não tenha capacidade para comprar uma casa, porque os Açores destacaram-se com subidas de preços anunciados superiores a 20%, com Ponta Delgada a superar os 4.000€/m². Relembrando que a Área Metropolitana de Lisboa registou valores médios de 4.322€/m² em janeiro de 2026.
Agora questiono: Está tudo bem?
Recém-licenciados, não esperem uma vaga exclusivamente na vossa área, a menos que possuam património. Aos que trabalham horas infinitas na hotelaria e com retribuições de meio tostão, aos que trabalham arduamente a recibos verdes, aos artistas, aos que não vos dão oportunidade, o mundo é grande e generoso, desde que corram atrás. Talvez a ausência surta efeito.
Os Açores já não são “o local ideal para criar filhos”, a partir do momento que se esquecem dos que cá nasceram e aqui querem permanecer.
Aos que ficam ou, pelo menos, que ainda permanecem, vamos continuar a redigir a verdade, porque o jornalismo não é um combate de egos, até porque todos temos espelhos em casa.