
Maria Chaves Martins
Licenciada em Direito
Num mundo onde o Oceano sofre as consequências da ação antropogénica, as Áreas Marinhas Protegidas (AMP’s) têm um papel capital na garantia de um Oceano saudável, com capacidade para combater as ameaças interligadas à emergência climática. O Oceano é, talvez, o maior aliado na luta pela sobrevivência da nossa espécie num contexto de colapso climático.
Há muito que se abandonou a perspetiva de que o Oceano é apenas um território destinado à extração de recursos ou ao transporte marítimo. É, por si só, um oceano de oportunidades que devem ser pensadas de forma integrada e sustentável.
É nesta linha de pensamento que surgem as AMP’s, enquanto áreas geograficamente definidas, reconhecidas e geridas através de meios legais ou outros instrumentos, com o objetivo da conservação. Essas áreas permitem a recuperação da vida marinha e da biodiversidade, a proteção de ecossistemas vulneráveis, seja pela sua singularidade — como os campos hidrotermais dos Açores — seja pelas ameaças que as espécies enfrentam, exigindo diferentes níveis de proteção: desde áreas totalmente protegidas até áreas com menor grau de proteção, sem prejuízo das áreas não classificadas.
Em muitas AMP’s é permitida a coexistência de atividades, regulamentadas, sendo escassas as áreas com proibição total, dependendo dos objetivos que presidiram à sua criação: proteção da biodiversidade; criação de maternidades ou berçários; ou salvaguarda de locais de interesse cultural.
O seu carácter protetor permite intensificar o sequestro de carbono, regular o clima, reforçar a segurança alimentar, criar oportunidades económicas sustentáveis — como a observação de vida marinha — e instituir santuários de restauração ecológica, aumentando a resiliência climática. Acresce o seu papel na proteção costeira.
As AMP’s, quando bem geridas e com objetivos claros, são essenciais para um sistema eficaz de governação marítima. Aliás, foi com esse propósito e com o de travar a mineração dos fundos marinhos, que entrou em vigor, em Janeiro, o Tratado do Alto-Mar. A par disso, a Europa pretende criar a Lei Europeia dos Oceanos, estando sob consulta pública.
Em linha com a agenda das Nações Unidas, Portugal assumiu o compromisso de proteger 30% do mar até 2030, tendo, inclusive, antecipado a meta para 2026. Assim, os Açores avançaram com a revisão das AMP’s, alterando, em Dezembro de 2024, o quadro legislativo denominado de RAMPA. Afinal, é o Mar dos Açores que dá a Portugal a sua dimensão territorial, legitimando o seu papel ativo na gestão do seu espaço marítimo.
A alteração do quadro legislativo, alinhada com as metas 30×30, gerou expectativas progressistas quanto à proteção do Mar dos Açores. Foi transmitida a mensagem — outrora corajosa — de que a Região se afirmaria como guardiã do Oceano, liderando a criação de áreas totalmente protegidas, com 15% das AMP’s sob proteção total.
Contudo, essa mensagem começou a esbater-se no momento que antecedeu a votação da segunda alteração à RAMPA, em resultado das propostas apresentadas pelo lobby.
Embora as propostas do lobby não tenham, naquele momento, visto a luz do dia, ficaram adormecidas e despertaram quatro meses depois da RAMPA ser publicada. E, apesar das reclamações da sociedade civil, o porta-estandarte desta ambição, numa cambalhota política, aceitou a pesca de atum nas AMP’s, originalmente livres dessa atividade, violando o princípio constitucional do não retrocesso ambiental e correndo o risco de devolver verbas entregues pelo objetivo, alegadamente, alcançado.
Tudo no tempo certo e depois de servidos certos interesses, as AMP’s foram desprotegidas.

Mais de 80 pessoas, na sua maioria romeiros de 14 ranchos da ilha de São Miguel, responderam este domingo ao apelo lançado pelo Grupo Coordenador do movimento, numa iniciativa que transformou a freguesia da Relva num cenário de partilha e compromisso comunitário. A dádiva de sangue, organizada localmente pelo rancho da Relva, mobilizou não só os caminhantes da fé, mas também jovens e escuteiros, que elevaram o momento com um convívio marcado pelas tradicionais sopas do Espírito Santo.
A ação permitiu a recolha de cerca de 450 mililitros de sangue por dador, num processo que, apesar de simples e rápido, carrega um simbolismo profundo para quem se prepara para a caminhada. Paulo Lopes, mestre dos romeiros da Relva, não escondeu o entusiasmo perante a adesão: “Está a correr muito bem. Além dos romeiros, quisemos envolver as forças vivas da freguesia. Há muita gente a dar sangue pela primeira vez e muitos jovens”, destacou o responsável, admitindo que a participação “excedeu as expetativas”.
Entre os estreantes na dádiva esteve Basílio Silva, da Ribeirinha, que viu nesta iniciativa a oportunidade de concretizar o desejo de ser dador no mesmo ano em que se estreia nas romarias. Integrando um dos primeiros ranchos a sair, já a 21 de fevereiro, o romeiro encara esta jornada como “uma caminhada de fé”. Também Filipe Torres, da Relva, viveu a mesma dupla estreia, descrevendo o processo como “muito simples e acolhedor” apesar da natural “picadela inicial”.

Para Paulo Lopes, mestre há cerca de uma década e romeiro há vinte anos, esta ação demonstra que o espírito das romarias se traduz em gestos concretos de ajuda ao próximo. O seu rancho prepara-se para sair no próximo dia 21 de março com menos de três dezenas de elementos, mas com o coração cheio. “É um momento muito emotivo e vivido com grande fé. Não somos muitos, mas vamos todos com muita fé”, afirmou à fonte.
Esta iniciativa solidária não é um caso isolado, uma vez que o Grupo Coordenador do movimento organiza habitualmente dois momentos de partilha de sangue anuais, respondendo aos apelos do Serviço de Sangue e Hematologia do Hospital do Divino Espírito Santo. A tradição, que cruza a fé com a saúde pública, teve o seu início oficial a 8 de fevereiro de 2015 e continua, 11 anos depois, a reforçar os laços entre a tradição quaresmal e o apoio à comunidade açoriana.

O Município de Vila Franca do Campo, na ilha de São Miguel, abriu oficialmente um concurso por classificação para a atribuição de 30 habitações em regime de arrendamento apoiado. De acordo com um comunicado enviado às redações pela autarquia vilafranquense, esta iniciativa surge no âmbito da Estratégia Local de Habitação e do Programa 1.º Direito, sendo financiada através de verbas do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). O concurso, que foi aprovado em reunião ordinária do executivo a 14 de janeiro de 2026, foca-se na disponibilização de 28 fogos nos Edifícios de Habitação Multifamiliares Pão do Vigário, na freguesia de São Pedro, e de dois fogos situados na Rua Carreira Meio Moio, na freguesia de Ponta Garça, todos destinados a habitação permanente.
Segundo a Câmara Municipal, o principal objetivo desta medida é apoiar agregados familiares que se encontrem em condições habitacionais indignas e que não possuam capacidade financeira própria para aceder a uma habitação adequada. Para serem elegíveis, os candidatos devem ter idade igual ou superior a 18 anos e comprovar que residem ou exercem atividade profissional no concelho de Vila Franca do Campo há, pelo menos, cinco anos. Além disso, os titulares não podem ser proprietários de qualquer habitação em território nacional e devem cumprir os restantes critérios legais definidos pelo regulamento municipal e pela legislação em vigor sobre o arrendamento apoiado.
As candidaturas devem ser formalizadas num prazo de 10 dias úteis, contados a partir da data de publicação do respetivo aviso no Jornal Oficial da Região Autónoma dos Açores. O processo é realizado através de um formulário próprio, que se encontra disponível no sítio institucional da autarquia ou nos serviços de Ação Social e Educação, podendo ser entregue presencialmente ou remetido via correio eletrónico, desde que devidamente assinado de forma digital. Todas as informações detalhadas sobre os critérios de classificação, as tipologias das habitações e a documentação necessária estão acessíveis para consulta pública no site oficial da câmara.
Com base em fonte oficial do Município de Vila Franca, este concurso representa um reforço do compromisso da autarquia com o direito constitucional à habitação. A autarquia sublinha que a iniciativa visa promover “respostas concretas para as famílias do concelho com maiores dificuldades no acesso a uma habitação digna”, consolidando assim a política social de proximidade que tem vindo a ser implementada no concelho através da recuperação e disponibilização de novos fogos habitacionais.

DL: A Santa Casa da Misericórdia de Santo António da Lagoa celebra 25 anos e manifestou a intenção de criar uma creche aberta 24 horas. Como é que surge esta ideia?
Surge por várias solicitações, nomeadamente as dos nossos próprios colaboradores. Já temos um grupo de 12 enfermeiros que colocaram essa questão. Mas, para além disso, também há outras pessoas de fora da instituição que trabalham por turnos e têm essa necessidade, pois não têm familiares com quem deixar os filhos. Trata-se de dar uma resposta que vai ao encontro de cada uma dessas pessoas. Como já demos o nosso primeiro passo, adquirimos o terreno — uma moradia unifamiliar num espaço bem centralizado, com boas acessibilidades e as melhores condições. Sonhámos com esse espaço e estamos a projetá-lo. Estamos todos empenhados para que se dê resposta a esse pedido que vem dos nossos cidadãos.
DL: E legalmente é possível?
É possível. Segundo o que já falei com o diretor regional, logo que se entenda que é necessário e útil, acho que as coisas podem avançar.
DL: O que é que falta?
Neste momento estamos a trabalhar no projeto e já tive várias reuniões. A capacidade é para 48 crianças. Já estamos a trabalhar na tipologia, a adaptar o edifício existente. Estou esperançado que, no ano de 2027, já existam condições para avançar com este equipamento. Também é preciso ver que temos um grande projeto em mãos, o CACI, que se vai inaugurar dentro de dois ou três meses. Compreendo que se tenha de fazer um agendamento de trabalho, porque não é fácil. Importa primeiro acabar o projeto de arquitetura e só depois arrancar com mais este grande investimento. O Instituto de Segurança Social já confirmou que há duzentas e tal crianças à espera de vaga, por isso, o primeiro passo está dado. O funcionamento durante 24 horas será depois reivindicado para que a creche seja diferenciada.
DL: E quanto ao Centro de Atividades e Capacitação para a Inclusão (CACI), o que é que falta?
Neste momento, faltam alguns acabamentos finais. Temos os equipamentos todos já em contentores para entrar. O único problema é o acesso: estamos a pavimentar as vias circundantes. Penso que, dentro de um mês e meio, já estará pronto para ser inaugurado.
DL: Com quantas valências é que a Santa Casa da Misericórdia de Santo António da Lagoa vai ficar?
Ficará com nove valências, das quais quatro funcionam 24 horas por dia. Temos 96 colaboradores atualmente, vamos passar para uma média de 140 e atenderemos, por dia, uma média de 273 utentes. Estamos agora nas avaliações curriculares para contratar mais 42 pessoas. Isto inclui desde a infância à juventude e aos mais idosos. Daremos um salto grande no sentido de ir ao encontro das necessidades da nossa população.
DL: Recentemente, o Governo da República falhou com os pagamentos às Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS). De que forma isso afetou a instituição na Lagoa?
Tivemos alguns problemas, por exemplo, com o subsídio de Natal. Tivemos de recorrer à banca. A situação não foi fácil porque não temos grandes recursos nem rendimentos extra. Somos a única Santa Casa na ilha de São Miguel que não tem farmácia. Por isso, vivemos dos nossos protocolos e acordos com o Governo. Em qualquer intervenção, as coisas têm de ser bem estudadas. Os protocolos têm de ser ajustados e não se pode brincar, porque estamos aqui voluntariamente e não deveríamos estar preocupados se, ao chegar ao fim do mês, não temos financiamento. Faço este alerta às autoridades governamentais: têm de ter respeito e critérios definidos previamente para sabermos com o que podemos contar. Para a gestão da tesouraria, é muito complicado. O modelo de financiamento tem de ser bem estudado por um grupo de trabalho para que não existam desconfianças.
DL: Ainda há verbas a receber?
Sim, ainda temos algumas verbas a receber. O que digo é que as coisas têm de acontecer. As pessoas têm de olhar para o facto de estarmos aqui, dia a dia, a trabalhar desinteressadamente. Acho que deve haver maior atenção quanto ao financiamento.
DL: A continuidade do programa “Novos Idosos” era uma reivindicação sua. É positivo o facto de o projeto ter continuado?
Para quem vive na sua casa com qualidade, não há riqueza melhor. Estou satisfeito com o seu prolongamento até ao final de 2026. Agora, estou esperançado que isto ganhe um outro modelo para amadurecer. O projeto agora funciona como piloto, mas acho que têm de trabalhar durante este ano para criar um modelo já assente na realidade da nossa região.
DL: A instituição que ajudou a fundar celebrou 25 anos. Que balanço faz?
Um balanço bastante positivo e brilhante. Como é a mais jovem da região, teve um trajeto que nunca parou e temos projetos para o futuro. Além da creche, temos os Cuidados Continuados. Já adquirimos o terreno e estamos a trabalhar no projeto para mais 20 camas, o que criará mais emprego. Será a norte do nosso lar, que vai crescer. Terá uma particularidade única porque vamos rentabilizar: será a mesma cozinha, a mesma lavandaria e os mesmos serviços de apoio. Economicamente, será singular. É um balanço que me deixa muito orgulhoso. Todas as mesas administrativas que por aqui passaram trabalharam com espírito empreendedor. E a maior riqueza são os nossos colaboradores, pois as pessoas é que são a linha da frente. Isto é uma família e se não funcionar como tal, as coisas não andam.
DL: Quer deixar uma mensagem à comunidade?
A mensagem que quero deixar é que vamos continuar a trabalhar. O nosso compromisso está renovado nestes 25 anos. Quero incentivar as mesas administrativas que estão comigo para que deem seguimento a este trabalho. A nossa instituição é a maior do concelho e a que tem mais projetos sociais em carteira. Por isso, vamos todos dar as mãos. A comunidade está connosco e penso que todos reconhecem que estamos aqui para servir com espírito de entrega e compromisso.

A demolição do pavilhão desportivo da Escola Básica Integrada (EBI) de Lagoa não é consensual e está a fazer correr tinta no Diário da Lagoa (DL). Em resposta a várias questões colocadas pelo DL à Câmara Municipal de Lagoa (CML), a autarquia liderada por Frederico Sousa escreve que “é de lamentar a posição tomada pela senhora Secretária Regional, entidade responsável pela implementação de uma solução para garantir a continuidade das atividades desportivas naquele pavilhão”. A CML garante ter enviado “em fevereiro de 2025, um pedido de solução de construção que salvaguardava o aumento e reforço das instalações desportivas no concelho”. A autarquia lagoense diz só ter obtido resposta da tutela vários meses depois, ou seja, “a somente a 17 de dezembro de 2025”. Nessa missiva a secretaria regional da Educação, Cultura e Desporto responde que “a alteração proposta pelo município implicaria a necessária reformulação do estudo prévio e um novo procedimento de contratação pública, o que levaria a um adiamento substancial da obra”. A CML considera que “o município emitiu um pedido com o tempo suficiente para que o estudo prévio fosse alterado sem comprometer os prazos de reabilitação da escola, visto que, à data do pedido, o projeto ainda não se encontrava finalizado, aliás nem até à presente data”.
O DL colocou a seguinte questão à secretária regional da Educação, Cultura e Desporto: “Qual a alternativa que a Secretaria Regional da Educação, Cultura e Desporto tem para facultar ao Clube de Patinagem de Santa Cruz (e dar continuidade aos treinos do clube), quando for feita a demolição do pavilhão desportivo da EBI de Lagoa (Escola do Fisher)?”. Em resposta ao DL, Sofia Ribeiro escreve que “o processo de reabilitação da EBI de Lagoa está em fase de revisão para aprovação do estudo prévio, para posterior elaboração de projeto de execução. A questão colocada será naturalmente analisada e considerada, dependendo das exigências da empreitada, tendo em conta a sua calendarização. O Governo dos Açores está ciente do cuidado específico que o planeamento da empreitada requer, face às exigências desportivas”.
Para a CML “é urgente requalificar a Escola Padre João José do Amaral (Fisher), que se encontra num estado de degradação considerável, de modo a devolver aos alunos lagoenses uma escola com condições de conforto e segurança e adequada às práticas pedagógicas atuais”. A autarquia considera que não vê “razão nenhuma para que o investimento não arranque em 2026, mesmo que já tardiamente, pois tanto quanto se sabe, este será feito com recurso ao PO2030 e já se encontra previsto em Planos e Orçamentos da Região há cerca de cinco anos, cabendo, única e exclusivamente à Secretaria Regional da Educação, Cultura e Desporto a execução atempada deste investimento, que é crucial para o bem-estar dos alunos e jovens desportistas lagoenses”.
Em janeiro deste ano, o DL noticiou que o pavilhão desportivo da EBI de Lagoa iria mesmo ser demolido dando lugar a um novo com ligação à nova escola que vai ser construída. Nesse artigo, a secretária regional da Educação, Cultura e Desporto explicava que “é uma fase que é complexa, mas com a reconstrução de um novo pavilhão, a fazer uma ligação ao edifício central para que os alunos possam ter uma deslocação ao abrigo da chuva e do vento, que é um problema atual desta escola, já há muitos anos neste tipo de construções”. A governante diz que manter o atual pavilhão “implicaria uma reformulação de todo o projeto e, lá está, com os atrasos que nós temos, não podemos comportar”.
A solução para a prática desportiva aquando da demolição do pavilhão do Fisher continua, para já, indefinida.

O Pavilhão Multiusos dos Remédios, na freguesia de Santa Cruz, na Lagoa, foi palco da 20.ª edição do Festival de Cantorias ao Desafio, um evento que, ao longo de três dias, reafirmou a vitalidade do improviso açoriano. O certame, organizado pela Associação Cultural e Recreativa dos Remédios, consolidou-se como um espaço de encontro intergeracional, aliando a música à gastronomia tradicional.
Segundo uma nota enviada pela autarquia da Lagoa, o evento contou com o apoio financeiro e logístico da Câmara Municipal e a colaboração da Junta de Freguesia de Santa Cruz, marcando duas décadas de resistência cultural na localidade. Durante a sessão de encerramento, o presidente da autarquia, Frederico Sousa, enalteceu o papel do festival, sublinhando que este “é um marco cultural no concelho, assumindo-se como um espaço privilegiado de encontro entre gerações e de valorização da cultura popular açoriana”.
O autarca defendeu que estas celebrações são essenciais para manter viva a memória coletiva dos Açores, servindo como um elo de ligação fundamental entre o passado e as novas gerações. O discurso de encerramento enfatizou ainda que o reforço do associativismo local é uma das pedras basilares para a coesão social da freguesia e do concelho, reconhecendo o esforço dos envolvidos na organização ao longo destes 20 anos.
Paralelamente, diversas barracas de iguarias típicas serviram de ponto de encontro para os muitos visitantes que, durante os três dias de certame, procuraram não só o espetáculo das cantorias, mas também os sabores tradicionais açorianos. O balanço final, reforçado pela nota da autarquia, aponta para um sucesso renovado, consolidando o festival como um dos momentos altos do calendário cultural da freguesia de Santa Cruz e do município de Lagoa.

Márcia Goulart
Deputada pelo PSD na ALRAA
A prática do desporto escolar tem vindo a afirmar-se como um pilar fundamental da formação dos jovens nos Açores, com impactos diretos no sucesso escolar, na saúde e na prevenção de comportamentos de risco.
A Fase Regional do Corta-Mato Escolar 2025/2026, realizada na Lagoa das Sete Cidades, foi um exemplo claro dessa importância.
O desporto escolar desempenha um papel relevante no sistema educativo açoriano, assumindo-se como um complemento essencial à aprendizagem. Ao promover hábitos de vida ativos, contribui não só para a melhoria da saúde física e mental dos alunos, mas também para o desenvolvimento de competências pessoais e sociais determinantes para o seu percurso escolar.
Diversos estudos apontam para uma relação positiva entre a prática regular de atividade física e o rendimento escolar, evidenciando melhorias na concentração, na capacidade de organização e na motivação para aprender. Neste contexto, o desporto escolar surge como um verdadeiro aliado da escola, potenciando o sucesso educativo e reduzindo fenómenos como o abandono e o insucesso escolar.
Paralelamente, a atividade física regular assume um papel preventivo fundamental no combate à obesidade infantil, um problema de saúde pública que continua a preocupar famílias e instituições. Ao garantir oportunidades de prática desportiva acessíveis a todos os alunos, o desporto escolar promove a igualdade de oportunidades e incentiva estilos de vida mais saudáveis desde cedo.
Outro aspeto de relevo prende-se com a prevenção de comportamentos aditivos e com a redução do tempo excessivo passado em frente a ecrãs. A crescente utilização de dispositivos digitais, fora do contexto escolar, por crianças e jovens tem levantado preocupações ao nível do desenvolvimento físico, emocional e social, principalmente, quando não há controlo por parte dos progenitores. O desporto escolar oferece uma alternativa estruturada e positiva, promovendo o convívio presencial, o espírito de equipa e a ocupação saudável dos tempos livres.
A Fase Regional do Corta-Mato Escolar 2025/2026, realizada num dos mais emblemáticos espaços naturais dos Açores, destacou-se como um momento de celebração do desporto e da escola. O evento reuniu alunos de todas as ilhas, reforçando o intercâmbio inter-escolas e o sentimento de pertença à comunidade educativa regional. Mais do que resultados competitivos, valorizou-se a participação, o esforço e o fair play.
Investir no desporto escolar é investir numa escola mais completa, inclusiva e promotora de bem-estar. Os Açores têm demonstrado que, quando educação e desporto caminham lado a lado, os benefícios estendem-se muito para além do recinto escolar, refletindo-se numa juventude mais saudável, equilibrada e preparada para os desafios do futuro.

A atleta lagoense Natacha Candé, do Clube Desportivo e Cultural Juventude Ilha Verde de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, alcançou um feito histórico para o desporto nacional ao sagrar-se Campeã Nacional de Pentatlo, no escalão de Sub-20. A conquista ocorreu durante os Campeonatos Nacionais de Provas Combinadas, realizados no Fórum Braga, no passado dia 24 e 25 de janeiro, onde a jovem atleta demonstrou um domínio absoluto ao longo das cinco disciplinas que compõem a modalidade.
Com uma prestação marcada pela regularidade, Natacha Candé somou um total de 4.197 pontos. Este resultado permitiu-lhe não só garantir o lugar mais alto do pódio, como também estabelecer um novo recorde nacional nas categorias de Sub-20 e Sub-23. A marca agora alcançada supera o seu anterior recorde pessoal de 4.094 pontos, obtido em março de 2025, o que confirma uma trajetória de evolução sustentada e de afirmação no panorama do atletismo em Portugal.
O desempenho da campeã nacional foi pautado por resultados de elevado nível técnico em todas as frentes, registando 8,82 segundos nos 60 metros barreiras, 1,76 metros no salto em altura e 13,33 metros no lançamento do peso. A fechar a sua participação, Natacha registou ainda 5,87 metros no salto em comprimento e completou os 800 metros em 2 minutos, 24 segundos e 59 centésimas, números que espelham uma preparação física e mental de rigor. Este novo título vem reforçar o currículo de uma atleta que é já uma referência na região.

Cerca de uma centena de alunos e docentes, representando 29 escolas de todas as ilhas dos Açores, convergiram para o Complexo Ambiental da Lagoa das Sete Cidades na passada sexta-feira, 6 de fevereiro, para disputar a Fase Regional do Corta-Mato Escolar 2025/2026. O evento, que reuniu os escalões de Infantis B, Iniciados e Juvenis, segundo comunicado do Governo dos Açores, pretendeu ser um marco de inclusão ao integrar as vertentes regular e adaptada.
A prova decorreu no cenário natural do Parque Natural da Ilha de São Miguel e contou com a presença de delegações vindas de todo o arquipélago, que trabalharam nas semanas anteriores para garantir que a dimensão regional da iniciativa fosse alcançada.
Para além da competição propriamente dita, o Corta-Mato assumiu-se como um espaço de celebração de valores cívicos. O espírito de equipa e o fair play foram as notas dominantes entre os participantes, que encontraram no contacto direto com o património natural das Sete Cidades um estímulo adicional para a superação pessoal e para a prática da atividade física como pilar de saúde.

A organização do evento esteve a cargo da Direção Regional da Educação e Administração Educativa, através do Núcleo de Saúde e Desporto Escolar, em articulação com a Direção Regional do Desporto e o Serviço de Desporto da Ilha de São Miguel. O esforço conjunto contou com diversas parcerias institucionais e locais, garantindo o sucesso de uma jornada dedicada à formação integral dos jovens.
O encontro de diferentes ilhas num objetivo comum pretendeu demonstrar ainda que, para além dos resultados desportivos, o triunfo residiu na partilha de experiências e no fortalecimento dos laços que uniram a juventude de todo o arquipélago açoriano.
“Entre trilhos naturais, superação e muita energia, os nossos alunos deram o seu melhor numa verdadeira celebração do desporto escolar”, partilhou o Governo regional na página de Facebook dedicada à educação nos Açores.

A história recente do concelho da Lagoa constrói-se tanto no seu território como além-Atlântico, através da sua diáspora organizada nos Estados Unidos da América. Os lagoenses emigrados na Nova Inglaterra têm desempenhado, ao longo de décadas, um papel determinante na preservação da identidade cultural, na promoção do concelho e no fortalecimento das relações institucionais entre a Lagoa e as comunidades norte-americanas.
Um dos momentos fundadores desta relação ocorreu a 11 de abril de 1990, quando Halsey Herroshof, administrador do concelho de Bristol, Rhode Island, se deslocou à Lagoa para assinar o protocolo de geminação com o Presidente da Câmara Municipal, Eng.º Luís Alberto Martins Mota. Durante essa visita oficial, Halsey Herroshof e o seu assistente ficaram hospedados na Caloura, na Vila de Água de Pau, em casa do Vice-Presidente da Câmara, Roberto Medeiros, num gesto simbólico de hospitalidade e proximidade institucional.
No âmbito desta geminação realizaram-se diversas visitas e iniciativas culturais no concelho da Lagoa, nomeadamente à Cerâmica Vieira e aos museus da Tanoaria, do Alambique, da Tenda do Ferreiro-Ferrador, da Cestaria e da Tecelagem. O administrador de Bristol participou ainda, juntamente com os autarcas lagoenses, na Procissão do Senhor Santo Cristo dos Milagres, em Ponta Delgada, e em atividades culturais com o Grupo de Teatro e de Folclore Jovem Pauense.
Em julho de 1990, o Presidente e o Vice-Presidente da Câmara Municipal de Lagoa, Eng.º Luís Martins Mota e Roberto Medeiros, deslocaram-se aos EUA para participar, na vila irmã de Bristol, na histórica Parada do 4th of July, comemoração maior da Independência dos Estados Unidos. Estas deslocações e receções oficiais motivaram os imigrantes lagoenses radicados na Nova Inglaterra a organizarem-se, sentindo a necessidade de criar uma estrutura representativa que dignificasse o concelho e a comunidade emigrante no país que os acolheu. Esse objetivo viria a concretizar-se em 1996, com a criação da Associação dos Amigos da Lagoa da Nova Inglaterra, também conhecida como “União do Concelho da Lagoa”.
Presidida inicialmente por José Francisco Pires, natural do Rosário, e mais tarde por Maria Tomásia, da Ribeira Chã, a associação assumiu-se como uma verdadeira ligação entre o Município da Lagoa e a sua diáspora, acolhendo autarcas, empresários, filarmónicas, ranchos folclóricos, grupos corais, artesãos e promovendo intercâmbios culturais e escolares. Destacou-se igualmente a valorização de tradições identitárias, como a arte do presépio lagoense, cuja produção remonta a 1862.
Um dos símbolos mais marcantes desta cooperação foi a inauguração, a 10 de junho de 1997, do “Mosaico Park”, em Bristol, uma praça em pedra basalto, executada em calçada portuguesa, desenhada pelo artista imigrante José Manuel Soares, antigo funcionário da Cerâmica Vieira. Para a sua concretização, a Câmara Municipal de Lagoa enviou o calceteiro João Luís Cabral, que executou exemplarmente o trabalho no cruzamento da Frank com a Wood Street, num projecto coordenado por Roberto Medeiros, pela Lagoa, e Frederico Pacheco, pela Bristol Town Hall.
Ao longo dos anos realizaram-se vários convívios dos Amigos da Lagoa, com a presença de autarcas e empresários do concelho. O último teve lugar em 2009, quando, a propósito de um pedido de apoio para o novo carrilhão de sinos da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, Roberto Medeiros mobilizou a comunidade emigrante, resultando na oferta de 16 000 euros pelo empresário James de Melo, de New Bedford, cujo nome ficou perpetuado na torre da igreja.
Após esse período, a atividade da associação entrou em pausa. Contudo, a 17 de janeiro de 2026, surgiu um novo impulso para a sua retoma, com uma nova direção e uma visão estratégica renovada. José António Pires foi indicado como novo presidente, reunindo já mais de uma dúzia de imigrantes lagoenses e outros a serem mobilizados.
José António Pires, David Loureiro, Maria Tomasia, John Ferreira, José Amaral (Amaral Buses), Fernando Benevides (Portugalia Marketplace) e outros lagoenses e amigos comunitários, continuaram desde 2010 até a atualidade a dar apoio a Roberto Medeiros, que após a sua atividade autárquica assinou protocolos de colaboração, no dia 5 de novembro de 2009, no Salão Nobre da New Bedford City Hall, com 54 instituições luso e americanas, continuando assim a realizar por iniciativa própria intercâmbios culturais e escolares entre escolas, professores e grupos de cantares que o acompanharam dos Açores e da Lagoa aos EUA.
Dito isto, o objetivo desta nova fase é claro: unir de forma estruturada o Município da Lagoa, a diáspora organizada nos EUA e as sete cidades irmãs — Bristol, Dartmouth, New Bedford, Fall River, Rehoboth, Taunton e Fairhaven — promovendo cooperação institucional, cultural e comunitária. Pretende-se, nesse âmbito, convidar uma delegação oficial da Câmara Municipal de Lagoa, liderada pelo seu Presidente, Frederico Sousa, para o próximo Convívio dos Amigos da Lagoa e para um novo ciclo de iniciativas conjuntas.
Com esta retoma, os Amigos da Lagoa reafirmam-se como uma ponte viva entre continentes, honrando o passado, reforçando o presente e projetando o futuro do concelho no espaço internacional.
Importa ainda recordar que Roberto Medeiros, graças ao patrocínio da família de Fernando Benevides, mantém desde 2014 uma ação cultural contínua e de elevado valor identitário nos Estados Unidos, promovendo a arte bonecreira e a tradição secular dos Presépios da Lagoa. Esta iniciativa concretiza-se através das exposições anuais “Vilas Presépios”, realizadas no estabelecimento Portugalia Marketplace, na cidade de Fall River, reunindo centenas de figuras em barro moldadas por bonecreiros lagoenses, com especial destaque para António Morais, de quem foi adquirida a maior coleção de bonecos por si criados. Estes eventos tornaram-se uma referência cultural junto das comunidades lagoenses e luso-americanas, afirmando a Lagoa como território de património artístico vivo. Neste percurso, os lagoenses José António Pires, Teresa Baganha e David Loureiro têm sido verdadeiros baluartes no apoio logístico e comunitário, contribuindo de forma decisiva para a concretização dos projetos coordenados por Roberto Medeiros e para a contínua valorização da identidade lagoense além-fronteiras.