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Lagoa prepara Plano Municipal para reforçar direitos das crianças e jovens

© CM LAGOA

A Câmara Municipal de Lagoa anunciou que se encontra a desenvolver, em parceria com a CPCJ local, um Plano Municipal de Promoção dos Direitos das Crianças e Jovens. O anúncio foi feito durante a visita de apresentação de cumprimentos do novo presidente do Comissariado dos Açores para a Infância (CAI), Emanuel Areias, que foi recebido nos Paços do Concelho pelo presidente da Câmara, Frederico Sousa, e pela vereadora Graça Costa. Segundo nota de imprensa enviada pela autarquia lagoense, este novo plano será sustentado por diagnósticos locais e terá como prioridade áreas como a saúde mental, as relações interpessoais e o combate a dependências e diversas formas de violência.

Durante a reunião, Frederico Sousa fez questão de sublinhar a estreita colaboração entre o município e a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens, afirmando que “a Câmara Municipal de Lagoa presta um apoio abrangente à CPCJ do concelho, tanto ao nível logístico, material e de transporte, como de recursos humanos”. O autarca explicou ainda que o facto de terem afetas ao serviço da CPCJ uma funcionária administrativa e uma técnica superior da autarquia permite garantir uma “maior estabilidade e rigor na qualidade do trabalho desenvolvido”, mantendo a autarquia sempre atenta às necessidades sinalizadas.

O encontro serviu também para destacar o papel estratégico do Centro de Intervenção Social “TEAR” — Transformar, Educar, Acolher e Reabilitar. Este espaço, que integra associações como a APAV, Novo Dia, Kairós e ARRISCA, foi apontado como fundamental na resposta a grupos vulneráveis e pessoas em risco de exclusão social ou doença mental. Perante este trabalho de proximidade, Emanuel Areias felicitou a autarquia lagoense tanto pela sua ação direta junto da CPCJ como pela iniciativa de criar um plano municipal dedicado à proteção e promoção dos direitos dos mais jovens.

Passeio de Reis reuniu mais de 500 seniores do concelho da Lagoa em dia de convívio

© CM LAGOA

Mais de 500 idosos, provenientes de todas as freguesias do concelho da Lagoa, na ilha de São Miguel, participaram recentemente no tradicional Passeio de Reis, uma iniciativa dedicada à população sénior. Em nota enviada pela autarquia lagoense, o evento, que já cumpre a sua terceira edição, é destacado como uma peça fundamental na estratégia de proximidade e valorização das gerações mais velhas do concelho.

Durante a atividade, o presidente da Câmara da Lagoa, Fredericou Sousa, sublinhou o impacto social da iniciativa. “Esta iniciativa, que vai já na sua terceira edição, tem como principal objetivo promover o convívio, o bem-estar e a valorização da população sénior, proporcionando momentos de partilha e lazer nesta quadra festiva”, referiu o autarca. Na mesma nota, Frederico Sousa salientou ainda que, com este tipo de ação, “a Câmara Municipal reforça o seu compromisso com políticas de proximidade e inclusão social, fomentando iniciativas que fortalecem os laços comunitários e valorizam todas as gerações do concelho”.

O roteiro do dia começou com um almoço em Vila Franca do Campo, seguido de uma visita ao presépio junto aos Paços do Concelho daquela vila. O grupo deslocou-se depois até ao presépio das Furnas, terminando o percurso no Convento de Santo António, na Lagoa, onde os participantes visitaram o Presépio da Luz, patente no Jardim dos Frades.

O passeio foi acompanhado por um ambiente de festa e confraternização, assegurado pela animação musical de Nuno Martins e do grupo Doce Sinfonia.

Exposição do Diário da Lagoa viajou até aos Estados Unidos da América pelas mãos do seu mais antigo cronista Roberto Medeiros

A exposição “Diário da Lagoa – 11 anos de Jornalismo e Desafios” é composta por várias capas marcantes do jornal ao longo da última década e está patente até este mês de janeiro em Fall River, onde estão também os tradicionais presépios da Lagoa. Em entrevista, Roberto Medeiros conta como foi levar a exposição até ao outro lado do Atlântico

Inauguração da exposição na Portugalia Markeplace no dia 5 de dezembro de 2025 © DIREITOS RESERVADOS

DL: Como é que correu a exposição do Diário da Lagoa nos EUA?
A exposição correu de forma extremamente positiva e com grande impacto junto da comunidade luso-americana. A exposição “Diário da Lagoa – 11 anos de Jornalismo e Desafios” teve o seu momento mais marcante no dia 5 de dezembro, pelas 18h00, na Portugalia Marketplace, em Fall River, coincidindo com a inauguração do Presépio da Lagoa.
Este espaço emblemático, reconhecido como verdadeiro ponto de encontro da comunidade portuguesa, recebeu importantes dignitários, entre os quais o presidente da Casa dos Açores em Fall River, o cônsul de Portugal em New Bedford e representantes das sete cidades irmãs de Lagoa nos EUA: Fall River, New Bedford, Rehoboth, Fairhaven, Dartmouth, Taunton (Massachusetts) e Bristol (Rhode Island).
Marcaram também presença muitos lagoenses, emigrantes, amigos e clientes da Portugalia, bem como o artesão-bonecreiro do Museu da Lagoa, cuja deslocação foi assegurada pela SATA Air Açores. A Câmara Municipal de Lagoa esteve representada não só por este artesão, João Arruda, como ainda por uma exposição complementar constituída por seis painéis, integrando figuras moldadas pelo próprio, numa mostra sobre a História da Arte inspirada em artistas internacionais. 

DL: Que feedback teve das pessoas que visitaram a exposição?
El feedback foi profundamente emotivo e muito gratificante. A exposição despertou especial interesse entre aqueles que se reconheceram nas crónicas expostas, muitas delas dedicadas a familiares já falecidos, mas ainda muito presentes na memória dos imigrantes.
Houve reencontros inesperados de primos, amigos e vizinhos que não se viam há décadas. Muitos visitantes fotografavam-se diante da exposição, alguns visivelmente emocionados, com lágrimas nos olhos.
Importa ainda destacar que a exposição esteve igualmente patente na Biblioteca da Casa da Saudade, em New Bedford, em simultâneo com o Presépio da Lagoa. Nesse espaço, continua a atrair sobretudo os imigrantes mais antigos, que frequentam também o Centro de Assistência ao Imigrante, instalado no mesmo edifício.

DL: Que histórias pode partilhar sobre esta sua última viagem aos EUA?
Cada deslocação aos Estados Unidos é sempre marcada por reencontros com emigrantes que não via há décadas, alguns há mais de 50 anos. Abordam-me com orgulho, dizendo que são da Lagoa ou da vila e freguesias do concelho.
Tiram fotografias junto aos presépios e às exposições, e muitos fazem questão de levar os seus patrões americanos para mostrar o que se produz culturalmente na sua terra de origem. Alguns, de forma carinhosa, passaram mesmo a chamar-me “Roberto, o senhor dos presépios da Lagoa”.

DL: Tem ideia de quantas pessoas já visitaram os seus presépios e a própria exposição?
É impossível apresentar um número exato, mas desde a inauguração até ao meu regresso a São Miguel, no dia 13, alguns milhares de pessoas já tinham visitado os presépios e a exposição do Diário da Lagoa, registando momentos em fotografias com familiares e amigos.

DL: Quantos presépios seus estão expostos nos EUA?
Atualmente existem duas grandes exposições de presépios nos Estados Unidos: Uma, na Portugalia Marketplace, em Fall River, com cerca de 500 figuras de barro; outra, na Biblioteca Casa da Saudade, em New Bedford, com cerca de 700 figuras.

DL: Porque é que continua a expor nos EUA?
Porque é um compromisso profundo e duradouro com a comunidade luso-americana, assumido desde 1999, inicialmente enquanto vereador da Cultura da Câmara Municipal de Lagoa até 2009.
A partir de 2010 até 2025, esta missão prosseguiu por minha iniciativa própria, a pedido da própria comunidade, formalizada através de um protocolo de colaboração cultural, assinado por 54 instituições luso-americanas, garantindo a continuidade da realização dos Presépios da Lagoa nos EUA.

DL: Vai continuar a expor os seus presépios nos EUA?
Sem dúvida. Desde 2014, o Presépio da Lagoa está patente na Portugalia Marketplace, em Fall River, onde ganhou uma dimensão muito significativa, atraindo milhares de visitantes todos os anos.
A família Fernando Benevides detém hoje a “Embaixada do Presépio da Lagoa nos EUA”, tornando a Portugalia um verdadeiro espaço de representação cultural lagoense.
Porque, onde houver um Presépio da Lagoa na América, haverá sempre um pedaço da Lagoa, da sua memória, da sua cultura e da alma lagoense.

Cessação tabágica: resolução de Ano Novo?

Maria João Pereira
Farmacêutica

O tabagismo é o principal risco evitável para inúmeras doenças e a principal causa de morte prematura. Mesmo com toda a evidência científica disponível, continua a fazer parte do estilo de vida de muitas pessoas. E porquê? Porque provoca dependência física e psicológica. Os responsáveis por essa dependência são, entre outros, a nicotina e as nitrosaminas, componentes tóxicos e cancerígenos.

O consumo de tabaco é, assim, um hábito nocivo que não só prejudica a nossa saúde em diversos aspetos – físicos, emocionais e sociais – como a saúde daqueles que nos rodeiam, uma vez que a inalação do fumo do cigarro exalado afeta também os fumadores passivos.

O tabaco é um fator de risco para inúmeras doenças, nomeadamente:

Para além disso, o consumo de tabaco provoca alterações do paladar e do olfato, tosse e dificuldade respiratória, diminuição da capacidade de oxigenação, aumento do cansaço, úlceras gástricas, envelhecimento precoce e pele seca, entre muitos outros efeitos.

No foro psicológico, o consumo de tabaco intensifica a necessidade de fumar como forma de acalmar a ansiedade, criando um ciclo de falso alívio, breve e repetidamente seguido pela vontade de fumar.

Os benefícios? São desconhecidos.

Curiosamente, por ser considerado um ato social, faz com que os fumadores se sintam integrados num grupo. Chega mesmo a ser irónico como fazer uma pausa para fumar é, muitas vezes, mais aceite do que fazer uma pausa para respirar e organizar as ideias.

Uma boa resolução de Ano Novo seria, seriamente, a cessação tabágica, que traz consigo inúmeros benefícios: maior nível de energia, melhor capacidade de oxigenação, melhoria do bem-estar geral, mais saúde e vitalidade, melhoria do sistema imunitário, recuperação do paladar e olfato e entre muitos outros.

Apesar de ser um processo exigente, existem várias estratégias para deixar de fumar: consultas de cessação tabágica, fármacos, apoio psicológico, terapia comportamental e alteração do estilo de vida. A cessação pode ser abrupta ou gradual – o mais importante é tomar a decisão e mantê-la. A ajuda médica personalizada pode ser determinante no percurso.

Uma das estratégias existentes passa por definir o dia em que vai deixar de fumar, informar as pessoas próximas e cumprir – repetindo o ciclo as vezes que forem necessárias.
El ambiente em que nos encontramos também pode facilitar ou dificultar a mudança de comportamento. Evitar espaços com fumo, locais associados ao consumo ou situações que o incentivem pode ser particularmente útil numa fase inicial.

Deixar de fumar não é uma questão de falta de força de vontade, mas sim de enfrentar uma dependência real. Cada tentativa conta, mesmo as que parecem falhar. O mais importante é não desistir de si. Com apoio, informação e tempo, é possível quebrar este ciclo e recuperar saúde, liberdade e qualidade de vida. Nunca é tarde para recomeçar. Nunca é tarde para cuidarmos da nossa saúde.

“«Uma família açoriana»: Acredito que serão mais adultos a precisarem deste livro, do que necessariamente crianças”

Livro da autora ribeiragrandense foi apresentado em Ponta Delgada e contou com a presença de Clife Botelho, diretor do Diário da Lagoa, e Marta Ferreira, mãe e amiga da autora que partilhou a sua história de vida e já passou por vários países

Livro infantil de Beatriz Moreira da Silva foi apresentado na livraria Letras Lavadas em Ponta Delgada © DL

A saudade é tema central no novo livro infantil de Beatriz Moreira da Silva, o primeiro da autora de “Uma família açoriana”.

“A saudade ensina-nos, o livro é a prova disso. Não se trata de ser fácil, trata-se de fazê-lo com amor e dedicação. Escrever, corrigir, ouvir muitos “nãos” fizeram parte do percurso. Ninguém acreditou mais do que eu e, sobretudo, mais do que quem cá já não está – o meu avô”, explica a autora micaelense, natural da Ribeira Grande, sobre o seu mais recente livro.

A sessão de apresentação da obra, que decorreu na Livraria Letras Lavadas, em Ponta Delgada, ilha de São Miguel, no passado mês de novembro, contou com a presença da autora, do diretor do Diário da Lagoa (DL), Clife Botelho e da lagoense Marta Ferreira, mãe e amiga de Beatriz Moreira da Silva.

“Já saí dos Açores para acompanhar o meu marido em várias peripécias, aventuras que me levaram a morar no Médio Oriente com dois filhos pequenos sendo que um deles é autista. E também eles com duas nacionalidades, tal como a Violeta [personagem do livro]”, começa por contar Marta Ferreira.  

“Este livro aborda um tema muito atual que é a emigração. E para o qual toda a gente tem sempre uma opinião. Mas somente quem tem coragem, carrega uma mala com os poucos pertences e vai em busca de um futuro melhor, somente quem é audaz sabe o que é deixar o conforto do nosso lar, das nossas raízes, da nossa comida, amigos, família, da nossa casa vivermos distantes ultrapassando obstáculos infinitos e muitas vezes para um bem necessário, longe do nosso marido dos nossos filhos”, diz a amiga da autora. 

Marta vive atualmente em São Miguel mas conta que já viveu no Iraque, na Turquia, no Uruguai e no continente português. “O meu marido é jogador de futebol profissional e nós andamos sempre a mudar de país. Foi muito complicado porque o Noah tendo recebido um diagnóstico de autismo – e ele tem autismo clássico já comprovado – não foi fácil encontrar as terapias e as condições necessárias para o nosso filho. Fui para o Iraque e não achei que o país ou aquela cidade nos desse as melhores condições para o desenvolvimento do meu filho e há cerca de dois anos que eu vivo sozinha com os meus dois filhos e o meu marido trabalha no Iraque. Portanto, eu sei bem o que é saudade e os meus filhos também sabem” contou Marta Ferreira na sessão de apresentação do livro.

© DL

“Muitas vezes nós dizemos que a palavra saudade não tem tradução para outras línguas e em português temos dificuldade em explicar o seu significado mas acho que o título deste livro traduz muito bem: «Uma família açoriana». Qual é o açoriano que não tem um familiar longe ou que não passou por uma experiência de saudade?”, questiona o diretor do DL. 

E prossegue: “acho que é o que nos une a todos e faz com que estes pontinhos aqui no meio do mar tenham algo em comum. Podemos não conhecer alguns de nós aqui presentes, mas todos temos algo em comum e que será exatamente isto, a saudade por alguém. E o livro traduz isso numa linguagem adequada à idade dos nossos filhos”, considera.

“Acredito que serão mais os adultos a precisarem deste livro do que necessariamente crianças”, diz Beatriz Moreira da Silva, uma vez que “os adultos, na sua maioria, ainda estão presos a uma infância. Libertá-la e abraçá-la fará com que os nossos descendentes não sofram o peso do passado e sejam livres no futuro” considera.

E “porquê falar de sentimentos ou emoções?” questiona a autora na entrevista que deu  ao DL. “Uma criança com três anos tem cerca de 80 por cento do seu cérebro desenvolvido, não tem capacidade para saber gerir frustrações. Dar a conhecer é tão importante como respirar, portanto não nos devemos coibir de permitir sentir, demonstrar compreensão, abraçar, ficar apenas ali no chão a dar o conforto”.

E é ao filho de quatro anos e ao avô que dedica a sua primeira obra, que se encontra à venda em diferentes livrarias online e na loja da Letras Lavadas, no coração de Ponta Delgada.

Clube de Astronomia da Escola Secundária de Lagoa na “Caça aos Asteroides”

© ESL

Neste ano letivo 2025/2026, o Clube de Astronomia da Escola Secundária da Lagoa, volta a participar na “Caça aos Asteroides”. Existem seis elementos deste Clube (3 professores e 3 alunas do 10.º ano, do curso de Línguas e Humanidades), que, utilizando o software “astrométrica”, participaram na 2.ª campanha (realizada em novembro/dezembro de 2025) e que se encontram, nesta altura, a participar na 3.ª campanha. Este grupo é orientado pelo astrónomo-amador Dr. Valter Reis, com base numa colaboração com o programa IASC (International Astronomical Search Collabora), através do Núcleo. No ano letivo anterior, este mesmo Clube contou com 3 “registos preliminares” de “novos asteroides”, por parte de alunos e professores.

Esta iniciativa tem como objetivos principais: a segurança da Terra, identificando asteroides que possam representar risco de colisão; oferece aos estudantes a possibilidade de descoberta de novos asteroides, que passarão a integrar a base de dados dos objetos conhecidos do nosso Sistema Solar e oferece ainda uma visão prática do que é a Ciência, e como se faz Ciência, mobilizando conceitos e desenvolvendo competências científicas e interpessoais. O desafio e a descoberta são, sem dúvida, poderosas alavancas para a aprendizagem e desenvolvimento de competências. Assim os alunos participantes interiorizam um conjunto de conceitos, aprendem rotinas e metodologias de trabalho e desenvolvem um conjunto de capacidades no decurso destas atividade.

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Neste contexto, as alunas: Inês Varão, Júlia Rego e Mariana Costa, foram “registadas” junto da NASA como “cientistas- cidadãs”, pois neste processo de pesquisa os alunos percebem que a correção das órbitas dos asteroides já catalogados é um contributo científico muito importante, e mesmo a própria ausência de asteroides num grupo de imagens é, por si só, uma descoberta científica.

O preço da Liberdade de Imprensa na Lagoa

​A Lagoa, na ilha de São Miguel, conta com um órgão de comunicação social há quase doze anos. Fundado por iniciativa privada, o Diário da Lagoa foi, durante muito tempo, confundido com “o jornal da câmara”. Essa desinformação tem sido gradualmente desconstruída e, atualmente, é raro que se faça essa associação, a não ser com o propósito deliberado de prejudicar o nosso trabalho.

​É inegável que a existência de um jornal no concelho é benéfica para o poder local, ao divulgar o nome “Lagoa” e as notícias do concelho por toda a ilha de São Miguel, Açores e diáspora açoriana. As nossas estatísticas confirmam o nosso alcance global, o que justificou recentemente o registo do título “Diário da Lagoa” como marca nacional. Por outro lado, a existência de um jornal local pode ser inconveniente para certos grupos de interesses, pois o jornalismo, quando cumpre a sua função, incomoda. Contudo, a importância da nossa missão nunca foi publicamente reconhecida, embora sejam já inúmeras as páginas escritas sobre o concelho, São Miguel, os Açores e a sua diáspora.

​A aquisição de espaços publicitários pela autarquia no nosso jornal terá sido a forma encontrada para demonstrar apoio à imprensa local, dada a importância que o jornal ganhou na divulgação de atividades e eventos, mas a verdade é que faltou o devido reconhecimento público quando bastava, simplesmente, compreender e respeitar a nossa dedicação e esforço em prol da Liberdade de Imprensa.

​É, portanto, imperativo que os nossos leitores sejam agora informados de que, por razões de índole ética e para salvaguardar a total independência do Diário da Lagoa, o jornal se vê no dever de suspender a aceitação de qualquer receita gerada pela publicidade institucional proveniente da Câmara Municipal. Esta decisão, que representa um sacrifício financeiro, justifica-se pela existência de vínculos contratuais pré-existentes entre a editora proprietária deste jornal e um cidadão que assumiu funções no órgão deliberativo autárquico. Entendemos que a manutenção da publicidade institucional, nas atuais circunstâncias, geraria uma aparência de conflito de interesses insuperável e inaceitável para a credibilidade do nosso jornal.

​A coexistência de um acordo com uma empresa proprietária de um jornal local e o desempenho de um cargo político num órgão da Câmara Municipal que contratualiza publicidade com esse mesmo jornal, cria um cenário ético complexo que prejudica a perceção de isenção deste título. Isto obriga-nos a agir com total transparência perante o nosso público. É por isso que, com total determinação, sustentamos e mantemos este projeto, prescindindo agora de eventuais apoios provenientes da autarquia que possam, direta ou indiretamente, colocar em causa a nossa liberdade e idoneidade.

​Devido a esta incompatibilidade, tomamos esta opção, convictos de que a situação será devida e prontamente corrigida. Estamos certos de que o poder local não desejará desiludir a Democracia e a Liberdade de Imprensa, e, por isso, apelamos ao diálogo e ao bom senso, esclarecendo a opinião pública de que somos, efetivamente, um jornal de iniciativa privada e independente que respeita os valores expressos na Constituição da República Portuguesa.

Ministro da Educação e Ciência inicia visita oficial aos Açores com passagem pela Lagoa

Na ilha de São Miguel, o roteiro inclui passagens pela Universidade dos Açores e pelo Nonagon. A deslocação à infraestrutura sediada no concelho da Lagoa integra-se num quadro de contactos com o ecossistema regional de inovação e investigação

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O Ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, inicia na próxima sexta-feira uma visita oficial de cinco dias aos Açores para reforçar a cooperação entre o Governo da República e a região nas áreas do conhecimento, mar e espaço. Acompanhado pela secretária de Estado da Ciência e Inovação, Helena Canhão, o governante terá uma agenda que percorre as ilhas de São Miguel, Santa Maria e Faial entre os dias 9 e 13 de janeiro.

Segundo nota enviada pelo Governo regional, em São Miguel, a cidade da Lagoa assume um papel de relevo no programa oficial. O Ministro visitará o Nonagon – Parque de Ciência e Tecnologia de São Miguel, infraestrutura sediada no concelho que é o coração do ecossistema regional de inovação. Esta passagem pela Lagoa sublinha a importância da ligação entre a ciência e o empreendedorismo, num momento em que se pretende valorizar o contributo tecnológico da região para o país.

A comitiva, que contará com o acompanhamento do presidente do Governo regional, José Manuel Bolieiro, e do vice-presidente, Artur Lima, passará ainda pela Universidade dos Açores. Após os compromissos em São Miguel, o roteiro segue para a ilha de Santa Maria, onde o foco será o setor espacial. Estão previstas visitas à Agência Espacial Portuguesa, ao Teleporto e à Estação RAEGE, além de reuniões de acompanhamento sobre projetos estratégicos em curso nesta ilha.

O encerramento da visita terá lugar na ilha do Faial, com uma deslocação ao Instituto Okeanos, unidade de investigação da Universidade dos Açores dedicada ao mar. Na Horta, o programa incluirá também iniciativas focadas nas competências digitais em contexto escolar, fechando um ciclo de trabalho que visa afirmar o potencial dos Açores como um laboratório vivo para as novas oportunidades ligadas à ciência e à tecnologia.

Museu do Pico acolhe sessões de curtas do Montanha Pico Festival

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Às terças-feiras, neste primeiro mês do ano, o Montanha Pico Festival acontece no Auditório do Museu dos Baleeiros, pólo do Museu do Pico.

Produções portuguesas, documentários estrangeiros e uma noite a dar a volta ao planeta é a oferta da décima segunda edição do único festival em Portugal dedicado à cultura montanhosa através da sétima arte.

As sessões acontecem às 21 horas com entrada livre. No dia 13, o programa inclui filmes de Joana Saraiva Marques, Nuno Pimentel, Luís Sequeira, entre outros, com o foco em zonas montanhosas de Portugal. No dia 20, o programa é dedicado a documentários em língua inglesa, incluindo o último trabalho do austríaco Lukas Berger, “The Unlimited World”, produzido por Mário Gajo de Carvalho, que já apresentou obras em festivais anteriores. A 27 de janeiro, curtas da Espanha à Turquia, do Irão à Índia, transportam-nos numa viagem de imagens a circundar o planeta, incluindo pela primeira vez no Pico um filme de Tajiquistão.

“A parceria da MiratecArts com o Museu do Pico é uma oportunidade de apresentar trabalhos artísticos que nem sempre encontram meio de chegar ao público,” admite o diretor artístico Terry Costa. “No Montanha Pico Festival, as audiências da ilha têm assim a chance de ver imagens e histórias de cantinhos do mundo por vezes desconhecidos. Esta é uma forma de educar-nos através das artes, de conhecer o planeta através de curtas-metragens.”

O Montanha Pico Festival continua até 29 de janeiro, às terças no Auditório do Museu dos Baleeiros, às quintas-feiras no Auditório Municipal das Lajes do Pico e no fim de semana de 23 a 25 de janeiro no Auditório da Madalena.

A cirurgia da coluna hoje é mais segura do que imagina

Gonçalo Fernandes de Freitas
Neurocirurgião especialista em patologia da coluna
no Hospital CUF Tejo, Hospital CUF Sintra e Hospital CUF Açores

Falar de cirurgia da coluna é falar do tratamento de problemas muito comuns, como as hérnias discais, o estreitamento do canal vertebral ou o deslizamento de vértebras, alterações frequentemente associadas ao desgaste natural da coluna ao longo da vida.

Apesar de serem situações bem conhecidas pela medicina, a cirurgia da coluna continua rodeada de receios e ideias feitas que nem sempre correspondem à realidade. Muitos destes mitos resultam de experiências isoladas ou de relatos antigos, que não refletem a evolução significativa desta área nas últimas décadas. Hoje, graças à maior experiência dos cirurgiões, ao volume elevado de procedimentos realizados e aos avanços tecnológicos, a cirurgia da coluna é, na grande maioria dos casos, um tratamento seguro e eficaz.

Um dos receios mais frequentes é o risco de paralisia. No contexto das doenças degenerativas da coluna, esse risco é atualmente muito baixo, com uma incidência inferior a 1%. Outro mito comum é a ideia de que a cirurgia só deve ser considerada quando a dor se torna insuportável ou quando já existe dificuldade em andar. De facto, o tratamento destas patologias começa, quase sempre, por uma abordagem conservadora, que inclui medicação, fisioterapia e adaptação temporária da atividade física, com bons resultados na maioria dos doentes. No entanto, quando estas medidas falham ou quando existe compressão prolongada dos nervos ou da medula, a cirurgia pode ser necessária para evitar danos irreversíveis e permitir a recuperação.

Há também quem acredite que a cirurgia da coluna “não resulta”. Tal como em qualquer tratamento médico, o sucesso depende de um diagnóstico correto, de uma técnica adequada e de um acompanhamento pós-operatório estruturado. Quando bem indicada, a cirurgia apresenta taxas de sucesso elevadas a longo prazo, sobretudo quando integrada num plano de reabilitação que inclui fisioterapia e vigilância clínica.

Outro mito persistente é o de que não é possível retomar uma vida normal após uma cirurgia à coluna. O objetivo principal da intervenção cirúrgica é aliviar a dor, melhorar a função e proteger as estruturas nervosas. Com técnicas cada vez menos invasivas e melhores cuidados anestésicos, muitos doentes recuperam rapidamente, regressando gradualmente às suas atividades diárias. A maioria consegue retomar a sua rotina entre algumas semanas e alguns meses, dependendo da complexidade da cirurgia.

Existe ainda a ideia de que quem é operado uma vez terá inevitavelmente de ser operado novamente. Embora a coluna sofra um processo natural de envelhecimento, a maioria dos doentes não necessita de novas cirurgias. Por fim, importa reforçar que nem toda a dor nas costas exige avaliação por um neurocirurgião. No entanto, sintomas como perda de força, alterações da marcha, formigueiros persistentes, dor noturna intensa ou alterações do controlo urinário ou intestinal justificam uma observação médica especializada atempada.

Estar atento aos sinais do corpo e não adiar a avaliação médica é um passo essencial para proteger a saúde da coluna e garantir melhor qualidade de vida a longo prazo.