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Ribeira Chã faz magia de Natal acontecer

© JF RIBEIRA CHÃ

A Junta de Freguesia da Ribeira Chã, concelho da Lagoa, promoveu no passado dia 16 de novembro o “Workshop Arranjos de Natal”.

A iniciativa, para maiores de 18 anos de idade, decorreu pelas 14h30 na sede da Junta de Freguesia, e teve como formadora Maria Arménia Melo.

 

© JF RIBEIRA CHÃ

O evento formativo pretendeu trazer à freguesia “uma tarde dedicada à criatividade, à partilha e ao verdadeiro espírito natalício”.

O executivo da Junta de Freguesia, na sua página de Facebook, felicitou “todos os participantes pelos magníficos arranjos e pela energia tão positiva que trouxeram a esta atividade”, salientando que “Juntos, fazemos a magia do Natal acontecer na nossa freguesia”.

Paulo Sérgio Ponte: 21 anos de dedicação ao Grupo de Escoteiros 97

Natural de Água de Pau, Paulo Sérgio encontrou no escotismo a sua segunda casa. Foi escoteiro em criança e, mesmo após sofrer um trágico acidente que reduziu as suas capacidades físicas, nunca deixou de dedicar grande parte da sua vida ao Grupo de Escoteiros 97. Hoje, soma mais de dez anos como chefe e, atualmente, é subchefe do grupo

Paulo Sérgio é natural da Vila de Água de Pau e tem 51 anos de idade © CLIFE BOTELHO

A sua forte dedicação ao escotismo despertou o nosso interesse em conhecer a sua história. Durante uma hora de conversa, Paulo Sérgio Ponte falou-nos sobre o seu percurso e recordou connosco vários momentos.

Com 51 anos, Paulo Sérgio explica-nos que iniciou no Grupo de Escoteiros 97 com 12 anos de idade. “Foi na altura em que o grupo tinha sido fundado há um ano ou dois. Apanhei os seus primeiros anos de vida”, diz. Confessa que “sempre” gostou “muito de ser escoteiro”, recorda o ambiente acolhedor da “sede na altura” e afirma que sente um “bichinho do escotismo” impossível de desaparecer. Paulo foi escoteiro desde muito jovem, mas admite que, ainda na adolescência, se afastou do grupo durante algum tempo, numa fase em que se dedicava mais ao Grupo Jovem Pauense, uma paixão que também o acompanhou durante vários anos. Foi, contudo, por volta dos 20 anos de idade que regressou ao grupo, já em funções de dirigente. Chegou a ser “chefe de tribo”, termo utilizado na altura, e também desempenhou a função de “chefe de serviços administrativos”.

Mas é em 2001 que a sua vida muda para sempre. Aos 26 anos, Paulo sofreu um grave acidente que o deixou tetraplégico e o obrigou a afastar-se, não só do Grupo de Escoteiros 97, como do Grupo Jovem Pauense, desta vez durante um longo período. Ainda assim, quatro anos mais tarde regressa aos escoteiros, sendo pela primeira vez eleito chefe de grupo. Recorda que, após o acidente, deixou de lhe ser possível, psicologicamente, voltar para o Grupo Pauense. Sentia que não conseguia assistir aos seus ensaios de folclore: “chocava-me muito querer ir dançar e não poder. No grupo de escoteiros sinto que sou mais útil”, acrescenta. 

Paulo Sérgio admite que a sua condição é mais do que um desafio. Participar apenas na planificação das atividades, sem poder estar presente na sua execução, é para si uma frustração. “É frustrante chegar à data e ver as crianças saírem à rua e não poder ir com elas”, partilha com o DL.  Apesar disto, menciona uma atividade em que conseguiu estar presente com as crianças da divisão “Alcateia”. Foi com elas até Ponta Delgada “visitar um museu” e pesquisar sobre “o seu animal da selva”, graças a um “transporte adaptado” que lhe foi providenciado.

21 anos de experiência e responsabilidade

Quando se tornou chefe de grupo em 2004, Paulo manteve o cargo de forma contínua durante nove anos. “São mandatos de três anos e, por lei, não é possível fazer mais de três mandatos consecutivos” explica. Quando terminou este ciclo, não deixou a equipa dirigente do Grupo de Escoteiros 97 e passou a subchefe, função que desempenhou durante três anos. Em 2017 voltou a ser eleito chefe de grupo e, atualmente, ocupa novamente o cargo de subchefe, para o qual foi eleito em setembro deste ano. É há 21 anos que Paulo se alterna entre estas duas funções e vai, assim, “vivendo o escotismo”. Acredita que a sua “experiência”, “conhecimento” e os “contactos” que ao longo dos anos foi realizando contribuem para a sua contínua reeleição. “A equipa sabe que eu tenho mais facilidade nessa parte administrativa e normalmente sou eu quem marca as atividades”, conta ao DL.

Com a equipa, Paulo Sérgio planeia todas as atividades que os escoteiros realizam ao longo do ano. Tratam de questões de “segurança”, alimentação, “deslocamento”, entre muitas outras.  “É um trabalho de equipa”, afirma e explica que tanto no cargo de chefe de grupo, como no de subchefe, o seu papel é de “orientação”. Mas não é uma tarefa fácil. “Há várias coisas que acontecem nos bastidores e que as pessoas não têm a mínima noção”, alerta realçando a grande responsabilidade que envolve a planificação das atividades feitas com os escoteiros. Todas as saídas do grupo são “previamente planeadas” e, durante os “conselhos de chefia”, Paulo procura sempre alertar os respetivos dirigentes para os cuidados especiais nas atividades realizadas no exterior, como é o caso dos “acampamentos”. “Estamos a levar os filhos de outros connosco, temos sempre de ter o máximo de cuidado”, complementa.

Neste momento o Grupo de Escoteiros 97 prepara um novo ano. As inscrições abriram em outubro e o trabalho já começa a ser agitado para toda a equipa, mas sobretudo para Paulo. Os pais das crianças estão “habituados a falar” com ele, o que faz com que acabe por ter mais trabalho, embora exista uma ajuda mútua dentro do grupo.

“O escotismo é uma escola de formação de jovens, eles acabam por aprender muitas coisas”

Ao concluir a entrevista, Paulo Sérgio partilha que uma das coisas que mais o fascina no escotismo é ver as crianças aproveitarem as atividades, explorarem o “desconhecido” e saírem de lá com “alegria no rosto”. Salienta a importância do contacto das crianças e jovens com a natureza, algo que considera cada vez menos comum. Por isso, Paulo Sérgio deixa uma última mensagem dirigida aos pais: “Deixem os vossos filhos conhecer o escotismo. O escotismo é uma escola de formação de jovens, eles acabam por aprender muitas coisas. É um bom lugar para uma criança crescer.”

Dinâmicas visíveis à superfície nas Furnas não representam variações no sistema vulcânico

Nos últimos meses são várias as alterações à superfície nos campos fumarólicos das Furnas, na ilha de São Miguel. Contudo, essas mudanças fazem parte das dinâmicas internas e não representam perigo para a população dizem especialistas

Foto tirada em novembro de 2025. Apesar das alterações, mudanças não representam perigo © ACÁCIO MATEUS

Ao longo dos últimos meses têm-se verificado alterações ao nível da superfície nas zonas das Caldeiras (cozidos) das Furnas, concelho da Povoação. A situação é, aos olhos dos especialistas, considerada normal, mas para quem não está familiarizado com as dinâmicas do vulcanismo pode gerar alguma apreensão.

De modo a esclarecer o que está a acontecer no vulcão das Furnas, o Diário da Lagoa falou com Fátima Viveiros, diretora do Instituto de Vulcanologia e Avaliação de Riscos da Universidade dos Açores, que esclareceu que “os campos fumarólicos podem sofrer alterações superficiais que resultam das dinâmicas próprias dos mesmos e não representam, obrigatoriamente, alterações no sistema vulcânico e/ou hidrotermal em profundidade”.

Para além disso, acrescentou, “a deposição de minerais de alteração e modificações da permeabilidade nos níveis superficiais do terreno podem condicionar o trajeto do gás até à superfície e, consequentemente, resultar em alterações visíveis nas emissões fumarólicas”.

A isto, junta-se também a pluviosidade e potenciais alterações nos níveis aquíferos que “podem resultar na presença de água em algumas fumarolas que temporariamente se apresentavam secas”. Ou seja, “apesar das dinâmicas poderem, potencialmente, resultar em danos pelo colapso superficial, não representam, por si só, variações no sistema vulcânico”, apontou.

Contudo, Fátima Viveiros deixou claro que “todas as recomendações e limitações nos acessos definidas pelas autoridades de proteção civil devem ser respeitadas e cumpridas”.

É o caso da Lagoa das Furnas que “apresenta também emissão de gases vulcânicos e, na parte norte da lagoa, junto ao campo fumarólico, visualizam-se, junto às margens, bolhas de gás (essencialmente dióxido de carbono) que, em alguns locais, também estão associadas a temperaturas mais elevadas”, esclareceu.

Medições não apontam riscos

Foto tirada em agosto de 2024. Campo fumarólico das Furnas é uma das principais atrações turísticas © ACÁCIO MATEUS

A diretora do Instituto de Vulcanologia e Avaliação de Riscos da Universidade dos Açores explicou, de igual modo, que os movimentos de vertentes “relacionam-se com o facto dos taludes serem constituídos maioritariamente por depósitos de cinzas pomíticas não consolidadas, podendo ser potenciados por condições meteorológicas ou atividade sísmica”.

De qualquer modo – frisou Fátima Viveiros – o Instituto de Investigação em Vulcanologia e Avaliação de Riscos “tem efetuado medições nos campos fumarólicos das Furnas desde a década de 90 porque os gases vulcânicos podem constituir indicadores de atividade vulcânica”.

Mas a investigação/monitorização não se fica por aqui. “Para além dos gases vulcânicos medidos nas fumarolas, solos, lagoa e nascentes, as informações sobre atividade sísmica ou sobre a deformação da Terra, por exemplo, constituem outras técnicas preferenciais para entender o estado de atividade dos vulcões e podem ser precursores de atividade anómala”, adiantou.

Fátima Viveiros esclareceu que “atualmente, o IVAR, em colaboração com o Centro de Informação e Vigilância Sismovulcânica dos Açores (CIVISA), efetuam monitorização e estudos dos vulcões ativos dos Açores e o vulcão das Furnas apresenta nível de alerta para atividade vulcânica considerado normal. Os dados registados até ao momento não indicam mudanças significativas nos últimos anos em termos de emissão do gás, essencialmente ao nível da sua composição”.

Açores com agitação marítima a partir do fim de semana

© JEDGARDO VIEIRA

A previsão do estado do mar aponta para um agravamento considerável das condições meteorológicas e de agitação marítima no Arquipélago dos Açores a partir da madrugada de domingo, 7 de dezembro, e as 18h00 de segunda-feira, 8 de dezembro.

​​​​A agitação marítima será caraterizada por uma ondulação proveniente do quadrante noroeste, com uma altura significativa que poderá atingir os sete metros e uma altura máxima de 12 metros, com um período médio a variar entre os 16 e os 17 segundos. São esperados ventos provenientes do quadrante sudoeste, com uma intensidade média até 65 km/h e rajadas até 117 km/h, desenvolvendo para uma situação ciclónica.

Assim, a Marinha e a Autoridade Marítima Nacional recomendam, em especial à comunidade piscatória e da náutica de recreio que se encontra no mar, para o eventual regresso ao porto de abrigo mais próximo e a adoção de medidas de precaução.

Recomenda-se também o reforço da amarração e vigilância das embarcações atracadas e fundeadas e aconselha-se igualmente a que os marítimos mantenham um estado de vigilância permanente e acompanhem a evolução da situação meteorológica, através dos avisos à navegação e da previsão meteorológica do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), bem como outras informações disponibilizadas pelas Capitanias dos Portos sobre as condições de acesso aos portos, evitando sair para o mar até que as condições melhorem.

À população em geral desaconselha-se a prática de passeios junto à orla costeira e nas praias, bem como a prática de atividades em zonas expostas à agitação marítima ou atingidas pela rebentação. Em especial, deve ser evitado o acesso e permanência junto às falésias e zonas de arriba, sendo essencial que se adote uma postura preventiva, não se expondo desnecessariamente ao risco.

Caso exista absoluta necessidade de se deslocar até à orla costeira, deverá manter uma atitude vigilante, tendo sempre presente que nestas condições o mar pode facilmente alcançar zonas aparentemente seguras.

Lagoa inaugura o “Presépio Luz”no Jardim dos Frades

© DL

Foi inaugurado no passado dia 1 de dezembro o “Presépio Luz”, uma nova instalação artística no Jardim dos Frades, junto à Igreja do Convento de Santo António, em Santa Cruz da Lagoa. A cerimónia de abertura contou com a atuação do Orfeão Nossa Senhora do Rosário e a presença do presidente da Câmara Municipal de Lagoa, Frederico Sousa, e de membros do executivo municipal.

O “Presépio Luz” é uma criação da autarquia, desenvolvida através do Museu Municipal, e estará patente ao público durante toda a quadra natalícia. A obra é uma criação que se inspira na técnica de vitral, oferecendo um jogo de luzes que se transforma consoante a hora do dia. Os vinte painéis que compõem a instalação foram executados por Catarina Furtado, com a curadoria do padre Eurico Caetano.

A instalação é composta por 20 painéis com elementos figurativos, como casas, templos, personagens e animais, e por um percurso central de quadros luminosos. Estes elementos reconstroem episódios da infância de Jesus, como a Anunciação, o Nascimento, a Adoração dos Magos e Jesus entre os Doutores. Devido à transparência da cor e à incidência da luz, a instalação oferece uma experiência visual particular.

A nova obra pretende enriquecer a oferta cultural do Convento de Santo António, que já alberga o núcleo museológico do presépio, o presépio tradicional e o presépio das histórias.

O “Presépio Luz” pode ser visitado diariamente de forma livre ou através de um percurso meditativo, cujo texto, da autoria do curador, será disponibilizado no local. O tema do “Presépio Luz” inspirou também a decoração interior do Convento este ano, incluindo uma sala de jogos de luzes e de sombras com oficinas destinadas às crianças.

Loja Para Si: do online à rua na vila das Capelas

Da venda online à física, a Loja Para Si marca agora presença nas Capelas como lavandaria e loja de revenda de diversos produtos. O projeto, idealizado por Verónica Gonzaga e Nuno Simão, promete trazer conveniência e inovação à vila da costa norte

Verónica Gonzaga tem 27 anos e é natural da vila das Capelas © DL

A abertura da loja em 2024 marca um novo capítulo, mas a “Para Si” nasceu muito antes, através do digital. “A ´Para Si` já existia, mas com a aquisição deste espaço conseguimos tornar físico o que já existia online”, conta a proprietária, 27 anos, natural das Capelas. O negócio tem presença no Facebook, Instagram e TikTok, destacando-se sobretudo no Facebook, onde reúne quase cinco mil seguidores. As novas tecnologias tiveram um papel determinante neste negócio, “comecei com os diretos e a partir do momento que começo com os diretos, começo também a ter mais clientes. Sempre ajudaram a ter mais alcance”, diz.

Verónica Gonzaga, e Nuno Simão, sócio-gerente, 28 anos, natural do Pico da Pedra, estão juntos desde 2012, conheceram-se na escola Domingos Rebelo em Ponta Delgada. 11 anos depois, em 2023, o desejo de criar algo maior cresceu e tornou-se o motor que impulsionou esta nova jornada, a conquista de um espaço físico. 

A aquisição do espaço próprio

Loja encontra-se aberta de segunda a sexta-feira das 9h00 às 18h30 e sábados das 9h30 às 13h00 © DIREITOS RESERVADOS

“Inicialmente isto era para ser uma lavandaria self-service”, afirma Verónica. No centro de Ponta Delgada encontraram um espaço, mas os custos eram elevados e exigiam um investimento pessoal muito grande. “Para uma lavandaria self-service o investimento é muito grande” e, por isso, “decidimos que íamos abrir uma lavandaria mais tradicional e profissional, em que o cliente deixa os seus artigos, nós fazemos o serviço e depois o cliente vem buscar”, continua.

A procura continuou na vila das Capelas e “um dia, a passar aqui na rua, eu vejo que esse espaço estava sem ninguém, fui à procura do proprietário e em conversa com ele perguntei se ele teria disposto a alugar”, recorda.

Por se tratar de um espaço amplo, os proprietários decidiram transformá-lo num “dois em um”, criando uma lavandaria e, ao mesmo tempo, tornar a “Para Si” uma loja física. E assim nasceu o conceito atual.
Questionada sobre a forma como os seus clientes reagiram à transição para o espaço físico, a gerente garante que “reagiram muito bem”.

“Eu tinha muitos clientes de Ponta Delgada, nas Capelas tinha menos”, explica. Ainda assim, sublinha que tudo é “uma questão de publicitar e informar sobre o espaço. As próprias pessoas passam aqui na rua e começam a ver que existe um novo negócio”. A curiosidade foi também um fator preponderante “muitas vezes estávamos aqui dentro ainda a fazer algumas remodelações e as pessoas perguntavam o que é que iria ser e felicitaram pelo negócio”, afirma.

Em pouco tempo já preencheram a loja de produtos e isso é resultado das opiniões e necessidades dos clientes, “vamos percebendo o que é que os clientes vão pedindo, o que é que faz mais sentido, o que é que tem mais procura e vamos sempre à procura de satisfazer as necessidades dos clientes”, nota. Detergentes, amaciadores de roupa, branqueadores, tira-nódoas são alguns dos artigos com mais procura. Uma recente aposta foram as toalhas de banho. “Muitos clientes nossos de alojamento local perdem a roupa todos os anos por causa das águas férreas, as toalhas vão sempre se perdendo, ficam muito amareladas e decidimos apostar neste produto. Temos também aqui à disposição para o cliente particular que vem à loja poder comprar”, revela Verónica.

Apesar da expansão do negócio para o espaço físico, a presença no digital continua. “No verão torna-se mais complicado, devido ao maior fluxo de trabalho e aumento da procura na lavandaria, torna-se mais difícil acompanhar tudo”, explica, afirmando que “no inverno, como há uma quebra de lavandaria, naturalmente, de alojamentos locais que são os nossos maiores clientes, consigo voltar aos diretos”.

A loja encontra-se aberta de segunda a sexta-feira das 9h00 às 18h30 e sábados das 9h30 às 13h00. Aos sábados, durante o mês de novembro e dezembro, é feito o horário completo.

Rui Pedro Paiva e Rui Soares: uma reportagem distinguida a nível nacional

Rui Pedro Paiva e Rui Soares venceram o prémio “Analisar a Pobreza na Imprensa”, com a reportagem “Pobreza: quatro anos depois, os relatos de quem vivia do RSI”, publicada no jornal Público. Os dois contam ao Diário da Lagoa (DL) sobre a sua carreira, a criação deste trabalho e a sensação de o verem ser reconhecido

Rui Soares (à esq.) é natural da Lagoa e Rui Pedro Paiva (à dir.) de Ponta Delgada © DIREITOS RESERVADOS

O DL contactou Rui Pedro Paiva e Rui Soares numa tarde de segunda-feira. Ambos a trabalhar, fizeram uma pausa no seu dia agitado e reviveram connosco memórias de um início de carreira. 

Rui Pedro Paiva, natural de Ponta Delgada, nasceu em 1996 e após esta breve apresentação pessoal afirma com convicção: “Desde que me lembro sempre quis seguir jornalismo”. Rui Paiva explica que a paixão pela área surgiu de forma natural. Crescer numa casa de assinantes de jornais, onde estar informado sempre foi crucial, teve grande influência na sua decisão, já que, em criança, folheava jornais mesmo antes de os saber ler. Como não podia deixar de ser, ingressou, mais tarde, em Comunicação Social e Cultura na Universidade dos Açores, seguindo para a Universidade do Porto, onde concluiu o mestrado em Ciências da Comunicação. O seu percurso académico termina em 2019, mas em 2018 já inicia um “estágio no Público”. A sua experiência profissional começa aí e passa por diversas colaborações com jornais, incluindo o Diário da Lagoa. Em 2024 foi diretor do Açoriano Oriental, “num breve período” e, hoje, é “jornalista da Agência Lusa nos Açores” e “correspondente no Público”.

Já Rui Soares não encontrou a sua carreira de sonho à primeira. O fotojornalista de 45 anos, natural de Santa Cruz, na Lagoa, relata que começou “por estudar Educação Física e Desporto”, mas rapidamente percebeu que “não era algo das nove às cinco” que o “fascinava”. “Não era isso que me fazia feliz”, acrescenta. Foi aos 27 anos que sentiu ter “renascido” quando conhece a sua paixão: a fotografia. “Um amigo meu emprestou-me uma câmara numa competição de Rally. Achei o primeiro disparo tão mágico que comprei uma máquina fotográfica no mesmo dia”, conta ao DL com satisfação na voz. Seis meses depois, Rui partiu para Lisboa e lá estudou fotografia. “Encontrei o que queria fazer e sabia muito bem que queria ser fotojornalista e que queria trabalhar para o Público”, conclui convicto. O seu primeiro trabalho de fotojornalismo foi no Festival da Canção de 2011 e, após iniciar um estágio no jornal Público, permanece lá como fotojornalista até hoje.

Atualmente, Rui Paiva e Rui Soares trabalham frequentemente juntos, com dedicação naquilo que fazem. O seu trabalho parece “combinar”, o que acontece, diz o fotojornalista, pela “familiaridade” e “amizade” que existe entre os dois, acompanhada de um uma “paixão” em comum: o jornalismo.

Uma reportagem reconhecida pela Rede Europeia Anti Pobreza

Em 2020 nasce “a primeira reportagem sobre o Rendimento Social de Inserção (RSI)” de Rui Pedro Paiva e Rui Soares. A ideia partiu de uma discussão interna “dentro do próprio jornal”, tal como a decisão de, quatro anos mais tarde, dar seguimento a esta peça.

“Pobreza: quatro anos depois, os relatos de quem vivia do RSI”, é o título da continuação dessa história, que teve grande “impacto nacional”. Em 2024, surge o desejo de perceber onde se encontravam as pessoas que tinham dado o seu testemunho como beneficiárias do RSI. Rui Paiva e Rui Soares regressaram a Rabo de Peixe, não mantiveram qualquer contacto com quem, quatro anos antes, haviam conversado, e o regresso à freguesia trouxe consigo uma busca sem pistas. 

“Foi muito reconfortante saber que as pessoas se lembravam de nós”, refletem e realçam que, na maior parte das vezes, os visitantes perdem o respeito pelos cidadãos de Rabo de Peixe. “As pessoas olham para Rabo de Peixe como uma espécie de zoo, e para nós nunca foi isso”. Rui Paiva e Rui Soares recordam ainda a confiança que os rabo-peixenses demonstraram no seu trabalho. “Quando contamos a história de uma pessoa, a base é a confiança que elas têm em nós”, diz Rui Soares.   Ambos acreditam que, no jornalismo, dar continuidade às histórias é “importante”. Não é algo que se faça com frequência, e a necessidade de relembrar os leitores de certos assuntos é um aspeto a ter em conta numa altura em que “parece que tudo fica desatualizado de um momento para o outro”, explica Rui Paiva. Foi um trabalho de continuidade, algo que raramente se vê na comunicação social”, acrescenta Rui Soares.

Foi em setembro que se conheceram os resultados da oitava edição do prémio “Analisar a Pobreza na Imprensa”, atribuído pela Rede Europeia Anti Pobreza (EAPN). “Trata-se da maior rede de instituições que combatem a pobreza a nível europeu”, explica Rui Paiva. O jornalista conta que a decisão da atribuição dos prémios é tomada por 19 concelhos locais, um por cada distrito de Portugal Continental e da Madeira. “Os Açores, mais uma vez, ficaram excluídos, como ficam excluídos de uma série de coisas”, aponta, ressaltando que este é um aspeto “relevante” no que cabe à atribuição do prémio, por demonstrar que o arquipélago não teve qualquer influência na análise e escolha dos vencedores.  “É um prémio honesto, que procura valorizar aquilo que se faz”.

Rui Paiva e Rui Soares demonstram uma “grande satisfação” por vencerem o primeiro lugar num prémio que não funciona por participação própria, mas sim que parte de uma escolha da EAPN, que reconheceu o esforço e impacto desta reportagem. Apesar disto, Rui Paiva destaca que, com os problemas que enfrenta o jornalismo atualmente, o que move quem trabalha nesta profissão é o interesse público: “não se anda aqui à procura de prémios”.

As gerações mais novas e o jornalismo

Rui Paiva apela a um “voltar a resgatar a essência do jornalismo” e realça que quem escolhe esta profissão “não anda à procura de salários avultados”, mas vive de um trabalho “que exige esforço”. Para o jornalista, a existência do jornalismo nos Açores deve ser vista como “crucial”, dada a realidade social da região, que requer uma atenção constante dos meios de comunicação. “Haver um reconhecimento nacional de um jornalista e de um fotojornalista açorianos, é a prova que há jornalismo feito nos Açores que é reconhecido a nível nacional”, conclui referindo-se ao prémio vencido. 

Rui Soares fala em “responsabilidade” e admite senti-la, sobretudo para com quem, futuramente, deseja ingressar nesta área.  Mas também a sente nas histórias que conta, através das imagens que captura.

Pedem ainda aos leitores que continuem a acreditar nos jornais e na veracidade das notícias que estes divulgam porque, “só assim se reforça o papel importante que o jornalismo tem na democracia”.

Açores com certificação “Ouro Nível II” como destino turístico sustentável

© SRAAC

Os Açores acabam de alcançar a certificação “Ouro Nível II” como destino turístico sustentável, pela EarthCheck, organização mundial especializada em certificação, consultoria e assessoria em sustentabilidade, especialmente voltada para destinos turísticos e para a indústria do turismo.

Esta é mais uma certificação que, segundo a Secretária Regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, Berta Cabral, “orgulha” a Região e “vem provar que o Governo dos Açores está a trilhar o caminho certo para consolidar o destino”.

Os Açores alcançaram a Certificação de Ouro da EarthCheck, como destino turístico sustentável, em 2024.

Esta nova conquista dos Açores, “Ouro Nível II”, prossegue a governante, “vem reforçar a liderança da Região em matéria de sustentabilidade, consistindo num reconhecimento internacional que posiciona os Açores num patamar de excelência”.

“Além de testemunhar o compromisso da Região para com a preservação do património natural e cultural das nove ilhas, a certificação EarthCheck reforça o posicionamento do destino, ao conceder-lhe uma vantagem competitiva no mercado, em relação aos destinos concorrentes”, adianta.

Berta Cabral acrescenta que “esta certificação é um processo integrado e de melhoria contínua, que exige um trabalho ativo mediante adoção e monitorização de iniciativas estratégicas, suportadas nos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 (ODS), que incluem a gestão competente dos recursos naturais, a preservação da cultura e sociedade, e proteção da biodiversidade”.

E prossegue: “Os Açores continuarão a trabalhar para manter e aprimorar os padrões de sustentabilidade do destino, com o propósito de preservar a singularidade natural e cultural do território, proteger o bem-estar da comunidade local, bem como beneficiar os visitantes para que possam experienciar os Açores na sua forma mais autêntica e preservada”.

Sob alçada da Secretaria Regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, a Estrutura de Gestão da Sustentabilidade do Destino Turístico Açores (Açores DMO), é a entidade responsável pela gestão da sustentabilidade do destino Açores.

Os Açores são, até ao momento, o primeiro arquipélago no mundo com esta certificação.

Berta Cabral sublinha que o peso do turismo na economia açoriana tem vindo a intensificar-se – apesar de colher ‘medalhas’ na sustentabilidade, o arquipélago assume um “processo contínuo” e desafios face à pressão turística.

A governante refere, ainda, que “o posicionamento dos Açores enquanto destino turístico tem-se desenvolvido numa premissa de sustentabilidade”.

“Os Açores são um exemplo nacional e até mundial, de como é possível conciliar turismo, conservação da natureza e qualidade de vida. O ímpeto de sustentabilidade também é sentido por parte dos operadores turísticos: No global, tem-se feito muito nos Açores, nos últimos anos, na direção da sustentabilidade. Em comparação com outros sítios, há uma grande preocupação com esse tema”, conclui.

“Nós queremos resgatar tudo o que são os produtos locais que os Açores têm”

O restaurante Frondoso, do hotel DoubleTree by Hilton tem um novo menu. Quisemos saber mais sobre quem o desenhou

Janeth Rios é desde há quatro meses a nova chef do restaurante Frondoso no hotel DoubleTree by Hilton © DL

Janeth Rios já trabalhou como chef em Amesterdão, nas Caraíbas, Médio Oriente e América do Sul. É desde há quatro meses a nova chef do restaurante Frondoso, do hotel DoubleTree by Hilton, na Lagoa, ilha de São Miguel. É ela a autora do novo menu do restaurante apresentado publicamente no passado mês de novembro.

“Nós queremos resgatar tudo o que são os produtos locais que os Açores têm. Os Açores são ricos porque têm, num dia, quatro estações. Temos o mar à volta, temos diversidade de produtos e também temos bons queijos, ou seja, vocês têm bons queijos nacionais, sobretudo nos Açores temos muita variedade”, começa por explicar a chef. 

E o objetivo da nova carta é transformar o local em algo requintado. 

“Nós queremos resgatar todos esses sabores do país com o que os avós cozinhavam antes. Mas transformando-os com técnicas francesas, com um pouco de italiano. E como é que surge tudo isto? As velhas tascas usavam as moelas e hoje usei-as num amuse-bouche [pequeno aperitivo]. O que fizemos foi transformá-las num foie gras para que seja um produto mais fino. Porque quando se fala de moelas, vai-se a uma tasca, não se vai a um restaurante comê-las, não é?”, destaca Janeth Rios. 

A noite contou também com a presença do enólogo convidado Tiago Macena, produtor da marca Tarelo, da ilha do Pico © DL

Na apresentação do novo menu, houve espaço para uma harmonização de vinhos. E o que é uma harmonização? Tiago Macena, enólogo, atualmente a trabalhar em três regiões vitivinícolas diferentes: no Dão, com a No Rules Wines, no Alentejo com a Adega Marel e nos Açores com a Tarelo, explica: “Harmonizar, significa juntar partes, emparelhar, pôr em harmonia, pôr em consonância, fazer bater certo”. 

O enólogo diz que “tudo influencia o nosso aparelho sensitivo. A música, a luz, a altura do dia. E, portanto, há uma pergunta super injusta que eu não consigo responder, que é qual é o meu vinho preferido”.

Gonçalo Patraquim, diretor de comidas e bebidas do Hotel DoubleTree by Hilton sublinha a importância do que é local. “Apostamos em produtos regionais, em receitas tradicionais mais reinterpretadas e trazidas para a mesa de uma forma mais contemporânea. A chef Janeth iniciou o trabalho connosco há cerca de 4 meses e tem entretanto vindo a devolver a cultura açoriana e também apoiando-se na sua equipa de cozinheiros 100% açorianos, criando este menu”, diz o sommelier.

Gonçalo Patraquim é o diretor de comidas e bebidas do Hotel DoubleTree by Hilton © DL

O DoubleTree by Hilton da Lagoa abriu em junho de 2024. A diretora comercial do DoubleTree by Hilton, Glória Peixe e Silva, explica que o hotel trabalha “bastante com o mercado de lazer, sobretudo com os mercados americano, canadiano, todos aqueles que têm ligação direta à ilha. A Hilton já tem cerca de oito mil hotéis em todo o mundo e temos um programa de lealdade que faz as pessoas voltarem à Hilton”.

Homenagem a João Pacheco Pimentel é o “reconhecimento do seu valor incalculável”

© CM NORDESTE

No centenário do nascimento de João Pacheco Pimentel (1925-2018), a Câmara do Nordeste prestou homenagem ao último alveitar da vila através do descerramento de uma placa na residência onde viveu, na zona da Nazaré. A efeméride pretendeu assinalar a sua relevância para o património imaterial do concelho como alveitar que deixou um legado profissional e sentimental que ultrapassou o município.

Sem diploma, mas com grande sabedoria, durante longos anos foi o apoio no socorro e tratamento de animais doentes, numa altura em que os serviços de veterinária eram praticamente inexistentes.

A placa foi descerrada pela vereadora do município, Sara Sousa, e por Luís Venâncio Silva, amigo do homenageado e impulsionador da ideia do livro “São Coisas, a vida de João Pacheco Pimentel”.

Na ocasião, Sara Sousa destacou que esta foi “mais do que uma cerimónia administrativa, um momento de reconhecimento do valor incalculável que a sabedoria popular e a dedicação de um homem tiveram para o sustento e a vida das nossas comunidades”.

Na sua intervenção, a vereadora acrescentou que João Pacheco Pimentel “foi um arquivo vivo da nossa terra. A sua vida foi pautada pelo trabalho e por uma profunda compreensão do mundo que o rodeava. Era ponto de equilíbrio e o repositório da experiência, um homem que soube ler os sinais da natureza, do clima e, acima de tudo, dos animais, que eram a riqueza de cada família do concelho”.

A comemoração do centenário do nascimento de João Pacheco Pimentel foi proposta ao município do Nordeste, em novembro deste ano, por Luís Óscar, autor do livro lançado em 2019, “São Coisas, a vida de João Pacheco Pimentel”.

Diversas entidades, familiares, amigos, vizinhos e conhecidos marcaram presença na homenagem prestada, mostrando o seu apreço pela pessoa e pelo profissional que foi o nordestense João Pacheco Pimentel.

“Ele não tratava apenas feridas ou doenças; ele reparava o tecido social, devolvendo a esperança aos agricultores e garantindo que o ciclo da vida rural pudesse continuar”, concluiu Sara Sousa na sua intervenção.