
A Associação Agrícola de São Miguel (AASM) vai assinalar, no próximo dia 27 de maio, o Dia Nacional da Agricultura com uma iniciativa de grande escala inteiramente dedicada às crianças. De acordo com a nota de imprensa enviada pela organização, o evento vai reunir mais de 3.000 alunos de diversas escolas da ilha de São Miguel, proporcionando-lhes uma experiência enriquecedora de aproximação ao mundo rural fora do contexto tradicional da sala de aula.
Esta ação é promovida em parceria com o Governo dos Açores e com a Confederação dos Agricultores de Portugal. O evento conta ainda com a colaboração de várias entidades públicas, privadas e cooperativas da região, unidas no propósito de sensibilizar os mais novos para a relevância estratégica do setor primário.
O principal objetivo da iniciativa é dar a conhecer às novas gerações a importância crucial que a atividade agrícola desempenha na economia regional dos Açores, bem como o seu papel determinante na sustentabilidade e na preservação do território e da paisagem açoriana. Ao longo de todo o dia, os milhares de alunos do ensino básico terão a oportunidade de participar em diversas atividades educativas, interativas e lúdicas, concebidas especificamente para a sua faixa etária, que incluem ainda o contacto direto com animais da quinta.
Com a organização deste dia festivo e pedagógico, a AASM refere em comunicado que reitera o seu compromisso na promoção e valorização da agricultura junto dos cidadãos do futuro. A associação sublinha ainda que este evento pretende não só quebrar barreiras entre o meio urbano e o meio rural, mas também incentivar uma maior proximidade e empatia entre a comunidade escolar e o quotidiano dos produtores agrícolas da região.

O presidente do Governo regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, presidiu à cerimónia de abertura do XXII Concurso Micaelense da Raça Holstein Frísia, um evento central para a lavoura micaelense que decorre no Parque de Exposições de São Miguel, na Associação Agrícola em Santana.
O líder do executivo aproveitou o momento de proximidade com a comunidade rural para destacar a relevância deste certame, promovido pela Associação Agrícola de São Miguel, afirmando que o evento se tem afirmado “pela quantidade e pela qualidade”, conquistando ao longo dos anos “credibilidade, confiança e prestígio”.
Na sua intervenção, José Manuel Bolieiro defendeu a importância do trabalho conjunto entre agricultores, associações e instituições, sublinhando que “o sucesso não se faz a pedido, faz-se trabalhando” e através da procura de soluções “em parceria”. Na ocasião, o governante aproveitou também para elogiar o Comendador Jorge Rita, a quem se referiu como “uma referência” no setor agrícola regional pela sua experiência e capacidade de representação.
No plano dos apoios concretos ao setor, que enfrenta os impactos do atual contexto internacional e o consequente aumento dos custos de produção, o governante anunciou que a Comissão Europeia avançará com a reserva agrícola destinada a apoiar os agricultores face ao encarecimento dos fertilizantes, permitindo aos Estados-membros recorrer a fundos comunitários. “Cá estaremos nós vigilantes, reivindicativos e acompanhando esta solução”, garantiu o presidente do Governo.
Adicionalmente, foi revelado que estarão abertas as candidaturas para a reconversão de explorações de produção de leite para produção de carne nas ilhas de São Miguel, Terceira e Graciosa, seguindo-se o arranque das candidaturas para o apoio à compra de sementes de milho e sorgo. Esta última medida integra a estratégia regional de reforço da autonomia alimentar animal, sendo que os Açores já atingiram os 14.500 hectares dedicados a estas culturas.
O executivo açoriano anunciou também uma majoração de 30% nos apoios previstos para compensar os impactos das intempéries na produtividade e garantiu uma resposta direta à subida do gasóleo agrícola. “O Governo assume amortizar até 10 cêntimos a subida do preço do gasóleo”, anunciou Bolieiro.
O XXII Concurso Micaelense da Raça Holstein Frísia conta este ano com a participação de 221 animais, integrando ainda no seu programa workshops técnicos, exposições e momentos de animação para toda a comunidade.

O Parque de Leilões da Associação Agrícola de São Miguel foi o palco da segunda edição do Curso de Preparadores de Animais de Carne para Concursos, uma iniciativa que, entre os dias 27 e 30 de abril, reuniu dez formandos em torno da excelência no maneio e apresentação pecuária. Segundo nota enviada pela Associação Agrícola de São Miguel ao Diário da Lagoa, a formação, que totalizou 30 horas, surge de uma parceria estratégica com o Serviço de Desenvolvimento Agrário de São Miguel, visando dotar os participantes de competências técnicas cruciais para a valorização de exemplares de carne em mostras e concursos de elite.
Sob a orientação técnica de Luís Paninho — nome reconhecido pela vasta experiência na preparação de animais das raças Holstein Frísia e de carne — os alunos enfrentaram o desafio de trabalhar individualmente com um animal, aplicando na prática conceitos de higiene, tosquia, tratamento de pelo e a complexa arte da condução em pista.
O culminar desta formação ocorreu no último dia com uma simulação de concurso, onde o rigor da avaliação determinou os vencedores por categorias. No domínio da preparação estética, Noel Costa Vieira, das Furnas, conquistou o primeiro lugar, seguido por Paulo César Costa Rego, também das Furnas, e Hugo Miguel Medeiros Botelho, das Calhetas. Já na categoria de manejadores, que avalia a perícia na condução do animal perante o juiz, a freguesia das Furnas voltou a estar em evidência com Adriano Melo Teixeira a garantir o lugar mais alto do pódio, acompanhado novamente por Paulo César Costa Rego na segunda posição e Gonçalo Ernesto Rebelo Tavares, de Santa Bárbara, no terceiro posto.
Este evento não serviu apenas para entrega de prémios e convívio, mas funcionou como o derradeiro ensaio para a grande feira agrícola que se avizinha. Entre os dias 13 e 17 de maio de 2026, estes novos técnicos terão a oportunidade de demonstrar o valor da formação recebida durante os concursos pecuários integrados no certame, reforçando a competitividade e a qualidade que definem o setor agrícola micaelense.

O Parque de Exposições de São Miguel, em Santana, na Ribeira Grande, será o palco, esta quinta-feira, 2 de abril, da sessão de encerramento do 18.º Curso de Preparadores e Manejadores de Animais para Concursos. Entre as 11h00 e as 13h00, os formandos serão submetidos a provas de avaliação onde demonstrarão os conhecimentos adquiridos através de um desfile de animais em pista, culminando com a cerimónia de entrega de prémios. Segundo a nota enviada pela organização, a cargo da Cooperativa União Agrícola e da Associação Agrícola de São Miguel, a edição deste ano destaca-se pelo sucesso histórico de adesão, contando com 80 participantes — o número mais elevado de sempre registado nesta formação.
Dedicado à raça Holstein-Frísia, o curso decorre desde o passado dia 30 de março, abrangendo uma faixa etária alargada que vai dos quatro aos 45 anos. A iniciativa tem-se consolidado como uma referência regional na capacitação para concursos pecuários, oferecendo aos alunos, ao longo de quatro dias, uma aprendizagem completa que inclui desde a lavagem e tosquia até à alimentação e apresentação estética dos animais. Sob a orientação técnica de Pedro Campos Silva, formador com vasta experiência em certames nacionais e internacionais, os participantes têm a oportunidade de aprender com um dos nomes mais reconhecidos do setor.
A organização sublinha que a forte afluência de crianças e jovens é o principal motor desta aposta contínua. O curso tem atraído não só descendentes de famílias ligadas à lavoura, mas também participantes sem qualquer ligação prévia ao setor primário, funcionando como uma ponte de proximidade com o mundo agropecuário. O impacto da formação ultrapassa as fronteiras da ilha, contando este ano com um formando vindo de Portugal continental e com a participação ativa de alunos da Escola Profissional da Ribeira Grande, reforçando o espírito de convívio, a partilha de experiências e o respeito pelo bem-estar animal.

O Parque de Exposições de São Miguel, em Santana, na Ribeira Grande, foi esta segunda-feira, 23 de março, o palco de uma mobilização do setor primário regional, recebendo cerca de 400 participantes no III Encontro Micaelense da Cultura do Milho Forrageiro. A iniciativa, promovida pela Associação Agrícola de São Miguel (AASM) em parceria com a Cooperativa União Agrícola (CUA), revelou-se um espaço de partilha de conhecimento técnico e de convívio entre os lavradores da ilha.
De acordo com a nota de imprensa enviada pela organização ao Diário da Lagoa, o evento focou-se na apresentação de soluções práticas para otimizar a produção de milho, uma cultura estratégica para a sustentabilidade das explorações leiteiras nos Açores.
A sessão técnica foi marcada por uma abordagem multidisciplinar, começando pela importância nutricional desta cultura. O engenheiro zootécnico Filipe Martins detalhou o papel fundamental do milho na dieta dos bovinos leiteiros, sublinhando como a qualidade da forragem impacta diretamente a produtividade e a saúde do efetivo. A vertente ambiental e a eficiência da fertilização também estiveram no centro do debate, com os engenheiros agrónomos Filipe Afonso e Joana Fonseca a apresentarem as soluções de adubos estabilizados ENTEC, destacando a sua natureza “amiga do ambiente” na nutrição das plantas.
Numa fase em que os produtores preparam as decisões para a nova campanha, o encontro serviu ainda para a divulgação de novas variedades de sementes e estratégias de proteção das culturas. Esta componente técnica esteve a cargo dos engenheiros agrónomos José Luís Amaro, Manuel Ferreira e Sofia Ferreira, que apresentaram as soluções da Bayer adaptadas aos desafios fitossanitários atuais.
Segundo a AASM, o grande propósito deste fórum foi “incentivar a partilha de conhecimento e a troca de experiências entre os profissionais do setor agrícola”, objetivo que se cumpriu tanto no rigor das intervenções como no momento de convívio que encerrou a jornada, reforçando os laços da comunidade agrícola micaelense.

A Associação Agrícola de São Miguel (AASM) promove na próxima sexta-feira, 6 de março, às 10h30, um colóquio dedicado ao tema “O Acordo UE-Mercosul e o Quadro Financeiro Plurianual 2028-2034”. O evento, que terá lugar nas instalações da própria associação, situadas no Recinto da Feira, em Santana, na Ribeira Grande.
A sessão de abertura será conduzida pelo presidente da Federação Agrícola dos Açores, Jorge Rita, e pelo secretário regional da Agricultura e Alimentação, António Ventura. O debate contará com as intervenções de Luís Mira, secretário-geral da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), Eduardo Diniz, diretor do Gabinete de Planeamento, Políticas e Administração Geral (GPP), e dos deputados ao Parlamento Europeu, Paulo Nascimento Cabral e André Franqueira Rodrigues.
O encontro visa promover uma reflexão profunda sobre os desafios e impactos que o tratado comercial entre a União Europeia e o Mercosul poderá representar para a produção regional, analisando simultaneamente o desenho do novo Quadro Financeiro Plurianual para o período de 2028 a 2034.
Em nota enviada pela AASM, a associação destaca a importância estratégica deste evento para a comunidade agrícola local, convidando todos os interessados a participarem nesta sessão de esclarecimento e análise sobre o futuro dos apoios e da competitividade do setor.

A Associação Agrícola de São Miguel (AASM) realiza na próxima quarta-feira, 25 de fevereiro, pelas 10h30, o “Dia de Campo: Pastagens Resilientes”, uma iniciativa que terá lugar no campo experimental de Santana, no concelho da Ribeira Grande.
De acordo com nota de imprensa enviada às redações pela associação, o evento consiste numa visita técnica de campo desenhada para dar a conhecer as mais recentes novidades e soluções destinadas ao desenvolvimento de pastagens que combinem alta produtividade com uma maior capacidade de adaptação aos desafios atuais.
Através destes ensaios, a AASM pretende auxiliar os produtores na seleção rigorosa de espécies forrageiras. O trabalho desenvolvido em campo permitirá a formulação de novas consociações compostas por variedades de gramíneas, fundamentadas na avaliação contínua do seu desempenho agronómico e na sua capacidade de resposta e resistência a doenças. Segundo a associação, este foco na resiliência é considerado fundamental para garantir a sustentabilidade e a rentabilidade das explorações agrícolas da região.
A iniciativa conta com a parceria estratégica da empresa Barenbrug, referência mundial no setor das sementes, reforçando a componente técnica e inovadora do encontro. A Associação Agrícola de São Miguel convida, ainda, todos os agricultores, técnicos e demais interessados no setor a participar nesta jornada de partilha de conhecimento e demonstração prática.

A abertura oficial do Concurso Micaelense Holstein Frísia de Outono, no Recinto da Feira de Santana, concelho da Ribeira Grande, ficou marcado esta sexta-feira, 28 de novembro, pelos discursos do presidente da Associação Agrícola de São Miguel (AASM), Jorge Rita, e do presidente do Governo regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, sobre a sustentabilidade do setor agrícola açoriano.
Jorge Rita exigiu o fim dos atrasos nos pagamentos de ajudas e uma política de incentivo fiscal para os jovens agricultores açorianos, ao que o presidente do Governo regional dos Açores respondeu com o anúncio de fundos comunitários e um compromisso de maior previsibilidade financeira para 2026.
O presidente da AASM iniciou o seu discurso elogiando a “extraordinária qualidade” da produção regional, que lidera todos os rankings da CAP – Confederação dos Agricultores de Portugal. Contudo, realçou que este desempenho não se reflete de forma justa no rendimento dos agricultores, criticando a falta de agressividade comercial e a necessidade de se promover a marca Açores de forma mais consistente.
O líder associativo apontou o que considera ser um grave problema social, nomeadamente a dificuldade em atrair jovens para um setor que exige “dedicação 365 dias por ano”. Para reverter a situação, defendeu que, além do reforço das ajudas, é crucial “reduzir as questões fiscais” e eliminar a alegada discriminação nas ajudas nacionais. A reivindicação mais urgente centrou-se nos pagamentos em atraso, tendo Jorge Rita exigido a calendarização das ajudas para que os produtores tenham previsibilidade, enquanto sublinhou que cumprem “à risca” os seus compromissos fiscais e com a Segurança Social, enquanto esperam a mesma retidão por parte do Governo dos Açores.

Já o presidente do Governo regional, José Manuel Bolieiro, no seu discurso, reconheceu que o atraso nos pagamentos o deixa “comovido e incomodado”, prometendo um esforço para cumprir os compromissos. O principal anúncio de investimento foi a abertura, a partir de dezembro, do PEPAC – Plano Estratégico da Política Agrícola Comum, com a disponibilização de 24 milhões de euros em investimentos distribuídos mensalmente ao longo de seis meses “para assegurar pagamentos a tempo e horas”.
Em resposta às críticas de burocracia, o presidente do executivo açoriano anunciou medidas de simplificação, incluindo o aumento da taxa de comparticipação de 75% para 85%, a eliminação dos limites máximos de investimento e a eliminação da exigência de estudos económicos, visando melhorar a liquidez dos empresários. Adicionalmente, anunciou e destacou o reforço de dois milhões para candidaturas no programa VITIS, financiado pelo Fundo Europeu Agrícola de Garantia, incentivando a diversificação da vitivinicultura.
Face aos atrasos nos pagamentos, o governante assumiu o compromisso de negociar um calendário de pagamentos: “Nós vamos negociar um calendário de pagamentos para 2026, para que dê previsibilidade, estabilidade e regularidade nos pagamentos,” assegurou. O discurso terminou com o reconhecimento do papel essencial dos agricultores açorianos como “jardineiros do nosso ambiente” e um elogio ao “hoje Comendador Jorge Rita” pela sua capacidade de “diálogo e crítica construtiva”.

A Associação Agrícola de São Miguel (AASM) celebrou esta sexta-feira, 5 de setembro, o seu 50.º aniversário com uma gala comemorativa que reuniu cerca de 1.300 pessoas.
Realizado na sede da associação, no Parque de Exposições de Santana, em Rabo de Peixe, o evento foi apresentado pelo humorista Herman José e marcou meio século de trabalho em prol da agricultura açoriana.
O encontro revelou-se um momento de reconhecimento e homenagem, contando com a presença de associados, representantes de diversas entidades regionais e nacionais, e convidados ligados ao setor agropecuário. A gala destacou o contributo de várias personalidades e instituições.
No seu discurso, o presidente da AASM, Jorge Rita, realçou a resiliência e independência da instituição ao destacar que o evento representa “uma justa homenagem a estas pessoas que contribuíram para a afirmação da Associação Agrícola de São Miguel e para a valorização da agricultura açoriana”.

Jorge Rita fez questão de sublinhar ainda a independência económica e financeira da associação, afirmando que a “reivindicação forte, consistente, de confiança e de segurança” só é possível quando não se está “dependente nem de nada nem de ninguém”. O responsável também recordou o papel essencial dos agricultores durante a pandemia, realçando que, enquanto “tudo parou”, continuaram a trabalhar, produzir e “dar vida à terra”.
Concluindo, Jorge Rita destacou a alimentação como a base da agricultura. “O princípio está sempre na base: a alimentação. E a alimentação faz-se, e far-se-á sempre, com os agricultores. Vocês são especiais”, disse o presidente da AASM, pedindo um forte aplauso para todos os agricultores. Por fim, deixou uma crítica à política europeia, alertando que o “desinvestimento na agricultura é desinvestimento na defesa”, defendendo que a melhor defesa que qualquer país pode ter é o investimento na alimentação.
A celebração dos 50 anos da instituição demonstrou o orgulho dos presentes no passado e a confiança no futuro, renovando o seu compromisso de continuar a trabalhar por uma agricultura moderna, sustentável e competitiva.

DL: Tem marcado posição com várias ações ao longo do ano. Trata-se do que prometeu?
Sim. A Associação Agrícola de São Miguel (AASM) e a Federação Agrícola dos Açores, como organizações de reivindicação, têm reivindicações muito fortes neste momento. E, também, estamos em cima dos acontecimentos europeus, que se relacionam com os quadros comunitários de apoio. Seja o que está a terminar ou o que ainda não começou, estamos sempre a trabalhar no que virá a seguir. Tudo isso requer muito trabalho, intensidade, e pressionar aqueles que têm depois a capacidade de negociar na União Europeia (U.E.).
DL: Participou no Fórum das Regiões Ultraperiféricas em Bruxelas. Como correu?
Participo muitas vezes na área da Comissão da Agricultura. Temos sempre que marcar a posição dos Açores de forma firme. Somos uma região ultraperiférica, e o que transmitimos é que os Açores dão mais a Portugal e muito mais à Europa.
A soma da população das regiões ultraperiféricas é de quase seis milhões de habitantes. Essas regiões têm mais habitantes do que alguns países da Europa.
Quando se trata das negociações a nível do programa POSEI, todos nós estamos alinhados, porque queremos uma atualização. O próprio Comissário reconhece que a nossa reivindicação é justa. Todos os programas de apoio para todos os países levam em consideração a inflação, mas o POSEI nunca foi contemplado. Houve um decréscimo que nos custou mais de 30 milhões de euros ao longo do tempo, valor que poderíamos ter recebido se houvesse uma atualização por meio da inflação. O que pretendemos é que, no mínimo, a inflação também seja tida em conta no POSEI. Além disso, queremos um claro reforço não só para o POSEI, mas também para as ajudas diretas a agricultores e pescadores. O que desejamos na Região Autónoma dos Açores é ser mais competitivos em relação aos transportes marítimos. Sem um auxílio do Estado ou da UE, a nossa economia fica completamente estrangulada nos Açores.
DL: De que forma o problema dos transportes marítimos continua a afetar a região?
É o maior problema que nós temos. O que explica o insucesso da nossa economia está muito relacionado com os transportes marítimos. Nós, que importamos e exportamos, sabemos o quanto custa e que isso reduz a nossa competitividade. O que devia ser criado é um regime estatal de ajudas compensatórias, semelhante ao que já existe para os transportes aéreos. Qualquer região ou país, principalmente nós que estamos rodeados pelo mar, depende dos transportes marítimos para praticamente tudo. Já que existe uma discriminação positiva através das ajudas compensatórias para os transportes aéreos, que funcionam plenamente, seria importante que também fossem contemplados com esse tipo de apoios os transportes marítimos. Aí sim, a nossa economia tornar-se-ia competitiva. E, obviamente, isso também se refletiria em tudo o que produzimos.
DL: A mecanização seria uma solução para a falta de mão de obra?
É o caminho, porque não só na área do leite, mas na das hortícolas também pode ajudar. Esse é um caminho que toda a gente já percebeu que vai ter que acontecer, já que a falta de mão de obra é brutal, e não só no nosso setor, é transversal. E isso faz com que o crescimento em algumas áreas não esteja a acentuar-se.
DL: E que balanço faz da transição para a produção de carne?
As pessoas que agora estão na carne estão muito seguras e confiantes. O mercado está favorável, podemos considerar que foi uma aposta ganha e o alerta que nós lançamos sempre aos industriais do leite é para que estejam atentos. Se a carne continuar neste patamar de crescimento, poucos vão querer continuar a produzir leite. Este ano nota-se bem o entusiasmo, porque os produtores têm um perfil diferente de ilha para ilha mas começa a haver alguma especialização na produção da carne. Este tipo de transferência vai ser muito rápida, mais rápida do que se pensa. É o caminho da valorização da carne e é mais uma opção. Isso é excelente.
DL: Fala-se também na importância da formação.
Estamos a fazer parcerias com as escolas de formação e agora temos um acordo com a Universidade dos Açores, que vai abrir um curso. Precisamos que se inscrevam.
Eu sei que há inscrições vindas de fora da região. O que nós pretendíamos também é que os nossos aproveitassem esta oportunidade. Estamos a sensibilizar os nossos associados para a importância que o curso pode ter na agroindústria, nas fabricações e mecanizações. Esta era uma reivindicação de muitos anos. Estamos com a agroindústria e toda a indústria a abraçar esse projeto, porque todos nós precisamos de mão de obra. Quem for formado nestas áreas, começa já a trabalhar.
DL: A AASM celebra 50 anos a 5 de setembro. Que incentivo deixa aos jovens para apostarem na agricultura?
O que eu posso dizer é que a agricultura está no nosso ADN, todas as famílias açorianas têm alguém ligado ao setor. Aos nossos jovens, o que precisamos é de transmitir confiança e segurança. Temos de acabar com o discurso de que esta vida de agricultor não presta, mas para isso é preciso que todos comecem, em conjunto, a ter um discurso positivo e a valorizar os nossos produtos. Se os jovens perceberem que podem ter uma vida confortável e com dignidade, eles avançam.
A modernização das explorações, a mecanização, a digitalização, todo o trabalho que é feito em prol dos jovens, dá-lhes ferramentas que eu não tive no meu tempo, e que os capacita para fazer algo diferente em relação ao que fizeram os pais. No entanto, a melhor ferramenta é fazer com que os jovens percebam que este setor de atividade é importante, que se sintam especiais e tenham orgulho.