
O projeto para a instalação do Centro de Cuidados Renais no Tecnoparque da Lagoa, na ilha de São Miguel, foi formalmente dado como sem efeito pela autarquia lagoense. A decisão da Câmara Municipal surge após meses de silêncio por parte da empresa promotora, a Medifarma – José Horácio Rego Sousa, Lda., que havia solicitado um alargamento substancial dos prazos para o início da operação da unidade.
El Diário da Lagoa apurou que a candidatura da Medifarma ao programa municipal “Lagoa Investe” foi aprovada em dezembro de 2024, prevendo a ocupação do Lote 29 do parque tecnológico. No entanto, o processo entrou num impasse quando o promotor solicitou que a entrada em funcionamento fosse adiada. Segundo confirmou a autarquia, “o promotor apresentou o pedido de alargamento do prazo para início das obras de construção, até aos 3 anos a contar da data de assinatura do contrato e que o período para entrada em operação da unidade fosse alargado para os 6 anos”.
A Câmara Municipal de Lagoa recusou a pretensão em maio de 2025, invocando a salvaguarda do interesse público. Perante a ausência de resposta da empresa nos meses seguintes, a autarquia decidiu encerrar o processo, sendo que em “11 de novembro de 2025, [a Câmara] informou ao promotor que toma a ausência de resposta como perda de interesse por parte daquela Empresa, dando assim sem efeito a candidatura”, lê-se na resposta oficial enviada ao nosso jornal.
As suspeitas em torno deste investimento foram levantadas originalmente pelo Bloco de Esquerda (BE). O deputado António Lima denunciou que o projeto privado é promovido pelo irmão da presidente do Conselho de Administração do Hospital Divino Espírito Santo (HDES), Paula Macedo. Para os bloquistas, a intenção de externalizar o serviço de hemodiálise do hospital público coincidia com o avanço deste centro privado e com a retirada das verbas para obras na unidade pública do Plano de Investimentos para 2026.
No parlamento açoriano, a maioria composta por PSD, CDS-PP e Chega rejeitou os requerimentos do BE para audições urgentes, o que o partido classificou como uma tentativa de “esconder as razões” da decisão. Questionada oficialmente sobre o projeto e as razões para o pedido de adiamento da obra, a empresa Medifarma não enviou qualquer resposta até ao momento. Por outro lado, a Direção Regional da Saúde tem reiterado que não existe uma decisão final sobre a privatização do setor, apesar de os registos municipais confirmarem a existência de um plano empresarial estruturado para a instalação da referida clínica.
Com o cancelamento do projeto do Centro de Cuidados Renais e a ausência de garantias de investimento na unidade pública do HDES, o modelo de prestação de cuidados aos doentes renais em São Miguel permanece sem uma definição clara por parte das autoridades regionais.

DL: Porque se candidata nestas autárquicas?
São várias as razões pelas quais me apresento a esta candidatura. Sou candidato à autarquia de Lagoa por entender que podemos, com as nossas propostas, contribuir para uma melhoria da qualidade de vida de todos os Lagoenses. Sou candidato porque, em minha opinião, é importante para a democracia uma maior diversidade partidária no executivo camarário e na assembleia municipal. Por fim, e não menos importante, porque atravessamos momentos bizarros onde a democracia não é algo que possamos ter como adquirido e a participação é uma importante forma de exercer a democracia. Por isso, candidato-me porque pretendo, num futuro já não muito distante, que os meus filhos (Lagoenses “de gema”) possam continuar a viver em democracia.
DL: Quais são os seus objetivos para o concelho da Lagoa?
O principal objetivo é melhorar a qualidade de vida dos Lagoenses. Para tal, apresentamos diversas propostas que têm esse intuito em diversas áreas. Na mobilidade propomos (proposto em 2021) a criação de uma rede de transportes coletivos municipais, recorrendo a mini-autocarros elétricos, preferencialmente gratuita. Introdução da modalidade de “transporte a pedido” como forma de satisfação de necessidades nas freguesias e lugares mais distantes do centro em parceria com as juntas de freguesia e a criação de ciclovias na rede viária municipal integrando e interligando as já existentes.
Relativamente aos jovens propomos a criação do projeto “um parque infantil em cada bairro” para garantir em cada freguesia e bairro do concelho um parque infantil com boas condições. Propomos, também, uma maior dinamização das instituições desportivas e culturais (clubes desportivos e filarmónicas) com as nossas escolas.
No que refere aos problemas sociais que afligem, infelizmente, o nosso concelho queremos criar um Plano Municipal Integrado de Combate à Pobreza, com diagnósticos e metas concretas; Automatização do acesso à Tarifa Social da Água, Saneamento e Resíduos; promover a criação de Gabinetes Municipais para a Igualdade e garantir a existência no concelho de programas de combate à toxicodependência, incluindo programas de consumo assistido.
No que concerne ao ambiente desejamos plantar novas áreas verdes em meio urbano como sumidouro de carbono, regulação da temperatura e da qualidade do ar. Utilizar as ribeiras como corredores (verdes) ecológicos através da sua renaturalização. Vamos promover uma gestão de espaços públicos amiga dos polinizadores e promover compras ecológicas no sector municipal. Pretendemos, também, garantir que os edifícios da autarquia obtenham a neutralidade climática em 2030.
DL: O que considera urgente resolver na Lagoa?
É urgente atuar sobre a crise da habitação. Neste aspeto propomos a construção pública de novos alojamentos destinados ao arrendamento social e para classes médias, integrados na malha urbana. A mobilização de edifícios públicos devolutos ou sem utilização para habitação a custos controlados e a definição de metas municipais para o aumento da habitação pública.
Outro assunto extremamente importante é a falta de vagas em creches e ATLs no nosso concelho. O número de crianças nestas circunstâncias é cada vez mais e, por isso, propomos o aumento de oferta destas valências e a extensão dos ATLs até ao término do segundo ciclo de ensino.
DL: Que mensagem quer deixar aos lagoenses nesta campanha?
A mensagem que deixo a todas e todos os Lagoenses é que no próximo dia 12 de outubro cumpram com o seu direito e dever cívico ao votar. É importante votar nas pessoas e propostas que vão de encontro às suas aspirações. É importante votar em quem defende o que realmente importa para as suas vidas. Não aderimos à campanha da entrega de canetas e bugigangas porque é, em minha opinião, um contrassenso apelar a uma sustentabilidade ambiental, a uma economia circular e simultaneamente andar a distribuir brindes para convencer os eleitores. Os eleitores devem votar em consciência com as propostas apresentadas e defendidas por cada partido e as nossas propostas são as que melhor defendem a Lagoa.

Orlando Guerreiro
Candidato pelo BE a Presidente da Câmara Municipal de Lagoa
Autárquicas 2025
Sou candidato com o objetivo de apresentar propostas para melhorar a qualidade de vida de quem vive neste concelho. Queremos, com esta candidatura, um concelho com melhor qualidade de vida e com futuro para os seus munícipes. O nosso concelho terá um destino promissor se tiver políticas que o preparem para o futuro e resolvam os grandes obstáculos que as e os Lagoenses sentem no dia-a-dia. Combater as desigualdades, a falta de habitação, melhorar os transportes e acessibilidades, aplicar medidas sociais e fomentar a educação são prioridades que abraçamos.
Para mitigar o grave problema da falta habitação, sentido principalmente pelos mais jovens, propomos a construção pública de novos alojamentos destinados ao arrendamento social e para classes médias, integrados na malha urbana. A mobilização de edifícios públicos devolutos ou sem utilização para habitação a custos controlados e a definição de metas municipais para o aumento da habitação pública. Também, ainda neste tópico, é importante criar uma regulamentação local para o alojamento turístico temporário.
Relativamente aos transportes e mobilidade propomos a criação de rede de uma rede de transportes coletivos públicos urbanos gratuitos municipais, recorrendo a mini – autocarros elétricos. Introduzir a modalidade de “transporte a pedido” como forma de satisfação de necessidades nas freguesias e localidades mais distantes do centro (como, por exemplo, a localidade de Remédios). Propomos, também, a criação de ciclovias na rede viária municipal como forma de fomentar uma circulação ambientalmente sustentável dos residentes e, simultaneamente, encorajando uma vida mais ativa e saudável.
Para nós, apostar em politicas para a educação é apostar no futuro. Por isso, propomos a criação de um programa de combate ao abandono escolar precoce, fomentando o prosseguimento de estudos superiores e técnicos. Garantir, através de protocolos com instituições locais culturais e desportivas, atividades extracurriculares a todos os jovens do concelho. é, também, imperativo criar e dinamizar centros de atividades de tempos livres e creches municipais que abranjam as crianças desde o pré-escolar ao 2º Ciclo.
Por fim, temos a ambição de criar um mercado municipal para comercialização dos produtos locais. Esta será uma excelente forma de estimular e apoiar a produção local, principalmente, a prática da produção biológica.
Acreditamos que o concelho da Lagoa pode ser um lugar onde todas e todos tenham futuro. A Lagoa precisa de políticas que cuidem das pessoas e do ambiente. Com o Bloco de Esquerda, queremos dar vida à Lagoa — com justiça social, igualdade e futuro.
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O Diário da Lagoa convidou os candidatos à presidência da Câmara Municipal de Lagoa a expressarem as suas ideias aos leitores. Orlando Guerreiro é o candidato pelo Bloco de Esquerda (BE).

Orlando Guerreiro, candidato do Bloco de Esquerda (BE) à Câmara Municipal da Lagoa propõe a construção de um mercado municipal e criação de uma rede de transportes públicos que ligue o centro da cidade a todas as freguesias do concelho.
O candidato do Bloco apresentou publicamente a sua candidatura na Praça de Nossa Senhora do Rosário, na cidade da Lagoa, esta terça-feira, 16 de setembro. No seu discurso, salientou que não faz sentido que um lagoense que queira comprar vegetais de produtores locais ou peixe apanhado pelos pescadores da Lagoa tenha que se deslocar para Ponta Delgada ou para a Ribeira Grande, por isso, defende a criação de um mercado municipal na cidade.
Em relação aos transportes, Orlando Guerreiro propõe a criação de uma rede de transportes públicos mais eficiente, que permita a todos os residentes circular de forma gratuita entre o centro da cidade e todas as freguesias do concelho.
O candidato defendeu ainda a criação de mais espaços verdes, “aproveitando as ribeiras que atravessam o concelho para criar corredores verdes” e aponta a falta de creches e ATL municipais como um problema que é preciso resolver.
“É imperativo reforçar o apoio às várias instituições desportivas e culturais do concelho para reforçar o seu papel na formação das gerações futuras afastando os jovens de problemas graves, como a toxicodependência”, afirmou Orlando Guerreiro.
Quanto à motivação para concorrer à Câmara Municipal, o candidato referiu que “atravessamos tempos conturbados, onde a democracia já não é uma certeza” porque “o manto da extrema-direita alastra-se por toda a Europa e, infelizmente, também em Portugal e aqui nos Açores”.
“É importante cumprir o direito e o dever de participar, para que os meus filhos, o Benjamim e o Manuel, possam no futuro participar e viver em democracia”, concluiu.
Luís Borges, candidato do BE à Assembleia Municipal da Lagoa, disse, por sua vez, que quer ser “uma voz firme” com “novas ideias para o concelho”.
O candidato defendeu a criação de um quartel de bombeiros na Lagoa, uma ligação direta de autocarro da Lagoa para a Ribeira Grande e a construção de novas instalações desportivas no concelho como um gimnodesportivo e uma piscina que fazem falta para dar melhores condições à prática de desporto no concelho.
António Lima, líder regional do partido, também esteve na apresentação e destacou que, na Lagoa, “a alternativa ao PS é o Bloco de Esquerda, porque votar no PSD é permitir que a autarquia fique refém do Chega e da extrema-direita, como já acontece com o governo regional”.
“O governo é acusado todos os dias pelo Chega de corrupção, de trafulhice, e fica em silêncio” e isso só significa que está refém do Chega, apontou António Lima.
O coordenador regional do Bloco diz que o BE vai ser uma “oposição exigente, que vai apontar problemas e apresentar soluções sobre a habitação, a mobilidade, o ambiente e economia local”, na Lagoa e em todos os concelhos onde concorre.

O Diário da Lagoa denunciou as queixas dos moradores nas Quintas do Mar, na vila de Rabo de Peixe, relativas à falta de manutenção nos apartamentos, falhas no abastecimento de água e às sucessivas ausências de resposta por parte da tutela. No seguimento da notícia veiculada pelo nosso jornal, o Bloco de Esquerda apresentou um requerimento ao Governo dos Açores com um conjunto de questões relacionadas com a insatisfação dos moradores.
Em resposta ao requerimento do Bloco de Esquerda, a Direção Regional da Habitação confirmou que “em dezembro de 2023, ocorreu uma avaria no grupo hidropressor (…) que condicionou o abastecimento de água em alguns apartamentos”.
Na sequência do sucedido, e face à necessidade urgente de reparar a bomba de água, a Direção Regional da Habitação optou “em dezembro de 2023, pela instalação de uma bomba provisória, por empréstimo, após contato com a empresa Sousa & Garcês”.
Mais acrescenta a DRH que, em durante o ano de 2024, foi “rececionada da administração do condomínio uma proposta para solução definitiva” que passava pela “instalação de uma central hidropressora com duas bombas, quadro elétrico e limpeza do reservatório”.
No final de 2024 aconteceu a passagem da gestão dos apartamentos para uma nova empresa de condomínio – a Loja do Condomínio (sem qualquer justificação conhecida para tal) –, tendo esta realizado uma “avaliação técnica em agosto de 2025 que concluiu que a pressão da rede pública era suficiente, chegando mesmo a ser excessiva para a tubagem existente”, motivo pelo qual foi decidido “desligar o grupo hidropressor e instalar um redutor de caudal”.
No mesmo requerimento, em resposta ao Bloco de Esquerda, a Direção Regional da Habitação adianta que “não foi confirmada a ocorrência de inundações por sobrepressão em maio de 2025” e assegura que a qualidade da água está em “conformidade legal para consumo humano”, acrescentando que as demais intervenções – portas, janelas, e remoção total do parque infantil – obedecem a uma “calendarização com início previsto durante o segundo semestre de 2025”.
No exercício do contraditório, o grupo de moradores que denunciou as ocorrências ao Diário da Lagoa em agosto passado, não escondeu a “estupefação” pelas respostas do Governo dos Açores/Direção Regional da Habitação ao requerimento do Bloco de Esquerda.
“Nunca tivemos bomba de água por empréstimo e estivemos várias semanas com falhas de água entre dezembro e janeiro de 2023. A empresa Sousa & Garcês é que conseguiu remediar a situação que permanece inalterada desde então. Mais recentemente surgiram novos problemas com a canalização a apodrecer e cheia de ferrugem. Por segurança, optaram por desligar a bomba sem avisar os moradores e colocaram um redutor de caudal. Só demos por isso porque a pressão da água não era suficiente para tomar banho porque os esquentadores não disparavam”, explicaram os moradores quando contactados pelo Diário da Lagoa.
“Por que motivo o Governo não esclareceu porque alguns condóminos já pagaram por uma bomba nova que até hoje nunca foi instalada? Ou por que motivo menciona a pressão excessiva e nega a existência de inundações por sobrepressão quando, pelo menos quatro condóminos, queixaram-se (e reportaram à DRH) de inundações nos seus apartamentos por rebentamento da canalização? E por que um técnico da DRH esteve a fazer um levantamento dos danos? E por que remeteram respostas para os contratos em vigor e, passados quatro meses, nenhuma resposta oficial foi dada às queixas apresentadas?”, questionam os mesmos moradores.
Lamentaram ainda que “pouco ou nada tenha sido dito quanto à substituição das portas partidas, nichos de água, luz e gás sem segurança, remoção do parque infantil que se encontra em precárias condições há vários anos, infiltrações várias desde o segundo andar às garagens ou falta de proteção do quadro elétrico na garagem”.
No mesmo dia em que o Governo dos Açores emitiu a resposta ao requerimento do Bloco de Esquerda, a EDA notificou o condomínio que o fornecimento de eletricidade relativo às áreas comuns dos prédios sitos às ruas da Misericórdia, Providence, Hamilton e Bermudas seria interrompido por falta de pagamento de faturas vencidas.

Orlando Guerreiro é o candidato do Bloco de Esquerda (BE) à Câmara Municipal da Lagoa e Luís Borges será o primeiro candidato à Assembleia Municipal.
Em nota de imprensa, o BE refere que o combate às desigualdades, a atuação urgente sobre a crise na habitação, os transportes e educação são as prioridades que a candidatura defende.
Orlando Guerreiro considera que o concelho da Lagoa tem futuro se tiver políticas que resolvam os grandes obstáculos que as e os Lagoenses sentem no dia a dia. Defende, por isso, uma atuação urgente sobre a crise na habitação, através da mobilização de edifícios públicos devolutos ou sem utilização para habitação a custos controlados, assim como a definição de metas municipais para o aumento da habitação pública. Para além disso, defende a construção pública de novos alojamentos destinados ao arrendamento social e para classes médias, integrados na malha urbana e a criação de regulamentação local para o alojamento turístico temporário.
A candidatura pretende também mais e melhores transportes, através da criação de uma rede de transportes coletivos públicos urbanos gratuitos municipais, recorrendo a mini-autocarros elétricos e a introdução da modalidade de “transporte a pedido” como forma de satisfação de necessidades nas freguesias mais distantes do centro. A criação de ciclovias na rede viária municipal é outra das propostas.
Como forma de valorizar os produtos e economia locais, Orlando Guerreiro defende a criação de um mercado municipal para comercialização dos produtos locais, que estimule e apoie a produção local e a prática da agricultura biológica.
A candidatura do Bloco à Câmara Municipal da Lagoa pretende criar um programa de combate ao abandono escolar precoce, fomentando o prosseguimento de estudos superiores e técnicos, assim como quer garantir atividades extracurriculares — culturais e desportivas — a todos os jovens do concelho. Para além disso, considera essencial criar e dinamizar ATLs e creches municipais que abranjam as crianças desde o pré-escolar ao 2º Ciclo.
Orlando Guerreiro tem 48 anos, é professor e reside no concelho da Lagoa.

O Bloco de Esquerda Açores (BE/Açores) diz estar preocupado com os impactos concretos provocados pela demora na reabertura de serviços do Hospital de Ponta Delgada e critica a falta de explicações do governo, segundo nota de imprensa enviada pelo partido.
António Lima, que reuniu ontem, 3 de setembro, com a Ordem dos Médicos, realçou o adiamento de cirurgias, que terá “um impacto muito sério na saúde e na vida das pessoas”, citado no comunicado.
O deputado do BE/Açores lembra que atualmente estão a ser realizadas apenas cirurgias prioritárias, e que todas as restantes, que não estão a ser realizadas agora, “passarão a ser urgentes e terão impacto sério na saúde e na vida das pessoas que estão à espera”, disse ainda.
António Lima considera ser fundamental conhecer os números de toda a atividade adiada “e reabrir o máximo de serviços o mais rapidamente possível”.
Em relação ao hospital modular, o deputado do Bloco criticou o presidente do governo regional por ter anunciado “uma coisa em julho” e concretizar agora “outra totalmente diferente”, porque o serviço de urgência que hoje abriu é apenas para situações não urgentes, e só estará a funcionar em pleno daqui a alguns meses. “O que a população esperava era um serviço de urgência em pleno funcionamento”, concluiu António Lima, no mesmo comunicado.
Sobre as opções tomadas após o incêndio no HDES, o Bloco tem ainda muitas dúvidas e lamenta a falta de explicações do governo: “Temos dificuldade em perceber o porquê de muitos serviços do hospital não reabrirem totalmente. Sabemos que é um processo demorado, mas faltam explicações”.
O Bloco lembra ainda, na nota, que enviou um requerimento ao governo com várias perguntas sobre este assunto, mas apesar de já ter terminado o prazo legal para o efeito, o governo continua sem enviar as respostas.
Além dos problemas com o Hospital de Ponta Delgada, o Bloco está também muito preocupado com os problemas financeiros, a falta de investimento e a saída de médicos do Serviço Regional de Saúde.
António Lima referiu que só o ano passado saíram 16 médicos especialistas do HDES, e que no Hospital da Terceira existem 46 médicos tarefeiros e apenas 107 médicos especialistas no quadro.
O HSEIT “está cada vez mais dependente de médicos que não são do quadro, o que é muito mais caro”: em apenas um ano, o hospital da Terceira fez mais de 90 contratos por ajuste direto com médicos tarefeiros, no valor de vários milhões de euros, segundo o BE/Açores.
“Este dinheiro devia ser destinado a dar verdadeiros incentivos à fixação de médicos na Região, para que, num contexto em que há poucos médicos no país, os Açores conseguissem garantir a presença de profissionais para dar resposta às necessidades das pessoas”, considera António Lima.
O partido lamenta também a situação financeira insustentável “em que o governo da coligação está a deixar o Serviço Regional, deixando as Unidades de Saúde de Ilha com um passivo que já atinge os 50 milhões de euros”, diz ainda a nota.
“Afinal, o Governo não pagou às Unidades de Saúde de Ilha aquilo que disse que tinha pago, em 2023”, assinalou António Lima.
“Este caminho de insustentabilidade do Serviço Regional de Saúde tem consequências na saúde das pessoas, tem consequências nas infraestruturas, como vimos no incêndio no HDES, fruto de muitos anos de desinvestimento, e tem consequências financeiras”, disse o deputado, que acrescentou que “este é um caminho que beneficia interesses privados e empurra as pessoas para os serviços de saúde privado”.

O Bloco de Esquerda Açores pediu esclarecimentos ao governo regional sobre “os atrasos e falta de previsibilidade no transporte marítimo de mercadorias entre o continente e os Açores, que provoca “elevados prejuízos aos comerciantes e a toda a economia”, segundo comunicado do partido. De acordo com o mesmo, “estes problemas têm-se verificado com maior frequência nas ilhas do Faial e Terceira”.
Conforme verificou o BE/Açores, “o Relatório de Verificação do cumprimento das obrigações por parte dos armadores de cabotagem insular a operar entre o Continente e a Região Autónoma dos Açores, de janeiro de 2023, apresenta dados preocupantes em relação ao cumprimento das obrigações de serviço público previstas”.
“O relatório em causa, embora tenha avaliado um período de tempo relativamente curto (entre 1 de janeiro de 2021 e 30 de abril de 2022) e não tenha identificado evidência inequívoca do incumprimento das condições a que estão obrigados os armadores que transportam carga na cabotagem marítima insular, apresenta dados preocupantes, assim como recomendações” acusa ainda o partido, em nota de imprensa.
O Bloco de esquerda aponta que têm se sucedido uma “percentagem elevada de atrasos, sendo que apenas alguns são justificados”.
Em todas as ilhas – exceto Corvo para a qual não existem dados – verificam-se atrasos superiores a 50% das viagens, destacando-se os atrasos para as ilhas das Flores (62,5%), do Faial (58,8%) e de Santa Maria (55,6%). Sendo a média de atrasos superiores a 50% e os atrasos superiores a um dia de 27,2%, como se pode verificar na tabela 26 do relatório supramencionado, clarifica o partido.
Tendo em conta esta realidade, o Bloco enviou, esta quinta-feira, 1 de agosto, um requerimento ao governo regional, em que solicita acesso a documentação que permita aferir o número de atrasos no transporte de mercadorias para os Açores.
Além disso, o Bloco quer saber que medidas o governo implementou após ter conhecimento do relatório que aponta mais de 50% de atrasos em todas as ilhas e quais as medidas implementadas no sentido de obviar potenciais transtornos ou prejuízos económicos dos agentes económicos que utilizam a cabotagem marítima insular.

A abertura do serviço de urgência no hospital modular em agosto, sem a abertura dos serviços de imagiologia, bloco operatório e unidade de cuidados intensivos – que só abrirão em outubro – “significa que não poderá ser dada resposta às situações mais graves”, segundo o Bloco de Esquerda/Açores.
“Mais uma vez, o governo regional não está a ser transparente com os utentes em relação aos cuidados de saúde que terão nos próximos tempos. Na prática, a única novidade avançada ontem pelo governo regional foi o adiamento da abertura do funcionamento pleno do hospital modular de agosto para outubro” acusa ainda o BE, em nota de imprensa.
A 7 de junho, a secretária regional da Saúde garantiu que o hospital modular estaria em funcionamento até ao fim do mês de agosto. O compromisso foi reafirmado pelo presidente do governo a 18 de junho.
O Bloco de Esquerda diz manifestar a sua “estupefação com o anúncio” feito a 18 de julho pelo governo regional de que, afinal, a abertura plena do hospital modular foi adiada para outubro.
“A nossa expectativa é, pois, que comecem a chegar contentores no final do mês de julho e que possamos ter a expectativa, que é uma preocupação e justa intenção de todos nós, de ter serviços a partir de agosto”, afirmou o presidente do governo a 18 de junho.
O anúncio da abertura do serviço de urgência até final de agosto e dos restantes serviços – imagiologia, bloco operatório, unidade de cuidados intensivos – apenas em outubro significa que o serviço de urgência não poderá funcionar em pleno, uma vez que isso não é possível sem esses serviços de apoio que só entrarão em funcionamento em outubro, entende o partido.
“É por isso cada vez mais difícil de perceber o racional da opção pela infraestrutura modular anunciada em detrimento da aposta na reabertura plena do HDES, quando mesmo o fator tempo já derrapou dois meses”, acusa ainda o BE/Açores, na mesma nota.
O BE/Açores aponta ainda que o hospital modelar “terá uma capacidade muitíssimo inferior à do HDES e que só funcionará em pleno em outubro. Isso, se, entretanto, não houver mais adiantamentos”.
“Mantém-se também a ausência de explicações do governo regional sobre o que impede a reabertura em pleno dos serviços no edifício do HDES que ainda se encontram encerrados, nomeadamente sobre o que tem levado à alegada má qualidade do ar e concretamente quais são os parâmetros que têm falhado nas análises efetuadas” questiona também o partido.
“A demora da retoma plena do HDES trará danos incalculáveis na saúde nos Açores e por isso era fundamental que todos os esforços e recursos do governo regional fossem alocados à reabertura de todos os serviços do HDES, o que claramente não está a acontecer” lê-se ainda no mesmo comunicado.