
A Delegação dos Açores da Associação de Solidariedade Social dos Professores, sediada em Ponta Delgada, acolheu a sessão de abertura das comemorações do 45.º aniversário da instituição, um momento marcado pelo reconhecimento oficial do impacto comunitário e social daquela que é a maior estrutura de solidariedade docente no país. De acordo com a nota informativa enviada pela autarquia micaelense, a vereadora com o pelouro da Ação Social da Câmara Municipal de Ponta Delgada, Cristina do Canto Tavares, fez questão de sublinhar a relevância histórica da associação, apontando que esta “soube crescer, adaptar-se e afirmar-se como a maior instituição de solidariedade de professores em Portugal, desenvolvendo uma ação abrangente nas áreas social, cultural, científica, recreativa e humana, sempre orientada pela valorização das pessoas, pela promoção da cidadania ativa e pelo fortalecimento dos laços comunitários”.
A governante municipal destacou o forte pilar humanista da instituição e a vasta rede de proximidade construída ao longo de quase meio século de existência através de núcleos distribuídos pelo Continente, Açores e Madeira. Focando a sua intervenção na vertente de intertextualidade e ligação comunitária promovida pelas atividades de envelhecimento ativo, Cristina do Canto Tavares referiu que “a associação promove não apenas a preservação da memória coletiva dos professores, mas também a transmissão de conhecimento, valores e experiências entre gerações”, sustentando que, no fundo, “um professor não tem idade”. O contributo local da Delegação Regional dos Açores, que no ano transato assinalou as suas bodas de prata, foi igualmente alvo de rasgados elogios por parte da vereadora, que endereçou palavras de profundo reconhecimento e mérito à presidente da estrutura em solo açoriano, Eduarda Viveiros, pelo trabalho direcionado à inclusão e convívio dos docentes aposentados.
As celebrações do aniversário da ASSP prolongam-se até ao próximo sábado na ilha de São Miguel sob o lema “(Re)encontros e Desafios”, preenchendo a agenda local com uma programação de cariz marcadamente cultural, que engloba conferências, visitas guiadas e apontamentos musicais. O arranque do programa ficou pautado pela partilha de conhecimento académico, incluindo uma palestra conduzida pelo professor Avelino Meneses dedicada ao tema “A Autonomia dos Açores (um processo)”, e uma dissertação sobre a “Flora Autóctone dos Açores”, a cargo do investigador Teófilo Braga. O evento inaugural encerrou com uma nota artística e literária, corporizada num momento de declamação de poesia protagonizado pelos professores Fátima Sousa e José Carlos.

O Município de Ponta Delgada anunciou que vai duplicar o investimento no programa PDL Housing First durante o presente ano, após uma reunião de balanço que confirmou uma taxa de sucesso de 100% na eficácia do modelo.
A Vereadora da Ação Social, Cristina do Canto Tavares, sublinhou que o projeto, implementado de forma pioneira na Região em 2023, deixou de ser uma experiência piloto para se afirmar como uma estratégia consolidada no combate ao fenómeno das pessoas em situação de sem-abrigo e com dependências. Atualmente, a iniciativa resulta de um esforço articulado entre a autarquia, a Associação Novo Dia e a Associação Crescer, disponibilizando habitação imediata a seis pessoas que se encontravam numa situação crónica de vulnerabilidade.
Durante o encontro de trabalho, Américo Nave, diretor da Associação Crescer, enalteceu a visão política do Município e destacou o trabalho técnico “espetacular” desenvolvido, notando que até hoje não se verificou qualquer retrocesso no percurso dos utentes. Esta visão foi partilhada por Hélder Fernandes, coordenador técnico da Associação Novo Dia, que reforçou a importância da supervisão e do apoio municipal para que a intervenção se traduza em resultados concretos na vida dos inquilinos.
O modelo Housing First assenta na premissa de que a habitação é um direito fundamental, priorizando o fornecimento de uma casa segura antes de qualquer outra condição, oferecendo depois suporte individualizado para lidar com desafios de saúde e integração.
Cristina do Canto Tavares manifestou satisfação com os indicadores de sucesso, que incluem a redução de consumos, a diminuição de situações de vitimação e a adesão voluntária a cuidados de saúde. Para a autarca, estes passos representam conquistas gigantes para quem vivia na rua, inserindo-se numa estratégia municipal mais ampla que nunca investiu tanto na área da Ação Social.
Contudo, a vereadora deixou um alerta sobre a necessidade de descentralização, lembrando que cerca de metade das pessoas em situação de sem-abrigo em Ponta Delgada provêm de outros concelhos. Reitera, por isso, que o combate a este flagelo exige um trabalho em rede em toda a ilha de São Miguel, de forma a reduzir a pressão social excessiva sobre o território da capital.