
DL: É candidato à Câmara Municipal de Lagoa nas próximas autárquicas, porquê?
Sou candidato, mas sou o primeiro de um vasto conjunto de lagoenses, filiados e independentes, de provas dadas em termos profissionais e de cidadania, que estão organizados comigo e estão focados em preparar o futuro da Lagoa com os olhos postos, em primeiro lugar, na melhoria da qualidade de vida dos que cá vivem ou trabalham.
DL: Quais as preocupações do PSD Lagoa a nível do concelho?
Vivemos numa época em que a informação é transmitida a uma velocidade alucinante e as pessoas — e os agentes políticos também — instintivamente tendem a copiar modelos e iniciativas já existentes noutras paragens. Convém acautelar que nem tudo nos interessa e nem tudo pode ser implementado da mesma maneira.
Quando a Vila da Lagoa foi elevada a cidade foi-nos vendida a ideia de que os autarcas teriam acesso a todo um novo conjunto de parcerias e interconexões próprias das cidades. Eu próprio, confesso que fiquei entusiasmado. Agora, passados estes anos, tenho um sentimento de desilusão. Uma câmara não é uma empresa, mas por vezes os autarcas comportam-se como se fosse. Tentam importar modelos de fora, como se estivessem em concorrência ou num campeonato com os autarcas vizinhos, e por vezes a velocidade desse processo é tanta que se esquecem que o essencial é a inclusão de todos os lagoenses. A Lagoa do futuro deve ser estruturada para os mais novos e para os mais idosos, onde os pais encontrem, a par da saúde e segurança, serviços para educar, exercitar e entreter os seus filhos e serviços que garantam o conforto para os seus pais em idade de reforma. Neste momento, a procura por serviços de CATL e creche são superiores à oferta, tal como o facto de que a Lagoa está entre os três municípios dos Açores com mais casos de dependências e criminalidade associada. E a Lagoa é dos concelhos mais jovens dos Açores e até do país, por isso é necessário garantir mais educação, mais desporto, mais segurança, mais emprego e sobretudo, aquilo que deve ser um dos principais focos do executivo camarário, mais habitação compatível com os rendimentos e estilos de vida. Habitação em regime de autoconstrução, por exemplo. E mais que uma smart city, a Lagoa precisa ser uma cidade verde, reforçando a relação entre os lagoenses e a sua natureza de terra e de mar. Mas, infelizmente, a Lagoa é dos municípios dos Açores que menos investe na recolha de resíduos e na proteção da biodiversidade, enquanto praticamente não tem políticas para o meio rural e agrícola, e isto é algo que o PSD quer inverter o quanto antes.
DL: Defende que o Tecnoparque precisa de empresas de “cultura lagoense”. Quer explicar?
O Tecnoparque, na sua raiz, não foi criado para ser um ninho ou incubadora de empresas lagoenses. Era um projeto autónomo ao programa de desenvolvimento do concelho com vista a atrair investimento e cujo concelho pudesse vir a ser beneficiário como “inquilino” e “mentor”. Este plano já foi tema de muitas campanhas. As coisas não correram como foram pensadas. O próprio executivo PS tem vindo a afastar-se de muitas ideias iniciais do projeto.
Mas estou convicto que os espaços e os recursos que podem advir do Tecnoparque podiam, podem e devem ser melhor direcionados para o apoio a projetos que tenham maior ligação à Lagoa. Temos de ser honestos e de admitir que o que vemos nessa zona não espelha a realidade do que se passa em todo o concelho. É preocupante os recursos que consome e que podiam ser direcionados para outras zonas do concelho.
DL: É público que defende a criação de uma associação de bombeiros. Porquê?
A responsabilidade pela proteção civil da Lagoa é da Câmara da Lagoa e a maioria dos lagoenses já percebeu que a Lagoa precisa de melhorar a resposta no socorro urgente e que isso implica investimento em infraestruturas e recursos materiais e humanos. A Lagoa deve ter a sua corporação de bombeiros com instalações e recursos próprios, pois, se a Proteção Civil tem como primeiro tutor a Câmara Municipal, significa que cabe a cada concelho encontrar as suas soluções e cuidar e proteger da sua população, desde logo garantindo a prestação, atempada, de socorro.
É por isso que nos Açores existem apenas dois concelhos sem a sua própria corporação de bombeiros: Lajes das Flores e Lagoa. Sabemos que este será um processo demorado e que requer investimento e articulação com muitas outras entidades, mas algum dia tem de se começar e nós vamos começar.
DL: Considera que se fez progressos quanto ao futuro da Fábrica do Álcool?
Absolutamente. Foi algo que sempre defendi: democracia participativa.
A área e as infraestruturas da Fábrica são propriedade do Governo Regional, mas estão na Lagoa, fazem parte da história da Lagoa e nada fará mais sentido do que colocar a sociedade civil lagoense a refletir sobre o que ali fazer, pois é, principalmente, aos lagoenses, que deve servir o que ali se perspetivar. Estou confiante nas boas decisões e quero garantir aos lagoenses que comigo na Câmara da Lagoa haverá sempre uma voz a lembrar que as instalações não são meras ruínas, mas um testemunho da nossa história coletiva.
DL: Quer deixar uma mensagem aos lagoenses?
Prefiro conversar com os lagoenses no dia a dia, falar e ouvir, trocar ideias.
Desde que assumi a liderança do PSD Lagoa e, posteriormente, na Assembleia Legislativa Regional dos Açores, percebo que os receios quanto ao futuro são generalizados. E não posso deixar outra mensagem que não seja a de esperança.
A Lagoa não nasceu ontem, os lagoenses já superaram desafios maiores. Desde que estejamos unidos e com os pés assentes na nossa realidade iremos ultrapassar o que aí vem. As pessoas sabem quem sou e que lidero um grupo de gente, de carne e osso, que ama a sua terra, e que quer contribuir para o seu progresso, na construção de uma autarquia que tenha as pessoas no topo das suas prioridades e no centro da sua ação e, assim, construir uma Lagoa mais lagoense e para os lagoenses.