
José Pacheco
Presidente e Deputado do CHEGA Açores
Lembro-me bem da noite de 4 de fevereiro de 2024. Enquanto muitos festejavam resultados, distribuíam lugares e faziam contas ao poder, deixei um aviso que na altura poucos quiseram ouvir.
Disse que a estabilidade dos Açores não podia ficar dependente apenas da soma de deputados. Disse que havia diferenças profundas entre os parceiros daquela solução governativa. E disse que mais cedo ou mais tarde essas divergências acabariam por vir ao de cima.
Na altura, houve quem desvalorizasse o alerta. Houve quem dissesse que o CHEGA estava apenas a fazer oposição. Houve quem acreditasse que bastava assinar acordos e distribuir cargos para garantir quatro anos de estabilidade.
Passaram mais de dois anos. E hoje, infelizmente para os Açores, toda a gente consegue ver aquilo que nós víamos nessa noite. O tempo deu-nos razão.
A crise não está no CHEGA ou na oposição. Nunca esteve.
A crise está dentro do Governo Regional. A crise está dentro da própria coligação. E quanto mais tentam escondê-la, mais evidente ela se torna.
Os açorianos assistem a declarações contraditórias, a sinais de desconfiança entre parceiros, a posicionamentos públicos incompatíveis com uma maioria coesa e a uma crescente sensação de que alguns dirigentes políticos estão mais preocupados com o seu futuro do que com o futuro da Região.
Mas existe um aspeto ainda mais grave.
Ao longo dos últimos anos, os Açores fizeram um esforço para ultrapassar velhos bairrismos e rivalidades artificiais entre ilhas. Com dificuldades, é certo.
Mas sempre com a consciência de que o futuro da Região depende da união das nove ilhas e não da divisão entre elas.
Infelizmente, o Vice-Presidente do Governo decidiu ressuscitar alguns dos piores fantasmas da política açoriana. Os fantasmas do bairrismo. Os fantasmas das ilhas contra ilhas. Os fantasmas daqueles que sempre viveram politicamente da divisão, da intriga e do conflito territorial.
E rapidamente apareceram os suspeitos do costume. Os mesmos que durante décadas alimentaram rivalidades artificiais.
Os mesmos que transformaram a política regional numa permanente disputa entre ilhas. Os mesmos que parecem acreditar que para uma ilha ganhar, outra tem de perder.
Essa nunca foi a nossa visão. Nem nunca será.
Os Açores não avançam divididos. Os Açores não crescem quando se alimentam ressentimentos. Os Açores não resolvem os seus problemas colocando açorianos contra açorianos.
Aquilo a que assistimos não é uma estratégia para os Açores. É uma estratégia de sobrevivência política. Uma estratégia que parece preocupar-se mais com a defesa de interesses localizados do que com os interesses da Região.
Mas quem exerce funções governativas não representa apenas uma ilha. Representa nove ilhas. Representa todos os açorianos. E tem a obrigação de governar para todos.
É precisamente por isso que esta situação não pode continuar a ser ignorada. Porque os Açores têm desafios demasiado importantes pela frente.
Temos a SATA. Temos o futuro do Hospital do Divino Espírito Santo.
Temos a preparação e execução dos próximos quadros comunitários europeus. Temos problemas graves na habitação. Temos dificuldades persistentes na saúde. Temos jovens que continuam a abandonar a Região por falta de oportunidades. Temos uma economia que precisa de mais crescimento, mais investimento e mais competitividade.
Nada disto se resolve com guerras internas. Nada disto se resolve com recados políticos. Nada disto se resolve com um Governo dividido. E é exatamente isso que temos hoje.
Uma paz podre. Uma paz podre onde todos fingem que está tudo bem. Uma paz podre onde ninguém quer assumir aquilo que já é evidente. Uma paz podre onde se tenta ganhar tempo enquanto a confiança desaparece e a instabilidade aumenta.
Quero deixar uma coisa muito clara. O CHEGA não quer eleições antecipadas. E aquilo que sentimos todos os dias na rua é que os açorianos também não as querem.
As pessoas estão cansadas de jogos políticos. As pessoas querem estabilidade. Mas estabilidade verdadeira.
Não estabilidade para proteger lugares. Não estabilidade para manter cargos. Não estabilidade para preservar interesses partidários.
Os açorianos querem estabilidade para governar. Querem estabilidade para decidir. Querem estabilidade para enfrentar os desafios que temos pela frente.
Foi precisamente por isso que o CHEGA foi o primeiro partido a exigir uma clarificação política. Foi o CHEGA o primeiro a dizer que os açorianos tinham direito a saber se esta maioria continua ou não unida. Foi o CHEGA o primeiro a defender uma Moção de Confiança.
Enquanto outros faziam cálculos eleitorais. Enquanto outros avaliavam sondagens. Enquanto outros se preocupavam em não perder os seus lugares dourados.
O CHEGA preocupou-se com aquilo que realmente interessa: a estabilidade da Região.
Porque quem acredita na sua maioria não tem medo de a confirmar. Quem acredita no seu Governo não tem medo da transparência. Quem acredita no seu projeto político não foge aos esclarecimentos.
Ao longo desta legislatura, o CHEGA demonstrou que sabe ser firme quando é necessário e responsável quando os interesses dos Açores estão em causa.
Fomos decisivos na defesa dos pensionistas mais pobres da Região. Fomos persistentes na denúncia dos problemas da saúde, dos transportes e da gestão pública. Fomos exigentes quando foi preciso.
E fomos responsáveis quando a estabilidade da Região esteve em causa. Continuaremos a sê-lo.
Porque aquilo que está em causa não é o futuro de um partido. É o futuro dos Açores.
E os Açores merecem mais do que uma coligação preocupada em sobreviver.
Merecem um Governo preocupado em governar. Merecem transparência. Merecem estabilidade. Merecem verdade.
Na noite de 4 de fevereiro de 2024 avisámos que os maiores riscos para a estabilidade da Região estavam dentro da própria solução governativa.
Dois anos depois, os factos falam por si. O tempo deu-nos razão.
Mas não retiramos qualquer satisfação disso.
Porque quando uma previsão política se confirma à custa da instabilidade governativa, quem perde não são os partidos. Quem perde são os Açores.
E os Açores já perderam demasiado tempo em pequenas guerras e lutas de egos inchados.

José Pacheco
Presidente e Deputado do CHEGA Açores
A notícia de que São Miguel já representa 60,8% do PIB dos Açores não me espanta. O que me espanta é a rapidez com que alguns transformam o crescimento de uma ilha num problema político, quase como se produzir mais riqueza fosse um pecado a expiar.
Entre 2021 e 2023, São Miguel passou de 59% para 60,8% do PIB regional, com o seu produto a subir de 2.581,6 milhões para 3.271 milhões de euros. No mesmo período, o PIB total da Região passou de 4.374,6 milhões para 5.374 milhões.
Isto tem uma leitura séria: São Miguel cresceu e os Açores cresceram. O que não aceito é que se queira fazer de São Miguel a culpada do seu próprio esforço.
Eu repudio o bairrismo. Sempre repudiei. Não embarco nessa política rasteira de meter ilhas umas contra as outras, como se o problema dos Açores fosse São Miguel ter empresas, iniciativa, capacidade económica e gente que trabalha. São Miguel não pode ser castigada por crescer. Era o cúmulo da estupidez política: punir quem puxa, só para disfarçar a incapacidade de fazer os outros crescer também. Isso não é justiça. Isso é nivelar por baixo. E nivelar por baixo nunca salvou nenhuma terra.
Mas convém não fugir ao essencial. Defender São Miguel não é fechar os olhos aos desequilíbrios da Região. São coisas diferentes. Uma coisa é dizer, com frontalidade, que São Miguel não tem de pedir desculpa pelo seu dinamismo. Outra é exigir ao poder político que governe os Açores como um arquipélago de nove ilhas e não como um mapa onde basta gerir a maior e ir entretendo as outras com discursos de circunstância.
Tenho defendido exatamente isso: a verdadeira coesão territorial não se faz em guerrilhas de ilha para ilha, faz-se olhando para a totalidade do arquipélago, povo a povo, freguesia a freguesia. E tenho também insistido que a coesão económica, social e territorial não pode continuar a ser apenas uma frase bonita para constar em intervenções oficiais; tem de se traduzir em investimento estratégico, acessibilidades, oportunidades e equilíbrio real. O CHEGA Açores tem ligado essa coesão à necessidade de melhorar acessibilidades em todas as ilhas, com um pacote que estimou em 26,3 milhões de euros.
É aqui que muita gente se engana, ou finge enganar-se. Os números não mostram que São Miguel esteja a “tirar” riqueza às outras ilhas. Mostram, sim, que São Miguel cresceu mais. A Terceira, por exemplo, desceu em peso relativo de 21,46% para 20,31%, mas subiu em valor absoluto de 938,7 milhões para 1.091,3 milhões de euros. O Faial passou de 276,2 milhões para 323 milhões, apesar de ter perdido algum peso percentual. Portanto, a questão séria não é travar São Miguel. A questão séria é perceber porque falham as políticas que deviam estar a criar condições para que outras ilhas acompanhassem esse crescimento com mais força.
E é aqui que eu não alivio o Governo Regional. Porque o mais fácil é deixar correr, olhar para São Miguel a crescer e vender isso como se fosse prova automática de sucesso regional. Não é. Uma Região não está equilibrada só porque a sua maior ilha está forte. Uma Região está equilibrada quando a sua força principal serve de motor ao conjunto, e quando o poder político usa essa força para corrigir fragilidades, não para aprofundar dependências.
O que eu recuso é este truque barato: sempre que se fala de coesão, aparecem logo os especialistas do ressentimento a insinuar que São Miguel tem demais. Não. O problema não é São Miguel ter demais. O problema é haver ilhas que continuam a ter de menos. E isso não se resolve tirando músculo a quem o tem. Resolve-se criando músculo onde ele falta. A política séria faz crescer. A política medíocre redistribui desculpas.
São Miguel tem peso. Muito bem. Então use-se esse peso com responsabilidade regional. Não para a enfraquecer, não para a penalizar, não para a transformar em bode expiatório de décadas de falhanços estratégicos. Use-se esse peso para alavancar os Açores como um todo. Porque uma São Miguel forte numa Região fraca é um sucesso pela metade. E um arquipélago onde se castiga quem cresce é um arquipélago que desiste de si próprio.
A minha posição é simples e não tem truque nenhum: não aceito o discurso anti-São Miguel e não aceito o comodismo de quem usa São Miguel para esconder o desequilíbrio regional. Quero São Miguel a crescer mais, sem complexos e sem pedir licença. Mas quero também Terceira, Faial, Pico, São Jorge, Graciosa, Santa Maria, Flores e Corvo com condições reais para crescerem com ambição. Isso é que é coesão. Isso é que é governar. O resto é conversa para dividir os Açores e desculpar quem nunca os soube unir.
No fim do dia, o ponto é este: crescer não é crime. Crime político é querer que São Miguel pague a fatura do seu próprio sucesso, em vez de obrigar quem governa a fazer o que devia ter feito há muito — criar condições para que o progresso de uma ilha ajude a levantar todas as outras.

A cedência do Pavilhão Desportivo da Escola Padre João José do Amaral ao Município da Lagoa, nos Açores, está no centro do debate político regional, com o Chega a manifestar-se contra a urgência de tratamento do processo proposta pelo PS. Através de uma nota de imprensa enviada à nossa redação, o partido defende que a relevância desta infraestrutura para a comunidade lagoense exige um “trabalho sério” e um escrutínio detalhado, recusando que uma decisão desta magnitude seja tomada num prazo de apenas duas ou três semanas. Para o Chega, o pavilhão representa um ativo estratégico para o concelho, não devendo a sua gestão ser discutida de forma precipitada antes do plenário de maio.
A deputada Olivéria Santos reforçou que a preocupação central reside na garantia de um acesso equitativo ao espaço, sublinhando que o pavilhão não pode tornar-se exclusivo de uma única entidade desportiva. A parlamentar recorda que aquela infraestrutura é a única no concelho com as condições específicas de segurança exigidas para a prática da patinagem, conforme estipulado legalmente. “Estamos disponíveis para debater o tema – sabemos das dificuldades por que passam entidades, importância da associação – mas duas ou três semanas para discutir este assunto, até ser discutido já no plenário de maio, é pouco tempo”, alertou Olivéria Santos na nota enviada pelo partido.
Além da questão da utilização desportiva, o Chega levanta dúvidas quanto à articulação desta cedência com os planos de investimento público para a zona. Olivéria Santos aponta que o Governo regional tem previsto um projeto de requalificação para a Escola Padre João José do Amaral que contempla a construção de um novo pavilhão. Segundo a deputada, é fundamental clarificar o futuro planeamento urbanístico e desportivo da Lagoa antes de avançar com a transferência de competências: “temos de perceber se vamos ficar com dois pavilhões ou só com um. Tudo isso não se consegue fazer em duas ou três semanas”, argumentou a parlamentar, apelando ao rigor e à transparência num processo que terá impacto direto nos atletas e clubes locais.

José Pacheco
Presidente e Deputado do CHEGA Açores
Mesmo não sendo economista e com a informação que hoje abunda, fico demasiado preocupado com as contas da nossa Região.
E digo-o de forma direta, como costumo falar: isto não é conversa de técnicos, nem um tema para ficar fechado em gabinetes. Isto diz respeito à vida real dos Açorianos. E aquilo que os números mostram é preocupante, muito preocupante.
Durante anos, o Tribunal de Contas tem vindo a avisar. Não foi uma vez, não foi duas. Foram anos seguidos a dizer a mesma coisa: há problemas nas contas, há falta de controlo, há dívida a mais e transparência a menos.
E quando uma entidade destas repete o mesmo alerta durante uma década, há duas hipóteses: ou ninguém ouviu… ou não quiseram ouvir.
Os números não enganam. Em 2024, tivemos um défice de cerca de 247 milhões de euros. Em 2025, voltamos a ter um défice perto dos 200 milhões. Isto não é um acidente, é um padrão.
Ao mesmo tempo, a dívida já anda perto dos 3,4 mil milhões de euros, cerca de 60% da nossa economia. E mais grave ainda: já ultrapassámos os limites legais de endividamento em mais de mil milhões de euros.
Isto tem de ser dito como é:
Estamos a gastar mais do que aquilo que temos.
E estamos a fazer isso há anos.
Depois há outro problema que me preocupa ainda mais: a falta de clareza nas contas. O próprio Tribunal de Contas diz que as contas são aprovadas com reservas. Isto quer dizer, em linguagem simples, que passam… mas não estão bem.
E se nem as contas são claras, como é que alguém pode garantir aos Açorianos que tudo está controlado?
A isto junta-se uma dependência enorme de dinheiro que vem de fora , do Estado e da Europa. Atenção: esse dinheiro é importante, claro que é. Mas não podemos viver permanentemente agarrados a isso, como se fosse solução para tudo. Porque não é.
E depois temos as empresas públicas. Sempre que há prejuízos, quem paga? Somos todos nós. Sempre que há decisões erradas, a conta vai parar à dívida da Região. E ninguém assume responsabilidades.
O mais frustrante no meio disto tudo é que os problemas são conhecidos. O Tribunal de Contas tem recomendado, ano após ano, exatamente o que é preciso fazer: mais rigor, mais controlo, menos dívida, mais transparência.
Mas a pergunta é simples: O que mudou realmente? Muito pouco.
E enquanto nada muda, a Região continua a andar na corda bamba. Pode não cair hoje. Pode não cair amanhã. Mas está cada vez mais perto do limite.
E há uma coisa que temos de perceber de uma vez por todas: não há autonomia a sério sem contas certas. Podemos falar de autonomia política o que quisermos, mas se dependemos sempre de dinheiro de fora e se estamos afogados em dívida, essa autonomia é cada vez mais frágil. Isto não é ser alarmista. É ser responsável.
Os Açores precisam de mudar de rumo. Precisam de mais verdade nas contas, mais rigor na gestão e mais coragem para tomar decisões difíceis. Porque continuar assim é fingir que está tudo bem quando não está.
E a verdade é esta, sem rodeios: os Açores estão a viver no limite.
E quem anda no limite durante muito tempo, mais cedo ou mais tarde paga a fatura.

A Assembleia Municipal da Lagoa, na ilha de São Miguel, conta oficialmente com uma nova voz no seu elenco após a tomada de posse de Olivéria Santos, pelo Chega, que assumiu o cargo esta quarta-feira, 19 de fevereiro, no Auditório Ferreira da Silva, em Água de Pau.
O ato solene antecedeu o arranque dos trabalhos da primeira sessão ordinária do órgão, num momento que a nova deputada municipal descreve como o início de um “novo ciclo de compromisso, responsabilidade e serviço público em prol da comunidade”. Segundo Olivéria Santos, o mandato que agora inicia será pautado pela “transparência, proximidade e defesa dos interesses da população da Lagoa”, assumindo o compromisso de trabalhar com a firme determinação de ir ao encontro das necessidades de todos os munícipes.
A estreia da deputada no hemiciclo municipal ficou marcada pelo escrutínio direto à gestão do executivo, tendo Olivéria Santos solicitado esclarecimentos ao presidente da Câmara Municipal da Lagoa relativamente a um empréstimo de curto prazo até ao montante máximo de 350 mil euros. Após o debate, este assunto mereceu a abstenção dos dois eleitos do Chega, Olivéria Santos e António Medeiros.
No que toca ao expediente da sessão, os deputados municipais do partido subscreveram diversos votos apresentados, nomeadamente um voto de louvor pelos 25 anos de existência da Santa Casa da Misericórdia de Santo António da Lagoa, dois votos de pesar em memória de Edmund F. Tavares e José Duarte da Ponte Andrade, e ainda um voto de solidariedade para com o município geminado de Albergaria-a-Velha.
Contudo, nem todos os momentos da sessão foram de consenso, tendo o Chega aproveitado a ocasião para lamentar publicamente a falta de condições de trabalho no espaço onde decorreu a reunião. O partido alertou a Mesa da Assembleia para a necessidade de garantir instalações dignas para o desempenho das funções, sob pena de colocar em causa o normal funcionamento das sessões futuras, defendendo que as condições devem ser adequadas para que todos possam “desempenhar com dignidade o seu trabalho”.
A reunião serviu ainda para a análise do Relatório de Avaliação de 2025 do Estatuto do Direito de Oposição e do Relatório Anual de Atividades da Comissão de Proteção de Crianças e Jovens da Lagoa referente ao mesmo ano.

José Pacheco
Presidente e Deputado do CHEGA Açores
Chegou o momento de dizer o que muitos pensam, sentem e comentam em voz baixa: o RSI falhou. Falhou como instrumento social, falhou como política pública e falhou moralmente. E quando algo falha de forma sistemática durante anos, não se corrige com remendos, acaba-se!
O Rendimento Social de Inserção foi criado com uma intenção nobre. Ajudar quem caiu, quem perdeu tudo, quem precisava de uma mão para se reerguer. Mas o que temos hoje não é isso. O que temos hoje é um sistema capturado pelo abuso, alimentado pela falta de fiscalização e mantido por cobardia política.
O RSI transformou-se num modo de vida para milhares de pessoas que podem trabalhar e não trabalham. Não por falta de oportunidades, mas porque o sistema lhes diz, na prática: não vale a pena esforçares-te. Recebes todos os meses, ninguém te fiscaliza, ninguém te exige nada, ninguém te cobra responsabilidade.
Isto não é solidariedade. Isto é incentivo à dependência.
Quem trabalha, quem paga impostos, quem cria riqueza, quem sustenta o Estado, olha para este sistema e sente revolta. E com razão. Porque percebe que o Estado é implacável com quem cumpre e permissivo com quem se aproveita. Porque percebe que há famílias que vivem do RSI há anos, sem qualquer contrapartida séria, enquanto outras vivem no limite com salários baixos e contas para pagar.
A falta de fiscalização não é um detalhe técnico. É a raiz do problema. Assistentes sociais transformadas em meros processadores de papéis, ausência de visitas ao terreno, inexistência de cruzamento eficaz de dados, denúncias ignoradas. O Estado sabe onde está a fraude. Simplesmente escolheu não agir.
E depois há o efeito mais perverso de todos: o RSI destrói o valor do trabalho. Passa a mensagem errada às gerações mais novas. Diz-lhes que estudar, trabalhar, esforçar-se é opcional. Que o Estado estará sempre lá, mesmo que não se faça nada em troca.
Um país que normaliza isto não tem futuro.
Não me venham com o argumento do “caso social extremo”. Esses devem ser protegidos, mas com outros mecanismos, claros, rigorosos, temporários e fiscalizados. Não com um sistema aberto, permanente e facilmente explorável como o RSI.
Sempre o disse e voltarei a dizer:
O RSI não precisa de mais dinheiro.
O RSI não precisa de ajustes.
O RSI precisa de acabar.
Portugal precisa de políticas sociais que empurrem para a autonomia, não que prendam pessoas à dependência do Estado. Precisa de apoiar quem cai, mas também de exigir que quem pode trabalhar o faça. Precisa de justiça social verdadeira, não de discursos bonitos que escondem injustiças gritantes.
Enquanto o RSI existir como existe hoje, continuará a premiar o imobilismo, a castigar quem trabalha e a corroer a confiança no Estado. E nenhum país sobrevive muito tempo quando quem cumpre sente que está a ser enganado.
Dizer que o RSI tem de acabar não é radicalismo.
É bom senso.
É coragem política.
É respeito por quem trabalha.
E é isso que defendo. Sem medo. Sem rodeios.

DL: Porque se candidata nestas autárquicas?
Candidato-me porque quero ser a voz de todos os lagoenses na Câmara Municipal de Lagoa e porque é preciso romper com 36 anos de governação socialista na Lagoa.
Acredito que é possível fazer mais e melhor, apostando em políticas que vão ao encontro das necessidades de todos os lagoenses. O concelho de Lagoa tem um grande potencial e sinto que posso contribuir de forma ativa para o seu desenvolvimento. Tenho a ambição de colocar as pessoas no centro das decisões, promovendo políticas que melhorem a qualidade de vida dos cidadãos, que apoiem a economia local, que valorizem o património cultural e natural, e que reforcem os serviços essenciais.
Quero trabalhar com proximidade, transparência e diálogo, para que a Lagoa seja um concelho de que todos nos orgulhamos, com oportunidades para os mais jovens, segurança e bem-estar para os mais idosos, e equilíbrio entre tradição e inovação. A minha candidatura nasce do compromisso de servir a comunidade, ouvindo os seus anseios e transformando-os em acções concretas.
A Lagoa não pode continuar a viver de remendos sociais, não pode continuar invisível no turismo, não pode continuar sem identidade cultural própria, não pode ser apenas um dormitório ou um sítio de passagem entre Ponta Delgada e Vila Franca do Campo.
O CHEGA defende uma mudança radical de rumo, capaz de colocar o concelho ao mais alto nível. Para isso, conto com uma equipa capaz e com muita vontade em trabalhar para todos os lagoenses.
Esta é uma candidatura de Compromisso. Com o CHEGA estamos comprometidos em trabalhar diariamente, lado a lado com as pessoas, sem esquecer nenhuma freguesia, tudo por um concelho mais justo, mais seguro e com oportunidades para todos.
Quero uma Câmara Municipal que trabalhe com e para as pessoas, que promova a participação cívica, que valorize os recursos locais e que saiba responder com eficácia às necessidades reais da população.
Só o CHEGA tem a coragem de enfrentar os interesses instalados e devolver a Lagoa aos Lagoenses. Acredito que, com determinação e coragem, vamos conseguir devolver a grandeza à Lagoa.
DL: Quais são os seus objetivos para o concelho da Lagoa?
O CHEGA apresenta-se para devolver vida, orgulho e futuro ao concelho de Lagoa.
Vou lutar pela transparência, proximidade e justiça. Já está mais do que na hora de mudar as políticas assistencialistas e olhar para cada um dos habitantes da Lagoa.
Os meus objectivos para o concelho de Lagoa passam por promover um desenvolvimento equilibrado e sustentável e que promovam qualidade de vida e bem-estar a todos os lagoenses e que assentam em pilares fundamentais como a Habitação, Economia, Mais e melhor saúde, Educação, Juventude e Cultura, Turismo, Governar com transparência, Apoio às freguesias e mundo rural, Segurança, Apoio Social, Ambiente e Proximidade e participação cívica, garantindo, assim, respostas adequadas a todas as gerações.
Precisamos revitalizar a Lagoa e fazer crescer a economia local. Para isso, é necessário criar condições para atrair mais investimentos no concelho. A autarquia precisa de reduzir as taxas municipais de modo a captar mais investimento e assim criar mais emprego no concelho.
Num concelho onde a agricultura e as pescas têm um peso considerável, propomos a criação de um mercado municipal concelhio que sirva não só os habitantes do concelho da Lagoa, mas todos os que por aqui passam. Propomos ainda a criação de um programa municipal de escoamento de produtos locais para que agricultores, pescadores, artesãos e actividades independentes possam ter mais rendimentos.
Queremos apoiar o comércio local com campanhas de incentivo à compra no concelho e com feiras periódicas para promover produtos locais e avançar com um Programa de Valorização da Restauração Local, com certificação “Produto da Lagoa”.
Temos também por objectivo a criação de uma Zona Económica Municipal com incentivos para atrair empresas tecnológicas, industriais e de serviços e reforçar os apoios à criação de incubadoras de empresas, estabelecendo parcerias com as escolas profissionais para preparar jovens para o mercado de trabalho.
DL: O que considera urgente resolver na Lagoa?
Neste momento, a grande prioridade assenta em mais habitação no concelho. O concelho da Lagoa precisa de mais habitações, em especial para a classe média e para os casais jovens. Os lagoenses merecem viver com dignidade e terem casas que possam pagar.
Necessitamos de uma autarquia que motive à recuperação de casas em abandono; que apoie a auto-construção; que aumente capacidade de zonas à construção; que facilite o processo administrativo para todas as novas construções com a redução de burocracia e mais celeridade nos processos; que aproveite os terrenos devolutos e o património público abandonado para criar habitação acessível para os jovens e famílias da Lagoa e que pressione o Governo Regional para garantir que o programa de apoio ao arrendamento chegue realmente a quem precisa;
Neste sector é ainda fundamental aproveitar as novas alterações legislativas para facilitar a reconversão de imóveis para fins habitacionais de arrendamento.
Ao nível da habitação social, importa rever os critérios de atribuição e de prioridade na habitação social. Não podemos ter casas da autarquia com rendas em atraso e mal cuidadas. Cada família deve ser responsabilizada e tem a obrigação de zelar pelo património do município.
É preciso fixar jovens no concelho e isso só se consegue se forem dadas condições para que tal aconteça, a começar pela habitação.
Pretendemos implementar um Regulamento Municipal de Apoio à Renda, com subsídios mensais em função dos rendimentos, disponibilização de lotes infraestruturados para jovens casais ou construção cooperativa e avançar com o Programa “Casa Renovada” para apoiar obras de reabilitação em primeira habitação.
Propomos ainda uma taxa agravada para proprietários que mantenham imóveis ao abandono sem justificação.
É preciso garantir habitação digna e acessível para jovens e famílias, com critérios claros, justos e transparentes, priorizando quem vive, trabalha e contribui para o concelho.
DL: Que mensagem quer deixar aos lagoenses nesta campanha?
A minha candidatura nasce da vontade de servir o concelho de Lagoa e de trabalhar todos os dias para construir um concelho mais justo, próximo e dinâmico. Quero estar ao lado de todos os lagoenses, ouvindo as suas preocupações e transformando ideias em soluções concretas que melhorem a vida de todos.
Com transparência, dedicação e compromisso, acredito que todos juntos podemos valorizar o que de melhor temos e criar novas oportunidades para a Lagoa. Conto convosco para, unidos, fazermos de Lagoa um lugar ainda melhor para viver, trabalhar e sonhar.
É com muito orgulho e muito sentido de responsabilidade que me candidato à presidência da Câmara Municipal de Lagoa. Encaro este desafio como uma missão, comprometendo-me a não esquecer ninguém e dar o meu melhor por este concelho, onde nasci, cresci e sempre vivi, estando ao lado de todos os lagoenses e sabendo ouvir os seus anseios e as suas preocupações.
Sei que os desafios são mais que muitos, mas acredito profundamente que é possível mudar o rumo que este concelho leva há 50 anos.
36 anos de governação socialista na Lagoa é muito tempo. Temos que romper com este passado e devolver a liberdade ao concelho.
Só estando próxima da nossa comunidade, ouvindo as preocupações dos cidadãos, participando activamente na vida local e construindo soluções em conjunto é que poderemos ter um projecto credível, algo que tem falhado nos últimos Executivos socialistas, mas que me comprometo a mudar.
Quero uma Câmara Municipal que trabalhe com e para as pessoas, que promova a participação cívica, que valorize os recursos locais e que saiba responder com eficácia às necessidades reais da população.
Assumo o compromisso de liderar com ética, escutando todas as vozes e promovendo políticas inclusivas que beneficiem não apenas o presente, mas também as próximas gerações.
Estou convicta de que podemos fazer mais e melhor pelo concelho de Lagoa. Conto convosco para mudarmos o rumo da Lagoa, assim como podem contar comigo e com a minha equipa para sermos a vossa voz no Município.

Olivéria Santos
Candidata pelo CHEGA a Presidente da Câmara Municipal de Lagoa
Autárquicas 2025
Aceitei a candidatura à presidência da Câmara Municipal de Lagoa com muito orgulho e muito sentido de responsabilidade, pois entendo que se trata de um projecto sério que não pode ser levado a cabo de forma leviana.
Esta é uma candidatura, acima de tudo, de compromisso, com o objectivo de devolver a Lagoa aos Lagoenses e de romper com as políticas socialistas do passado, acabando com os amiguismos, os compadrios, os favores e as cunhas e mostrando transparência em toda a acção camarária.
Assumo esta candidatura comprometendo-me a dar o meu melhor, estando ao lado de todos os lagoenses e sabendo ouvir os seus anseios e as suas preocupações.
Sei que os desafios são mais que muitos, mas acredito profundamente que é possível mudar o rumo que este concelho leva há 50 anos.
A Lagoa tem um grande potencial que necessita ser elevado, de modo que este concelho volte a ter vida e seja um chamariz a todos os níveis.
Só estando próxima da nossa comunidade, ouvindo as preocupações dos cidadãos, participando activamente na vida local e construindo soluções em conjunto é que poderemos ter um projecto credível, algo que tem falhado nos últimos Executivos socialistas, mas que me comprometo a mudar!
Estou convicta de que podemos fazer mais e melhor!
Vou lutar pela transparência, proximidade e justiça. Já está mais do que na hora de mudar estas políticas assistencialistas e olhar para cada um dos habitantes da Lagoa.
Quero uma Câmara Municipal que trabalhe com e para as pessoas, que promova a participação cívica, que valorize os recursos locais e que saiba responder com eficácia às necessidades reais da população.
Assumo o compromisso de liderar com ética, escutando todas as vozes e promovendo políticas inclusivas que beneficiem não apenas o presente, mas também as próximas gerações.
O CHEGA vai ser a voz de todos os lagoenses e habitantes do concelho.
A Lagoa não pode continuar a viver de remendos sociais, não pode continuar invisível no turismo, não pode continuar sem identidade cultural própria, não pode ser apenas um dormitório.
Com o CHEGA estamos comprometidos em trabalhar diariamente, lado a lado com as pessoas, sem esquecer nenhuma freguesia, tudo por um concelho mais justo, mais seguro e com oportunidades para todos.
Só o CHEGA tem a coragem de enfrentar os interesses instalados e devolver a Lagoa aos Lagoenses.
Quero fazer da Lagoa um concelho de orgulho, segurança e oportunidades e para isso apresento-me com um programa sério que tem como principal prioridade resolver o problema da falta de habitação no concelho. A Lagoa precisa de mais habitações, em especial para a classe média e para os casais jovens. Os lagoenses merecem viver com dignidade e terem casas que possam pagar.
Precisamos ainda de mais e melhor saúde, levando a cabo políticas camarárias que beneficiem os nossos doentes, os nossos idosos e as nossas crianças.
Não podemos esquecer a educação, a juventude e a cultura. A Lagoa precisa ser um concelho onde os jovens tenham vontade de ficar. Precisamos de políticas de educação, juventude e cultura que incentivem a fixação de jovens no concelho e os tornem mais activos nas suas freguesias.
No turismo, é preciso colocar a Lagoa no mapa e aproveitar todo o potencial do concelho, não podendo a Lagoa ficar reduzida a uma “passagem” entre Ponta Delgada e Vila Franca do Campo.
Temos uma equipa com vontade de trabalhar pelo concelho e por todos os munícipes, apresentando-se a estas eleições autárquicas com coragem e com verdade e com o objectivo de devolver vida, orgulho e um melhor futuro ao concelho de Lagoa.
Está na hora de mais acção, de transparência e de resultados concretos.
O CHEGA quer um concelho de Lagoa mais vivo, seguro, com oportunidades para os jovens, dignidade para os idosos e prosperidade para todos. O nosso projecto coloca o cidadão no centro, defende as nossas tradições e garante que cada euro dos nossos impostos é investido onde realmente faz falta.
A hora é esta. Se queremos um novo rumo, é tempo de mudar. É tempo de dizer CHEGA!
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O Diário da Lagoa convidou os candidatos à presidência da Câmara Municipal de Lagoa a expressarem as suas ideias aos leitores. Olivéria Santos é a candidata pelo CHEGA.

O Diário da Lagoa questionou o Chega Açores quanto à realização de apresentação pública da lista candidata à Câmara Municipal de Lagoa para as eleições de 12 de outubro. O partido esclareceu que opta por não realizar apresentações públicas em nenhum concelho, pois “dispensa o aparato” em detrimento da proximidade com a população.
Numa nota de imprensa enviada às redações, o Chega Açores afirma também que o concelho da Lagoa “tem sido palco de problemas crescentes de insegurança, que afetam não só os residentes, mas também os visitantes. O aumento de assaltos, atos de vandalismo e o consumo de droga em espaços públicos são cada vez mais comentados pela população, mas continuam a ser ignorados e sem uma solução à vista”.
A candidata do Chega à Câmara Municipal da Lagoa, Olivéria Santos, entende que “não podemos continuar a fechar os olhos a este flagelo, sem nada fazer ou fazendo de conta que nada se passa”.
A candidata defende que a Lagoa precisa de mais meios policiais e de efetivos com condições adequadas para dar resposta às necessidades do concelho. “Não podemos continuar com cidadãos com medo e empresários desprotegidos”, afirma a candidata.
“A Lagoa necessita de mais policiamento de proximidade, de um reforço de efetivos e de políticas que combatam, de forma séria, o tráfico e o consumo de droga nas zonas mais vulneráveis. É necessária uma maior presença nas ruas e uma tolerância zero com a criminalidade”, reitera Olivéria Santos.
A candidata afirma ainda que “investir na segurança, na ordem e na qualidade de vida de todos os lagoenses será essencial para garantir que os cidadãos vivem mais seguros, protegidos e com qualidade de vida”.
“A segurança é um direito fundamental de qualquer cidadão e não pode ser relativizada”, conclui Olivéria Santos.

André Silveira
Nos Açores, o cenário político que se aproxima não deixa antever grandes mudanças no panorama autárquico ao nível das presidências. A sucessão de eleições autárquicas tende, regra geral, a confirmar dinâmicas já instaladas, sobretudo nos maiores concelhos, onde a solidez das redes locais de influência, o peso da história política recente e a própria inércia do eleitorado são fatores que dificilmente se alteram de um ciclo para o outro. Vila Franca do Campo poderá constituir-se como exceção, um caso particular em que a contestação à gestão em curso e as especificidades locais permitem entrever resultados distintos. Porém, será sobretudo a entrada do Chega na arena política regional que poderá introduzir a verdadeira variável de incerteza, com consequências ainda difíceis de antecipar.
Não existe paralelo nos Açores para o fenómeno que o Chega representa. O partido já demonstrou, a nível nacional, uma resiliência invulgar perante a crítica constante, a instabilidade interna e até a fragilidade programática. A sua força reside menos na apresentação de soluções concretas e mais na capacidade de capitalizar a frustração de um eleitorado cansado da repetição. Esse eleitorado, em grande medida, já não se revê nas opções tradicionais, nem confia nos discursos pseudo moderados ou de prudência institucional. Atraído por uma retórica simplista, mas emocionalmente eficaz, encontra no Chega uma forma de protesto que é simultaneamente grito e catarse. Não surpreende, portanto, que muitos afirmem votar no partido sem sequer conhecer o candidato em causa, o que demonstra bem a natureza do fenómeno. Nas autárquicas, contudo, este será o verdadeiro teste, uma vez que se trata de um ato eleitoral tradicionalmente marcado pelo personalismo, pelas redes de proximidade e pelo reconhecimento do trabalho concreto em cada freguesia ou concelho.
Ainda assim, é expectável que o Chega conquiste freguesias e venha a eleger vereadores mesmo em concelhos de maior dimensão. Não apenas nos Açores, mas também em Portugal continental, onde já se especula sobre a possibilidade de ganhar presidências de câmara. Tal eventualidade representaria um marco, confirmando a tese de que o partido deixou de ser um mero veículo de protesto para se tornar um ator efetivo do poder local. Nesse caso, assistiríamos à consolidação de um novo ciclo político, que poderá ser descrito como uma espécie de neo-PREC moderado: Não no sentido de ruptura revolucionária, mas como resultado da erosão dos partidos tradicionais e da emergência de alternativas que oferecem pouco mais do que indignação, simplificação e promessas de resolução imediata. O populismo, afinal, define-se justamente pela capacidade de se apresentar como resposta fácil a problemas complexos, e é nesse terreno fértil que o Chega tem semeado.
Outro aspeto relevante, que tenderá a acentuar-se nestas eleições, é a dissociação entre escolhas eleitorais para diferentes órgãos. Já não é incomum que um eleitor opte por um partido para a câmara municipal e por outro para a junta de freguesia, ou até para a assembleia municipal. Este voto segmentado traduz uma mudança de mentalidade, mas também uma maior sofisticação por parte do eleitor, que começa a perceber que o poder local não é monolítico e que se pode fragmentar a representação de acordo com as necessidades ou preferências específicas. Nos Açores, onde algumas candidaturas não apresentam listas para todas as juntas, esta realidade tornar-se-á ainda mais visível. Haverá freguesias em que para a presidência da câmara vencerá uma cor política, mas a junta de freguesia será conquistada por outra, criando equilíbrios novos e, por vezes, tensos.
Apesar de não se perspectivar grandes mudanças ao nível das presidências, o resultado final poderá ser um cenário muito diferente do que hoje existe, podendo mesmo surgir surpresas inesperadas. Na minha opinião, os partidos ditos tradicionais tendem a desvalorizar o potencial eleitorado do Chega, e têm-no feito sucessivamente, mas a verdade é que esse eleitorado nunca se perdeu e mantém-se resiliente. Assim, se no essencial o quadro político regional aparenta estabilidade, a verdade é que a presença do Chega e a tendência para o voto cruzado introduzem fatores de descontinuidade que não podem ser ignorados. O verdadeiro desafio para os partidos tradicionais não será apenas impedir que o Chega cresça, mas sobretudo reconquistar a confiança de um eleitorado que, em grande medida, já deixou de acreditar que os mesmos rostos possam oferecer soluções diferentes.