Log in

Valdemar Creador – Dos Açores para o Mundo Artístico

Aos 22 anos, muda-se para Lisboa para seguir a sua verdadeira paixão e é na capital que se evidencia cada vez mais o seu deslumbramento pelo mundo do entretenimento. O Diário da Lagoa esteve à conversa com o artista para saber mais

© DIREITOS RESERVADOS

Ser artista, sobretudo nos Açores, não é tarefa fácil, quando a liberdade de expressão vai além dos protótipos na bolha do que é ou não aceitável. 
Ser reconhecido pela arte, pela criação, pela capacidade de conciliar personagens, dando ênfase a cada uma, não se trata apenas de arte – é amor no ato de criar e de ser.
Valdemar Henrique Couto Creador nasceu a 30 de Maio de 1992 na ilha de São Miguel, nos Açores. Cresceu e viveu sempre em São Miguel, onde se formou na Universidade dos Açores, nomeadamente no pólo de Ponta Delgada, concluindo a licenciatura em Relações Públicas e Comunicação e, mais tarde, a pós-graduação na área de Tradução.
Aos 22 anos, muda-se para Lisboa para seguir a sua verdadeira paixão: Moda e Entretenimento. Forma-se em Produção de Moda, e é na capital portuguesa que se evidencia cada vez mais o seu deslumbramento pelo mundo do entretenimento. Explorando o mundo do Styling de Moda, Maquilhagem e Representação, acaba por descobrir uma vocação onde consegue aplicar todos esses talentos: o DRAG.
Nasce, pouco depois, a personagem Valley Dation. Valdemar concorre em concursos como o Miss Drag Lisboa 2018, e é através de Valley Dation que explora a vida noturna Lisboeta, frequentando e atuando em eventos, clubes e discotecas como: Finalmente, Lisboa Comedy Club, Mini TREMOR, Drama Bar, Maxime Club, Trumps Club, Posh, Estúdio 13, Teatros Ribeiragrandense e Micaelense, Arquipélago, entre outros. Com Valley (e a criação de outras personagens) Valdemar cria também conteúdo humorístico e satírico no seu canal de Youtube e nas redes sociais.
O Diário da Lagoa esteve à conversa com o artista para saber mais.
Embora não se sinta, por completo, reconhecido, a entrevista surge de quem o vê e concebe como artista. De quem o acompanha e lança gargalhadas pelo seu conteúdo. 

DL: Como foi a sua infância e adolescência?
Diria que tive uma infância e adolescência um tanto normais, mas com algumas atribulações. Por ser uma criança “diferente” e mais sensível, precisava talvez de mais proteção, por ser vítima de bullying constante devido a essa minha diferença. Queria, sempre quis, brincar com Barbies, por exemplo, e isso sempre foi reprimido pela sociedade à minha volta. Explicavam-me que não o podia fazer, e eu tinha muita dificuldade em compreender essas normas e regras sociais, porque não me faziam sentido. Pedia que me explicassem porquê, e nunca entendia as justificações que me eram dadas. Este exemplo, o do menino que brincava às Barbies e isso ser visto com maus olhos, fazia-me sentir marginalizado, julgado e como “um menino que não é como os outros”. Criou-me uma necessidade extrema de validação e aprovação, e de me provar constantemente como pessoa digna e merecedora.

DL: Qual foi o seu primeiro trabalho?
O meu primeiro trabalho foi ainda na ilha de São Miguel, quando decidi juntar dinheiro para mudar-me para Lisboa. Enquanto estudava e fazia uma pós-graduação (numa área de que particularmente nem gostava), inscrevi-me num estágio para trabalhar no aeroporto de Ponta Delgada como Oficial de Tráfego Aéreo. Aí, trabalhei durante nove meses, mudando-me para Lisboa pouco depois.  

DL: Como surgiu o gosto pela maquilhagem?
Quando me mudei para Lisboa, tirei um curso de Produção de Moda. Esse curso focava-se, sobretudo, em Styling [Guarda-Roupa], mas também tínhamos cadeiras de Maquilhagem, Cabelos, e Produção. Nas aulas de Maquilhagem, rapidamente apercebi-me de que talvez estaria aí a minha verdadeira paixão, mas confesso que ignorei isso e “meti de lado”, porque já tinha decidido que iria trabalhar como Stylist, uma vez que o foco do curso era nessa área. Trabalhei, durante cerca de 2 anos e em regime freelancer, como Stylist e Assistente de Guarda-Roupa. Quanto mais trabalhava em Guarda-Roupa, mais me apercebia de que não era a minha paixão, e arrependia-me de ter “escolhido mal” o curso, mas a verdade é que eu ainda não me conhecia a nível criativo quando tomei essa decisão, e na altura era o curso mais abrangente. Aos poucos, fui explorando o mundo da Maquilhagem ao ser assistente de um amigo Maquilhador, e finalmente investi mais na área.  

© DIREITOS RESERVADOS

DL: Em que momento surge o Stand-Up Comedy?
Sempre tive a fama de ser “o engraçado” dos grupos de amigos onde estava, e sempre adorei representar e criar personagens cómicas nas redes sociais, mas achava que não seria tão engraçado ao ponto de fazer disso uma carreira. 
Contudo, uns anos depois de viver em Lisboa e de já ter explorado outras áreas artísticas, um dia pensei “porque não? eu também nunca tinha pensado que podia ser maquilhador, ou Drag Queen”, e arrisquei! Inscrevi-me numa noite de comédia no Lisboa Comedy Club, fiz cinco minutos de texto e correu logo bem. Recebi feedback positivo sobre o potencial que tinha, e fui pedindo para atuar lá mais vezes e fui corrigindo os textos/piadas à medida que conhecia e explorava o meu estilo de comédia.  

DL: Em que locais costuma atuar?
Sou freelancer nas áreas em que trabalho, o que significa que não estou “fixo” em nenhum local, mas algumas das casas que me acolheram mais vezes ao longo dos anos são: Lisboa Comedy Club e Trumps Club Lisboa.

DL: Aos seus olhos, qual foi a sua melhor atuação?
A atuação que já me fez sentir mais realizado foi a de quando trouxe o meu espetáculo “Valley of the Dolls” ao Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas, porque tive o privilégio de poder trazer comigo duas colegas Drag Queens de excelência, mostrar-lhes a minha ilha, e depois mostrar ao público açoriano um pouco do melhor Drag do país, através delas. Além disso, o Arquipélago situa-se na Ribeira Grande, de onde sou natural e onde ainda vivo sempre que passo temporadas na ilha, e foi muito gratificante poder partilhar a minha arte sentindo-me “em casa”, e vendo muitas caras conhecidas e familiares no público. 
Deixou-me muito feliz.

DL: Em que momento surge a “Valley Dation” – Drag Queen?  
Originalmente, o termo DRAG significou Dressed Resembling A Girl, uma vez que nasceu através de apenas homens poderem fazer Teatro, e estes mesmos terem de fazer papéis femininos nas peças de Teatro. Hoje em dia, DRAG é um termo bastante mais abrangente, e envolve a criação de uma personagem. Qualquer pessoa pode ser e fazer Drag. Costuma ser uma personagem que foca-se no exagero e exaltação da expressão de género – seja essa expressão masculina, feminina, ou até não-binária. Quando comecei a sair à noite em Lisboa, tive o meu primeiro contacto e exposição a Drag Queens, e fiquei logo fascinado! 
Lembro-me de pensar “um dia vou experimentar, de qualquer modo eu sempre fiz personagens…”, e foi assim: um dia, experimentei. Pensei que nunca mais voltaria a fazer Drag, mas instalou-se logo o “bichinho”, porque fiquei motivado a melhorar, por exemplo, a maquilhagem. Com a prática, fui melhorando, e apercebi-me de que Ela não iria a lado nenhum, então tratei de arranjar-lhe um nome que me fizesse sentido. Valley Dation (Validação) = um tributo ao meu lado Feminino, que sempre haveria sido motivo de chacota, e que me tinham ensinado a odiar. Hoje, através da Valley, eu glorifico-o.  

© DIREITOS RESERVADOS

DL: Sente ou já sentiu algum preconceito enquanto incorpora a “Valley Dation”?
Sim. Infelizmente, sim. Mas creio que esse medo vem da confusão. As pessoas não estão educadas sobre a Comunidade LGBTQI+, e não entendem sequer a diferença entre uma mulher transgénero e uma Drag Queen. Eu tento combater essa ignorância através da comédia, para mim é o caminho mais fácil de chegar ao público, de o educar. Quando entro em palco, na ilha, as pessoas reagem logo com algum pudor, até que abro a boca e lhes faço rir. É aí que percebem que eu sou só mais uma pessoa, uma pessoa que está a usar uma personagem para os entreter, e é tão simples e tão bonito quanto isto.  

DL: Como é todo o processo de construção/preparação da “Valley Dation”?
A preparação física para a transformação enquanto Valley Dation começa por um processo de 2 horas de maquilhagem, com uma hora para cabelos, roupa 
e acessórios. Ou seja, demoro cerca de três horas a preparar-me. 
Nos dias anteriores a qualquer espetáculo, tenho de escrever e estudar texto, arranjar guarda-roupa, fazer penteados às perucas, e tratar de todos esses pormenores. É um processo que envolve muito esforço e trabalho, apesar de no dia do show talvez possa não parecer.

DL: Prefere atuar nos Açores ou em território continental?
Eu adoro atuar em ambos os sítios, mas confesso que prefiro e é muito mais gratificante para mim atuar nos Açores. Apesar do público açoriano ser mais difícil e conservador, sinto-me mais realizado quando finalmente os conquisto com uma gargalhada, ou uma atuação que os inspire. Sinto que ajudei a mudar mentalidades após cada atuação nos Açores. Já recebi mensagens, por exemplo, de um rapaz que não era aceite pela Mãe por causa da sua orientação sexual, mas que a convenceu a ir com ele a um espetáculo meu de comédia, e que fez com que a senhora nos visse, enquanto comunidade, com outro olhar.  

DL: Sente-se reconhecido?
Vou ter de ser sincero: não sinto. E infelizmente, sobretudo, nos Açores.  É mais fácil para mim conseguir espetáculos e provar-me enquanto artista em Lisboa – onde logicamente é muito mais competitivo –, do que nos Açores. 
É muito difícil e uma batalha constante. 

DL: Onde se vê no futuro?
Sempre fui de fazer planos, e de prever o que faria e o que me aconteceria, até quando me mudei para Lisboa fiz isso. Tinha prazos e metas para conseguir as coisas. E quase nada do que tinha previsto aconteceu. Desde então, tenho tentado não me colocar muita pressão, e ser mais gentil comigo nesse sentido. Idealizo e ambiciono, no futuro, abrir um espaço meu onde possa exercer todas as áreas que me inspiram, e em que trabalho: Drag, Maquilhagem, Comédia. Mas para já, continuo na luta por mais oportunidades para crescer e melhorar-me enquanto pessoa e artista.

Atores do Porto Formoso sobem ao palco no Teatro Ribeiragrandense

© CM RIBEIRA GRANDE

O grupo de Teatro do Grupo Folclórico de Nossa Senhora da Graça, do Porto Formoso, na Ribeira Grande, vai subir ao palco no Teatro Ribeiragrandense, no próximo dia 22 de fevereiro, pelas 20h30, com a peça “Comédia em Cena”.

Segundo nota de imprensa enviada pela autarquia da Ribeira Grande às redações, o grupo de atores do Porto Formoso tem realizado diversas noites de teatro nos últimos anos, sobretudo na sua freguesia, encontrando-se já a caminho da 16ª edição destas iniciativas.

Um dos seus momentos altos ocorreu na terceira semana de dezembro passado, nos dias 21 e 22, com a realização de várias peças de animação, as quais, nas últimas edições , têm registado “casa cheia, não só pela adesão de pessoas do Porto Formoso, como também da restante ilha”.

“Comédia em Cena” traz ao Teatro Ribeiragrandense, no próximo dia 22 de fevereiro, humor e animação, com os sketches “Morto Vivo”, “Urinol”, “A Praia” e “Tropa”, através dos quais o Grupo de Teatro do Grupo Folclórico de Nossa Senhora da Graça.

Os bilhetes encontram-se à venda na BOL Bilheteira online e na bilheteira do Teatro Ribeiragrandense.

Primeiro filme de Luís Filipe Borges recebe antestreia na ilha do Pico

© DIREITOS RESERVADOS
A ideia vencedora do “Prémio Curta Pico” chega ao grande ecrã no Montanha Pico Festival. O filme “First Date”, de Luís Filipe Borges, produzido pela Advogado do Diabo em parceria com a MiratecArts, foi apoiado pelos três municípios da ilha e apresenta cenas filmadas nas Lajes do Pico, São Roque do Pico e Madalena. 
 
“É um orgulho – e um nervosismo – enorme poder levar esta espécie de presente atrasado de Natal às audiências da Ilha Montanha,” expressa o realizador Luís Filipe Borges. “É como um test-screening real, com a equipa presente, uma maneira de ver como as pessoas reagem a esta declaração de amor ao Pico, antes de concluirmos a edição final da curta-metragem.”  
 
Ao realizador, juntam-se os atores Ana Lopes e Cristóvão Campos, protagonistas de “First Date”, assim como a equipa de produção. “Mal podemos esperar e contamos com os extraordinários parceiros dos 3 municípios – e almas do sector privado – que foram absolutamente essenciais para levar esta aventura a bom porto,” admite Luís Filipe Borges. 
 
O cartaz, com imagem do diretor de fotografia do filme, Diogo Rola, e design de Vera Silveira, foi lançado este fim de semana. O trailer será publicado antes do final do ano. A antestreia acontece no dia 4 de janeiro. E depois a versão final do filme será promovida para festivais no país e estrangeiro.

De que trata esta comédia romântica? Santiago e Melissa namoriscam numa rede social. Ela adora Romana Petri, autora de livros passados na ilha do Pico. Ele quer desesperadamente conhecê-la. “E se o nosso encontro fosse lá? É a minha terra!” A jovem americana aceita o desafio. Agora, o lisboeta, que se fez passar por açoriano, tem um belo dilema para resolver…
 
O primeiro filme escrito e realizado por Luís Filipe Borges, rodado totalmente na Ilha Montanha, vai ser exibido no sábado, 4 de janeiro, no Encontro Audiovisual Açoriano, a acontecer durante o Montanha Pico Festival. A sessão gala, que inclui os PAA! Awards – Prémios Audiovisuais Açorianos, inicia com momento de passadeira vermelha, a partir das 16h, na Biblioteca Auditório da Madalena, aberto ao público em geral e com entrada livre.