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Setor da beleza e estética em destaque no Cineteatro Lagoense

Evento promovido pela associação regional reuniu profissionais na Lagoa para um dia de formação técnica e reconhecimento institucional. Frederico Sousa diz que setor tem impacto na economia local e na criação de emprego

© CM LAGOA

O Cineteatro Lagoense Francisco D’Amaral Almeida acolheu, este domingo, 29 de março, um encontro, organizado pela Associação de Cabeleireiros, Barbeiros e Esteticistas dos Açores, que serviu de palco para a partilha de conhecimentos e demonstrações práticas.

A abertura do evento ficou marcada pela entrega de prémios de reconhecimento institucional, distinguindo o presidente da Câmara da Lagoa, Frederico Sousa, e a presidente da Junta de Freguesia de Nossa Senhora do Rosário, Lucrécia Rego. O galardão visou enaltecer o apoio público ao desenvolvimento deste setor na região. No campo empresarial, foram também distinguidas as firmas Oliveira Pneus, Amaral & Carocha – Cosméticos, Lda e Zodíaco Ecológico – Unipessoal Lda.

Durante a sua intervenção, o autarca Frederico Sousa destacou a relevância estratégica destas iniciativas. “Eventos como este são fundamentais para valorizar os profissionais, promover a qualificação contínua e reforçar a competitividade de um setor que tem um impacto direto na economia local e na criação de emprego”, afirmou o presidente da câmara, reiterando o compromisso do município em apoiar a inovação através de ferramentas como o “Lagoa Investe”, regulamento destinado ao estímulo do tecido económico e dos pequenos negócios do concelho.

A componente formativa esteve a cargo da formadora Hanna Vasko. Ao longo do dia, a especialista conduziu sessões práticas focadas na gestão de tempo e na qualificação do atendimento, partilhando estratégias para a otimização do trabalho diário em gabinete. O programa sublinhou a importância da diferenciação do serviço e o papel essencial que estes profissionais desempenham na promoção da qualidade de vida da comunidade lagoense.

O achatamento salarial dá mais liberdade ao trabalhador? Teoria bonita, realidade dura

Carlos Caetano Martins
Dirigente Iniciativa Liberal Açores

Fala-se frequentemente de pleno emprego, de salários mais “justos” e de menor desigualdade salarial como conquistas sociais inquestionáveis. Em teoria, aproximar o salário mínimo do salário médio ou mediano — o chamado achatamento salarial — deveria aumentar a liberdade dos trabalhadores: se as diferenças entre empregos de maior ou menor exigência forem pequenas, torna-se mais fácil sair de um trabalho stressante ou fisicamente pesado para outro de menor esforço, sem uma grande perda de rendimento. A promessa, dizem eles, é simples: mais escolha para mudar, mais bem-estar social e maior satisfação no trabalho.

O problema é quando saímos do reino da teoria e olhamos melhor para a realidade portuguesa. Entre 2015 e 2025, o salário mínimo (SMN) cresceu mais de 72%, enquanto o salário médio líquido (SML) aumentou cerca de 40%, de acordo com dados públicos do INE. Este desfasamento tem impacto significativo nas estruturas salariais. Hoje em dia, assistimos, em muitas empresas portuguesas, a situações em que trabalhadores assumem mais responsabilidade por um acréscimo salarial de 40 a 50 euros mensais. É aqui que a teoria do achatamento começa a desfazer-se. Não se põe em causa a redução da desigualdade em si, mas sim o momento em que a estrutura salarial deixa de refletir níveis reais de responsabilidade, exigência e valor acrescentado.

É neste contexto que se verifica que a compressão salarial reduz o incentivo financeiro à mobilidade. De acordo com Sónia Félix, economista do Banco de Portugal, mudar de emprego está normalmente associado a um ganho salarial de cerca de 10%. Este “prémio de mobilidade” é um dos principais dinamizadores do mercado de trabalho, porque as pessoas mudam na expectativa de melhorar a sua situação financeira. Quando o SMN se aproxima demasiado do SML, as diferenças salariais entre empregos encolhem e o potencial incentivo para mudar rotinas e começar de novo torna-se cada vez menor. O novo trabalho pode até ser mais interessante ou menos desgastante, mas o ganho simplesmente não vale o risco. Ou seja, o que deveria facilitar a saída de maus empregos acaba por prender as pessoas naquele mesmo local.

E este achatamento salarial enfraquece o incentivo à progressão na carreira. Quando um emprego mais exigente paga apenas um pouco mais do que um emprego simples, a mensagem que passa é que o esforço extra não compensa! E no final ficam todos descontentes, quem já está num trabalho duro sente que o sacrifício não é reconhecido, enquanto quem está num posto mais leve não se sente motivado a aceitar mais responsabilidade por um aumento marginal. Isto é perverso e corrói a lógica de progressão profissional e alimenta a estagnação.

Há ainda mais um impacto negativo na alocação da mão de obra. Num mercado que se quer saudável tem de haver um bom “encaixe” entre as capacidades das pessoas e os empregos. Com diferenças salariais tão reduzidas e os elevados riscos associados à mudança, muitos trabalhadores preferem ficar em postos que não correspondem às suas capacidades ou preferências. Ou seja, o mercado fica menos eficiente, com pessoas menos realizadas e empresas a desperdiçar talento. E assim assistimos passivamente a técnicos altamente qualificados a permanecer em funções administrativas – porque a diferença salarial não compensa o risco.

O achatamento salarial é um trade-off clássico. Protege rendimentos mais baixos e reduz desigualdades, o que é socialmente louvável. No entanto, vem com claro contraponto, limitando a mobilidade, a progressão e a escolha real. A teoria sugere mais liberdade, mas a prática mostra menos movimento, menos incentivo e mais sensação de bloqueio. Não há necessidade de negar a importância de salários mais justos. Mas não podemos consegui-los matando a dinâmica que permite às pessoas mudarem verdadeiramente de vida através do trabalho.

Governo dos Açores e Turismo de Portugal promovem formação de migrantes

© GRA/NICK KARVOUNIS

O Governo dos Açores, através da Secretaria Regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas e da Secretaria Regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades, vai promover com o Turismo de Portugal a formação de migrantes nas áreas de Cozinha Pastelaria e Restaurante Bar, de acordo com comunicado do Governo regional. O objetivo é colmatar a falta de mão de obra no setor do turismo.

O processo foi conduzido em articulação com a AVEA – Associação para a Valorização Económica dos Açores e vai abranger, numa primeira fase, 15 formandos.

Trata-se de um investimento suportado pelo Turismo de Portugal no valor de 70.700 euros, que surge no âmbito do Programa de Formação e Integração de Migrantes para o Setor do Turismo, explica a mesma nota.

Esta iniciativa decorre de uma parceria entre o Turismo de Portugal, através da Rede de Escolas de Hotelaria e Turismo, a Agência de Integração de Migrações e Asilo (AIMA) e a Confederação do Turismo de Portugal (CTP) e visa o desenvolvimento de programas de formação/emprego, para acolhimento, qualificação e integração profissional de migrantes e beneficiários de proteção internacional em Portugal. O programa prevê, para além da formação dos migrantes, também uma ação dirigida aos profissionais das empresas para maximizar o sucesso da integração, lê-se.

A formação será assegurada pelas 12 Escolas do Turismo de Portugal e no caso concreto dos Açores a formação será na Escola de Formação Turística e Hoteleira.

Através desta parceria entre o Turismo de Portugal, a Agência de Integração de Migrações e Asilo (AIMA) e a Confederação do Turismo de Portugal (CTP) “pretende-se o desenvolvimento de programas de formação/emprego, para acolhimento, qualificação e integração profissional de migrantes e beneficiários de proteção internacional em Portugal”, segundo o comunicado.

A formação em questão tem a duração de três meses, ao que se segue o estágio numa empresa durante um mês, num total de 160 horas.

A nível nacional participam na mesma formação mil migrantes, sendo que todos os interessados devem ter a sua situação regularizada e apresentar autorização de residência, documento de identificação, NIF, NISS e IBAN em nome próprio.

Chega quer saber se beneficiários do RSI estão inscritos nos centros de emprego

© D.R.

Num requerimento enviado à Assembleia Legislativa Regional, os parlamentares do Chega/Açores questionam o Governo regional do número de beneficiários do Rendimento Social de Inserção (RSI) na Região e quantos destes estão inscritos nos Centros de Emprego, por ilha, por concelho e por idade, segundo nota de imprensa enviada pelo partido.

O Grupo Parlamentar do Chega quer também dados sobre beneficiários do RSI que se tenham recusado a aceitar ofertas de trabalho e se, nesses casos, houve suspensão ou fim da prestação.

“No caso de suspensão da prestação social, quantos destes casos foram reativados para voltarem a receber RSI? Quanto tempo depois?”, questionando ainda que tipo de acompanhamento é feito pela Segurança Social aos beneficiários do RSI que deixam de receber a prestação por terem recusado ofertas de trabalho, lê-se, na mesma nota.

No documento pode ler-se que o RSI é um apoio, constituído por uma prestação em dinheiro e um programa de inserção – “que integra um contrato visando uma progressiva inserção social, laboral e comunitária dos beneficiários”.

Na prática, referem os parlamentares, este apoio social pretende apoiar pessoas e famílias para uma “melhor integração social e profissional”, que se encontrem em situação de pobreza extrema. Os parlamentares indicam que o apoio é suspenso quando, entre outras situações, “o beneficiário incumpre injustificavelmente com o contrato de inserção, por recusa de emprego conveniente, de trabalho socialmente necessário, de atividade socialmente útil ou de formação profissional”.

O Chega/Açores afirma receber denúncias que dão conta de beneficiários do RSI que não estão a aceitar as ofertas de trabalho que lhes são propostas para que vençam o ciclo de pobreza. Neste seguimento, os parlamentares questionam o Governo regional sobre estas recusas e quais as sanções previstas, de acordo com o mesmo comunicado.

Açores registam 4.409 desempregados em junho

© D.R.

Os Açores registaram 4.409 desempregados inscritos no Centro de Qualificação e Emprego da região, no final do mês de junho, anunciou esta quinta-feira, 26 de junho, o Governo regional dos Açores, através através da Secretaria Regional da Juventude, Habitação e Emprego.

Segundo a nota de imprensa enviada às redações, verifica-se uma descida de 0,72 por cento em relação ao mês anterior e de 10,88 por cento em relação ao mês homólogo.

No mês de junho, foram satisfeitas mais 109 ofertas, que se refletiram na colocação de 120 açorianos no mercado de trabalho.   

Dos desempregados que se encontravam à procura de novo emprego, 74,09 por cento enquadravam-se no setor de serviços e correspondiam a 89,45 por cento da totalidade dos desempregados inscritos.

Relativamente à distribuição por ilha, São Miguel registava 70,83% dos desempregados na região, a ilha Terceira, 13,74%, Pico, 4,29 por cento, Faial, 3,72%, São Jorge, 2,18%, Graciosa, 2,04%, Flores, 1,50%, Santa Maria, 1,68 % e Corvo 0,02%.

Quanto aos concelhos da região, Ponta Delgada, Ribeira Grande e Angra do Heroísmo representavam 58,70 por cento da totalidade dos desempregados registados nos Açores.

No que concerne aos programas de inserção socioprofissional existiam, em junho de 2024, 1.697 ocupados na região, sendo 915 homens e 782 mulheres.  

Relativamente às medidas de promoção de emprego jovem, foram observados 1.595 jovens a desenvolver projetos em contexto real de trabalho, com destaque para o Estagiar L e T, e 167 açorianos em formação.