
A ilha de São Miguel registou um decréscimo de 36% na quantidade de resíduos sólidos urbanos (RSU) depositados em aterro sanitário durante o ano de 2025, em comparação com o ano anterior. Segundo dados enviados pela MUSAMI, foram depositadas 38,5 mil toneladas, um valor que reflete uma mudança estrutural na gestão de resíduos na ilha.
Este resultado deve-se a um conjunto de fatores destacados pela empresa, salientando-se a redução da produção total de resíduos, o aumento da valorização material e o encaminhamento de resíduos não valorizáveis para a nova Central de Valorização Energética (CVE). Os dados revelam que a entrada de resíduos indiferenciados no Ecoparque teve uma quebra de 9%, enquanto a recolha seletiva cresceu 14%. No que respeita à valorização material, que inclui a separação para reciclagem, reutilização e compostagem orgânica, registou-se um crescimento de 25%, esforço que permitiu preparar os materiais antes de qualquer destino final.
Um dos marcos de 2025 foi a entrada em funcionamento da CVE, em julho, na qual decorreram testes de processamento e carga. Ao longo deste período, a central rececionou mais de 19 mil toneladas de resíduos, tendo tratado efetivamente mais de 13 mil toneladas que, de outra forma, teriam como destino o aterro sanitário. Conforme sublinha a nota da MUSAMI, o processo de valorização energética permitiu ainda a produção de 1.358 MWh de energia elétrica, dos quais 1.016 MWh foram injetados diretamente na rede elétrica pública, sendo o restante autoconsumido pelas próprias instalações industriais.
Além da energia, o processo gerou 2.400 toneladas de escórias, que serão agora valorizadas na reciclagem de metais e como materiais para a construção civil.
Para a MUSAMI, estes indicadores marcam o início do processo de desativação progressiva do aterro sanitário da ilha, que em 2025 já viu a sua utilização ser reduzida de forma drástica, aproximando a região das metas europeias de economia circular.