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Romeiros de São Miguel unem fé e solidariedade em dádiva de sangue que superou expetativas

Romeiros de 14 ranchos aderiram à iniciativa do Grupo Coordenador do movimento dos Romeiros e muitos fizeram-no pela primeira vez

© IGREJA AÇORES

Mais de 80 pessoas, na sua maioria romeiros de 14 ranchos da ilha de São Miguel, responderam este domingo ao apelo lançado pelo Grupo Coordenador do movimento, numa iniciativa que transformou a freguesia da Relva num cenário de partilha e compromisso comunitário. A dádiva de sangue, organizada localmente pelo rancho da Relva, mobilizou não só os caminhantes da fé, mas também jovens e escuteiros, que elevaram o momento com um convívio marcado pelas tradicionais sopas do Espírito Santo.

A ação permitiu a recolha de cerca de 450 mililitros de sangue por dador, num processo que, apesar de simples e rápido, carrega um simbolismo profundo para quem se prepara para a caminhada. Paulo Lopes, mestre dos romeiros da Relva, não escondeu o entusiasmo perante a adesão: “Está a correr muito bem. Além dos romeiros, quisemos envolver as forças vivas da freguesia. Há muita gente a dar sangue pela primeira vez e muitos jovens”, destacou o responsável, admitindo que a participação “excedeu as expetativas”.

Entre os estreantes na dádiva esteve Basílio Silva, da Ribeirinha, que viu nesta iniciativa a oportunidade de concretizar o desejo de ser dador no mesmo ano em que se estreia nas romarias. Integrando um dos primeiros ranchos a sair, já a 21 de fevereiro, o romeiro encara esta jornada como “uma caminhada de fé”. Também Filipe Torres, da Relva, viveu a mesma dupla estreia, descrevendo o processo como “muito simples e acolhedor” apesar da natural “picadela inicial”.

© IGREJA AÇORES

Para Paulo Lopes, mestre há cerca de uma década e romeiro há vinte anos, esta ação demonstra que o espírito das romarias se traduz em gestos concretos de ajuda ao próximo. O seu rancho prepara-se para sair no próximo dia 21 de março com menos de três dezenas de elementos, mas com o coração cheio. “É um momento muito emotivo e vivido com grande fé. Não somos muitos, mas vamos todos com muita fé”, afirmou à fonte.

Esta iniciativa solidária não é um caso isolado, uma vez que o Grupo Coordenador do movimento organiza habitualmente dois momentos de partilha de sangue anuais, respondendo aos apelos do Serviço de Sangue e Hematologia do Hospital do Divino Espírito Santo. A tradição, que cruza a fé com a saúde pública, teve o seu início oficial a 8 de fevereiro de 2015 e continua, 11 anos depois, a reforçar os laços entre a tradição quaresmal e o apoio à comunidade açoriana.

Eduarda Chora: o gesto solidário de levar o Diário da Lagoa de porta em porta

Maria Eduarda Andrade Chora, de 81 anos, é natural da freguesia do Rosário e tem uma enorme admiração pelo Diário da Lagoa e por adquirir informação de modo “tradicional”. Fomos conhecer a sua história

Eduarda Chora é leitora do DL desde os primeiros anos do jornal © CARINA SILVA/DL

Eduarda Chora abriu as portas de sua casa ao nosso jornal, onde nos contou que nunca dispensa a leitura do Diário da Lagoa (DL), fazendo ainda questão que outros não deixem de o ler. Eduarda leva exemplares a quem já não consegue sair de casa para os levantar.

A leitora refere que, mesmo depois de reformada, leva uma vida “ativa” e que vive com grande vontade de “ajudar o próximo”, surgindo daí a entrega do jornal aos seus amigos. “Tenho algumas pessoas amigas e foi nesses relacionamentos que comecei a resolver a questão do jornal”, diz ao DL.

Desde os primeiros anos do Diário da Lagoa que Eduarda tem interesse na sua leitura. Conta que, de início, recolhia cerca de dois a três exemplares mensais, nos estabelecimentos mais próximos de sua casa, dando-os a algumas amigas que, rapidamente, começaram a demonstrar interesse em recebê-lo todos os meses. “O jornal fez-me adquirir muitas amizades novas e acaba por nos dar mais assunto de conversa”, revela.

Atualmente, Eduarda Chora levanta em torno de 13 jornais na loja “Pérola da Lagoa”. Faz questão de os ir buscar, coloca-os “dentro de um saco” e assim vai, de porta em porta, a casa daqueles que “demonstram curiosidade” na leitura, ficando com um exemplar para si. “Não vou dizer que não dá trabalho, mas eu gosto de fazer esse bem”, explica, mencionando que, no início de cada mês, já esperam encontrar no seu correio a nova edição do Diário da Lagoa. “Se eu não os conseguir ir buscar, ou se já não tiver exemplares disponíveis, essas pessoas começam a dar por falta a perguntar: “Afinal o jornal não vem?”.

As notícias do Diário da Lagoa são assunto de conversa entre Eduarda e aqueles a quem a leitora distribui o jornal, mas não só, porque chegam também ao Canadá. Eduarda Chora afirma que tem o costume de transmitir “para lá” as informações que acha mais importantes.

O interesse na leitura e na informação

A leitora enfatiza que dá grande importância a “estar informada”, mas que gosta de se manter a par dos acontecimentos exclusivamente de forma tradicional. Eduarda não demonstra interesse em redes sociais e pouca vontade expressa em ver televisão. Para além dos jornais, sabe das novidades quando frequenta presencialmente certos eventos ou quando conversa com outros. “Eu gosto de ir presencialmente aos sítios, mas quando não estou presente, fico a par das coisas na mesma, através do Diário da Lagoa”, relata. O mesmo aconselha às amigas que demonstram tristeza por não conseguirem ir a eventos, porque embora não possam estar presentes, “têm a fotografia e a informação” que o DL proporciona.

Eduarda afirma adquirir muito “conhecimento” e “cultura” através da sua leitura e aprecia muito as notícias “locais” do nosso jornal. Ler, não apenas jornais, mas livros e revistas é algo que sempre apaixonou Eduarda. “O gosto pela leitura desde que era jovem fez nascer em mim o empenho pelos jornais”, conclui.

A nossa leitora termina a visita desejando que o Diário da Lagoa “continue por muitos mais anos” e que a ela também nunca falte saúde para nos acompanhar.