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Ribeira Grande avança com novo plano de apoio para blindar setor cultural

Autarquia está a reformular o programa municipal para compensar as alterações do executivo açoriano e garantir a sustentabilidade financeira das associações e coletivos locais

© CM RIBEIRA GRANDE

A Câmara Municipal da Ribeira Grande, na ilha de São Miguel, está a reformular integralmente o seu Plano Municipal de Apoio aos Agentes Culturais, uma medida estratégica que surge com o objetivo direto de dar resposta e compensar as necessidades adicionais criadas pela recente reestruturação do regime de apoio às atividades culturais promovida pelo Governo regional dos Açores.

Conforme avançado pelo executivo camarário em nota de imprensa enviada à nossa redação, este instrumento visa reforçar a sustentabilidade financeira, organizativa e de gestão das associações, coletivos e criadores locais, garantindo que a dinâmica cultural do concelho não seja comprometida.

O novo regulamento pretende instituir uma visão de forte proximidade e cooperação, estabelecendo critérios que confiram maior estabilidade e previsibilidade aos planos de atividades das estruturas do tecido cultural concelhio.

De acordo com o documento partilhado pela autarquia, a autarquia reafirma deste modo o seu compromisso com o setor, encarando a cultura como um pilar essencial para o desenvolvimento humano, social e territorial, bem como um elemento crucial para a preservação da identidade, para o estímulo da participação cívica e para o reforço da coesão social em toda a ilha de São Miguel.

Unidade de Saúde da Ilha Terceira recebe 17 viaturas num investimento de 816 mil euros

Financiado pelo PRR, o investimento visa reforçar o apoio domiciliário na ilha Terceira. A tutela anuncia ainda a contratação de três médicos de família e aponta para um total de 360 profissionais na instituição

© SRSSS

A Unidade de Saúde de Ilha Terceira (USIT) vai passar a contar com 17 novas viaturas, num investimento de 816 mil euros financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). A entrega dos veículos decorreu na Praia da Vitória, numa cerimónia que a Secretaria Regional da Saúde e Segurança Social apresentou como uma renovação integral da frota automóvel da instituição, alegando que uma atualização desta dimensão não ocorria há mais de duas décadas. Segundo a nota enviada à nossa redação pelo gabinete da secretária Mónica Seidi, o objetivo da medida é reforçar a segurança e as condições de trabalho dos profissionais nas deslocações diárias de apoio domiciliário e cuidados de proximidade na ilha.

Em declarações institucionais, a Secretária Regional, Mónica Seidi, afirmou que “a renovação integral da frota da Unidade de Saúde de Ilha Terceira representa um investimento essencial para garantir melhores condições de resposta à população e maior segurança aos profissionais de saúde”. A tutela anunciou também a intenção de contratar a breve prazo mais três Médicos de Medicina Geral e Familiar para a USIT, indicando que a taxa atual de cobertura de médico de família na ilha Terceira se fixa nos 95%.

Os dados fornecidos pelo Governo dos Açores apontam que a USIT encerrou o primeiro trimestre de 2026 com 360 profissionais integrados, o que representa um acréscimo de cerca de uma centena de trabalhadores em comparação com o ano de 2019. Entre 2021 e 2026, o orçamento global alocado àquela unidade de saúde totalizou 2,4 milhões de euros, divididos entre modernização tecnológica, equipamentos e capacidade operacional. Perante estes valores, Mónica Seidi defendeu a estratégia do executivo, sublinhando: “Estamos a investir em pessoas, infraestruturas e inovação para garantir um Serviço Regional de Saúde mais resiliente, mais próximo e mais preparado para responder às necessidades dos açorianos, do Corvo a Santa Maria”.

Associação Agrícola de São Miguel assinala Dia Nacional da Agricultura com mais de 3000 crianças

Iniciativa vai reunir, na próxima quarta-feira, alunos de diversas escolas da ilha de São Miguel para um dia de atividades pedagógicas e contacto direto com o setor agropecuário

© DIREITOS RESERVADOS

A Associação Agrícola de São Miguel (AASM) vai assinalar, no próximo dia 27 de maio, o Dia Nacional da Agricultura com uma iniciativa de grande escala inteiramente dedicada às crianças. De acordo com a nota de imprensa enviada pela organização, o evento vai reunir mais de 3.000 alunos de diversas escolas da ilha de São Miguel, proporcionando-lhes uma experiência enriquecedora de aproximação ao mundo rural fora do contexto tradicional da sala de aula.

Esta ação é promovida em parceria com o Governo dos Açores e com a Confederação dos Agricultores de Portugal. O evento conta ainda com a colaboração de várias entidades públicas, privadas e cooperativas da região, unidas no propósito de sensibilizar os mais novos para a relevância estratégica do setor primário.

O principal objetivo da iniciativa é dar a conhecer às novas gerações a importância crucial que a atividade agrícola desempenha na economia regional dos Açores, bem como o seu papel determinante na sustentabilidade e na preservação do território e da paisagem açoriana. Ao longo de todo o dia, os milhares de alunos do ensino básico terão a oportunidade de participar em diversas atividades educativas, interativas e lúdicas, concebidas especificamente para a sua faixa etária, que incluem ainda o contacto direto com animais da quinta.

Com a organização deste dia festivo e pedagógico, a AASM refere em comunicado que reitera o seu compromisso na promoção e valorização da agricultura junto dos cidadãos do futuro. A associação sublinha ainda que este evento pretende não só quebrar barreiras entre o meio urbano e o meio rural, mas também incentivar uma maior proximidade e empatia entre a comunidade escolar e o quotidiano dos produtores agrícolas da região.

Emigração em Montreal celebra 60 anos de devoção ao Senhor Santo Cristo com a presença do Governo regional

O secretário regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades, Paulo Estêvão, acompanhado pelo diretor regional das Comunidades, José Andrade, participou nas comemorações do Jubileu de Diamante das festividades no Canadá, destacando a importância da diáspora na preservação da identidade açoriana

© SRAPC

O Governo dos Açores reiterou o seu compromisso estratégico em consolidar os laços de proximidade e valorização com as comunidades da diáspora. Em visita oficial a Montreal, no Canadá, o secretário regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades, Paulo Estêvão, destacou o papel fundamental dos emigrantes na preservação da identidade cultural junto das novas gerações.

De acordo com uma nota de imprensa enviada pelo executivo açoriano, a deslocação oficial enquadra-se nas comemorações do Jubileu de Diamante (60 anos) das Festas em honra do Senhor Santo Cristo dos Milagres em Montreal, uma das mais relevantes expressões religiosas e culturais da comunidade açoriana radicada na província do Quebeque, cuja primeira manifestação remonta a 15 de maio de 1966. Centradas na Missão Santa Cruz e organizadas pela Associação “Saudades da Terra Quebequente”, estas celebrações assumem-se há seis décadas como um pilar essencial na manutenção da fé e das tradições insulares em território canadiano.

Durante a sua intervenção, o governante agradeceu o acolhimento na Casa dos Açores do Quebeque — instituição fundada em 1978 e vital na congregação da comunidade na sociedade de matriz francófona — enaltecendo “a dedicação, a qualidade e o espírito de missão” que caracterizam o seu trabalho. Paulo Estêvão lembrou que este percurso coincide com a celebração dos 50 anos de Autonomia dos Açores e com a preparação das comemorações dos 600 anos da descoberta do arquipélago, momentos que contarão com iniciativas na região, no continente e junto da diáspora.

Evocando também o valor das Festas do Espírito Santo, o secretário regional sublinhou que “o sentimento de pertença açoriana permanece vivo mesmo após várias gerações fora da região”, concluindo que “cabe-nos continuar a criar pontes, fortalecer os laços comunitários e envolver os mais jovens nas nossas tradições, associações e Casas dos Açores”.

Atualmente, existem 20 Casas dos Açores espalhadas pelo mundo, apoiadas por uma vasta rede de associações e órgãos de comunicação social que mantêm viva a ligação à terra de origem.

Açores assinalam Dia Mundial da Liberdade de Imprensa com foco no apoio aos media e à formação

No Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, o secretário regional Paulo Estêvão destaca o papel do jornalismo no combate à desinformação e a importância do novo sistema de incentivos para a sustentabilidade das redações regionais

© JF

No âmbito das celebrações do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, assinalado a 3 de maio, o Governo regional dos Açores sublinhou a relevância do jornalismo profissional como pilar da democracia e da cidadania. Sob o lema da UNESCO para 2026, “Moldar um Futuro de Paz”, a tutela defendeu que a existência de órgãos de comunicação social independentes é essencial para enfrentar desafios atuais, como a manipulação de informação e a proliferação de notícias falsas.

Em nota enviada à redação, o secretário regional Paulo Estêvão apontou o novo Sistema de Incentivos aos Media Privados (SIM) como uma ferramenta central na estratégia do executivo. Segundo o governante, esta medida resultou num aumento do apoio financeiro destinado à capacitação, transição digital e sustentabilidade das empresas do setor, visando assegurar o pluralismo informativo perante a concorrência das grandes plataformas digitais e redes sociais.

O “Plano para os Media Açorianos” inclui ainda uma aposta na formação contínua, desenvolvida em parceria com o CENJOR e o Sindicato dos Jornalistas. Estão a ser promovidas ações de qualificação em áreas como a Inteligência Artificial, procurando preparar os profissionais das várias ilhas e da diáspora para as novas exigências tecnológicas. Além da vertente formativa, a tutela destacou o lançamento da revista “Açorianidade” como um instrumento para reforçar a ligação com as comunidades emigradas, numa fase em que a região se prepara também para acompanhar desenvolvimentos no setor aeroespacial em Santa Maria.

Sindicato Livre dos Pescadores pede reforço de apoios ao governo

© ACÁCIO MATEUS

O Sindicato Livre dos Pescadores – Açores, fez um apelo ao governo regional para que “sejam reforçados os apoios aos combustíveis tendo em conta os aumentos verificados”, bem como que “sejam estabelecidos preços de referência para as principais espécies de pescado capturado na região”, pode ler-se no comunicado enviado ao Diário da Lagoa.

Estas medidas, no entender do Sindicato Livre dos Pescadores – Açores, visam combater o “constante agravamento do preço dos combustíveis que afeta extraordinariamente os rendimentos de todos os profissionais da pesca”.

Pretendem ainda mitigar o aumento “histórico” do preço de um cabaz alimentar. “Atendendo a que, igualmente, verificam-se aumentos incomportáveis nos preços dos produtos que compõem o cabaz alimentar que atingiu o máximo histórico de 254,99€ no início do corrente mês”.

Mais acrescenta o comunicado que o governo deve intervir porque “os rendimentos dos pescadores dependem do preço de primeira venda do pescado e que estes não têm acompanhado a inflação”.

Do Torreão da Fajã: O Açorianocentrismo e a falta de bom senso

Bruno Pacheco

Sou cidadão do mundo, socialista formado politicamente nos movimentos soberanistas e independentistas açorianos do início da década de noventa. Luto, desde sempre, por uns Açores melhores e que sejam local de eleição para os optaram por aqui viver.

Contudo, fico “incrédulo” ao ver os posicionamentos “Açor-cêntricos” de alguns dos nossos governantes, baseados na retórica fácil e sem a devida sustentação técnica e científica sobre o nosso “valor intrínseco”. Como se diz nas arquinhas da vida… muito parla più.

Há um traço recorrente no discurso político regional, enraizado numa linha académica que vigora desde 1976, que importa desmontar (para nosso bem): o Açorianocentrismo acrítico, essa convicção quase dogmática de que os Açores ocupam um lugar central no mundo, não por evidência cientificamente demonstrada, mas por insistência repetida baseada apenas no nosso capital histórico.

Valorizar os Açores é legítimo. É imprescindível e necessário. O problema começa quando essa valorização deixa de assentar em dados, análise técnica e fundamentos científicos, passando a viver apenas de retórica política e de autoafirmação vazia baseada apenas na nossa geografia. Confunde-se orgulho com sobranceria, estratégia com propaganda. E, pior ainda, transforma-se uma agenda de desenvolvimento numa narrativa de autocelebração permanente.

A verdade é simples: relevância geoestratégica, importância ambiental ou potencial económico não se proclamam… demonstram-se. Demonstram-se com indicadores sólidos, estudos comparativos internacionais, políticas públicas avaliadas e resultados mensuráveis. Sem isso, tudo o que resta é discurso. E, por si só, o discurso não atrai investimento, não fixa talento e não cria prosperidade sustentável.

Tudo isto a propósito de…

O episódio da saída da Ryanair dos Açores é um exemplo paradigmático dessa falta de noção do ridículo. Em vez de uma análise fria sobre competitividade, custos operacionais, massa crítica de procura ou enquadramento regulatório, assistimos a reações inflamadas, muitas vezes desconectadas da realidade do setor da aviação. Os nossos governantes pensaram que os “O’Leary” andavam a fazer bluff e que, no final, viriam “comer na nossa mão”, e ficaram a ver a banda passar pela avenida. Errado, como se viu!

Mas, mais grave do que a saída em si, foi a forma como foi enquadrada: uma mistura de indignação e, depois, incredulidade, como se o mundo tivesse falhado aos Açores. Esta postura revela uma visão fechada, quase insular no pior sentido da palavra, em que se assume que a centralidade é um dado adquirido e não uma conquista permanente. Um reflexo de quem fala muito para dentro e pouco para fora e da evidente falta de mundividência dos nossos governantes.

…e de…

O recente episódio protagonizado pelo Presidente do Governo, à saída do Conselho Superior de Defesa Nacional, é mais uma expressão do açorianocentrismo sem urbanidade. À saída de uma reunião realizada ao abrigo do segredo de Estado, tivemos uma proclamação da nossa centralidade geoestratégica e da nossa importância vital para a República Portuguesa, acrescentando que a futura Lei das Finanças Regionais deve incorporar essas variáveis para fins de financiamento.  Como sabem, aqui no Torreão, desde o início, abordaram-se os temas do “capital natural” e do “capital estratégico” como vetores para o financiamento da Região Autónoma. Contudo, temos de seguir um caminho sério, tecnicamente e cientificamente sustentado, que nos permita entrar nessa discussão com a certeza do que “queremos ter e porque é que queremos”. A centralidade geoestratégica não se afirma em declarações: mede-se, compara-se e prova-se com métricas objetivas reconhecidas internacionalmente.

Deste modo, recomenda-se ao Sr. Presidente do Governo que, em vez de “furar o segredo de Estado”, dê orientações para que se proceda a estudos sérios e cientificamente credíveis, de forma a podermos apelar a esta retórica, mas com sustentação e evidências.

Por fim…

Se queremos um projeto de futuro para os Açores, ele tem de assentar no realismo, nas exigências técnicas e na capacidade de integração global. Menos retórica, mais evidência. Menos autocomplacência, mais ambição sustentada. Mais avaliação independente, mais transparência e mais cultura de resultado. Caso contrário, continuaremos presos a um discurso que soa bem cá dentro, alimenta egos e ciclos políticos de curto prazo, mas que, lá fora, ninguém leva a sério e, pior do que isso, ninguém tem incentivo para contrariar.

O mundo não começa nem acaba nos Açores. E reconhecer isso não diminui a Região, mas, pelo contrário, é o primeiro passo para afirmá-la com seriedade. Porque só quem entende o seu lugar relativo consegue, de facto, ambicionar mais e negociar melhor.

Ilhas do Corvo e Flores acolhem quarta edição do Fórum das Migrações

O Governo dos Açores promove, entre os dias 8 e 10 de abril, um debate alargado sobre os desafios da mobilidade humana na ultraperiferia, reunindo especialistas e comunidades no Grupo Ocidental do arquipélago

© SANDRINA MALTEZ/DL

As ilhas do Corvo e das Flores preparam-se para ser o centro da reflexão sobre o fenómeno migratório nos Açores. Segundo uma nota de imprensa enviada pela Secretaria Regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades, a quarta edição do Fórum das Migrações terá como tema central “Migrações na Ultraperiferia Atlântica: Desafios, Oportunidades e Futuro da Mobilidade Humana na Ultraperiferia”. O evento, que sucede a edições realizadas no Faial, Pico, São Miguel e Terceira, pretende aproximar as instituições das realidades específicas das ilhas mais isoladas, contando com a participação de académicos, entidades públicas e organizações da sociedade civil. A iniciativa é de entrada livre para o público local e terá transmissão direta através da página de Facebook “Comunidades Açores”.

O arranque do programa acontece na quarta-feira, 8 de abril, pelas 14h30, no Pavilhão Multiusos do Corvo. A sessão inaugural contará com as intervenções de Marco Silva, presidente da Câmara Municipal do Corvo, e de Paulo Estêvão, secretário regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades. Um dos destaques do primeiro dia será a conferência de Pedro Portugal Gaspar, presidente do Conselho Diretivo da AIMA – Agência para a Integração, Migrações e Asilo, que abordará o papel desta nova instituição na realidade açoriana. Ainda no Corvo, uma mesa de diálogo analisará como um território de pequena escala pode implementar práticas inovadoras de acolhimento. A jornada na ilha mais pequena do arquipélago encerra com a vertente cultural, através da apresentação do livro “Somos Açores – Um arquipélago vivo pelas ações das Casas dos Açores no Brasil”, do jornalista Ígor Lopes, no Salão Nobre dos Paços do Concelho.

No segundo dia, 9 de abril, o fórum desloca-se para a ilha das Flores, com sessões no Auditório Municipal das Lajes. O programa da tarde foca-se na coesão social e na integração laboral, destacando-se a presença de Vasco Malta, Chefe de Missão da Organização Internacional das Migrações (OIM) em Portugal. O debate incluirá também a perspetiva de associações como a AIPA e a Associação dos Emigrantes Açorianos, bem como um painel dedicado à educação intercultural, onde professores e alunos migrantes discutirão a adaptação curricular e as barreiras linguísticas nas escolas das Flores.

O encerramento do evento terá lugar em Santa Cruz das Flores, na sexta-feira, 10 de abril. A manhã será dedicada aos testemunhos reais de imigrantes e regressados, explorando o sentimento de pertença e os desafios do isolamento insular. A conferência final será proferida pelo professor Paulo Vitorino Fontes, da Universidade dos Açores, que apresentará uma visão prospetiva sobre os direitos humanos e a transatlanticidade para as próximas décadas. A fechar o ciclo de debates, os autarcas Beto Vasconcelos e Elisabete Nóia juntam-se ao Secretário Regional Paulo Estêvão para o balanço final desta edição.

Paralelamente aos debates, o Fórum das Migrações deixa uma marca logística importante no Grupo Ocidental. No dia 10 de abril, às 14h30, será oficialmente inaugurado o serviço da AIMA no balcão da RIAC em Santa Cruz das Flores. Esta medida visa facilitar o acesso dos cidadãos migrantes a serviços essenciais, reforçando a estratégia de descentralização e proximidade que o Governo Regional tem vindo a implementar na gestão das políticas de integração e apoio às comunidades.

Mais de três mil pessoas mobilizadas na Semana da Floresta

Iniciativa percorreu as nove ilhas com ações de plantação e sensibilização, destacando o valor da laurissilva e de espécies endémicas como o cedro-do-mato e o sanguinho

© SRAA

A preservação do património natural dos Açores uniu, entre o passado dia 16 de março e esta sexta-feira, 27 de março, mais de 3.000 pessoas numa vasta agenda dedicada ao Dia Mundial da Floresta. A iniciativa, promovida pelo Governo regional dos Açores, através da Secretaria Regional da Agricultura e Alimentação, mobilizou os Serviços Florestais das nove ilhas para um programa que incluiu desde plantações de espécies nativas a ações de educação ambiental junto de escolas e associações locais. Segundo a nota enviada pela tutela, o balanço final revela uma forte adesão da comunidade açoriana num compromisso coletivo pela proteção dos habitats naturais da região.

Para o secretário regional da Agricultura e Alimentação, António Ventura, a data representou “muito mais do que uma data simbólica”. O governante destaca que, ao longo destes dias, “milhares de crianças, jovens, professores, voluntários, escuteiros e parceiros locais juntaram-se em ações de plantação, sensibilização e aprendizagem ativa”, celebrando o valor insubstituível das florestas açorianas. As atividades focaram-se particularmente na valorização da floresta nativa (a laurissilva) e de espécies endémicas como o cedro-do-mato e o sanguinho, que constituem o habitat de aves emblemáticas como o priolo.

Em São Miguel, a mobilização contou com a realização de exposições, peddy-papers e palestras proferidas por guardas-florestais em diversos concelhos, incluindo Vila Franca do Campo e Ponta Garça, além de ações de repicagem de folhados e sensibilização sobre biodiversidade. Nas restantes ilhas, o cenário repetiu-se com contornos locais: em Santa Maria houve plantações no aeroporto; na Terceira, o Monte Brasil recebeu uma plantação simbólica com o Exército; na Graciosa, plantaram-se cerca de 600 árvores na Serra das Fontes; e em São Jorge, as atividades integraram-se no Festival da Reserva da Biosfera.

O programa estendeu-se ainda ao Pico, com o projeto “Floresta dos Sentidos”, ao Faial, com parcerias entre a Câmara Municipal da Horta e o Clube Automóvel, e às Flores, onde a Lagoa Branca recebeu novas espécies endémicas. António Ventura garante que a proteção da floresta continuará a ser uma prioridade, defendendo que “cada gesto, seja uma árvore plantada ou uma atividade de educação ambiental, representa um investimento no futuro dos Açores”, assegurando a herança natural para as próximas gerações.

Açores assumem-se como sede nacional da plataforma das Cozinhas do Mar

Protocolo entre governo regional e AHRESP coloca o arquipélago no centro da estratégia de valorização da gastronomia marinha e da economia azul a nível nacional

© GRA

A Região Autónoma dos Açores passou a ser o rosto oficial da valorização dos produtos marítimos em Portugal, com a apresentação da Plataforma Nacional das Cozinhas do Mar. A cerimónia, que teve lugar no Palácio da Conceição, em Ponta Delgada, foi presidida pelo presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro, e resulta de uma parceria estratégica com a AHRESP – Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal. Conforme detalha a nota de imprensa enviada pelo executivo, esta plataforma nasce de um protocolo assinado em fevereiro, durante a BTL, visando elevar o pescado e os recursos marinhos a ativos centrais da identidade económica e cultural do país.

Para José Manuel Bolieiro, a escolha dos Açores para acolher a sede desta plataforma nacional é um reconhecimento da “identidade de mar” que define o arquipélago, sublinhando que esta centralidade valoriza o país no seu todo. O governante destacou que o projeto é um pilar fundamental para a “economia azul”, focando-se na preservação de tradições gastronómicas e na promoção de práticas sustentáveis. No terreno, a iniciativa traduzir-se-á em ações concretas, como a criação de uma rota de restaurantes dedicados a produtos locais, a organização de workshops e o conceito “Restaurante ao Vivo”, que será replicado pelos vários municípios e ilhas da região.

Durante a apresentação, que contou com a presença do presidente da AHRESP, Carlos Moura, e dos secretários regionais Berta Cabral e Mário Rui Pinho, o líder do executivo açoriano salientou que, embora a região mantenha a sua competitividade em setores como a carne ou o queijo, o mar oferece uma vantagem diferenciadora. “Ser a sede nacional da plataforma das cozinhas do mar é, sobretudo, permitir a quem nos visita uma experiência de mar e de produto endógeno vantajosa”, explicou Bolieiro. O presidente do governo apelou ainda ao poder local para que colabore estreitamente com os empresários nesta missão de transformar a gastronomia numa “experiência inesquecível”, capaz de fidelizar visitantes e fortalecer o tecido empresarial açoriano.