
A secretária regional da Saúde e Segurança Social, Mónica Seidi, adiantou no sábado, 31 de agosto, numa visita ao hospital modular em São Miguel, que o serviço de urgências na unidade vai abrir na terça-feira, sendo de esperar que a mesma esteja a “funcionar em pleno” até ao último trimestre do ano, de acordo com comunicado do Governo dos Açores.
“Na próxima terça-feira, dia 3, pelas 16h00, aquilo que nós chamamos de serviço de urgência do Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), a funcionar no Centro de Saúde da Ribeira Grande, move-se para este novo serviço de urgência HDES hospital modular. Os doentes de menor complexidade, que anteriormente eram observados naquela infraestrutura, serão observados aqui”, adiantou a governante.
Em causa está a montagem de um hospital modular que vem atenuar os impactos do incêndio registado em maio no HDES, em Ponta Delgada.
A urgência geral vai ter dois postos de zona de triagem e 16 a 20 espaços de observação, para além de uma sala de emergência, um quarto de isolamento e um gabinete de enfermagem. Já a urgência pediátrica abarca dois gabinetes médicos, e oito a dez espaços de observação.
Numa próxima fase, adiantou Mónica Seidi, vão ser abertas duas enfermarias no hospital modular, “que poderão dar algum ‘back-up’ se houver um aumento de procura”.
Posteriormente, vão avançar serviços como cuidados intensivos, cuidados intermédios, o próprio bloco operatório e uma sala de imagiologia.
“Estamos a falar de uma sala que vai ter de ter um revestimento de chumbo e por muita boa vontade, que há e tem sido acautelada nesta infraestrutura, não é algo que se faça de um dia para o outro”, lembrou a governante.
Sobre o futuro do HDES, Mónica Seidi adiantou que a sua requalificação vai exigir um plano funcional, que já foi adjudicado, num processo naturalmente “moroso”.

A abertura do serviço de urgência no hospital modular em agosto, sem a abertura dos serviços de imagiologia, bloco operatório e unidade de cuidados intensivos – que só abrirão em outubro – “significa que não poderá ser dada resposta às situações mais graves”, segundo o Bloco de Esquerda/Açores.
“Mais uma vez, o governo regional não está a ser transparente com os utentes em relação aos cuidados de saúde que terão nos próximos tempos. Na prática, a única novidade avançada ontem pelo governo regional foi o adiamento da abertura do funcionamento pleno do hospital modular de agosto para outubro” acusa ainda o BE, em nota de imprensa.
A 7 de junho, a secretária regional da Saúde garantiu que o hospital modular estaria em funcionamento até ao fim do mês de agosto. O compromisso foi reafirmado pelo presidente do governo a 18 de junho.
O Bloco de Esquerda diz manifestar a sua “estupefação com o anúncio” feito a 18 de julho pelo governo regional de que, afinal, a abertura plena do hospital modular foi adiada para outubro.
“A nossa expectativa é, pois, que comecem a chegar contentores no final do mês de julho e que possamos ter a expectativa, que é uma preocupação e justa intenção de todos nós, de ter serviços a partir de agosto”, afirmou o presidente do governo a 18 de junho.
O anúncio da abertura do serviço de urgência até final de agosto e dos restantes serviços – imagiologia, bloco operatório, unidade de cuidados intensivos – apenas em outubro significa que o serviço de urgência não poderá funcionar em pleno, uma vez que isso não é possível sem esses serviços de apoio que só entrarão em funcionamento em outubro, entende o partido.
“É por isso cada vez mais difícil de perceber o racional da opção pela infraestrutura modular anunciada em detrimento da aposta na reabertura plena do HDES, quando mesmo o fator tempo já derrapou dois meses”, acusa ainda o BE/Açores, na mesma nota.
O BE/Açores aponta ainda que o hospital modelar “terá uma capacidade muitíssimo inferior à do HDES e que só funcionará em pleno em outubro. Isso, se, entretanto, não houver mais adiantamentos”.
“Mantém-se também a ausência de explicações do governo regional sobre o que impede a reabertura em pleno dos serviços no edifício do HDES que ainda se encontram encerrados, nomeadamente sobre o que tem levado à alegada má qualidade do ar e concretamente quais são os parâmetros que têm falhado nas análises efetuadas” questiona também o partido.
“A demora da retoma plena do HDES trará danos incalculáveis na saúde nos Açores e por isso era fundamental que todos os esforços e recursos do governo regional fossem alocados à reabertura de todos os serviços do HDES, o que claramente não está a acontecer” lê-se ainda no mesmo comunicado.

O grupo parlamentar do CDS-PP marcou também presença na sessão de apresentação do hospital modular, que aconteceu ontem, 17 de julho.
Após a apresentação, o deputado do CDS-PP, Pedro Pinto, em declarações aos jornalistas, disse que “a nova estrutura dará resposta àquelas que são as necessidades imediatas, fazendo regressar ao perímetro do Hospital todos os serviços que, de momento, se encontram espalhadas pelas várias Unidades de Saúde na ilha de São Miguel”.
Afirmou ainda que “procedendo a essa concentração no mesmo recinto, vai ser possível optimizar o serviço prestado aos utentes, na medida em que os profissionais regressarão à casa mãe”, destacando que “de momento estão condicionados pela distância e pela separação dos diversos serviços”, concluindo que “um hospital não funciona com serviços individuais, há sim uma cooperação natural entre os diversos serviços e essa é a sua essência”.
O parlamentar garantiu que apesar da separação dos serviços “os cuidados médicos e cuidados clínicos estão a ser assegurados ao mais alto nível, quer pelas Unidades de Saúde de Ilha, quer pelas Unidades de Saúde privadas”.
Relativamente à funcionalidade do hospital modular, o deputado evidenciou que a mesma “além de permitir o regresso, permitirá simultaneamente a reconstrução e requalificação do atual edifício do HDES”.
“À medida que os serviços forem regressando ao edifico original, novas valências serão reacomodadas na estrutura modular, de forma a reconverter o hospital de acordo com os atuais padrões de exigência que atualmente se aplicam na área da medicina”.
Em conclusão, Pedro Pinto afirmou que “a solução encontrada foi a melhor solução, porque é a que os técnicos e profissionais de saúde defenderam e propuseram”, referindo que “não houve uma decisão política a impor-se àquilo que são as decisões técnicas, houve sim uma audição daquelas que são as necessidades de apoio e de prestação de cuidados de saúde aos utentes”.

El projeto do hospital modular, a ser construído nos terrenos junto ao Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), em Ponta Delgada, foi ontem, 17 de julho, apresentado partidos políticos com representação parlamentar.
Na apresentação do projecto, o líder parlamentar do Chega, José Pacheco, alertou para o facto de uma situação provisória “nunca poder tornar-se definitiva”, sendo que esse foi um compromisso assumido pelo Governo regional. O Chega vai assumir “esse trabalho fiscalizador”, garantindo que em finais de agosto vai visitar a obra para perceber se foram cumpridas as metas estabelecidas, segundo nota de imprensa do partido.
José Pacheco referiu que no âmbito de uma visita ao HDES há cerca de dois anos, já tinham sido denunciados muitos problemas, “que agora se veio a constatar que afinal tinham mesmo de ser solucionados”, alertando que o hospital modular tem de ser efectivamente uma solução provisória até se avançar com a requalificação e remodelação do HDES. “Não podemos ter um pavilhão degradado ao fim de 20 anos e manter a requalificação do Hospital por fazer”, alertou ainda.
“A nossa função é fiscalizar e é importante que as pessoas percebam que o que aconteceu no HDES foi um sinal de alarme que é para levar muito a sério”, pois numa região vulcânica como os Açores, há que ter capacidade para deslocar serviços, nomeadamente a estrutura que agora começa a ser montada, para dar apoio a outra ilha se necessário. “Há o compromisso do Governo Regional para isso e o Chega vai estar muito vigilante no seu papel fiscalizador, para ver se isso acontece mesmo”, explicou José Pacheco, citado na mesma nota.
Quanto ao hospital modular, José Pacheco entende que é a solução possível, ressalvando que “podíamos ter menos estudos e mais ação. Temos de aprender a ser mais rápidos nas soluções. Não estamos acostumados nos Açores a trabalhar com eficácia. Estamos muito acostumados a estudar tudo e a fazer muito pouco e isto tem de acabar” acusou o líder do Chega.
José Pacheco deixou ainda o reparo que na nova estrutura modular vão ser instaladas máquinas de vending, quando as pessoas que passam horas à espera de uma consulta ou numa urgência precisam de algo mais reconfortante do que snacks frios. José Pacheco recordou que o bar no HDES foi encerrado há alguns anos e nunca foi reaberto, apesar da insistência do Chega, sendo uma situação incomportável para quem passa largas horas no Hospital à espera de consultas ou de exames.