
A Câmara Municipal da Lagoa associou-se ao projeto de prevenção primária da violência no namoro, intitulado “Cultivar o Amor”, apresentado na Escola Secundária da Lagoa. O projeto surgiu da parceria com a Escola Superior de Saúde da Universidade dos Açores e encontra-se integrado no conjunto de ações desenvolvidas pelo município na área da saúde, com particular enfoque na promoção da saúde mental.
O projeto é dirigido a alunos do ensino profissional e tem como objetivos a adoção de relações interpessoais saudáveis no contexto do namoro, aumentar o nível de literacia dos jovens relativamente à prevenção primária da violência no namoro, promover a reflexão e discussão sobre as características de uma relação de namoro saudável e reduzir os níveis de legitimação de comportamentos violentos, nomeadamente nas dimensões avaliadas pela Escala de Avaliação da Violência no Namoro (EAVN).
A vereadora Graça Costa considerou que a implementação do projeto “constitui uma mais-valia estratégica no âmbito das políticas locais de saúde, particularmente na área da saúde mental. A sua implementação, não só se revela pertinente para a prevenção da violência no namoro, como é também essencial para a redução de situações de violência em contexto familiar”.
Assim, este projeto visa sensibilizar os participantes para a importância de vivenciarem relações de intimidade baseadas no respeito, na igualdade e no bem-estar emocional, prevenindo possíveis repercussões negativas a nível individual e familiar.

O município do Nordeste voltou a associar-se à comemoração do Dia Municipal para a Igualdade, uma iniciativa promovida pela Animar – Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Local, em parceria com sete organizações da economia social que, entre outras entidades envolvidas, apela à participação ativa dos municípios no desenvolvimento de ações nas respetivas comunidades sobre temas prioritários como o combate aos discursos de ódio, a promoção da democracia, da diversidade e dos direitos humanos.
Para a assinalar a data, o município desenvolveu duas sessões sobre cidadania e igualdade direcionados a um público jovem, aproximadamente entre os 4 aos 11 anos de idade, dinamizadas pela biblioteca municipal do Nordeste, sendo que uma das sessões foi realizada nas instalações de um centro ocupacional de tempos livres.
De forma lúdica foi possível envolver as crianças em jogos, leituras, brincadeiras e trabalhos manuais, levando-as a refletir sobre o respeito pela diferença, desde a cor da pele às características físicas, a sensibilidade, os gostos e as emoções individuais. A recetividade das crianças aos temas abordados foi bastante notória pelo modo como se envolveram na dinâmica desenvolvida.
As sessões foram dinamizadas por dois centros ocupacionais de tempos livres, um da Santa Casa da Misericórdia do Nordeste e outro da Associação Sol Nascente, da freguesia da Salga.

Ricardo Pinto de Castro e César
Sociólogo – ISCTE-IUL
A democracia, enquanto sistema de governação, é muitas vezes vista como a expressão máxima da liberdade e da participação cidadã. No entanto, por detrás desta ideia ideal, existe uma dinâmica complexa que sustenta a sua existência: uma tensão constante e delicada entre dois valores fundamentais, a igualdade e a liberdade. Este equilíbrio, longe de ser uma conquista definitiva, é uma construção contínua, que depende das condições específicas de cada país e da forma como estas são geridas ao longo do tempo.
Não há duas democracias iguais. Cada uma delas reflete as particularidades culturais, económicas e históricas do seu povo. Algumas priorizam a redução das desigualdades sociais e económicas, procurando criar uma sociedade mais justa e equitativa. Outras, por sua vez, colocam maior ênfase na liberdade individual, na autonomia de cada cidadão para tomar as suas próprias decisões. Esta diversidade é natural e saudável, mas também revela que a democracia é um sistema que pode assumir diferentes formas, dependendo do contexto em que se insere. Por outro lado, a força ou fragilidade de uma democracia não depende apenas do seu modelo, mas também das instituições que a sustentam. Existem democracias frágeis, vulneráveis a crises políticas ou económicas, que podem ser facilmente desestabilizadas por fatores internos ou externos. Por outro lado, existem sistemas mais consolidados, com instituições sólidas, que conseguem resistir às tempestades e manter a sua estabilidade ao longo do tempo. Nada nesta equação está garantido. Manter o equilíbrio entre igualdade e liberdade é, sem dúvida, um dos maiores desafios da democracia moderna.
É preciso que as regras sejam claras, que as instituições sejam fortes e que haja uma cultura de respeito mútuo e de compromisso com os valores democráticos. As democracias mais duradouras são aquelas que, além de terem uma constituição bem delineada, deixam espaço para evoluir, adaptando-se às mudanças sociais, económicas e políticas sem perderem a sua essência. Assim, a democracia não é um estado fixo, mas um processo em constante evolução. E é precisamente nesta capacidade de adaptação que reside a sua força, permitindo que continue a ser uma forma de governação que valoriza a participação, a liberdade e a justiça, mesmo diante dos desafios do século XXI.

Maria Chaves Martins
Qual é o partido que não é de esquerda, nem de direita, e nem é carne, nem é peixe, mas é tofu? Apesar de sincrético, está num espetro político de centro progressista – uma bússola para o centro progressista, moderado num ecossistema de radicalismos.
Dúvidas não restam de que o PAN é um partido de causas e não de ideologias rígidas, posicionando-se como uma alternativa moderada, sobretudo num cenário de crescente polarização política.
Provas estão dadas de que não é só a causa animal, mas também a ambiental e a social, especialmente no que respeita ao combate à ideologia de género.
O PAN é “o” partido da causa animal, o partido que mais defende os direitos dos animais, ponto.
Não obstante, numa altura em que é óbvia a aproximação dos partidos à direita ou à esquerda, em que os radicalismos fazem caminho para a normalização das condutas, ter um partido – outrora intitulado de fundamentalista – com uma postura moderada na defesa das causas, é solução equilibrada para as políticas públicas.
Os desafios climáticos não são um argumento ideológico, mas uma realidade com reflexos em matéria de justiça social, que não devem ser utilizados como uma conveniente falácia que extremos exploram para amealhar votos. O incumprimento do crédito climático vai ser executado, com juros altíssimos e uma taxa de esforço imensurável. Temos de estar conscientes.
Investir no clima é investir na prevenção e resiliência social. Ao executar políticas ambientais, estão a evitar-se crises de saúde pública, como a pandemia COVID, a apoiar-se uma alimentação diversificada e adequada através do cultivo de alimentos apropriados às características e necessidades, fomentando a soberania alimentar, reduzindo a dependência externa, consumindo produtos locais, ajudando a economia local e diminuindo a pegada ecológica.
Para além disso, a eficiência energética e térmica das habitações são também medidas climáticas que reduzem a emissão de gases com efeito estufa e a dependência de combustíveis fósseis. Parece simples, e é.
Nunca será excessivo recordar que as mulheres são um grupo vulnerável ao impacte das alterações climáticas e ao extremismo vindo da direita, o que, por si só, deve motivar as mulheres a reforçar o seu ativismo político.
A crescente reação contra as políticas da igualdade de género reflete-se no sucesso eleitoral de grupos populistas de extrema-direita. O desmantelamento dos direitos das mulheres integra o núcleo das células dos movimentos de extrema-direita. Daí que o voto feminino e no feminino seja uma importante arma democrática, sob pena de as necessidades femininas não serem atendidas, produzindo-se políticas que desconsideram o género.
A existência de figuras femininas na política pode ser garante da igualdade de género. A violência física, psicológica e on-line contra as mulheres deve ser combatida, pois são tentativas para deslegitimar as propostas políticas tendo por base o facto de ser mulher.
É isto que deve mobilizar o voto feminino no feminino.