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Importância estratégica dos Açores destacada no arranque das comemorações do Dia de Portugal na Terceira

José Manuel Bolieiro recebeu o Presidente da República, António José Seguro, no Palácio dos Capitães Generais, sublinhando o papel do arquipélago no contexto nacional e atlântico

© GOVERNO DOS AÇORES

O presidente do Governo regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, recebeu esta terça-feira, 9 de junho, o Presidente da República, António José Seguro, no Palácio dos Capitães Generais, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira.

Segundo uma nota de imprensa enviada pela Presidência do Governo Regional, a audiência serviu para a apresentação de cumprimentos institucionais e antecedeu o início do programa oficial das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, que este ano têm como palco o arquipélago açoriano.

Após o encontro, decorreu a cerimónia do hastear da Bandeira Nacional, assinalando o arranque formal das celebrações. O momento contou também com a presença da Representante da República para a Região Autónoma dos Açores, Susana Goulart Costa.

Durante a audiência, o Chefe de Estado assinou ainda o Livro de Honra da Presidência do Governo dos Açores, imortalizando a sua passagem pela Região neste dia festivo.

Na ocasião, o líder do executivo açoriano, José Manuel Bolieiro, saudou a escolha dos Açores para acolher as comemorações de 2026, considerando que a decisão representa um reconhecimento claro da importância estratégica das ilhas no contexto nacional e atlântico.

O governante fez questão de destacar a posição geográfica singular da Região e a sua vocação histórica de ligação entre continentes e culturas. “Os Açores são um território de paz, de cosmopolitismo e de ligação ao mundo”, referiu.

Sublinhando que a região encara esta responsabilidade com entusiasmo e sentido de missão, Bolieiro reforçou o orgulho açoriano em ser o centro das atenções do país e das comunidades da diáspora. “Estamos de braços abertos para acolher uma celebração de sucesso”, garantiu.

O programa oficial do 10 de Junho prossegue esta quarta-feira na ilha Terceira, tendo como um dos momentos centrais a tradicional cerimónia militar no Cerrado do Bailão, em Angra do Heroísmo.

Bancos Alimentares de São Miguel e Terceira em campanha num cenário de aumento alarmante de pedidos de ajuda

Campanhas decorrem até domingo nos Açores perante uma subida de até 12% nos pedidos de apoio entre 2025 e 2026. Direções locais alertam para o crescimento da pobreza encoberta em famílias empregadas e expressam forte preocupação com o impacto nas crianças

© DIREITOS RESERVADOS

A campanha nacional de recolha de alimentos promovida pelo Banco Alimentar entre hoje, sexta-feira, e domingo, está a decorrer nos Açores, nas ilhas de São Miguel e da Terceira, numa altura em que ambos os Bancos Alimentares se deparam com um crescimento significativo do número de pedidos de cabazes. Entre 2025 e 2026, em São Miguel a subida foi de cerca de 12% e na Terceira cerca de 10%. Os números são avançados pelas direções do Banco Alimentar que estão preocupadas sobretudo com as crianças.

“De 2025 para 2016 houve um aumento de pedidos e famílias apoiadas: passámos de 866 famílias (2463 pessoas) para 1020 famílias (2742 pessoas)  sendo que distribuímos,  já este ano, cabazes de emergência a 50 agregados, abrangendo 140 pessoas, das quais 42 eram crianças menores de 10 anos”, avançou ao Sítio Igreja Açores Luís Águeda, responsável pelo Banco Alimentar da ilha Terceira, desde março deste ano.

Em São Miguel, atualmente são 700 as famílias apoiadas mensalmente pelos cabazes do Banco Alimentar de São Miguel e o que se verifica, segundo Luísa César, é que as dificuldades são sobretudo reveladas por famílias que trabalham.

“Os pedidos chegam todos os dias: chegam das associações e do Instituto de Segurança Social, com situações de comprovada carência, de baixos rendimentos, de pessoas empregadas que não têm condições para pagar todos os encargos mensais e garantirem uma alimentação digna do agregado familiar” avança a responsável que, desde o início da criação do Banco Alimentar, está na sua direção.

“Nós procuramos entregar cabazes com qualidade e quantidade que ajudem as famílias. A parte da alimentação tem de ser uma preocupação real pois tem havido um aumento dos preços dos produtos e o que estamos a verificar é que a qualidade da alimentação é muito deficitária em termos de fruta e proteínas; há muitos alimentos que são necessários a uma alimentação saudável que não estão acessíveis a quem tem parcos rendimentos e isso gera doenças que depois tornam os encargos da família e do estado muito maiores”, refere deixando um apelo.

“Todos devemos tentar ajudar na medida das nossas possibilidades para que estas famílias sejam aliviadas e possam também ter uma alimentação digna e tanto quanto possível saudável”, refere a dirigente num apelo a que se possa ultrapassar a fasquia das 21 toneladas de alimentos que é o mínimo necessário para fazer face a todos os pedidos na maior ilha do arquipélago.

A campanha de rua, que é feita duas vezes no ano – na primavera e no Natal –, conta com a colaboração de cerca de 1300 voluntários nas duas ilhas. Estão a ajudar nas lojas mas também nos armazéns onde fazem a separação dos alimentos.

“Sem esta força não nos seria possível levar por diante esta campanha” refere Luís Águeda que juntamente com a nova equipa estuda  formas de recrutamento de voluntários, envolvendo escolas e centros de convívio.

Para Isabel Jonet, presidente da Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares Contra a Fome, “as campanhas de recolha de alimentos são muito importantes para angariar produtos básicos e para mobilizar toda a sociedade. Em particular, numa altura em que a situação continua muito difícil para muitas famílias, em resultado do impacto da instabilidade internacional que provocou um aumento do preço dos produtos alimentares e da energia e que tem gerado muita apreensão sobretudo junto das famílias mais vulneráveis”, refere uma nota da organização partilhada na página online do Banco Alimentar.

“A ajuda alimentar prestada nos lares, no apoio domiciliário, creches, jardins infantis e ainda nos cabazes entregues a famílias acompanhadas é determinante e integra também a certeza de que não estão sós. Muitas são as famílias que graças a esta ajuda conseguem ultrapassar situações pontuais de aperto e dar a volta à vida, sem que falte o mínimo para dar de comer aos filhos” refere ainda a dirigente.

No ano passado, os 21 Bancos Alimentares ajudaram cerca de 370 mil pessoas com carências alimentares comprovadas em parceria com mais de 2.400 instituições sociais, refere ainda a organização.

Atualmente, existem 21 Bancos Alimentares em funcionamento em Portugal, incluindo na Madeira, contando com equipas permanentes reduzidas e uma vasta rede de voluntários que asseguram grande parte das campanhas e ações de apoio.

Para participar nesta campanha, basta aceitar um saco do Banco Alimentar e colocar nele bens alimentares, de preferência não perecíveis (como leite, conservas, massa, arroz, azeite, açúcar, farinha, entre outros), entregando-o aos voluntários à saída. Os produtos serão depois encaminhados para os armazéns do Banco Alimentar de cada região, onde são pesados, separados e acondicionados para serem entregues às entidades beneficiárias. A distribuição começa de imediato, garantindo que tudo chega à mesa de quem mais precisa.

O Banco Alimentar foi criado em Portugal em 1991 com a missão de lutar contra o desperdício e prestar apoio a quem mais precisa de se alimentar, em parceria com instituições de solidariedade e com base no trabalho voluntário. Existem atualmente 21 Bancos Alimentares (nas zonas de Abrantes, Algarve, Aveiro, Beja, Braga, Castelo Branco, Coimbra, Cova da Beira, Évora, Leiria-Fátima, Lisboa, Madeira, Oeste, Portalegre, Porto, S. Miguel, Santarém, Setúbal, Terceira, Viana do Castelo e Viseu). A Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares representa e congrega a rede dos Bancos Alimentares a nível nacional e internacional.

Escrever direito por linhas tortas

João Vieira Paim

Dizem que Deus escreve direito por linhas tortas. Nada parece mais torto que o que vai na cabeça de Trump — ou é o que dizem —, mas nada é mais direito que afundar barcos cheios de cocaína e de assassinos traficantes de droga; nada é mais direito que agarrar num ditador sanguinário e afastá-lo das suas vítimas para sempre; nada é mais direito que os prisioneiros (centenas ou milhares deles) do tal ditador da pseudo-esquerda nazi — alguns deles portugueses, abandonados há anos — serem libertados por medo da assim chamada sucessora do ditador sanguinário.

O resto se verá, e poderá não ser tão positivo como até agora, ou poderá ser só money, oil, etc. Mas as narrativas sobre as razões reais da intervenção na Venezuela talvez devessem ser analisadas pelo comentador a quem chamavam “What if?”, em português: “E se?”.

E se a intervenção tivesse sido sugerida, com força de ter de ser, pelo Pentágono e pela CIA, depois de muita recolha de informação que provava a existência na Venezuela de três ameaças reais a menos de 1.200 km da Flórida, nos EUA?

E se os chineses estivessem a recolher milhares de toneladas por mês de coltan, terras raras e outros minerais fundamentais para a guerra e dominância tecnológica, enviados em bruto para refinação na Colômbia e reenviados para a China com rótulos ligeiramente alterados para fugir às sanções?

E se os russos estivessem implantados de pedra e cal na Venezuela, depois de terem fornecido todo o tipo de armas ofensivas e defensivas e mantendo centenas de instrutores comandados pelo general Oleg Makarevich — assassino que, na Ucrânia, mandou bombardear a barragem cuja destruição inundou cidades e matou muita gente?

E se os iranianos tivessem, por exemplo na Venezuela, uma fábrica de drones capazes de atingir a Flórida?

E se, além de dar um “chuto” nos três principais inimigos dos EUA, ainda pudesse vir bastante petróleo? Esta foi a que convenceu D. Trump, sempre pronto para umas negociatas. Como as outras eram complicadas para ele explicar, focou-se só no oil e nos direitos humanos.

E escrevendo Deus novamente direito por linhas tortas, Trump atacou o Irão — aliás, não, atacou foi o fanatismo religioso que vem fazendo da vida do Irão e dos iranianos um inferno sobre a Terra. Esperemos que não parem até que o último daqueles velhos assassinos em nome de tudo, menos de Deus, esteja enterrado numa vala comum.

A hipocrisia deste mundo sujo logo se expandiu em reclamações de que tal é contra a Lei Internacional. A lei imunda que permitiu o massacre de 30.000 manifestantes desarmados sem a “lei” para os proteger… E a inútil ONU ainda se atreve a “condenar”, como se fosse alguma coisa decente com capacidade para condenar o que quer que seja, e não cúmplice dos mais abjetos regimes terroristas deste mundo ao sentar-se ao lado deles e dar-lhes um reconhecimento e uma participação que estes regimes não devem ter. Não admira que Putin queira moldar uma igual, mas ainda mais à sua imagem.

Que os iranianos se possam livrar de quem os chacinou. Da mesma maneira que o único nazi bom é um nazi morto, estes nazis religiosos devem desaparecer sem deixar rasto. E que o dinheiro do petróleo possa, finalmente, financiar uma vida melhor para os iranianos, em vez do terrorismo internacional e das vidas de luxo daqueles assassinos religiosos.

Quanto à participação de Portugal ou, melhor, dos Açores, esta vem de longe… Salazar foi o primeiro que “expropriou” os terrenos da Base aos terceirenses e colocou a Força Aérea a pagar rendas que eles próprios escolhiam, sem o acordo dos proprietários. E continuaram depois do 25 de Abril (tanta coisa má que devia ter acabado no 25 de Abril, mas que continuou), apenas fazendo umas propostas de compra por valores miseráveis, dando a entender que quem não aceitasse ficava com as rendas ilegais do “Botas”, que até já tinha partido.

Nós pusemos uma ação de despejo da Aerogare construída ilegalmente ao Estado Português, ao Governo Regional e à Força Aérea; finalmente perderam e foram forçados a pagar o triplo do que estavam oferecendo antes. Mas, durante dezenas de anos, serviram para tudo: aeroporto militar e civil (pouco, ao princípio). Vimos todas as intervenções, desde o bloqueio de Berlim à Guerra dos Seis Dias, em que os caças eram munidos e pintados com as cores de Israel na pista, à vista de todos.

Há meses que a atividade era anormal: desde os reabastecedores a treinarem missões aos F-35 a passarem em linha a 700 km/h em frente à Aerogare Civil. Só quem fosse muito crédulo acreditaria que nada de novo se passava.

Esperemos que os iranianos consigam livrar-se desta gentalha e da sua falsa religião medieval, e que saibam, finalmente, que podem, de quatro em quatro anos ou coisa parecida, mandar para o lixo quem não lhes agradar a governar. Mas o que eles dizem e fazem é muito diferente; não estou muito otimista, nem na Venezuela — que passou de moda com a desastrada intervenção no Irão —, onde já não se fala dos 30.000 mortos nem da eliminação da “Gestapo” local.

Hoje os combustíveis sobem de preço no Continente, mas porquê, se se trata de petróleo comprado há três meses ou mais (informação deles, não minha)? Se um merceeiro — para não dizer um hipermercado —, face ao iminente desaparecimento ou encarecimento de algum dos bens que tem à venda, se aproveitar para subir os preços do que tem em stock com base no que os “futuros” vão ser, acho que comete o crime de especulação e pode, no limite, ir parar à cadeia. Mas o Estado pode fazer isso à vontade, ainda lhe chamando “desconto” com bastante hipocrisia?

E nem se fala de fazer o honesto, que seria eliminar a metade do preço dos combustíveis que são impostos (nem lhes quero chamar impostos, que normalmente são algo para os cidadãos terem serviços). Sabem o que pagam esses “impostos”? Milhares de entidades e pessoas privilegiadas que não foram referendadas, mas impostas pela tenebrosa CE e aumentadas pelos nossos políticos, especialistas em transformar a corrupção em direito só para alguns. Vão desde a Quercus e os seus minutos de conselhos aos revestimentos das casas, energias e outras facilidades dos mais ricos (não sou eu que o digo, são as estatísticas), sabendo-se que estas “corrupçõezinhas” ambientais nunca chegarão aos mais pobres — para não falar dos “carritos” elétricos e dos milhares de milhões estourados a subsidiar o turismo de massas (ou “prostituição forçada”, como lhe chamo).

E ainda falam do que é cumprir Abril?

Ilha Terceira e Luxemburgo recebem as comemorações do Dia de Portugal em 2026

Presidente da República escolhe os Açores e a diáspora luxemburguesa para celebrar a unidade nacional e a coesão territorial

© PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA

Em nota divulgada esta quarta-feira, dia 18, no site da Presidência da República, o novo presidente da República de Portugal, António José Seguro, anunciou que a ilha Terceira, nos Açores, será o palco das comemorações oficiais do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas em 2026, mantendo a prática de celebrar o 10 de Junho também na diáspora, desta vez no Luxemburgo.

A escolha da Terceira assume significado especial por homenagear as autonomias regionais, que este ano assinalam 50 anos desde a sua consagração constitucional. Segundo a Presidência da República, celebrar a data nos Açores reforça a importância histórica, política e cultural das regiões autónomas na construção de um Portugal mais coeso, plural e solidário, sublinhando os valores da unidade nacional e da coesão territorial.

O 10 de Junho será também celebrado no Luxemburgo, um país que, de acordo com a Presidência da República, acolhe uma das mais expressivas e dinâmicas comunidades portuguesas na diáspora, reforçando o reconhecimento do contributo dos portugueses residentes no estrangeiro para o desenvolvimento do país e para a afirmação internacional de Portugal.

No dia 12 de junho, António José Seguro participará ainda numa sessão comemorativa na Madeira, assinalando os 50 anos de autonomia e os 40 anos de integração europeia da região.

A prática de celebrar o Dia de Portugal em território nacional e na diáspora foi iniciada em 2016 pelo então presidente Marcelo Rebelo de Sousa, mantendo-se nos anos seguintes:

2016: Lisboa e Paris
2017: Porto e Brasil
2018: Açores e Estados Unidos da América
2019: Portalegre e Cabo Verde
2020: Lisboa (somente, devido à pandemia)
2021: Madeira (somente, devido à pandemia)
2022: Braga e Reino Unido
2023: Peso da Régua e África do Sul
2024: Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos, Castanheira de Pera e Coimbra, e Suíça
2025: Lagos, Alemanha e Macau

No discurso de tomada de posse, a 9 de março, na Assembleia da República, António José Seguro já tinha anunciado que pretende manter a tradição do seu antecessor de celebrar o 10 de Junho tanto em Portugal como junto das comunidades portuguesas no estrangeiro.

Referindo-se a Jorge de Sena, o chefe de Estado afirmou que “Portugal é feito dos que partem e dos que ficam”, destacando que Marcelo Rebelo de Sousa compreendeu esse sentimento ao iniciar a prática de realizar as comemorações do Dia de Portugal em território nacional e na diáspora, uma tradição que decide agora prosseguir por partilhar a mesma visão.

Assembleia Legislativa inicia ciclo de visitas a instituições com meio século de história

Luís Garcia marcou o arranque da iniciativa em Angra do Heroísmo, no Grupo de Teatro Alpendre, no âmbito das comemorações dos 50 anos da autonomia

© ALRAA

O presidente da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores (ALRAA), Luís Garcia, anunciou na tarde desta quinta-feira, 12 de março, em Angra do Heroísmo, o início de um roteiro de visitas institucionais dedicado a entidades que celebram 50 anos de atividade em 2026. Segundo uma nota enviada pelo gabinete da presidência do parlamento açoriano, esta iniciativa surge num momento de particular simbolismo, coincidindo com o cinquentenário da autonomia regional, e visa reconhecer publicamente o percurso e o contributo destas organizações para o desenvolvimento social e cultural do arquipélago. O ciclo de visitas teve o seu ponto de partida na ilha Terceira, com uma deslocação ao Grupo de Teatro Alpendre, associação que completa o seu meio século de existência no próximo dia 27 de dezembro. Durante o encontro, Luís Garcia teve a oportunidade de conhecer de perto o trabalho contínuo da instituição, que é hoje um pilar na dinamização das artes no contexto regional.

Na ocasião, o presidente do parlamento açoriano sublinhou a importância fundamental das associações para a coesão das comunidades locais, afirmando que o percurso do Grupo de Teatro Alpendre “é um exemplo do papel essencial que o movimento associativo desempenha na promoção da cultura e na dinamização das comunidades das nossas ilhas”. Para o representante máximo da ALRAA, a sobrevivência e o sucesso destas instituições ao longo de cinco décadas não são obra do acaso, mas resultam diretamente “da dedicação, da generosidade e do espírito de missão de pessoas que colocam o seu tempo e talento ao serviço da comunidade”. Ao longo da visita, Luís Garcia lembrou os desafios que o setor cultural enfrenta, elogiando a resiliência demonstrada por aqueles que mantêm vivos projetos desta envergadura, destacando que “a longevidade destas instituições demonstra a vitalidade da sociedade açoriana e o valor do trabalho desenvolvido por dirigentes, associados e simpatizantes que, com persistência e dedicação, mantêm vivos projetos culturais de grande importância para as nossas comunidades”.

De acordo com o gabinete da presidência da ALRAA, este conjunto de visitas, que se prolongará ao longo do ano por diversas ilhas, pretende não só homenagear o passado, mas também valorizar o papel que as instituições locais continuam a desempenhar na construção da identidade açoriana contemporânea. Ao focar-se em entidades que nasceram em moldes contemporâneos ao processo autonómico, o parlamento procura reforçar o vínculo entre a governação e a sociedade civil, reconhecendo o contributo inestimável de gerações de cidadãos que têm assegurado a continuidade de iniciativas que enriquecem a vida coletiva da Região Autónoma dos Açores.

Projeto da Olhar Poente selecionado pela Fundação Calouste Gulbenkian para combater o desemprego jovem na Terceira

Iniciativa vai apoiar 150 jovens da ilha Terceira ao longo de 18 meses, promovendo a integração escolar e profissional através de uma rede que une o setor público, empresas e comunidade

© OLHAR POENTE

A associação Olhar Poente viu o seu projeto “3EAZ_Empoderamento_Educação_Emprego_Azores” ser distinguido como um dos catorze selecionados a nível nacional pela iniciativa Gulbenkian Empregar, da Fundação Calouste Gulbenkian.

Segundo nota de imprensa enviada às redações pela associação, este programa surge com o propósito central de combater a exclusão social e económica, focando-se especificamente na redução da taxa de jovens NEET — aqueles que não estudam, não trabalham, nem frequentam qualquer tipo de formação. Com uma duração prevista de 18 meses, a intervenção irá abranger 150 jovens residentes na ilha Terceira, com idades compreendidas entre os 16 e os 34 anos, que se encontram em situações de especial vulnerabilidade, tais como percursos escolares interrompidos, precariedade laboral, baixas qualificações ou em contexto de risco psicossocial e migratório.

O modelo de atuação do 3EAZ assenta numa estratégia de proximidade que combina a capacitação pessoal e social com a mentoria e o envolvimento direto da comunidade. Mais do que a simples formação técnica, o projeto visa o empoderamento dos participantes, dotando-os de ferramentas que facilitem transições bem-sucedidas para o mercado de trabalho ou para o sistema de ensino.

De acordo com a presidente da Olhar Poente, Sandra Serpa, a eficácia desta iniciativa reside num compromisso sólido estabelecido entre a tríade do serviço público, das empresas privadas e da própria comunidade local. Esta colaboração tripartida pretende não só oferecer saídas profissionais, mas também solidificar um projeto de vida para jovens que, em muitos casos, se encontram desmotivados e sem perspetivas de futuro.

Através desta articulação com entidades públicas e empregadoras, o projeto espera criar oportunidades reais de integração que funcionem como um escudo protetor contra contextos de exclusão. Para a direção da Olhar Poente, a implementação do 3EAZ terá um impacto direto na valorização do capital humano da ilha, reduzindo a exposição dos jovens a situações de risco e potenciando o desenvolvimento de competências que são fundamentais na sociedade atual. Ao investir no acompanhamento personalizado e na criação de redes de apoio sólidas, a associação açoriana reforça o seu papel na coesão social da região, garantindo que estes 150 jovens possam retomar percursos ativos e sustentáveis.

“O termalismo é uma paixão que me move todos os dias”

A profunda ligação à natureza e ao mar conduziram Luysa Pereira ao contacto com o termalismo. Atualmente, gere vários espaços termais e prepara-se para novos investimentos

Luysa Pereira nasceu na Terceira, é licenciada em Medicina Osteopática e tem dinamizado as termas nos Açores © ACÁCIO MATEUS

Luysa Pereira nasceu na ilha Terceira, no seio de uma família açoriana, e desde cedo nutriu uma ligação profunda à natureza e ao mar. Foi essa paixão que fez com que, aos 18 anos, embarcasse para Lisboa onde iniciou o percurso académico e onde concluiu a primeira licenciatura em Medicina Osteopática.
Mais tarde, alargou a formação académica à área da Engenharia do Ambiente e da Saúde, procurando “sempre compreender o ser humano numa perspetiva onde corpo, mente e ambiente se interligam”, explicou, procurando, ao longo do percurso profissional, “aliar a prática à investigação, à formação e à valorização do património termal dos Açores”.

Paralelamente, criou e implementou nos Açores dois projetos pioneiros a nível mundial: o baby spa termal, dedicado ao uso da água termal adaptada para o tratamento da pele e para a promoção do relaxamento; e o spa termal capilar, que utiliza os constituintes minerais da água com indicações específicas para a saúde capilar, ambos nas Termas da Ribeira Grande.

Para além disso, atualmente encontra-se em “fase de conclusão um terceiro projeto inovador, em curso nas Termas do Carapacho, que se distingue pela utilização de três águas termais diferentes no mesmo balneário, explorando a diversidade e complementaridade das suas propriedades”.

O termalismo, como facilmente se conclui, mais do que um negócio, é a paixão de Luysa Pereira. “O termalismo é uma paixão que me move todos os dias. É o reflexo de tudo aquilo em que acredito: a prevenção, o tratamento, a valorização do ambiente, o turismo sustentável, a transversalidade entre áreas científicas e culturais, a história, a identidade e as potencialidades únicas das nossas águas.
Cada fonte termal conta uma história, cada água é única. E é essa narrativa, que junta ciência e cultura, que me apaixona e me inspira a investir nesta área com tanta dedicação”, disse.

É esta paixão que a faz percorrer várias ilhas dos Açores, desde São Miguel ao Faial, passando pela Graciosa, ilhas onde tem vindo a reabilitar termas e a devolver-lhes à sua essência do ponto de vista termal, associando-as também ao turismo. E é aqui que entra outra questão: por que motivos as termas foram caindo em desuso?

“O termalismo, tal como muitos outros setores, viveu ciclos de auge e de esquecimento. No passado, os espaços termais eram pontos de encontro social, locais de tratamento e até símbolos de prestígio. Com o avanço da medicina convencional e a mudança dos hábitos sociais, muitos desses espaços foram caindo em desuso, perdendo a vitalidade que outrora tiveram. E Portugal tem um dos maiores legados históricos termais, muitas vezes pioneiro, como é exemplo o hospital termal, o balneário das Caldas da Rainha. Nos Açores, e a par da nossa vasta história termal, temos assistido a um crescimento assinalável nos últimos anos, sobretudo pelo modelo de balneoterapia simples ao ar livre, que atrai visitantes que procuram experiências autênticas e ligadas à natureza. Acredito que o segredo para a revitalização do termalismo passa por reinventá-lo, integrando-o nas novas tendências mundiais de wellbeing e turismo de saúde, sem nunca esquecer a tradição e a autenticidade das nossas águas. O termalismo clássico, com as suas utilidades terapêuticas comprovadas, consegue ser perfeitamente integrado nestes novos conceitos ligados à prevenção e ao bem-estar. Para isso, torna-se essencial um posicionamento de comunicação adequado, capaz de transmitir às pessoas o verdadeiro valor das nossas águas termais, tanto no plano científico como na experiência cultural e turística”, apontou.

© ACÁCIO MATEUS

Há dez anos ligadas ao ramo do termalismo, Luysa Pereira não tem dúvidas de que existe ainda um longo caminho a percorrer. “O termalismo faz parte da minha vida há mais de dez anos e tenho plena convicção de que continuará a ser uma das minhas maiores missões. O objetivo é revitalizar o nosso património termal regional, respeitando a sua história, mas também inovando com novas valências e produtos que acrescentem valor. Promovendo saúde, prevenindo doenças, e promovendo também bem-estar e lazer”. E fazer isto em ilhas diferentes obriga a um esforço redobrado e planeamento atempado, o que “nunca é tarefa fácil” porque “ser açoriano é carregar uma resiliência quase inata, moldada pela condição de ser ilhéu e pelos desafios que isso acarreta. O maior deles são, sem dúvida, as viagens, sobretudo no inverno, onde o clima instável muitas vezes condiciona os planos. Mas acredito que é precisamente esta adaptação constante que nos torna mais criativos e mais persistentes”, acrescentou.

Daniela Silveira: uma década de arte e gestão cultural

Natural da ilha Terceira, é dona de vários projetos no âmbito cultural, área à qual escolheu dedicar-se há mais de dez anos. Considera-se uma pessoa “resiliente” e cresceu num ambiente onde a cultura sempre teve grande importância

Daniela Silveira é gestora, produtora cultural e fundadora da associação Get Art © DIREITOS RESERVADOS


Daniela Silveira cresceu na freguesia da Conceição, em Angra do Heroísmo, filha de mãe natural de Santa Bárbara e de pai da Praia da Vitória, passou grande parte da sua juventude num ambiente citadino.
“A família do meu pai é muito diferente da da minha mãe”, conta. A forte ligação da sua família paterna à Base das Lajes fez Daniela crescer com uma forte influência americana. “A minha avó era empregada doméstica dos americanos e a minha tia era babysitter dos seus filhos. Quando eu ia a casa da minha avó, era tudo americano, desde os alimentos aos eletrodomésticos”, diz. O contacto com o jazz, que viria a ser o tema do seu primeiro projeto, começou, precisamente, nos bailes que frequentava na Base das Lajes.
Inicialmente,

Inicialmente, Daniela Silveira começou por se formar “na área de Direito”, frequentando uma licenciatura de quatro anos no Porto, mas enveredou pela área de gestão de empresas. Começa profissionalmente na área da cultura em 2012, dando asas àquele que viria a ser o seu primeiro projeto, o “+Jazz”, que, mais tarde, se torna num festival internacional. Rapidamente, Daniela percebeu que queria fazer da cultura a sua vida profissional.

O +Jazz nasce com o objetivo de dar palco aos músicos locais esquecidos dos festivais internacionais de jazz realizados na ilha Terceira. “Eu queria criar um palco onde estes artistas pudessem apresentar os seus trabalhos”, explica. Uma das suas grandes intenções era também a de levar este estilo musical aos “bares e restauração local”. Daniela refere que, inicialmente, os apoios ao +Jazz foram “residuais”, mas ainda assim suficientes para manter o projeto de pé. O festival ganha “outra visibilidade” quando se muda para Angra do Heroísmo, levando o capitão Pedro Horta a sugerir o “revivalismo” dos bailes de jazz da Base das Lajes, como os que Daniela frequentava em criança.

Com o surgimento do +Jazz, os “projetos locais relacionados” a esta área passaram a ser promovidos pelo festival que, ao longo do tempo, foi transportado a “outras ilhas”. Com uma duração de dez anos, o +Jazz encontra-se atualmente “adormecido”.

Durante os dez anos do +Jazz, Daniela envolvia-se, paralelamente, em outras atividades. Foi colaboradora de diversas entidades ligadas à cultura. Passou pelo Cine Clube da Ilha Terceira, pelo Museu de Angra do Heroísmo e fez parte da direção do Instituto Açoriano da Cultura, mas desenvolvia, ao mesmo tempo, os seus “próprios projetos”. Sentia que não se “revia no perfil de funcionária pública”, preferindo a liberdade de “diversificar”, trabalhar “com equipas e projetos diversos” e fazer o seu “próprio horário”.

Em 2019 nasce a associação “Get Art”, por iniciativa de Daniela Silveira, com o objetivo de agregar e promover festivais musicais, como o festival “Lava que surge, também em 2019, na ilha do Pico. “A Get Art é o amadurecimento de sete anos de trabalho, quando eu já começava a perceber a dinâmica de gerir uma associação cultural”, afirma Daniela.

Daniela reconhece que o mais difícil de ter uma associação é “mantê-la” a funcionar. Sem funcionários fixos, a Get Art funciona com profissionais em “regime de prestação de serviços e a gestora cultural confessa que, “durante muito tempo”, se sentia sobrecarregada por estar “em todas as frentes”. Hoje, o trabalho é dividido por uma “pequena comunidade”, fundamental para o desempenho da associação. Ao tornar-se mãe em 2019, surgiu a necessidade de adaptar o seu horário de trabalho, contudo com a maternidade surgiu também a exploração de novas perspetivas profissionais.

Um dos projetos mais queridos a Daniela Silveira é o “Atitude”. Criado em conjunto com colegas, o Atitude começa por ser desenhado para uma candidatura para a fundação “Calouste Gulbenkian” no âmbito do programa “Parties & Art for Change”, envolvendo “a arte direcionada a um público com deficiência física cognitiva”, diz. O projeto, apesar de finalista, não recebeu o financiamento, mas foi levado pela Get Art a nível regional. Aprovado pela Direção Regional para a Promoção da Igualdade e Inclusão Social, o Atitude arranca com “duas residências artísticas” na ilha Terceira, em colaboração com a Associação Cristã da Mocidade (ACM) e com o Centro de Apoio à Deficiência (CAD).

Ganhando maior proporção, o projeto expandiu-se para São Miguel, com o apoio da Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO), bem como para a ilha do Pico. Com a elevada procura e a dificuldade em atender a toda esta, surge o Guia de Boas Práticas de Inclusão Através da Arte, com toda a “metodologia necessária para a organização de um projeto de inclusão social”. “Eu desenho um projeto, mas depois disso,  ele deixa de ser só meu. A ideia só se vai desenvolver com outras pessoas”, acrescenta Daniela.

Daniela Silveira finaliza a entrevista ao nosso jornal com a partilha de um dos projetos no qual tem vindo a trabalhar há alguns anos, mas de que nunca desistiu. Preocupada com o “desaparecimento de algumas estruturas”, a gestora cultural começa a desenvolver um mapeamento sobre os “Coretos dos Açores” em 2019, que só viu aprovada a sua candidatura em 2024. O objetivo final é salvaguardar este património cultural, através da recolha de informação com uma “forte componente científica”, diz.

A sua resiliência, otimismo e a vontade de se enquadrar em novas e diversas experiências, acompanham Daniela na sua vida profissional que é, há mais de dez anos, marcada pela dedicação à cultura.

Momentos culturais marcaram presença de líderes associativos açorianos pelas ilhas

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No âmbito da 26ª Assembleia Geral do Conselho Mundial das Casas dos Açores (CMCA), que aconteceu nos Açores, entre 11 e 13 de outubro, diversos eventos culturais estiveram presentes no programa promovido pela Secretaria Regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades, através da Direção Regional das Comunidades.

Um dos pontos altos foi a realização de uma conferência internacional sobre “Diferentes Expressões do Folclore Açoriano”, no dia 10 de outubro, antes do início oficial do evento, no Auditório do Museu de Angra do Heroísmo, na ilha Terceira.

Esta iniciativa visou ser “um espaço de conhecimento e partilha sobre as diferentes expressões do folclore de origem açoriana no folclore açoriano-gaúcho, do Rio Grande do Sul, no Brasil, e do folclore açoriano-carolino, no Uruguai”.

A conferência teve como principais participantes a presidente da Casa dos Açores do Estado do Rio Grande do Sul, Viviane Peixoto Hunter, e a presidente da Casa dos Açores do Uruguai – Los Azoreños, Alicia Quintana, acompanhada pela folclorista Milenna de Léon, que dinamizam dois grupos de origem açoriana nas cidades de Gravataí e de San Carlos, respetivamente.

A conferência internacional foi aberta ao público e destinou-se especialmente a todos os componentes dos diferentes grupos folclóricos da ilha Terceira. A abertura da sessão esteve à cargo do diretor Regional das Comunidades, José Andrade, e a moderação dos trabalhos foi assegurada pelo historiador terceirense Francisco Maduro-Dias, com importante ligação à cultura popular.

Das várias manifestações culturais que foram levadas para os principais destinos da emigração açoriana, o folclore é das que mais expressão continua a ter nas nossas comunidades. Presente no quotidiano cultural das associações e entidades de raiz açoriana, o folclore representa um meio privilegiado para a manutenção e transmissão dos valores culturais das nove ilhas do arquipélago.

No dia seguinte, 11, teve lugar, à noite, um espetáculo evocativo dos 260 anos da fundação açoriana da cidade de San Carlos, pelo Azorteatro – Grupo de teatro da Casa dos Açores do Uruguai “Los Azorenos”, precedido por uma palestra sobre os oito presidentes da República do Uruguai com ascendência açoriana, no Auditório Municipal de Velas, em São Jorge.

Já no dia 12, houve, após o jantar em Velas, uma mostra de folclore jorgense promovida pela Câmara Municipal de Velas.

Por fim, uma sessão pública de apresentação do livro “Somos Açores – Um arquipélago vivo pelas ações das Casas dos Açores no Brasil” foi organizada na Galeria Espaço+ do Auditório Municipal das Velas, com a participação das Casas dos Açores de Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Maranhão e Espírito Santo, além de outros líderes de Casas dos Açores no Mundo.

O início do CMCA ficou marcado também pela visita dos visitantes às instalações da União de Cooperativas Agrícolas de Lacticínios de São Jorge, onde é fabricado o tradicional Queijo de São Jorge, que mereceu distinção do grupo ao final do encontro, como “produto açoriano de qualidade”.