
No âmbito das celebrações do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, assinalado a 3 de maio, o Governo regional dos Açores sublinhou a relevância do jornalismo profissional como pilar da democracia e da cidadania. Sob o lema da UNESCO para 2026, “Moldar um Futuro de Paz”, a tutela defendeu que a existência de órgãos de comunicação social independentes é essencial para enfrentar desafios atuais, como a manipulação de informação e a proliferação de notícias falsas.
Em nota enviada à redação, o secretário regional Paulo Estêvão apontou o novo Sistema de Incentivos aos Media Privados (SIM) como uma ferramenta central na estratégia do executivo. Segundo o governante, esta medida resultou num aumento do apoio financeiro destinado à capacitação, transição digital e sustentabilidade das empresas do setor, visando assegurar o pluralismo informativo perante a concorrência das grandes plataformas digitais e redes sociais.
O “Plano para os Media Açorianos” inclui ainda uma aposta na formação contínua, desenvolvida em parceria com o CENJOR e o Sindicato dos Jornalistas. Estão a ser promovidas ações de qualificação em áreas como a Inteligência Artificial, procurando preparar os profissionais das várias ilhas e da diáspora para as novas exigências tecnológicas. Além da vertente formativa, a tutela destacou o lançamento da revista “Açorianidade” como um instrumento para reforçar a ligação com as comunidades emigradas, numa fase em que a região se prepara também para acompanhar desenvolvimentos no setor aeroespacial em Santa Maria.

Clife Botelho
A saúde de uma democracia local não se mede pela harmonia das suas reuniões oficiais, mas pela capacidade da imprensa em fazer as perguntas difíceis. Defender o sigilo das fontes e o acesso à informação é defender o direito de todos sabermos o que é feito com o que é nosso.
Fui diretor deste jornal e tenho orgulho nesse facto. Agora como leitor e aos olhos de quem acompanha a vida pública local e sabe que o equilíbrio entre quem governa e quem informa é, por natureza, exigente. Devo alertar que nos últimos tempos, paira no ar uma tendência preocupante: a de confundir o escrutínio jornalístico com uma espécie de “ruído” indesejado. Como cidadãos e leitores, importa lembrar que um jornal que incomoda é, quase sempre, um jornal que está a cumprir o seu dever.
Enquanto fui diretor ouvi, por vezes, críticas à utilização de fontes que preferem o anonimato ou assistimos à criação de novas regras que limitam a memória visual e sonora daquilo que deveria ser o expoente máximo da transparência: as reuniões onde se decide o futuro do concelho. Mas a verdade é que o sigilo profissional não é um capricho dos jornalistas; é a última linha de defesa do cidadão comum que, temendo consequências, decide não baixar os olhos perante o que considera estar errado.
Quando se tenta deslegitimar uma notícia com base na “formalidade” da denúncia ou se fecham portas ao registo direto dos debates, não é apenas o jornalismo que perde — é a comunidade que fica mais cega. A transparência não pode ser seletiva, nem a liberdade de informar pode estar refém da conveniência de quem ocupa as cadeiras do poder.
Continuo a gostar do jornalismo de proximidade e irei sempre defendê-lo, mesmo apenas como cidadão, porque ele é o espelho da nossa realidade, com as suas virtudes e as suas falhas. Por isso, como leitores, cabe-nos valorizar a coragem de quem mantém o compromisso de investigar e relatar, mesmo quando o ambiente se torna mais restritivo. No final do dia, a liberdade de imprensa não pertence aos jornais; pertence a cada um de nós que acredita que a gestão da coisa pública deve ser feita à luz do dia, sem muros nem sombras.
Agora, numa perspetiva de quem fica de fora da redação, resta-me manter a esperança de que o 25 de Abril continuará a cumprir-se, mas esta é uma conquista que exige que continuemos atentos perante factos daquela que é uma nova ditadura nos dias de hoje: a do silêncio imposto e da opacidade conveniente.

Clife Botelho
Diretor do Diário da Lagoa
Em dezembro de 2019, assumimos um compromisso: dar continuidade a este projeto até que o jornal alcançasse, pelo menos, uma década de existência. Hoje, olhamos para trás com o orgulho de quem não só cumpriu essa meta, como a superou. Consolidámos um espaço de referência na nossa comunidade, somando já 12 anos de história pautados pela defesa da Verdade e da Liberdade.
A minha jornada na liderança deste periódico intensificou-se em julho de 2021, quando assumi a direção editorial. Antes disso, já trabalhava arduamente como responsável pela editora proprietária, prestando apoio à nossa jornalista Sara Sousa Oliveira e a todos os que dedicam o seu tempo a acreditar, connosco, que é possível. Da Sara, recebi um projeto alimentado por uma esperança renovada e uma visão de futuro clara: as notícias que contam.
Desde o início, o nosso trabalho tem sido um verdadeiro laboratório de media. Decidimos inovar, arriscar e, acima de tudo, aprender com os desafios que o jornalismo de proximidade nos impõe. E aprendemos que o jornalismo só é pleno quando compreendemos que ele não é, nem pode ser, um negócio, pois na verdade é um serviço público que exige altruísmo e a entrega constante de quem o faz — um compromisso para com todos aqueles que nos leem, aqui nas ilhas ou na nossa diáspora.
É, assim, com o sentimento de dever cumprido que anuncio a minha saída das funções de diretor. Passo agora o testemunho à Sara, que assume a direção para voltar a liderar os destinos editoriais deste projeto. Natural de Santa Cruz, na Lagoa, a Sara conta com mais de uma década de experiência em órgãos de comunicação social nacionais, além de estar na estrutura do Diário da Lagoa há seis anos.
Como ela costuma referir, gosta “mais de ouvir do que de falar” e “as pessoas são sempre a melhor parte das histórias” que cruzam o seu caminho. “O entusiasmo de poder contar o que acontece” à sua volta é o que a move. Assim, o jornal volta a ter a sua liderança e uma abordagem diferente, mas que, na minha modesta e suspeita opinião, só tem a ganhar.
Quanto a mim, manter-me-ei na editora, mas noutras funções. Somos uma família que luta diariamente para “pôr o pão na mesa”, como tantas outras no mundo. As nossas origens são humildes e tudo o que conquistámos foi fruto do esforço e da educação que os nossos pais nos deram — valores que transmitimos hoje aos nossos dois filhos, por isso somos responsáveis por projetos de pessoas para pessoas, porque somos, na sua essência, uma família.
Nesta nova fase, a Sara assume a responsabilidade pelos projetos jornalísticos e eu ficarei focado na área de comunicação e marketing. Embora o jornalismo seja um serviço público, o marketing garante os recursos necessários para que a nossa redação permaneça livre e totalmente independente de pressões externas. Trata-se de assegurar a viabilidade para que o rigor informativo continue a ser a nossa única bússola.
O jornal continua em boas mãos, fiel às suas raízes e adaptado aos desafios dos novos tempos. Agradeço a confiança de todos os colaboradores, leitores e amigos que me acompanharam nesta direção. Seguimos juntos. Obrigado a todos!

A Lagoa, na ilha de São Miguel, conta com um órgão de comunicação social há quase doze anos. Fundado por iniciativa privada, o Diário da Lagoa foi, durante muito tempo, confundido com “o jornal da câmara”. Essa desinformação tem sido gradualmente desconstruída e, atualmente, é raro que se faça essa associação, a não ser com o propósito deliberado de prejudicar o nosso trabalho.
É inegável que a existência de um jornal no concelho é benéfica para o poder local, ao divulgar o nome “Lagoa” e as notícias do concelho por toda a ilha de São Miguel, Açores e diáspora açoriana. As nossas estatísticas confirmam o nosso alcance global, o que justificou recentemente o registo do título “Diário da Lagoa” como marca nacional. Por outro lado, a existência de um jornal local pode ser inconveniente para certos grupos de interesses, pois o jornalismo, quando cumpre a sua função, incomoda. Contudo, a importância da nossa missão nunca foi publicamente reconhecida, embora sejam já inúmeras as páginas escritas sobre o concelho, São Miguel, os Açores e a sua diáspora.
A aquisição de espaços publicitários pela autarquia no nosso jornal terá sido a forma encontrada para demonstrar apoio à imprensa local, dada a importância que o jornal ganhou na divulgação de atividades e eventos, mas a verdade é que faltou o devido reconhecimento público quando bastava, simplesmente, compreender e respeitar a nossa dedicação e esforço em prol da Liberdade de Imprensa.
É, portanto, imperativo que os nossos leitores sejam agora informados de que, por razões de índole ética e para salvaguardar a total independência do Diário da Lagoa, o jornal se vê no dever de suspender a aceitação de qualquer receita gerada pela publicidade institucional proveniente da Câmara Municipal. Esta decisão, que representa um sacrifício financeiro, justifica-se pela existência de vínculos contratuais pré-existentes entre a editora proprietária deste jornal e um cidadão que assumiu funções no órgão deliberativo autárquico. Entendemos que a manutenção da publicidade institucional, nas atuais circunstâncias, geraria uma aparência de conflito de interesses insuperável e inaceitável para a credibilidade do nosso jornal.
A coexistência de um acordo com uma empresa proprietária de um jornal local e o desempenho de um cargo político num órgão da Câmara Municipal que contratualiza publicidade com esse mesmo jornal, cria um cenário ético complexo que prejudica a perceção de isenção deste título. Isto obriga-nos a agir com total transparência perante o nosso público. É por isso que, com total determinação, sustentamos e mantemos este projeto, prescindindo agora de eventuais apoios provenientes da autarquia que possam, direta ou indiretamente, colocar em causa a nossa liberdade e idoneidade.
Devido a esta incompatibilidade, tomamos esta opção, convictos de que a situação será devida e prontamente corrigida. Estamos certos de que o poder local não desejará desiludir a Democracia e a Liberdade de Imprensa, e, por isso, apelamos ao diálogo e ao bom senso, esclarecendo a opinião pública de que somos, efetivamente, um jornal de iniciativa privada e independente que respeita os valores expressos na Constituição da República Portuguesa.

O OVGA – Observatório Vulcanológico e Geotérmico dos Açores, no lugar da Atalhada, na cidade da Lagoa, vai acolher a segunda edição do “Encontro dos Açores para o Mundo”, a 4 de outubro, que este ano marca a celebração dos 11 anos do lançamento da edição impressa do Diário da Lagoa.
No primeiro sábado de outubro, das 16h30 às 17h30, no edifício do OVGA, na Avenida Vulcanológica, n.º 5, serão debatidos temas como Jornalismo e Liberdade de Imprensa, Sustentabilidade e Ambiente, bem como o papel do jornal local na promoção da leitura. O fundador do Diário da Lagoa, Norberto Silveira Luís, cerca de seis anos depois de ter regressado a São Jorge, vai voltar a São Miguel para participar na iniciativa.
Nuno Pereira, em representação do OVGA, fará o discurso de abertura para depois o jornalista e escritor luso-brasileiro Ígor Lopes iniciar a moderação da sessão.
A sessão conta com os oradores: Norberto Silveira Luís, fundador do Diário da Lagoa, Catarina Rodrigues, professora na área de Ciências da Comunicação na Universidade dos Açores e investigadora da Universidade da Beira Interior, Eduardo Marques, professor na área de Serviço Social e investigador na Universidade dos Açores, e Clife Botelho, diretor do Diário da Lagoa.
Depois, das 17h30 às 18h00, o cronista Roberto Medeiros irá apresentar a exposição que ficará patente no OVGA, enquanto será servido chá, biscoitos e bolo num momento de conversa e descontração. A mostra será itinerante por instituições do concelho. A entrada é livre e aberta a todos.