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Nordeste assinala Dia Internacional da Mulher com duas atividades

© CM NORDESTE

O município do Nordeste assinalou o Dia Internacional da Mulher com a realização de uma caminhada pelo trilho do Forno da Cal. Apesar das condições atmosféricas não serem as melhores, cerca de metade das pessoas inicialmente inscritas compareceram à chamada.

Foram cumpridos os cerca de 4,5 quilómetros de distância do trilho em aproximadamente duas horas, tendo a caminhada contado com alguns participantes da Associação RunforVasco e do Active Club. No final, foram oferecidos um lanche e uma flor a cada participante.

A vereadora com o pelouro de Ação Social, Sara Sousa, integrou a caminhada através da qual pretendeu-se assinalar a efeméride através do exercício físico e do lazer como práticas importantes para a saúde da população em geral e dirigida em especial ao público feminino.

A Câmara Municipal do Nordeste também assinalou a data com as utentes do Cartão Municipal do Idoso distribuindo cerca de duzentas flores e uma mensagem por todas as utentes ao longo das freguesias do concelho.

À Sofia Ferreira

Alexandra Manes

Como qualquer reflexão que se quer ponderada, começo por pensar na posição masculina, através do pensamento de homens que foram em tempos reconhecidos de forma determinante, e que por aí ainda andam na boca de infelizes, com mais frequência do que deveriam.

Falo de Aristóteles, por exemplo. Para quem ser Mulher representava uma desvantagem natural. Ou de Rousseau, que dizia que a Mulher servia para obedecer e agradar. Kant achava que uma mulher formada perdia o charme. Sem esquecer Pitágoras, que, pasmem-se, achava que o “princípio bom” era responsável pela criação da ordem, da luz e do homem, enquanto o “princípio mal” criara o caos, as trevas e a mulher. Jordan Peterson gosta de citar este último, mas não perco tempo com imitações “Temu”.

Silenciar as mulheres na sociedade não é responsabilidade que se limite a este tipo de censura de pensamento, todavia, há quem, pelo ridículo e pela deslegitimação da palavra, procure ser mais subtil, e exilar a pessoa, a sua emoção, o seu sentimento e o seu afeto. Para construir o poder patriarcal conforme o conhecemos, foi preciso adormecer o lado humano da Mulher. Em contrapartida, sempre houve mulheres que não aceitaram essa narrativa. Algumas, bem perto de nós, cruzando-se nas esquinas, de forma anónima, mas resistente. Por ocasião do Dia da Mulher, é dessas mulheres que quero falar, destacando as que fazem do bem-estar animal a sua missão, de forma séria e sem aproveitamentos políticos ou pessoais. É delas que falarei, pela pessoa da Sofia Ferreira.

Sofia tem-se feito ouvir na causa animal, e não só, sendo o rosto de vozes silenciadas, por receio de represálias. É o suporte de famílias que temem perder os seus animais. Denuncia maus-tratos, tendo até a coragem de não recuar perante os poderes vigentes que nos rodeiam. Conta com um percurso longo, onde coordenou o Núcleo de Aveiro da Associação Animais de Rua, especializada na Captura, Esterilização e Devolução (CED) para controlo populacional de forma ética. Pelos Açores, trabalhou com a Associação Animais de Rua, em S. Miguel, e mais tarde formou um grupo para praticar o método CED na ilha Terceira, onde depois criou a Ser – Associação de Sensibilização, Esterilização e Resgate Animal. Por ali, já conseguiu resultados a 100%, no que concerne ao controlo de várias colónias sinalizadas. Perante a realidade que encontrou, viu-se forçada a trabalhar de forma mais direta no resgate de animais, no fornecimento de cuidados veterinários e na articulação de processos de adoção responsável. Tem-no feito de forma incansável, contra duras marés.

Sofia, perante tantas dificuldades, sem procurares holofotes, redesenhas e afirmas o papel da emoção e do afeto, não baixando os braços ou reduzindo o teu lado feminino, recusando cadeiras reservadas, ou caminhos enviesados. Dás do teu tempo aos animais, e às pessoas. Dás da tua tristeza, quando não dá para salvar algum caso. Geres-te, e partes novamente, para o cuidado dos que continuam a precisar.

Permanece a tendência para gozar com a causa animal. Esquecem-se de quem fez o que podia para criar plataformas para a disponibilização de tetos, durante a crise de São Jorge, por exemplo. Eu não me esqueço de que foste tu, Sofia. E agradeço a tua persistência, muitas vezes incompreendida. Força da Natureza. Mulher livre, sem amarras. Com liberdade e frontalidade que amedronta o sistema patriarcal e a conivência de mulheres que permitem que ele continue a existir. Obrigada, Sofia.

“Não tive apoio do meu ex-namorado que chegou a chamar-me de avariada porque tinha o peito retalhado”

Helena Sousa, 44 anos, é um entre muitos exemplos de mulher que sobreviveu praticamente sozinha às amarguras da vida. De reanimada aquando do nascimento da filha à superação de um cancro da mama, a segurança privada de profissão curou-se “praticamente sozinha”

Helena Sousa diz que só quer paz, viver para si e reconhecer-se como mulher © ACÁCIO MATEUS

Dia 8 de março. Dia Internacional da Mulher. Mais do que uma data para homenagear as mulheres que viram o seu papel na sociedade desvalorizado, este é um momento para valorizar quem, por sua conta e risco, enfrentou a morte depois de receber um diagnóstico de cancro, mas recusou desistir e continua presente para contar a sua história de vida.

Helena Sousa, 44 anos, natural da freguesia do Pico da Pedra, é um exemplo de mulher que ofereceu o peito às balas e recusou desistir perante um diagnóstico que abala qualquer pessoa. A irmã mais nova de quatro filhas não teve uma adolescência/início de vida adulta fácil, pois só concluiu o 9.º ano antes de emigrar para o Canadá, país onde conheceu o ex-namorado.

Poucos meses depois da experiência em solo canadiano, regressou a São Miguel, tendo engravidado para o filho mais velho. Mais tarde foi mãe pela segunda vez, de uma menina. Com pouco mais de vinte anos de idade já tinha dois filhos à sua responsabilidade e um futuro ex-namorado pouco solidário, entregue ao álcool e à droga.

A história de vida de Helena Sousa é contada na primeira pessoa. “Cresci na infância com mais três irmãs, todas mais velhas. Atualmente vivo em Ponta Delgada. Estudei no Pico da Pedra e depois fiz o Liceu até ao 9.º ano. Emigrei para o Canadá onde conheci o meu ex-marido, pai dos meus filhos. Não correu muito bem. Voltei a São Miguel para morar em casa da minha mãe, grávida do meu filho mais velho. Ele veio comigo, moramos ambos em casa da minha mãe. Ainda tivemos uma filha, atualmente com dezasseis anos. Depois comprei uma casa na Lagoa”, resumiu.

Do sonho ao pesadelo

O sonho de uma vida a dois estava prestes a esfumar-se. “A crise entre 2012/2013 colocou-me no desemprego e fomos todos para casa. O meu ex-namorado também perdeu o emprego porque era segurança e com os problemas de alcoolismo que ele começava a evidenciar não ajudou. Tivemos de entregar a casa ao banco, mas ainda ficou uma dívida para pagar. Divorciamo-nos… Voltei para casa da minha mãe. Quando consegui uma casa mais barata mudei-me para Ponta Delgada e dei uma segunda oportunidade ao meu ex-namorado. Mas ele já estava nos vícios e depois andou na droga, alcoolismo e tudo se complicou”, recordou.

O pior veio depois. “Em 2024 decidi tirar o curso de segurança. Nessa altura já evidenciava alguns sintomas como o peito inchado. Antes do incêndio no Divino Espírito Santo tive febres muito altas e fui ao hospital. Parecia que ia morrer. A minha médica estava de serviço e mandou-me fazer antibiótico. Levou um bocado de tempo a passar, mas a massa dura persistia. Voltei uns tempos depois e voltei ao antibiótico. Ela pediu uma mamografia de urgência, mas com o incêndio tudo se complicou e, em junho, apareceu nova infeção. Acabei por pagar tudo do meu bolso na CUF e foi lá que foi detetada uma pequena suspeita. Fiz uma biopsia”.

A consulta agendada para 20 de agosto foi antecipada duas semanas. “Chamaram-me para o dia 4 de agosto e, nessa altura, percebi qual seria o resultado. A médica informou-me que era um tumor maligno, mas que era localizado, pelo que iria apenas fazer cirurgia e radioterapia. Mas, nessa altura, já estava a trabalhar e voltou tudo para trás. Tive de colocar baixa médica e fiquei sem receber qualquer apoio porque não tinha seis meses de trabalho para ter direito a apoio da Segurança Social. Foi muito complicado…”, assumiu.

Helena Sousa foi operada pela primeira vez a 5 de setembro de 2024. “Correu tudo bem”, disse. Dois dias depois teve alta, mas dois meses volvidos a médica “disse-me que tinha dois tipos de cancro: um intradutal e outro invasivo, sendo que o invasivo é mais complicado porque espalha-se para outros órgãos através das células”. Solução? “Tive de ser novamente operada para limpar o cancro invasivo e tive de fazer quimioterapia. Nessa altura não aguentei o choro porque o meu cabelo era comprido e sabia que iria cair. Para a imagem da mulher é algo difícil. Quando fui operada ao peito e olhei-me ao espelho e vi que me falta um mamilo também não é fácil”.

Com um tumor com cerca de 7,5 centímetros, Helena Sousa não tinha muitas opções. “No espaço de um mês fui operada por duas vezes. Correu tudo bem, mas depois fui encaminhada para a oncologia para a quimioterapia. Foram dezasseis sessões durante cinco meses. Mexeu comigo. Só queria deitar-me. O cansaço extremo quase não dava para subir as escadas de casa”, recordou.

Depois da quimioterapia veio a radioterapia e uma injeção hormonal de três em três meses para reduzir as células malignas. “Esta medicação é para reduzir o estrogénio para que o cancro não volte”, acrescentou.

Sou uma grande mulher”

Depois de dois anos a lutar pela vida, Helena Sousa voltou ao trabalho, como segurança, mas como uma mulher diferente. “A vida ensinou-me a pensar mais em mim. Sempre dei muito de mim aos outros, sempre lutei pelos meus filhos porque o pai ou está internado numa clínica ou está na rua. Quando os meus sogros faleceram ele recebeu a herança, mas não deu nada aos filhos. Os meus filhos só têm a mim e à minha mãe que também lida com cancro de pâncreas”.

“Sinto-me uma mulher diferente, mais madura. Conseguir colocar um travão numa relação tóxica, narcisista, durante a qual fui maltratada. Curei-me praticamente sozinha. Não tive apoio do meu ex-namorado que chegou a chamar-me de avariada porque tinha o peito retalhado. Depois de tudo o que já passei – inclusivamente duas reanimações quando a minha filha nasceu porque apanhei uma bactéria no hospital – só quero é paz, viver para mim e reconhecer-me como mulher. Sei que sou uma grande mulher!”

A agricultura também tem rosto de mulher

Patrícia Miranda
Deputada pelo PS na ALRAA

Celebramos o Dia Internacional da Mulher.
Este ano com um significado ainda mais especial: 2026 foi declarado, pela ONU, como o Ano Internacional da Mulher Agricultora.

É uma oportunidade importante para reconhecer algo que sempre esteve presente, mas que muitas vezes passou despercebido.

A agricultura sempre teve mãos de mulher. Hoje começa, finalmente, a ter voz.

Talvez por isso seja tão importante dizê-lo de forma simples, mas clara: a agricultura também tem rosto de mulher.

Tem o rosto das mulheres que acordam cedo para ajudar na ordenha, que tratam dos animais, que cuidam das culturas, que plantam vinhas e colhem as uvas, que acompanham as contas da exploração e que equilibram o trabalho no campo com a vida familiar. Mulheres que, muitas vezes sem grande visibilidade, foram sempre uma parte essencial da vida agrícola.

Nos Açores, essa realidade é particularmente evidente. Em muitas explorações, as mulheres estão presentes nas decisões, nas tarefas diárias e também nos momentos difíceis que o setor enfrenta. São parte da força silenciosa que sustenta muitas famílias e muitas comunidades rurais.

Durante muito tempo, o papel das mulheres na agricultura foi visto como um complemento. Hoje sabemos que não é assim. As mulheres são cada vez mais agricultoras, gestoras, técnicas, empreendedoras e líderes no setor.

Mas, acima de tudo, são pessoas profundamente ligadas à terra e ao que ela representa.

A agricultura ensina-nos muitas coisas: a paciência, a persistência e o respeito pelos ciclos da natureza. Quem vive da terra sabe que nada se constrói de um dia para o outro e que o futuro depende das decisões que tomamos hoje.

Talvez por isso muitas mulheres tragam também para a agricultura uma forma particular de olhar para o trabalho agrícola: com sentido de cuidado, de responsabilidade e de continuidade.

Mulheres que não pedem privilégios, pedem apenas reconhecimento, condições e oportunidades.

Mas falar das mulheres na agricultura não é apenas reconhecer o passado. É, sobretudo, pensar o futuro.

Quando falamos do futuro da agricultura, falamos da necessidade de atrair jovens para o setor. E isso é verdade. Mas esse futuro também passa por criar condições para que mais mulheres possam escolher a agricultura como projeto de vida.

Isso significa reconhecer o valor do seu trabalho, garantir melhores condições para quem produz e dar espaço para que as mulheres possam também participar nas decisões sobre o futuro do setor.

No fundo, trata-se de algo simples: valorizar quem trabalha a terra. Sem isso, falar de rejuvenescimento do setor é apenas retórica.

Eu própria cresci ligada à agricultura e sei bem o que ela representa para muitas famílias.
Foi na agricultura que aprendi o significado da persistência, da responsabilidade e da ligação profunda entre trabalho e vida.

Sei também que por trás de muitas explorações agrícolas existe sempre uma mulher que ajuda a manter tudo de pé, muitas vezes com discrição, mas com uma força enorme.

A política ensinou-me outra coisa: que liderar é também abrir caminhos para os outros.

E é por isso que acredito que o futuro da agricultura deve ser construído com mais mulheres a decidir, a inovar, a produzir e a liderar.

Porque quando uma mulher ocupa o seu lugar, não transforma apenas a sua própria vida.

Transforma também a comunidade que a rodeia.

Por isso, neste Dia Internacional da Mulher, e neste Ano Internacional da Mulher Agricultora, vale a pena lembrar algo que sempre esteve diante de nós:

A agricultura não se faz apenas com máquinas, terras ou números.

Faz-se sobretudo com pessoas. E muitas dessas pessoas são mulheres.

Mulheres que trabalham, que cuidam, que resistem e que continuam, todos os dias, a ajudar a construir o futuro da nossa agricultura.

Talvez por isso seja tão importante dizê-lo de forma simples, mas clara: a agricultura também tem rosto de mulher.

Tem o rosto das nossas avós, das nossas mães, das nossas filhas, das agricultoras que hoje continuam a escolher a terra como caminho.

E reconhecer esse rosto é também reconhecer uma verdade essencial: valorizar as mulheres agricultoras não é apenas fazer justiça. É investir no futuro da agricultura e no futuro da nossa sociedade.

Autarquia da Lagoa assinala Dia Internacional da Mulher

© CM LAGOA

A Câmara Municipal de Lagoa, na ilha de São Miguel, assinalou o Dia Internacional da Mulher, com uma “Caminhada e Atividade Física” aberta a toda a comunidade.

A iniciativa foi organizada pela Câmara Municipal e os participantes reuniram-se no edifício dos Paços do Concelho para realizar uma caminhada por algumas ruas da cidade da Lagoa.

De acordo com nota de imprensa enviada às redações pela autarquia lagoense, o presidente autarquia da Lagoa, Frederico Sousa, refere que: “esta atividade pretendeu, sobretudo, proporcionar um momento de convívio entre todos os participantes, relembrando a importância do Dia Internacional da Mulher, numa sociedade que se quer mais justa e igualitária. Por outro lado, é também uma atividade que visou alertar para a saúde e bem-estar de todos os lagoenses, mas igualmente, para a importância da alimentação saudável e do exercício, como promoção de hábitos saudáveis”.

Após a caminhada, no polidesportivo da Atalhada, na freguesia de Nossa Senhora do Rosário, decorreu uma aula de fitness dinamizada pelo Aquafit, seguindo-se de um momento de convívio entre todos os participantes, onde foi também oferecido um lanche.

As colaboradoras da Câmara Municipal foram, ainda, convidadas a participar num workshop intitulado “Intervenção sobre os hábitos alimentares consoante as fases metabólicas das mulheres”, proferido pela nutricionista Maria Costa. Segundo a autarquia, a sessão “pretendeu alertar para hábitos alimentares, mas também, para os pilares de uma vida saudável e equilibrada de acordo com o metabolismo pessoal de cada mulher e em cada fase da sua vida”.

“Ser mulher no Nordeste é ser resiliente e acreditar nas potencialidades do concelho”

© D.R.

Sara Sousa nasceu no concelho do Nordeste há 42 anos, o que considera ser “uma honra”. Lá cresceu durante a infância, o que se tornou “um privilégio” e, hoje, ocupa o cargo de vereadora com os pelouros da ação social, habitação, património, cidadania e igualdade de género.

No Dia Internacional da Mulher, que hoje se assinala, Sara Sousa sente-se privilegiada porque “ser mulher no concelho do Nordeste é ter a oportunidade de viver e desfrutar do melhor que a natureza tem para oferecer, é ser resiliente e acreditar nas grandes potencialidades do concelho”.

A jovem vereadora não teme os desafios que a vida lhe coloca no dia-a-dia porque “ser vereadora é um desafio que abracei com toda a humildade e com a certeza que com muito trabalho, dedicação e união entre os membros deste executivo estamos a contribuir para a promoção da qualidade de vida, segurança e bem-estar dos nordestenses, bem como daqueles que aqui pretendam investir, trabalhar ou viver”.

Mas nem sempre foi assim. A mulher tem vindo a rasgar caminho por entre caminhos por onde, há poucas décadas, só os homens andavam. Por isso, ser mulher hoje não é igual ao que foi há vinte ou trinta anos. “No decorrer dos anos as mulheres ganharam outros direitos, situação que lhes permitiu adquirir a sua independência e autonomia e lutar pelos seus sonhos”, vincou.

Nascida numa família de mulheres de garra, Sara Sousa recorda com orgulho o passado da mãe e das avós. “A minha avó paterna emigrou e toda a sua vida trabalhou numa empresa. A minha avó materna, considero-a uma mulher de garra, destemida, aventureira e sempre muito atualizada. Teve oportunidade de ser regente escolar em São Miguel e Santa Maria e, atualmente, julgo que poderia ter tido outras oportunidades e ter concretizado outros sonhos que devido a vários constrangimentos da vida não lhe foi possível concretizar”, disse.

As recordações da emancipação da mulher do Nordeste noutros tempos estendem-se à mãe. “A minha mãe saiu de casa dos meus avôs aos onze anos de idade e teve a oportunidade de estudar num colégio em Ponta Delgada. Foi difícil sair do seio familiar com aquela idade porque só regressava a casa nas férias, situação que atualmente, e felizmente, não acontece. Casou-se, teve três filhos e foi funcionária pública”.

Sara Sousa recorda os ensinamentos que recebeu. “Os meus pais educaram e preparam os filhos para serem independentes. Fomos educados a trabalhar e a colaborar nas tarefas básicas do quotidiano desde tenra idade, situação que nos permitiu ganhar responsabilidade e autonomia mais cedo e que só tenho a agradecer por isso”, acrescentou.

Por isso, e tendo em conta a constante evolução dos tempos, a mulher que integra o executivo na Câmara do Nordeste acredita que o progresso continuará a prevalecer e que daqui a algumas décadas “ser mulher no Nordeste será ter a oportunidade de viver num concelho sustentável, inovador e atrativo ao investimento”.