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Kol de Carvalho expõe “Romaria cigana” no Nordeste

© CM NORDESTE

Está patente na sala de exposições do município do Nordeste a mostra fotográfica “Romaria cigana”, do arquiteto e fotógrafo Jorge Kol de Carvalho, trabalho que resulta de uma das suas muitas viagens.

Esta, especificamente, foi a França, a Saintes-Maries-de-la-Mer, onde, todos os anos, no mês de maio, a pequena vila se transforma num ponto de convergência e de peregrinação de fé, reunindo múltiplas celebrações que reforçam a união de milhares de ciganos vindos de toda a Europa.

A exposição capta o mais simples e elementar desta celebração, como descreve na folha de sala o padre Duarte Melo, por casualidade natural do Nordeste, da freguesia da Salga.

Para a maior parte dos presentes, esta era uma tradição desconhecida, assim como, para a maior parte das pessoas, e que o registo documental veio permitir conhecer. A inauguração da exposição contou com a presença de muitos amigos e conhecidos que acompanham o trabalho do arquiteto Jorge Kol de Carvalho, assim como de representantes de entidades locais, tendo a abertura sido presidida pelo vice-presidente da Câmara do Nordeste, Marco Mourão.

“A ciência não tem de anular a fé nem a fé tem de anular a ciência”

Em entrevista ao Diário da Lagoa, o enfermeiro e romeiro Hélio Ponte reflete sobre como a espiritualidade e a evidência clínica se complementam no cuidado ao próximo, num testemunho onde a farda do hospital e o xaile da romaria se unem pelo mesmo propósito: a vida

Hélio Ponte nasceu em Vila Franca do Campo onde viveu até 2004, atualmente reside na Ribeira Grande © ACÁCIO MATEUS

Hélio Ponte nasceu em Vila Franca do Campo no ano de 1976, onde viveu até 2004, mas sem nunca perder a ligação à terra de origem. Atualmente vive na Ribeira Grande com a esposa e o filho. Toda a família e ascendentes são de Vila Franca do Campo.

Viveu uma infância normal, sem luxos, no berço de uma família humilde. Enquanto criança, passou muito tempo com os amigos, em particular no cais do Tagarete, mantendo sempre uma estreita ligação à igreja, inicialmente como acólito.

Filho de pai pescador e uma de família ligada ao mar, viu o pai mudar de vida quando passou a motorista marítimo, mas sem perder o ‘chão’ de água. A mãe, doméstica, tratava das lides da casa.

É o filho mais velho de três – irmão de Raquel e José Mário – e o seu percurso académico começou na então Escola Primária de Vila Franca do Campo (atualmente EB1/JI Prof. António dos Santos Botelho), Escola Preparatória de Vila Franca do Campo (agora designada de EB/S Armando Cortês-Rodrigues), Escola Secundária Antero de Quental e, mais tarde, Escola Superior de Enfermagem de Ponta Delgada (atualmente Escola Superior de Saúde da Universidade dos Açores).

Nesta entrevista, fala da fé, da romaria, do ser romeiro, do ser enfermeiro e de como a ciência e a fé se podem complementar na salvação de pessoas.

© ACÁCIO MATEUS

DL: Quando decidiu ser enfermeiro?
O meu ensino secundário, por vários fatores, não foi totalmente linear. Alguns sobressaltos, dúvidas talvez típicas da idade. Nunca fui um “aluno de excelência”, mas tinha consciência que sempre dei o meu melhor. Em 1997 fiz exames nacionais e iniciei o curso de enfermagem nesse mesmo ano, ainda como curso de bacharelato terminando em 2000, mas tivemos oportunidade de fazer de imediato o ano complementar de formação em enfermagem que terminou em 2001 dando-nos a equivalência a licenciatura. Nesta altura já enfermeiros formados há vários anos já estavam a regressar aos bancos da universidade para obterem a mesma equivalência. Foi uma mais-valia ter-nos sido dada essa oportunidade.

DL: Foi algo que já queria ou foi uma oportunidade de carreira/estabilidade?
Um misto de ambas. Talvez tenha descoberto essa apetência bem tarde ou, se calhar, até foi no momento certo, será sempre uma incógnita, mas não me arrependo de nada e tenho a certeza que faço-o com rigor e dedicação. Não gosto de falar do termo “vocação”, acho demasiado forte e não acho que se adeque por completo a esta profissão. É, acima de tudo, necessário o saber, saber estar e saber ser. Na altura era uma profissão com muita saída e colocação garantida. Também foi uma oportunidade de estabilidade de carreira e rapidamente (em menos de um ano) entrei para os quadros do HDES.

DL: Sempre trabalhou na mesma área ou tem vindo a mudar de área?
Desde que comecei a exercer atividade profissional foi sempre nesta área e na mesma instituição, o HDES.

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DL: Ser romeiro foi uma decisão repentina ou já tinha outros familiares romeiros na família que o foram “puxando” para a romaria?
A pergunta foi muito bem colocada: desde quando és romeiro e não desde quando vais de romeiro. São duas perspetivas completamente diferentes porque a romaria é uma vivência para a vida e não só aqueles oito dias. Acaba por ser uma conduta e não um mero rito anual de penitência. Até podemos questionar o porquê deste penitenciar nos dias de hoje, mas não é uma procura de sacrifício desmedido porque, acima de tudo, quer-se misericórdia e não sacrifícios. Acaba também por ser um “peso” e responsabilidade porque somos logo apontados ao mínimo deslize no dia a dia. Não participamos numa romaria por sermos “santos e exemplo” (nunca haveria romarias assim), vamos na mesma por termos um propósito e um chamamento. Obviamente que há, infelizmente, quem se desvie do que é fazer e estar numa romaria.

Nunca tive familiares próximos que fossem romeiros na altura em que comecei. Fiz a minha primeira romaria em 2006 e desde então nunca mais deixei a mesma. Só me arrependo de não ter começado mais cedo. No entanto, tal não foi possível por múltiplos fatores, especialmente os estudos. Vila Franca do Campo só retomou as romarias no ano de 2000 depois de um grande interregno desde 1979 e, em boa hora, voltaram nas pessoas dos irmãos Carlos Saêta, José Pimentel e Hermínio Sousa, ficando depois entregue ao nosso atual mestre, irmão Carlos Vieira, e melhor entregue não poderia ficar.

Sempre gostei de ver os ranchos de romeiros, sempre tive a minha ligação à igreja e aos seus movimentos, como acólito, escuteiro e no Grupo de Jovens Vicentinos, mas nunca surgira oportunidade de o concretizar. Depois de ler o livro “Diário de uma Romaria”, de 2005, do irmão mestre Carlos Vieira, foi o incentivo que faltava. Não me sentia necessariamente afastado da igreja nessa altura, mas faltava algo e a romaria foi o que faltava.

Lembro-me perfeitamente da minha primeira romaria. A minha primeira pernoita de sempre na Fajã de Cima foi mesmo um testar das forças e de força de vontade, não pela família que nos recebeu que foi de um carinho formidável, mas por outros fatores desde água fria e eu, por respeito e ainda acanhado e novato, tive vergonha de dizer, desde barulho de vizinhos…dormi pouco ou mesmo nada. Na madrugada seguinte, no Alto da Mãe de Deus, em Ponta Delgada, só me apetecia vomitar. Não estava fisicamente bem e questionei mesmo o que eu fazia ali. Foi o primeiro e único momento desde que sou romeiro que essa “tentação” de sair da romaria me passou pela cabeça. Não estava mesmo bem. Mas os irmãos mais experientes foram sempre me incentivando. A refeição na paragem na Casa de Saúde de Nossa Senhora da Conceição foi o volte-face. Desde então que não consigo imaginar um ano sem ter essa semana de isolamento e introspeção. Sei bem ao que me vou sujeitar, ao desconforto, à dor, a poucas horas de sono, a dias que podem ser mesmo violentos. Sim, dependendo de várias circunstâncias, uma romaria pode mesmo ser violenta física e psicologicamente. Os três anos de interregno devido à pandemia não foram fáceis de lidar.

DL: Sendo um homem da medicina, onde por vezes se operam verdadeiros milagres que salvam pessoas, até onde vai a medicina e onde começa a fé/devoção das pessoas?
Numa das reuniões de preparação da romaria falamos precisamente disso, do equilíbrio entre a fé e a ciência. Faz-se a comparação com as duas asas de uma ave. A mesma só voa em segurança se as duas asas estiverem bem. Uma asa é a razão (a ciência) e a outra é a fé (Deus). É perfeitamente possível esse equilíbrio desde que vejamos esse equilíbrio na base da complementaridade e não do conflito. São duas formas complementares de se buscar a verdade. O próprio Einstein via a ciência e a racionalidade do universo como evidência no limite de algo superior, de uma inteligência criadora. Várias pessoas ligadas à igreja foram também cientistas como Georges Lemaître, sacerdote, que desenvolveu a teoria do Big Bang, do átomo primordial. A ciência explica como aconteceu e a fé o porquê de acontecer. A ciência não tem de anular a fé, nem vice-versa. Na nossa civilização ocidental, se é que é permitido usar esta expressão sem que me atirem sete pedras, a criação de universidades cristãs são o exemplo de como a fé cristã pode fomentar o conhecimento e desenvolvimento científico. A meditação também é vista como ciência da mente.

Entendo que consegui uma formação catequética e católica lúcida no sentido de entender que há espaço para a fé e a ciência conviverem e complementarem-se uma à outra. Efetivamente, já fui questionado nesse sentido, não necessariamente apenas relacionado com a profissão que exerço, mas porque há uma correlação muitas vezes errada com o grau de ensino e a crença numa religião, credo ou fé. Uma não invalida a outra, mas é certo que me baseio no dia-a-dia na evidência científica no exercício da minha profissão.

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DL: Já teve algum paciente que pensou que poderia não sobreviver e, sem que nada aparente o pudesse justificar, recuperou-se?
Sim, várias vezes. Cada pessoa tem mecanismos fisiológicos ou condicionantes provocados por doença que originam diferentes formas de adaptação à alteração do seu estado normal de saúde como situações de traumatismo grave, por exemplo, em especial das células nervosas. Neste preciso momento em que partilhamos estas ideias acredito que está a acontecer uma situação destas num caso extremamente delicado e instável.

Mas voltando ao tal equilíbrio necessário entre a fé e a ciência, a primeira também pode influenciar decisões relacionadas com o prolongamento de medidas de suporte artificial de vida ou até mesmo interrupção da mesma em casos extremos. Há sempre a questão de tratamentos ou prolongamento dos mesmo que se transformam em autêntica distanásia. A dignidade até no morrer está acima de tudo, e um morrer sem dor acima de tudo. É lícito usarmos a fé para manter medidas desproporcionadas ao doente que até podem atentar à dignidade humana? É o tal equilíbrio que é necessário.

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DL: A fé salva pessoas?
Sendo católico não posso excluir isso, mas como disse anteriormente, no dia-a-dia, baseio-me na evidência científica no exercício da minha profissão. A fé, numa vertente catequética também é falada nas nossas reuniões de preparação. É o acreditar sem ver. É um dom gratuito da graça de Deus e não o resultado de obras humanas, a tal dicotomia entre a ciência como evidência e a “falta” da evidência que é a fé, o acreditar sem ver. Mas a fé também pode ser intelectual, não tem necessariamente de estar ligada a uma crença ou religião, mas também a uma filosofia de vida, por exemplo. A mesma promove a ligação a algo maior que não se vê, o tal acreditar sem ver. Pode trazer paz e conforto em momentos difíceis, de forma alguma está descartado que a fé não desempenhe o seu papel na recuperação de uma doença, nem que seja no conforto e esperança.

Este é um facto real. Um Cavaleiro da Ordem de Santiago de Compostela, residente em Ponta Delgada, em 2013 confiou fervorosamente a oração ao nosso rancho por um bisneto que tinha nascido com várias complicações. Os médicos tinham muitas reservas sobre a sobrevivência do mesmo. Na romaria de 2014 esta intenção foi rezada fervorosamente, assim como todas as outras, e a verdade é que o menino é hoje uma criança saudável. O seu bisavô testemunhou esta vivência à Ordem. A mesma atribuiu a Medalha de Ouro da Ordem ao Rancho de Vila Franca do Campo. Terá sido só a medicina? A oração e a fé? Ambas juntas? Dá que pensar estas e muitas outras situações. Como já foi dito numa romaria “busca-se também aqui o que a Ciência não resolve!”

Outra situação que também dá que pensar. Na igreja da Senhora do Rosário na Povoação há uma imagem invocada como Senhora do Ó ou Senhora do Parto. Invocada para que a futura mãe tenha uma “hora pequenina” (parto sem dificuldade) ou por quem não consegue engravidar. Duas situações ocorreram em que após anos a tentar engravidar, mesmo com o auxílio de medicação tal não aconteceu e após o pedido de oração do nosso rancho à mesma imagem no ano seguinte estava-se a agradecer a concretização do pedido de oração. Inclusivamente este ano uma das mães levou a sua menina à igreja acompanhando-nos na oração.

Ponta Garça celebra a Semana Cultural com foco na educação e tradição local

Entre os dias 23 e 27 de março, a Escola Básica Integrada de Ponta Garça promove um programa diversificado que une ciência, artes e o património da freguesia, culminando na emblemática romaria da comunidade educativa

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A Escola Básica Integrada (EBI) de Ponta Garça, no concelho de Vila Franca do Campo, prepara-se para transformar o quotidiano dos seus alunos e da comunidade local com a realização de mais uma Semana Cultural, que decorrerá entre 23 e 27 de março. Sob o lema “Explorar, Criar e Aprender”, a iniciativa, comunicada pela própria instituição, pretende reforçar os laços entre o estabelecimento de ensino e a sociedade civil, contando com a colaboração de diversas entidades ligadas à ciência, ao ambiente e à cultura açoriana. O arranque das atividades destaca-se pela vertente prática e formativa, incluindo a II edição da Feira de Empregabilidade, Formação e Educação, que reunirá várias escolas profissionais da ilha de São Miguel para apresentar soluções de futuro aos jovens estudantes.

A programação deste ano assume uma forte componente de identidade regional, estando patente uma exposição comemorativa dos 50 anos da Autonomia Regional, organizada pelo Departamento de Ciências Sociais e Humanas da escola. A inovação tecnológica e o conhecimento científico também marcam presença através de um atelier de robótica e da instalação de um planetário, este último sob a responsabilidade do Observatório Astronómico de Santana Açores (OASA). No campo da literatura, a Biblioteca Escolar será o palco do evento “Chá com Letras”, onde serão apresentadas as obras “O Ciclo do Leite”, de Mariana Magalhães e Cristina Quental, e “Aqui Nasceu Ponta Garça”, da autoria de Renato Nunes, além da leitura de “Contos com Garça” por Rosa Cardoso e da partilha digital de cerca de 100 recomendações de livros no formato booktoker.

O cartaz cultural estende-se ainda à música e à criatividade artística, com um concerto do grupo “Pura Folia” e atuações dos músicos emergentes Tomás Sampaio e Marta Tavares. Ao longo da semana, os alunos participarão em oficinas de artesanato, pintura de murais, feiras de plantas e atividades físicas, não esquecendo a vertente ambiental com a plantação de espécies endémicas.

O encerramento da Semana Cultural, agendado para o último dia, será marcado pelo sentido de pertença e tradição: a Associação de Pais organiza uma Romaria que levará toda a comunidade educativa até à Igreja de Nossa Senhora da Piedade para uma celebração eucarística, terminando com um lanche convívio que celebra os costumes enraizados na freguesia de Ponta Garça.

Rancho de romeiros dos Fenais da Ajuda é o primeiro a percorrer 40 quilómetros na ilha do Pico

Foram os primeiros a ter a iniciativa de levar as romarias de São Miguel à ilha Montanha, onde foram “muito bem” recebidos. Ao DL, o pároco responsável pela iniciativa faz um balanço positivo e conta como sentiram um “respeito enorme pelos romeiros”

© CORTESIA PEDRO SILVA

Foram os primeiros romeiros micaelenses a ter a iniciativa de fazer uma romaria na ilha onde se encontra o ponto mais alto de Portugal. O rancho composto por 21 romeiros dos Fenais da Ajuda partiram da ilha de São Miguel rumo à ilha do Pico no passado dia 29 de fevereiro para depois no dia 1 de março fazerem uma romaria, percorrendo 15 igrejas do Pico, ao longo de 40 quilómetros. 

À conversa com o Diário da Lagoa (DL), o mestre do rancho dos Fenais da Ajuda, António Moniz Catunto, 59 anos, conta que a ideia partiu do padre Francisco Rodrigues, pároco na freguesia dos Fenais da Ajuda, concelho da Ribeira Grande.

“O ano passado o nosso padre Francisco foi connosco na nossa caminhada e gostou. Quando terminamos a romaria ele disse que ia fazer uma surpresa ao rancho e que nos ia levar à ilha do Pico pois ele viveu sete anos lá e conhece muita gente no Pico. Então, sugerimos que fosse na quaresma”, diz o mestre.

Francisco Rodrigues, 36 anos, é natural da ilha do Faial mas é pároco nos Fenais da Ajuda e outras paróquias, há quatro anos.

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Ao DL, diz que levaram como tema de reflexão “Os Dons de Deus” e que “o balanço é muito positivo”, enquanto acrescenta sem hesitar: “tivemos muitos pedidos de Avé Maria, as pessoas aderiram muito à nossa passagem, as missas — tanto na partida como na chegada — estavam com muita gente sobretudo na chegada com muitas pessoas à nossa espera”.

Questionado sobre o impacto que a romaria teve nos picoenses, revela que “sentia-se um respeito enorme pelos romeiros, principalmente na oração da chegada ao Bom Jesus”. 

A romaria decorreu no primeiro dia de março, saindo da freguesia de Santa Cruz das Ribeiras até terminar em São Mateus, no Santuário do Senhor Bom Jesus Milagroso. 

“Foi um dia só, mas foi espetacular”, assegura António Catunto, enquanto fala de momentos que o marcaram.

“Uma senhora até mandou parar o rancho para nos dar uns biscoitos e bebidas”, conta. “Nas Lajes deram-nos, também, um saco de bananas, depois mais à frente no percurso deram-nos um saco de mandarinas e um bolo de massa sovada. Todos no rancho adoraram e os locais também “, diz o pároco com emoção na voz. 

“Até queriam que fizéssemos na ilha toda, mas não podia ser”, lamenta.

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Francisco Rodrigues explica que o primeiro dia foi mais turístico, só no seguinte houve a romaria e no último foi cultural. “A ideia foi abranger várias áreas como a tradição, a Fé e a cultura”, revela o padre. 

“O nosso objetivo foi ir fazer a romaria ao Pico com o nosso rancho e não com as pessoas locais. Houve quem pensasse que fôssemos com o intuito de fazer surgir romarias no Pico, mas não. O objetivo foi de ir em passeio e dentro desse passeio incluir um dia de romaria até ao Bom Jesus do Pico, o segundo maior santuário da diocese”, explica o pároco natural do Faial.

“Ao chegar ao Pico começamos por visitar a Casa dos Vulcões, depois tivemos um almoço na Escola Secundária das Lajes do Pico, onde houve uma apresentação sobre as romarias aos alunos do terceiro ciclo e secundário”, prossegue.

Depois, no dia 1 de março foi o dia da romaria, em que saíram de Santa Cruz das Ribeiras, sendo o padroeiro o Cristo crucificado, até ao santuário do Bom Jesus. 

O dia 2 de março foi dedicado à cultura. “Visitamos o Museu dos Vinhos e o Museu dos Baleeiros, sendo que à noite tivemos um convívio com o Folclore de São Caetano”, conta Francisco Rodrigues.

Quanto ao final da romaria, o padre dos Fenais da Ajuda, descreve que: “a oração que habitualmente fazemos ao Santo Cristo, fizemos na capela do Bom Jesus” enquanto conclui que “as pessoas receberam-nos muito bem.”

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Quando regressaram a São Miguel, a 3 de março, o rancho descansou alguns dias para logo no sábado, 9 de março, sair na romaria na maior ilha do arquipélago. Regressaram à sua freguesia no dia 16 de março. O mestre de romeiros garante que não se sentiram cansados e acrescenta: “saímos desta experiência duplamente satisfeitos, pois em São Miguel também correu tudo bem, não há palavras para descrever”.

Questionado sobre a sua experiência como romeiro, conta que faz romaria há 32 anos, “dos quais oito anos como mestre de romeiros”, enquanto diz que “devagarinho, com calma, a gente vai ao longe”.

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Sobre a preparação, assegura que “é muito importante numa romaria” e não esconde que “o mais essencial é a missa, todos os dias. Não gosto de um dia em que não vá à missa”.

Quanto ao futuro da romaria, garante que está assegurado na família. “Levei os meus filhos comigo também, um de 19 anos de idade e o outro com 23”, diz António Catunto. “Estou a prepará-los para dar continuidade à tradição, porque não sabemos quando chega a nossa hora de partir deste mundo”. 

Para além dos romeiros naturais de São Miguel, na romaria no Pico participaram também três romeiros picoenses, entre os quais o padre José António Neves e o padre Luís Dutra.