
O feito é inédito para Júlia Rego e Inês Varão e para o mundo da astronomia que ficou a saber que há um novo asteróide. As duas alunas da Escola Secundária de Lagoa (ESL), na ilha de São Miguel, descobriram um novo asteróide, que de acordo com o Priberam, se trata de “cada um dos corpúsculos que circulam no espaço e se incendeiam quando entram na nossa atmosfera”. A descoberta, feita exclusivamente com recurso a meios online, aconteceu no passado dia 13 de fevereiro, dentro das paredes da ESL.
“Nós recebemos quatro ficheiros, quatro fotografias do céu e depois nós temos que abrir uma aplicação chamada Astrometrica. Quando vemos as imagens temos que selecionar para dar à NASA outras informações de um destes asteroides que já eram conhecidos. Nós temos que ver se há mais alguma coisa que se está a mover nessas quatro imagens e selecionamos para ver se é um asteroide ou não” começa por explicar ao Diário da Lagoa (DL), Júlia Rego, 15 anos, natural da Vila de Água de Pau.
“E vocês quando perceberam que tinham encontrado um asteroide o que é que se sentiram?”, perguntámos. “Muita felicidade. Era a minha primeira vez a trabalhar numa coisa dessas do espaço e foi muito fixe, foi uma exaltação” revela Júlia, visivelmente entusiasmada. Para Inês Varão, 15 anos, natural da freguesia de Nossa Senhora do Rosário, “foi uma experiência muito diferente”. A aluna diz que “também é muito bom saber que para além de estar a aprender coisas novas” também está “a ajudar o planeta e a ajudar toda a gente que está envolvida nesse projeto. E também foi uma grande felicidade descobrir este novo asteroide, quando estávamos a fazer com o professor”, diz. A descoberta, através de uma aplicação específica, e foi feita com a ajuda dos professores.
Luís Filipe Machado, docente e responsável pelo Clube de Astronomia da ESL diz que esta “caça aos asteroides” existe por duas razões. “A primeira, para aqueles que são conhecidos ou não, os novos, saber onde é que eles estão, por causa da exploração espacial porque as agências espaciais estão cada vez mais a mandar coisas lá para cima, para o espaço, sondas, naves tripuladas. E do outro lado, há alguns destes que estão na cintura dos asteroides, que, dentro dos corpos celestes, entram no sistema solar, como foi o caso do ano passado”, sublinha.
Luís Machado indicou já o nome das duas alunas como “cidadãs cientistas da NASA”. Um fato curioso: ambas estão na área das humanidades. “ O professor propôs-nos na aula”, contam ambas revelando também que têm um fascínio pela astronomia.

Júlia e Inês acabam por ser exceção. Ambas interessam-se por atividades não letivas, uma realidade que é cada vez mais incomum. “Não se sente só na Secundária de Lagoa, tenho outros professores colegas meus que sentem que os alunos estão cada vez mais desligados daquilo que não forem as aulas”, diz Luís Machado. Para o docente, “isto é uma consequência dos nossos atuais tempos, com os alunos cada vez mais ligados aos computadores e aos telemóveis. Há dez anos arranjava para o Clube de Astronomia mais de 100 alunos” e hoje já não é bem assim, alerta. Atualmente, também o trabalho feito pelo Clube de Astronomia da ESL, “é mais a sério” e portanto exige outra disponibilidade, atenção e dedicação ao projeto.
A ESL já encontrou cinco asteroides, segundo Luís Machado, todos confirmados pela NASA (Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço) dos Estados Unidos da América. Cada campanha internacional de caça aos asteroides dura três semanas e pode ser feita por qualquer pessoa, em qualquer parte do mundo. Mas segue critérios objetivos e apertados por parte da NASA. Inês Varão explica que cada busca “às vezes demora trinta minutos, às vezes mais, depende das imagens. Há umas que têm mais coisas desconhecidas e outras que têm menos. Existem as que implicam a gente estar a ver mais e estar mais atentos aos ficheiros”. A prática vai aguçando o engenho. E pelo menos um asteroide, já ninguém lhes tira. Pode ser que, um dia, venha a ser batizado com o nome que elas próprias escolherem.

Ensinar e aprender sempre foram dois verbos desafiantes para o desenvolvimento das sociedades e para a evolução do ser humano. A atualidade não é diferente. A realidade que se vive nas escolas é pautada pela necessidade de comunicar conhecimento às novas gerações, mas também dotar os alunos com as competências necessárias para se integrarem, ativa e eficazmente, num mundo que evoluiu a uma velocidade vertiginosa. A metodologia STEAM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) procura ser mais uma ferramenta no arsenal dos professores para ligar conhecimento, emoções e o saber fazer, pois acredito que, só com essa trilogia em mente, conseguiremos responder aos desafios.
Não há efetiva aprendizagem se o conhecimento não despertar nos alunos emoções, sejam elas de entusiasmo, curiosidade ou frustração! Não há aprendizagem profícua se o conhecimento não se traduzir na realização otimizada das tarefas que a vida nos apresenta.

Uma das formas de promover um espaço educativo para a realização de atividades, que visem a metodologia STEAM, na Escola Secundária de Lagoa (ESL), é a realização de eventos que envolvam a comunidade, que desafiem os alunos a desenvolver projetos e a apresentá-los aos colegas, empresas e famílias.
A 30 de novembro decorreu o evento STEAM & GAMES 2.0, no hall de entrada da ESL, que se estendeu temporalmente das 9:00 às 21:00, composto por trinta e quatro stands onde os alunos, de diversas turmas, apresentaram os seus projetos à comunidade escolar, à comunidade e famílias em geral.

Na disciplina de Física do 12º ano os alunos foram desafiados a desenvolver projetos que explorassem as energias renováveis, em particular a solar e a eólica, e criaram protótipos funcionais das duas energias. No 11º ano os alunos foram incitados a associar o conhecimento a um assunto que os entusiasmasse. Os cosméticos, o fabrico do queijo, as tintas ecológicas, a aviação, a música e a ciência forense foram os temas escolhidos e desenvolvidos. Diversos projetos procuraram ser a resposta a um desafio atual, em todas as áreas da sociedade: a robótica e o pensamento computacional. Neste contexto, os alunos manipularam diversos robots, construíram cenários de aprendizagem e criaram atividades de desmistificação da linguagem binária e programação. Não puderam faltar a impressão 3D, os drones e a realidade virtual.

O funcionamento e construção de mecanismos simples, carpintaria e as Arts and Crafts completaram o leque de projetos STEAM apresentados.
A gamificação, e o uso de jogos e videojogos no ensino, foi a outra metodologia que completou o evento. Uma área onde a motivação dos alunos é fácil e onde o desafio paira na construção de jogos eficazes que permitam o equilíbrio certeiro, entre aquisição e aplicação de conhecimentos, e a jogabilidade atrativa.
As metodologias STEAM e Gamificação não são novas, mas talvez seja esse o momento certo para as experimentar em sala de aula pois permitem um envolvimento e entusiasmo genuíno pelo conhecimento!