
O músico vem do município de Ourém e o seu percurso musical inicia numa banda filarmónica, já aos oito anos. “Foi o meu primeiro contacto com a música”, diz Tiago, que começou a tocar oboé e bateria desde criança, passando também pelo conservatório, onde tocou piano.
A sua admiração pelo oboé inicia na banda filarmónica, “fiquei fascinado com o som”, explica, acrescentando que, nessa altura, ainda não era uma decisão tomada, a de seguir esse caminho. O artista começou por “explorar” e chegou a fazer parte “das típicas bandas de escola” durante a adolescência, onde tocava bateria, não deixando o oboé de lado.
Os seus estudos foram feitos no conservatório e, a dada altura, Tiago ponderou ser veterinário. É durante essa época que vem para os Açores realizar um ano sabático. “Fi-lo na Terceira, em Angra do Heroísmo, porque lá tinha veterinária”, explica ao DL.
Após um tempo, o artista percebe que seguir música era efetivamente o seu caminho, e realiza “provas” para as “Escolas Superiores de Música, de Lisboa e do Porto”. Acaba por escolher ingressar na Academia Nacional Superior de Orquestra, “na Metropolitana, em Lisboa”, onde tocava “oboé clássico”.

Após terminar os estudos, Tiago revela ter ainda incertezas sobre o futuro. Aos 24 anos começa por trabalhar numa “escola de artes ligada ao Festival de Músicas do Mundo”. Confessa que foi por esta altura que se começou a organizar em volta do oboé. Durante quatro anos lá ficou, e também montou com amigos um grupo onde tocavam instrumentos “ditos populares e eruditos”. Chegaram a fazer concertos e a tocar “no Festival de Músicas do Mundo”. Os próximos quatro anos da sua vida seriam passados no Brasil.
Tiago viaja para São Paulo, “a princípio”, à procura “do que fazer com a sua vida”. O artista tem aí a oportunidade de interagir com músicos do Circuito de Improvisação Livre de São Paulo, de gravar CDs instrumentais com outros artistas e teve ainda um trabalho de coordenação artístico-pedagógica para o maior projeto sociocultural do Brasil, o “Guri”. O não querer “viver numa cidade grande” foi um dos principais motivos que o fizeram regressar a Portugal.

Após o Brasil, é no Faial que escolhe passar os próximos tempos, de onde partia, “todos os sábados”, de barco, até às Lajes do Pico para dar aulas de oboé. Cria ainda o grupo de improvisação B.I.F (Bando de Improvisação do Faial), para a “criação de música em tempo real, com linguagem gestual” e lança uma pequena obra intitulada de “Cryptoneveda”. Tiago passou também por São Miguel, onde tocou na Sinfonietta de Ponta Delgada, durante uma semana.
É em São Jorge que vive atualmente, há três anos, e acredita que seja onde vá ficar. Neste momento, dá aulas a “algumas filarmónicas” e trabalha na elaboração do projeto que pretende levar a outras ilhas: a “Caravana dos Sons”, que consiste no transporte da sua música, a vários sítios, na sua carrinha. “A questão é que o município não precisa de montar a estrutura. Eu levo-a toda comigo”, explica.
Foi em abril que Tiago regressou a São Miguel e levou ao Mini Tremor, na Lagoa, o seu projeto “Oboé com Asas”. Tiago diz influenciar-se pelo ambiente onde toca e, mais do que isso, pelas expressões das pessoas que o ouvem.
Move-se pela liberdade que lhe traz a música e, num futuro próximo, deseja poder “tocar mais”, levando a sua arte a mais horizontes.